Doce sorriso
3 Parte III - Coelhinho Cullen que cor eles vem?
Notas iniciais
Eu estava na cozinha, calmo e sereno, quando ouvi um resmungo.
— Ah, não! – Jasper ralhou e tudo que senti, foi sua mão extremamente pesada, devo dizer, puxando minha orelha.
— Ei, me solta! – Mandei, mas ele me ignorou, me arrastando até seu quarto.
— Um minuto e eu solto. – Respondeu, praticamente me atirando em seu quarto, olhando para um espelho.
— Quer me explicar por que você tem um espelho de corpo no quarto? Isso não é para garotas? – Perguntei, ainda esfregando minha orelha e tudo que recebi, foi um tapa na nuca. – Ei, hoje é o dia, agrida um Cullen?
— Não. É o dia, “olhe no espelho e diga o que vê, idiota.”— Ele retrucou apontando. – Agora, olhe no espelho e diga o que vê, idiota!
— Um cara alto, inteligente, bonito. E olha só, você está do lado dele. – O provoquei e ele revirou os olhos.
— Muito engraçado. Agora é minha vez. Eu vejo um cara de vinte e dois anos, que está com a roupa suja e chocolate. Chocolate esse, que ele estava usando para fazer doces para dar para a vizinha . Vizinha essa, que já deixou claro que ele deveria ficar longe!
— Eu não disse que era para ela. – Me defendi, desviando o olhar.
— E o coelho da páscoa existe. – Debochou, me fazendo encara-lo.
— Se existisse, você não ganharia ovos. – Retruquei tentando me afastar, mas aquele bastardo voltou a agarrar minha orelha.
— Jasper, eu mandei soltar! Isso dói!- gritei enquanto apertava ainda minha pobre orelha, tirando de minha mente, qualquer pensamente que eu pudesse ter sobre aquela controladora desalmada que não dava chocolate para crianças.
— Eu sei que dói. Aprendi com a minha mãe. O que foi que eu disse sobre perseguir a odiadora de chocolates? Você quer ser preso? Tenho que te lembrar que ser um estudante não faz de você alguém com ensino superior e que se você for preso, vai para uma cela comum?- Ralhou, finalmente me soltando. — Eu assisto SciFi. Eu sei o que acontece em uma cela comum com alguém como você, cara. E você não vai querer isso.
— Depois eu que sou o dramático. — Murmurei, tocando minha orelha, me certificando de que ela ainda estava ali.
— Eu não estou brincando, Edward. Se eu vir você perto dela, arrumando confusão outra vez, eu...
— Você o que? Vai contar para minha mãe? – Debochei, mas o sorriso maligno que nasceu em seu rosto, mostrava que ele não estava brincando.
— É exatamente isso, Cullen. Eu vou contar para sua mãe. – Respondeu cruzando os braços.
— Está bem! Eu vou ficar longe dela! – Respondi, bufando. – Mas com uma condição.
— Vai começar! – Ele declarou, se atirando na cama e cobrindo os olhos.
— A menina precisa experimentar chocolate. Que tipo de pessoa não sabe o que é chocolate?
— Edward, o que foi que acabamos de conversar, pelo amor de Deus! Se a mãe dela não deu chocolate para a menina, por que você...
— A mãe dela é uma desalmada. Um bombom e eu as deixo em paz. – Declarei e ele me olhou, estreitando os olhos.
— Um bombom? Você promete? – Perguntou.
— Eu prometo.
— Eu falo sério, Edward. Você promete? Não quero ter que tirar você da cadeia. Você conhece minha mãe e sabe que ela nunca permitiria que eu dividisse apartamento com um ex presidiário. – Debochou e eu revirei os olhos, saindo do quarto.
— Um bombom! – Gritei sobre o ombro, voltando para a minha cozinha. Um bombom, e seria o melhor que aquela garotinha comeria.
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— Edward Anthony Masen Cullen! – Ouvi um grito, mas não conseguia me importar. Estava animado demais.
— Com essa gritaria, você vai acordar os vizinhos.
— Você sabe que horas são? – Ele perguntou, me fazendo olhar para o relógio.
— Quase sete e meia. — Respondi ao olhar para o relógio.
— Não! São quase sete e meia de um sábado! Um dos poucos dias de folga.
— Relaxa, cara. Credo, você está pior do que a minha irmã quando...
— Eu não estou brincando, Cullen. Tem pessoas que querem dormir! E essa coisa....
