Doce vingança
8 Sofrendo as consequências
Notas iniciais

POV Renesmee
O dia tinha acabado de amanhecer. Aquela noite tinha sido agitada para algumas pessoas — no caso, Claire e Quil. Eles até que não eram tão barulhentos, porém, graças à minha super audição herdada da metade vampira, eu conseguia ouvir mais do que deveria.
Eu quase não tinha dormido nada. O caso deles eu até poderia ignorar, mas meus próprios pensamentos eu não conseguia.
Lucie grávida.
E, de certa maneira, sendo enganada por mim e por Jacob.
Eu conseguia sentir a pulsação dos sentimentos dela se chocando contra os meus, mesmo estando a metros de distância. Quem dirá perto o suficiente para…
Ok, Nessie. Não pense nisso.
Tentava deletar qualquer pensamento relacionado a Jacob, mas quanto mais eu tentava, mais eles surgiam, fazendo meu coração apertar e o desejo de tê-lo por perto crescer, causando uma sensação constante de agonia no peito.
Suspirei, observando o sol surgir pela janela e aquecer meu rosto. Meu corpo permanecia imóvel. Eu estava necessitando cada vez menos das minhas necessidades humanas, camuflando sentimentos como qualquer vampiro bem treinado sabia fazer. Meu único objetivo agora era me manter longe de Jacob.
Lembrei do meu pai dizendo que eu nunca deveria deixar minha parte humana desaparecer, porque ela fazia parte da minha essência. Que eu jamais deveria me permitir me tornar um animal completo. Segundo ele, eu havia sido salva por ainda possuir humanidade.
Sentei-me no sofá como uma estátua de mármore: fria por fora e completamente vazia por dentro.
Já fazia cerca de duas semanas que eu estava na vila. A construção da minha casa estava a todo vapor. Todos os rapazes ajudavam — inclusive Jacob. Paul ajudava por obrigação, mas eu preferia que ele ficasse longe.
— Nessie?!
A voz de Claire me arrancou do torpor. Olhei para ela com os olhos vidrados, o que a fez se assustar e dar um passo atrás.
— Você parece uma boneca de mármore — comentou.
Soltei os ombros, tentando parecer mais normal, e forcei um meio sorriso.
— Desculpa, não queria te assustar.
Ela riu enquanto passava café.
— Não foi susto… é que ainda não me acostumei com a beleza dos vampiros. E vamos confessar: não sei se é por você ser metade, metade, mas você é… perfeita.
Revirei os olhos.
— Prefiro a beleza humana. Como a sua, por exemplo.
— Ah, por favor, Renesmee, não me humilhe logo cedo — brincou.
Rimos juntas.
— Mas seus olhos estão escuros…
— Preciso caçar — respondi, sentindo a garganta coçar levemente.
— Bom dia, meninas — Quil surgiu, usando apenas uma bermuda surrada, beijando Claire de forma nada discreta.
Virei o rosto, sorrindo de leve.
— Bom dia…
— Pronta pra mais um dia? — ele perguntou.
Assenti, levantando-me.
— Bora.
Quil ainda se despediu de Claire umas cinco vezes antes de sairmos. Fui na frente, caminhando pela ruazinha que levava à construção da minha casa.
Avistai Seth encostado em uma árvore, comendo um hambúrguer, totalmente concentrado. Sorri e fui até ele.
— Hum… gostoso.
Ele olhou por cima do ombro e sorriu de canto.
— Tá falando de mim ou do hambúrguer?
Arqueei as sobrancelhas surpresa. Meus olhos, traidores, desceram pelo peito nu e musculoso dele, analisando braços fortes, veias marcadas…
Ok, cérebro, chega.
Engoli em seco. Seth riu alto.
— Eu estava brincando, Nessie.
Veio até mim e me deu um abraço apertado. Retribui automaticamente.
Ele afastou meu cabelo do pescoço e cheirou de leve. Meu corpo arrepiou inteiro. Afastei-me rapidamente, confusa.
— Desculpa — ele pediu, visivelmente constrangido.
E então percebi que o pedido não era para mim.
— Bom dia.
A voz grave de Jacob fez meu coração dar um solavanco. Meu corpo inteiro endureceu. Eu só conseguia ouvir seus passos atrás de mim.
— Pode respirar agora, Ness…
Sussurrou. Meu corpo cedeu, o ar escapou dos meus pulmões.
Virei-me.
— Bom dia.
Ele estava sem camisa, usando um calção jeans, com o cinto de ferramentas preso à cintura. Seus olhos queimavam. A mandíbula trincada. O peito subia e descia rápido.
— Uau… se era assim que você estava olhando pro Seth, não me admira que ele saiu correndo — provoquei, caminhando para dentro da construção.
Ele me seguiu.
— Seth é uma criança.
— Criança não faz aquele tipo de comentário — retruquei, mordendo os lábios com força.
Jacob veio até mim e me segurou pelos braços.
— Não me provoque, Renesmee — rosnou baixo.
— Provocar? Jamais.
Soltei-me e virei as costas.
— Você não é meu dono, Jacob. Fez sua escolha. Agora viva com as consequências.
Antes que ele respondesse, Embry apareceu com os outros rapazes.
A manhã passou lentamente. Trabalhar com Jacob era tortura. E, como sempre, Lucie veio trazer o almoço dele.
Eu sentia a dor dos dois. Ele não contou a verdade. Não contou sobre o Imprinting. Apenas engoliu tudo e paralisou.
Eu continuei ali. Talvez por masoquismo. Talvez porque pensar em me afastar doía mais.
Estava deitada sob uma árvore quando ouvi a voz de Lucie.
— Acho que você precisa de um travesseiro.
Era Seth.
— E você tem um?
— Tenho algo melhor. Meu colo.
Ele puxou minha cabeça suavemente. Eu deveria ter recusado… mas era a primeira vez em muito tempo que alguém me oferecia carinho sem sufocar.
— Oi, amor — Lucie disse a Jacob.
Ele nos olhou com fúria. Ela se jogou em seus braços.
Meu corpo tremeu.
— Oi, minha gatinha — ele respondeu, beijando-a.
Aquilo me destruiu.
Levantei de repente.
— Nessie? — Seth perguntou.
Não consegui explicar. Apenas corri.
Jacob me alcançou.
— O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?!
— EU VOU EMBORA!
— VOCÊ PERDEU O JUÍZO?!
— VOCÊ ME MACHUCA! TODA VEZ QUE EU TE VEJO!
Ele caiu no chão.
— E VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SINTO O MESMO?!
— Eu não vou ser a outra — falei firme. — Eu sou o seu Imprinting. Aceite ou aprenda a viver com isso.
Respirei fundo.
— Agora volte para a sua mulher.
E corri de volta para a construção, com o coração em pedaços.
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