Doce senhorita
3 Capítulo 3 - Rose Vergara
Notas iniciais
—Vamos lá, não vai ser ruim. — Annabeth animou Thalia. — Além do mais, Quíron permitiu os mais velhos de saírem do acampamento. Você vai querer ficar aqui com os calouros?
—Eu bem que podia ficar aqui no meu quarto escutando minhas músicas, sossegada. — Retrucou. — Quem se importaria?
—Eu me importo. Mas você quem sabe. — Annabeth levantou e foi para a porta. — Sabe muito bem que vai se arrepender.
Thalia passara o dia inteiro pensando se devia ir na tal festa de Halloween que Nico havia dito. Depois do almoço quando Annabeth veio visita-la, ela contou o ocorrido. Apesar de ter vontade de ir, estava insegura. Pela primeira vez ela não sabia como agir. Alguém bateu na porta.
—Oi Will.
—Oi Thals. — ele cumprimentou. — Planos para hoje? Sarau de músicas de Afrodite está me desanimando.
Will era filho de Apolo e amigo de Thalia. Ele dava aula de arco e flecha para as garotas que ela treinava. Era bonito e simpático. Alto, tinha olhos verdes e um sorriso contagiante, Thalia nunca o tinha visto de mau humor. Passavam algum tempo junto de vez enquanto, mas apesar de gostar dela, esperava a hora certa de contar, porque como pensara, ela valia a pena.
—Na verdade, nós dois temos planos, e não é para o Sarau.
Ele animou-se.
—Adoro suas invenções. O que é dessa vez?
—Mais tarde você vai descobrir. – disse. — Apenas apareça aqui no meu chalé depois do jantar.
—Okay. Só espero que não me leve para nada chato, Grace.
—Não seja ridículo. — ela levantou uma sobrancelha. — Mesmo que fosse algum lugar chato, a minha presença por si só já te valeria.
—Touché — ele levantou as mãos.
...
—Você me trouxe para uma festa gótica, é isso. — Will comentou quando viu um grupo de pessoas vestidas de preto.
—Ei, o que você tem contra os góticos? — Ela perguntou divertida apontando para si enquanto eles atravessavam a rua em direção ao bar.
—Nada. Eu sou seu amigo, lembra? Você inventou os góticos -Thalia bateu nele com o cotovelo. — Nem vem, é verdade.
—Cale a boca, certo? — Ela ajeitou o cabelo. — se falar alguma besteira, juro pelos deuses que vou fingir que nem conheço você.
Ele balançou as mãos e os dois entraram no bar. O teto estava decorado com abóboras brilhantes e aranhas de plástico que iam e voltavam. Luzes roxas viradas para o balcão e o palco mostravam a fumaça densa que vinha do chão. Thalia sentou em uma banqueta e Will ficou em pé ao seu lado.
—O que está procurando?
—Nada. – Ela virou-se para ele. – Só vendo o movimento.
—Certo. Escute. — Will começou. – Eu estava pensando que semana que vem nós poderíamos...
—Amigo, com licença.
Will virou para trás, esbarrando em algo.
—Ei! Olha o que você fez! — disse decepcionado. — Logo nessa camiseta branca...
—Perdoe-me, não foi minha intenção atingi-lo...
—Eu já volto, Thals. — Will seguiu em direção ao banheiro com a camiseta manchada de vinho. Logo atrás dele, Nico aproximou-se.
—Você sempre anda por aí derrubando vinho nas pessoas?
—Geralmente quando me convém.
—Esse truque é muito velho. — Thalia encostou-se no bar, contrariada. -Atingir desconhecidos.
—Ora, perdoe minha indelicadeza. – Nico defendeu-se, achando graça de sua reação. — De qualquer forma, é um prazer revê-la, senhorita.
—Igualmente. — Ela ergueu uma sobrancelha.
—Se me permite, está belíssima esta noite. — Elogiou-a quando viu seu vestido preto. — Qual sua fantasia?
