Doce obsessão
8 Capítulo 8: Não se acha uma pessoa assim em qualquer lugar.
Notas iniciais
Brittany P.:
Chego quinta-feira na escola um pouco menos animada que no dia anterior. Claro que é por causa do Noah Puckerman, ou como todos estão simplesmente o chamado: Puck. Todos estão comentando sobre ele e Santana, o que me irrita muito. Ele nem chegou na escola direito e já está chamando atenção. Não mereço isso.
Eu ainda não vi Santana hoje e espero não a ver junto ao seu namorado, é muito para eu tolerar. Fico me perguntando se foi por insistência dela que o Noah veio parar nesta escola ou se ele é muito grudento e a seguiu até aqui. Sinto vontade de a questionar sobre isso, mas sei que seria precipitado e ridículo da minha parte, já que não posso chamar o que temos de amizade, infelizmente.
– Acho que você não ficou muito contente com as novidades, hein Britt. – Ouço Kurt comentar.
– Você acha? É claro que não gostei, Kurt. – Respondo chateada.
– Não gostou de quê, B. ? – Ouço Rachel perguntar, chegando do nada como sempre.
– Nada não, Rach. – Digo disfarçando e me retirando para a aula e ouvindo por último Rachel dizer algo sobre eu estar estranha.
Ter contado ao Kurt sobre meus sentimentos foi algo ótimo, me sinto aliviada por ter desabafado sobre isso. Ele disse que se eu quisesse mesmo me aproximar de Santana, deveria passar a cumprimentá-la nos corredores e não ficar jogando ela no chão ou em piscinas. Acho que ele tem razão, nunca vi ninguém conquistar outra pessoa esbarrando nela toda hora.
Eu disse ao Kurt sobre o episódio do banheiro e que aquele fora o meu único momento de coragem, pois eu me sentia envergonhada em falar com a Santana, porém ele disse que se eu já tinha a visto nua e superado isso, eu com certeza poderia manter um diálogo com ela, além de que eu estava com vantagem agora. Mas eu acho que não funciona assim.
A aula termina e eu percebo que não prestei atenção nem fiz nada, o que significa que vou ter que passar horas estudando depois. A professora está ensinando técnicas de desenho, então ao menos a teoria eu tenho que saber. Isso é lastimável.
– Ei Britt, quer me ajudar a encontrar o Sam? Sei que está de aula vaga agora – Mercedes me pergunta quando me encontra em meu armário. Ela sabe que tenho essa aula vaga, pois ela também tem. Assim como Santana, que tem essa aula com ela. Acredito que Sam também tenha, já que ela está o procurando.
– Hum... tudo bem, vamos. – Respondo sem questioná-la de nada.
Começo a andar com Mercedes pela escola a procura de seu amado quase namorado. No caminho conversamos sobre tudo um pouco. É por isso que me tornei amiga de Mercedes. Ela é tão animada e contagiante, espero que nunca ninguém tire essa felicidade dela. O Sam que trate de não magoá-la.
– Cedes, acho que ele não está por aqui não. Ele pode estar no campo treinando, não pode? – Pergunto já cansada de andar pela escola atrás de alguém que não é a Santana.
– Talvez, vamos lá. – Ela diz já me arrastando.
Chegamos e adivinha? Sam está lá, como eu havia previsto. Ele está na parte baixa da arquibancada observando algo que eu não consigo ver ainda. Mercedes sai dando pulinhos em direção a ele, que a recebe com um abraço, deixando de lado o que observava anteriormente. Sinto que vou ter que ficar de vela para o casal.
Quando me aproximo mais percebo o que tanto Sam estava observando: Noah Puckerman treinando jogadas. Quando nota que Mercedes e eu chegamos, ele se aproxima. Queria poder sair correndo nesse momento, mas acho que seria um pouco esquisito.
– Oi garotas, como vão? – Ele pergunta sorrindo de lado.
– Brittany, Cedes, esse é o Puck, o garoto novo. E Puck, essas são Brittany e Mercedes. – Ele nos apresenta, dando um beijinho na bochecha da minha amiga.
– Prazer Puck, já ouvi falar muito de você. – Afirma Mercedes empolgada.