— Liquidificador. Esse é o nome da coisa. – O corrigi, o provocando. Ninguém puxa minha orelha e sai ileso. – E eu estava animado demais para dormir. Terminei o doce perfeito e vou levar para a pequena Anne.
— Quer saber? – Negou, batendo uma mão contra a outra.- Eu desisto. Cansei disso. Persiga a odiadora de chocolates. Dê quantos doces quiser. Quando a polícia bater atrás de você, vou dizer que não sabia de nada. Não vou me envolver mais. Mas eu quero dormir, então mantenha essa coisa desligada! – Resmungou me dando as costas, mas voltando em seguida. -Aliás, não. Eu vou ficar com isso. — Apanhou o liquidificador e voltou para o quarto, batendo a porta em seguida.
— Quanto mau humor. – Murmurei apanhando o doce e saindo do apartamento. Ainda estava cedo, mas eu queria entregar logo o doce para a pequena Anne.
Apanhei o elevador. Elas moravam dois andares acima do meu. Eu tinha um plano. Não era exatamente um plano, mas um planejamento. E isso não envolvia encontrar a odiadora de chocolates no elevador.
— Bom dia. – Ela murmurou, dando um passo para trás. Como se eu fosse o maluco de nós dois.
Entrei no elevador, e já ia apertar o botão, quando ela teve a mesma ideia e nossos dedos se tocaram, liberando uma carga elétrica. Além de ser anti-chocolates, ainda era uma tomada humana. Vai entender.
Ignorei aquilo, olhado para os números piscando. Foi quando o elevador tremeu e as luzes se apagaram.
— Ah que ótimo. – Resmunguei, olhando para cima, quando ouvi a controladora ofegar.
— Não, não. – Ela murmurava, apertando o botão com mais força.
— Eu não quero chocar ninguém, mas isso não vai funcionar. Acabou a luz.
— Ela vai voltar. Não pode ficar sem. Aqui está, pequeno... Eu preciso.
— Deixa eu adivinhar. Claustrofobia? – Perguntei e ela assentiu, respirando mais rápido. – É só ficar calma, está bem. Logo as luzes vão voltar e vão nos tirar daqui. – Tentei tranqüiliza-la, mas ela não parecia estar me ouvindo.
Bella começou a apertar os botões outra vez e parecia estar a ponto de chorar, então fiz a primeira coisa que passou pela minha cabeça.
— Olha só, eu estava guardando para uma amiga, mas acho que você precisa mais. – Estendi a mão, chamando sua atenção.
— O que é isso? – Ela perguntou, se concentrando em mim.
— A melhor invenção humana. É chocolate, oras. – Respondi e a ouvi grunhir.
— Eu preciso sair daqui! – Ela retrucou. Que mal agradecida. Eu estava dividindo meu chocolate com ela e ela o desprezou.
— Tem certeza de que não quer? É delicioso. Eu mesmo já experimentei.
— Qual é o seu problema, garoto? – Ela questionou e eu queria fazer a mesma pergunta.
— Qual é o meu problema? Qual é o seu problema? – Indaguei. – Que tipo de pessoa não gosta disso? – Perguntei mordendo um pedaço da barra.
— Tudo bem! Eu confesso, está bem? Eu amava chocolate! – Ela resmungou esfregando os olhos.
— Eu sabia! – Comemorei, apontando para ela.
— Abaixe esse dedo, Cullen. Sua mãe não te ensinou que é feio apontar? E eu disse que amava, está bem? No passado.
— Ninguém deixa de amar chocolate, Bella. É quase uma lei da vida.
— Não, mas se pode amar algo mais.
— E o que é o seu mais? O que você pode ter encontrado que ama mais do que aquela maravilha? – Perguntei, cruzando o braço, me sentando no chão. Pelo andar da carruagem, a manutenção no elevador demoraria.
— Anne. Eu encontrei a Anne. – Ela respondeu sem nem ao menos piscar. – Anne tem diabete e não pode comer nenhum tipo de doce. Eu amava chocolate, mas a amo muito mais, então não foi uma escolha difícil. Adeus chocolates. Satisfeito agora?
Satisfeito? Como eu poderia estar satisfeito? Eu estava mais curioso do que nunca. Quais outros mistérios essa garota ainda guardava? Era o que eu planejava descobrir. Mas as luzes se acenderam cedo demais.
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