Doce senhorita

10 Capítulo 10 - Oi, de novo


Um mês se passara desde que Nico havia reatado com Rose. Ainda que não fizessem nada além de conversar, ele considerava e estava se dedicando a fazer com que chegassem a um denominador comum. Nesse tempo, ele observava Thalia de longe. Até pensava em falar com ela novamente, mas o orgulho não permitia, afinal, ela também não o havia procurado. Estava frustrado, pois até agora não descobrira mais nada de Liz. Aparentemente, era como se aquela noite nunca tivesse existido, fazendo com que ela não fizesse nada fora do radar de Nico. Sabendo que ficar no escuro era perigoso, principalmente porque não havia comentado essa situação com mais ninguém além de Thalia. Arrumou suas coisas e pegou a chave de seu carro.

...

Nico encostou-se em uma parede próxima ao balcão, Observava os outras pessoas chegarem e conversarem uns com os outros. Viu Thalia ficar sozinha e foi até ela.

—Olá. – falou próximo a ela, devido o barulho. – Tudo bem?

—Oi. – respondeu ela. – Sim. – deu de ombros. – E com você?

—Aceitavelmente bem.

Os dois ficaram em silêncio. Era evidente para ambos que existia palavras não ditas nesse silêncio. Porém era tranquilizador de alguma forma que os dois voltassem a se falar.

—Sua banda, ela toca hoje? – perguntou ela depois de alguns segundos.

—Sim. – respondeu Nico rapidamente. – Seremos a última da noite dos tributos. Se ficar até o fim, te pago uma cerveja.

Thalia riu.

—Deuses. Você está me subornando?

—Suborno é uma palavra errônea. – ele mudou o tom de voz para algo mais suave, feliz por ouvir seu riso depois de tanto tempo. – Pense nisso como um agrado. Além do mais, não será esforço algum assistir uma banda boa e ganhar uma carona para casa.

A garota pensou. Era bom falar com ele novamente. Não havia desistido de descobrir algo sobre Liz, e talvez ele soubesse de algo e agora resolvesse contar. Nunca saberia decifra-lo.

—Vamos ver. – ela arqueou a sobrancelha.

Nico viu AJ chama-lo.

—Escute, preciso ir. – disse. – Minha proposta continua em pé.

Ele se afastou. Thalia tomou um gole se sua cerveja e suspirou. Mesmo depois de todo esse tempo sem se falar, ele parecia que tudo ficasse bem, coisa que ela também queria. Não desperdiçaria essa chance.

A banda que estava no palco tocou mais duas músicas e sai de cena. Logo, a banda de Nico começou a arrumar suas coisas e testar o som. Thalia se ajeitou em um sofá e abriu terceira cerveja. Como era a noite dos tributos, eles tocaram apenas músicas de uma banda. Eram tão bons que parecia que a música havia sido feita para eles. O show foi curto. Assim que eles recolheram seus instrumentos ela seguiu-os até onde eles estavam. Olhou em volta, não viu Nico.

—Espero que tenha vindo cobrar o que prometi.- o garoto murmurou perto de seu ouvido, fazendo tomar um leve susto.

—Considere-se sortudo, Di Angelo. – ela respondeu, maliciosa.

Os dois passaram no bar e ele comprou duas cervejas para ela. Ao saírem para o frio de Nova York, andaram lado a lado com os braços encostados até o carro. Nico logo ligou o aquecedor. Ainda em silêncio, Thalia reconheceu a música que tocava enquanto ele dirigia. Falava sobre como era difícil para ele amar uma garota. Ele se encolheu.

—Porque voltou a falar comigo?- indagou, sem pensar.

Nico piscou devagar, escolhendo as palavras.

—Reconheci que fui um total estúpido com você, que não merecia.- disse em voz baixa. – Desculpe se demorei a assimilar isso.

—Nunca é tarde para se arrepender. – ela murmurou. Abriu a janela do carona e jogou a garrafa de vidro pela janela, fazendo-a estilhar-se no asfalto. Abriu a outra. – Isso quer dizer que vai me deixar ajuda-lo a descobrir sobre Liz?