Depois das apresentações, Mercedes e eu observamos os garotos jogando basquete um contra o outro, tendo como a torcida para Sam uma Mercedes gritando animadamente. Isso é mesmo necessário?
Eles param para descansar, totalmente suados e nojentos. Apesar de estarem dessa forma, Mercedes se aninha em Sam e eles ficam falando baixinho um com o outro, como um casalzinho irritante e meloso. Eu sabia que ficaria de vela. Me sinto um castiçal inteiro agora.
– É, parece que eles nos excluíram. – Comenta Noah sentando-se ao meu lado e coçando a nuca.
Eu não acho que eu queira me aproximar do Noah, mas também não acho que eu seja mal educada para ignorá-lo.
– Eles sempre fazem isso, não importa quem esteja por perto. – Digo, o fazendo rir.
– É normal de namorados, eu acho. Sempre faço isso com minha Tana. – Eu definitivamente não mereço ouvir uma coisa dessas. Dói. E foi uma informação muito desnecessária.
– Ahn... ok.
Noah continua puxando assunto comigo e não consigo simplesmente ser chata ou dizer o quanto me sinto brava por ele namorar a garota que eu gostaria de namorar. Ele é muito simpático e me sinto péssima por pensar mal dele o tempo todo. Ele é divertido e sabe conduzir muito bem um assunto. Talvez seja por isso que Santana se sentiu atraída por ele e todos sempre comentam sobre ele de forma feliz. Mas o fato é que agora eu não consigo achar defeitos nele além do seu cabelo ridículo, o que torna ele sim, merecedor do amor de Santana. Eu seria uma pessoa horrível em terminar isso entre eles. Não que eu fosse conseguir, mas tudo bem.
Mercedes e Sam continuam no maior chamego na parte de cima da arquibancada. Sim, eles subiram até lá para terem mais privacidade. Enquanto converso com Noah, ouço a voz mais linda entrar por meus ouvidos.
– Puck, eu estava te procurando. Custa atender o celular?
– Tana, desculpe. Fiquei aqui conversando com a Brittany e nem me toquei. Sinto muito. – Noah se desculpa e dá um selinho em Santana. Acho que agora eu já posso sair correndo, não posso?
– Olha, dessa vez não nos esbarramos. Isso é um avanço, não é? – Digo sorrindo sem graça.
Santana ri e acena a cabeça, concordando. Ela se senta ao lado do Noah e nós três ficamos num silêncio desconfortável. Eu sinto como se estivesse atrapalhando eles e isso parte meu coração, mas acho que é melhor eu me retirar, antes que eu fique mais ainda de vela.
– Eu vou aproveitar esse período para estudar um pouco... sabem, as aulas da professora Nolan sempre me fazem cochilar. – Dou um risinho sem graça, já me levantando.
– Não acredito, ela é incrível. Uma professora hippie mega divertida, não se acha uma pessoa assim em qualquer lugar. – Santana diz incrédula. É, acho que eu acabei dando uma desculpa péssima. A professora Nolan é realmente ótima.
– Eu tenho um pouco de dificuldade em artes, eu acho. – O que não é mentira. Sou péssima mesmo.
– A Tana é ótima, ela consegue fazer coisas incríveis. Principalmente desenhando. Ela poderia te ajudar qualquer dia, não é Tana? – Noah pergunta a ela, empolgado. Ele é tão adorável. O jeito sério dele esconde um cara muito doce.
– Não exagere Puckerman, mas acho que posso te ajudar sim Brittany. Podemos marcar algum dia se você quiser. – Diz Santana, concordando. Se Noah era adorável, Santana era perfeita. Uma gracinha mesmo. Eu me sinto tão apaixonada.
Ela é sempre tão delicada e atenciosa. E agora sei que desenha de forma excelente. Incrível. Não se acha uma pessoa assim em qualquer lugar.
– Tudo bem então, eu agradeço de verdade. – Digo corando desnecessariamente e me retirando logo em seguida.
Eu posso não tirá-la dos braços de Noah Puckerman, mas poderia sim ter uma amizade sólida e duradoura com ela. O futuro é muito incerto, mas é claro, eu jamais impediria que algo acontecesse, mesmo sendo esta um possibilidade muito remota. A esperança é a última que morre.
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