—Na verdade, nenhuma. — Ela mordeu o lábio. — Não tive tempo de arranjar uma.
—Acredito que tenho uma solução. – Delicadamente, Nico colocou uma tiara com orelhas de gato em Thalia.
—Obrigada. – Ela ajeitou a tiara com um sorriso. – E você, anda sempre com uma tiara de orelha de gato ou faz parte da sua fantasia?
—Soveniers de Halloween. — ele apontou com o queixo para um balde pequeno de abóbora com várias tiaras temáticas, no balcão do caixa. — Minha fantasia é um misto de vampiro recém criado com um Willy Wonka roqueiro. – Ele tirou a cartola preta e abriu o casaco vermelho escuro.
—Não ficou ruim. — Thalia riu. – Sua banda vai tocar?
—Irá. – Respondeu. — Inclusive, vamos sair para comer algo depois. Eu podia convida-la, mas você já está acompanhada. – Ele fez um meneio com a cabeça para Will que vinha chegando.
—Não deu para fazer muita coisa. – Will apontou para a camiseta por baixo da jaqueta. – Olhe, que orelhinhas legais. — ele cutucou a tiara de Thalia.
—Ganhei de Nico. – Respondeu.
—Quem? –Ele se virou para o outro. — Nico Di Ângelo? Filho de Hades?
—Impossível uma descrição mais precisa. — Nico estendeu a mão. – Prazer em conhece-lo.
—Will Solace. — apertaram as mãos. – Não o vejo muito pelo acampamento.
—Prefiro restringir-me a minha própria companhia. – disse rapidamente. – Preciso encontrar a banda. Aproveitem a festa.
—Faremos isso. – Will disse secamente.
—Boa apresentação, Nico. – Thalia desejou. — e obrigada pelo convite.
Ele fez uma reverencia e saiu.
—Que convite? — Will perguntou assim que ele não podia mais ouvi-los.
—Nada demais.
—Não existe nada demais com o filho de Hades. – afirmou- Você sabe, o cara é o deus dos mortos e aquele ali é o filho dele.
—Apolo que eu me lembre é o deus mais mulherengo do Olimpo e nem por isso você é assim.
—Talvez eu esteja me guardando para alguém especial. — ele justificou, sério, de repente.
—Ah é? E quem seria essa?
—Não se preocupe, você será a primeira a saber. – Will tomou um gole de sua bebida.
Os dois passaram mais algum tempo conversando, mas logo começou o show e Thalia virou sua atenção para o palco. Ela tinha consciência que Will falava ao seu lado, mas ela não conseguia prestar atenção. Sentia-se hipnotizada por Nico. Sua voz no palco fluía de uma forma com que a música fosse feita especialmente para a voz dele. Quando o show acabou, o público aplaudiu. Menos Will.
—É, até que foi mais ou menos.
—Mais ou menos? -Thalia bufou. – Está sendo injusto.
—Sou um semideus filho do deus da música, então disso eu entendo, okay. – Will justificou, orgulhoso. – Ele e o baixo desafinaram na última música.
—Fique aí fazendo suas avaliações, já volto. –ela saiu.
Enquanto voltara do banheiro, Nico vinha do balcão.
—Vocês foram muito bem. – Thalia parabenizou.
—Obrigada. –ele sorriu abertamente. – Eu vim pegar alguma coisa para beber, minha garganta está em pedaços. Você ainda está com acompanhada?
—Sim. – ela enrugou a testa. – Porque a pergunta?
—Eu podia dar sorte. – ele deu de ombros. – Depois de...
Uma garota loura o interrompeu com um abraço e um beijo rápido. Nico suspirou pesadamente.
—Meu amor! Consegui vir a tempo do seu show! Não é ótimo?! — ela disse alegremente. – Senti tanto sua falta.
—Thalia, esta é...
—Rose Vergara, namorada dele.
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