—Você está realmente me perguntando isso? – ele arqueou as sobrancelhas rapidamente. – Como se eu não soubesse que passou todo esse tempo de olho nela pelas minhas costas.

—Poderíamos ter todo esse tempo de informações compartilhadas. – ela deu de ombros. – O que você descobriu?

—Nada. — ele enrijeceu a testa, visivelmente frustrado. – É como se ela soubesse que eu estava observando-a. Não fez nada fora do radar.

—Vamos tentar ser positivos, ela podia estar sobre algum tipo de encantamento ou eu sei lá...- Thalia se espreguiçou. Estava tonta.

—Você está bêbada, Thalia? – Nico tentou conter o sorriso.

—Não. – ela deitou de lado no banco. – Apenas com sono. Bebi mais que normalmente hoje, já que viria acompanhada para casa. – ela cutucou a bochecha de Nico com o indicador.

—É recompensador ser alguém que você pode confiar. – ele tirou uma mão do volante e apertou de leve a mão dela.

—Eu sei. – ela fechou os olhos.

O resto da viagem foi rápido. Thalia havia dormido e Nico estava feliz por apenas leva-la em casa, no caso, o acampamento. Ele estacionou o carro. Virou-se para ela.

Ela tinha a expressão tranquila. Nunca tinha visto ela com uma expressão tão serena. A franja a deixava com um ar ainda mais doce. Nico ajeitou o cabelo dela, que acordou piscando rapidamente.

—O que foi?

—Nada. Nós apenas chegamos no acampamento, venha.

Os dois foram em direção aos chalés. Thalia bocejou quando chegaram na porta do seu.

—Quer entrar para conversar? – perguntou inocentemente. – Eu acabei dormindo, não era essa a intenção, desculpe.

—Não prefere dormir?

—Não, eu estou bem. — ela espreguiçou-se.

—Bem, não é como é imaginava.- Nico repetiu como quando tinha entrado em seu quarto.

—E o que você imaginava? – ela sorriu ao se lembrar disso.

—Creio que pôsteres de bandas adolescentes, paredes roxas e um alvo para dardos e um karaokê. — ele zombou.

—O alvo para dardos não é uma má ideia. – ela tirou a jaqueta e prendou o cabelo. Sentou-se na cama e indicou para ele fazer o mesmo.

Nos minutos que se passaram. Era tão bom conversar normalmente novamente. Thalia era criativa para decoração de quartos de semideuses. Mas algum tempo depois, compartilharam da frustração da falta de informações sobre Liz e seu envolvimento com a manticora. Nico observou que ela estava ficando difícil para ela manter as pálpebras abertas, então levantou-se.

—É recolher-me. – ele ajeitou o casaco. – Está tarde.

—Você sempre vai embora tão cedo. – Thalia reclamou.

—Você desfalece nos meus braços cedo demais. — ele brincou.

—Não é verdade. — ela fez um biquinho, sem que percebesse. – Mesmo assim, obrigada pelas cervejas e pela carona.

—Não há o que agradecer. – ele disse.

Thalia estava deitada com ele ao seu lado. Ela fechou os olhos e ele então levantou com todo cuidado, levando a coberta de seus pés até sua cintura.

—Não desapareça. — Thalia segurou sua mão, fixando seu olhar no dele.

—Como quiser. – ele abaixou-se até a altura de seu rosto, observando-a enquanto acariciava sua testa. — Cansei de tentar ficar longe de você. Boa noite, Thalia. – ele deu um beijo em sua bochecha, fazendo-a fechar os olhos.

Não pode conter o sorriso quando fechou a porta do chalé atrás de si.

Notas finais
Se tiver algum errinho, me desculpem, foi feito na pressa, prometo que irei revisar a história inteira. Todo esse tempo que eu não escrevi, eu mudei de estado comecei a trabalhar e olha, foi uma correria! mas voltei e agora é pra ficar :D Quero comentários! Até o próximo cap!