Doce obsessão
24 Capítulo 24: Arrume isso.
Notas iniciais
Brittany P.:
Mamãe parecia simplesmente não acreditar no que estava vendo.
– Você está brava comigo, meu bem? – Pergunta Peter embriagado e enrolando a voz. Desde que resolvi levá-lo para casa, ele não diz nada coerente. – Sabe, você é um chuchuzinho.
Reviro os olhos para o quanto ele está ridículo.
– Querida, cuide da Rose para mim. Colocarei Peter no banho e depois farei ele dormir. – Avisa minha mãe tentando carregá-lo para o banheiro.
Aceno com a cabeça, concordando. Mamãe é tão paciente que seria impossível eu não ter herdado ao menos um pouco disso.
– Papai está engraçado, Britt-Britt. O que ele tem? – Indaga Rose com um sorriso divertido.
Antes que eu possa responder, sinto meu celular vibrar no bolso da calça.
Topa pegar um cineminha hoje? -K
Bem, talvez sair com Kurt não seja ruim. Provavelmente Rachel e Mercedes também irão e eu poderei me divertir.
Fechado. Passe aqui às 19h. -B
Olho para Rose que continua esperando um resposta e suspiro.
– Ele não tem nada Rose. Mas é realmente engraçado, hum? – Comento lhe oferecendo um sorriso. Ela não precisa saber que o pai é um bêbado nojento e dançarino. Sem contar as ótimas cantadas que ele vem dando para mamãe.
– Talvez assim ele queira brincar comigo, não é? – Pergunta esperançosa.
– Bom, sim. Pode apostar que sim, Rose. – Afirmo sorrindo, mesmo sabendo que talvez isso não aconteça.
Puxo-a para o sofá e decido que faremos as lições juntas. Enquanto ela faz as dela, eu faço as minhas. Rose não gosta muito da ideia, porém aceita mesmo assim.
Sentamo-nos em frente à mesinha da sala e iniciamos nossa tarefa. Vez ou outra eu ajudo Rose com alguma dúvida.
– Britt-Britt, o que acha de eu ser professora quando crescer? – Olho para ela curiosa.
– Você tem certeza disso? Dar aula não é tão simples quanto parece.
– Mas aí eu daria aulas para criancinhas e ensinaria elas a desenhar bonito que nem eu. – Diz metida. – Olha só como está ficando lindo meu desenho.
– Uau, está mesmo muito bonito. – Digo quando ela me mostra o desenho que está fazendo. Seus desenhos são simples e infantis, porém vejo que ela realmente adora fazê-los. Está aí o quanto somos diferentes uma da outra.
– Eu sei. Legal, não é? Se quiser eu te ensino. Seus desenhos são tão feios, Britt. – Informa com uma expressão de insatisfação. Dou risada por sua sinceridade.
– Não seja chata, Rose. Santana já tentou e não sei se deu muito certo... – Digo relembrando.
– Sim, é verdade... – Concorda, voltando sua atenção para a folha em sua frente.
Vejo minha mãe descendo as escadas e levanto, seguindo-a até a cozinha.
– Ele dormiu? – Pergunto.
– Sim, finalmente. – Ela diz e suspira cansada. – Obrigada por ajudá-lo, meu bem.
Balanço a cabeça aceitando seu agradecimento. – Sabe, eu estava planejando ir ao cinema hoje. Tem algum problema? Porque se precisar eu fico cuidando da Rose.
– Não, não se preocupe. Ficaremos bem. Vá se divertir, sim? Só tome cuidado. E qualquer coisa ligue-me.
Volto para a sala e junto meus materiais. Rose agora finaliza o desenho da aula de artes e parece feliz com o resultado.
– Depois arrume isso, tudo bem? Não deixe seus materiais jogados. – Peço antes de subir para o quarto e tomar um bom e quente banho.
Não irá demorar muito para que Kurt apareça por aqui. Escolho uma roupa decente e confortável. Quente também. Pego uma pequena bolsa para meus pertences de desço ao ouvir a campainha.
–~*~-
– Vocês pretendem viajar nesse final de ano? – Pergunta Mercedes enquanto comemos após assistirmos ao filme, já que ninguém quis a boa e velha pipoca.
– Não sei, é provável que não, Cedes. Novembro começou agora, então minha família ainda não programou nada de especial. – Comenta Kurt, fazendo eu concordar com a cabeça.
– Eu irei para a casa de alguns tios com meus pais. – Responde Rachel.
– Sam convidou-me a passar o natal com a família dele. Estou tão nervosa. – Revela Mercedes ansiosa.
– Isso é ótimo. Mostra o quanto ele quer algo realmente sério com você. E eles vão adorá-la, não se preocupe. – Tranquilizo minha amiga, recebendo em troca uma concordância dos outros dois.
– E como vai seu romance com a Santana, Britt? – Pergunta Kurt despreocupadamente.
– Como assim? Que romance? Do que estão falando? – Questiona uma Mercedes de olhos arregalados e agora ansiosa e curiosa.
Kurt me olha com uma careta como se pedisse desculpas por falar tanto. – Ahn... você não contou a elas, Britt?
Suspiro em resposta. Rachel me olha como se já soubesse perfeitamente o que acontecia, mas ainda assim parece curiosa para receber uma confirmação e uma explicação.
– Bem... – E explico a elas todo meu interesse por Santana. Mercedes fica um pouco indignada por não ter notado antes, Rachel dá de ombros e diz que sempre soube. Kurt pede detalhes de coisas que ainda não fizemos e fico corada com suas perguntas.
Permanecemos conversando até estar tarde o suficiente para termos que ir embora. Percebo o quanto sentia falta de um bom momento com eles. São tão compreensivos e divertidos que me fazem ter a certeza de que sempre os terei como suporte para o que precisar.
–~*~-
Chego em casa e abro a porta cuidadosamente. Mamãe e Rose dormem cedo e acordá-las é a última coisa que desejo.
Coloco minha bolsa no sofá e olho curiosa para a cozinha ao ver que está iluminada. Caminho para lá e encontro Peter sentado com a cabeça entre as mãos. Parece preocupado. Talvez um pouco triste também.
Coloco água num copo e a bebo, esperando que ele diga algo. Ele não diz.
– Hum... está tudo bem aí, Peter? – Pergunto educada.
– Estou bem, garota. Vá dormir. – Diz ele e, incrivelmente, não parece ríspido.
Fico olhando para ele em busca de respostas. Conversar com Peter não é algo que eu tenha planejado fazer hoje. Ele continua em silêncio. Dessa vez está com as mãos em cima da mesa, tentando arrumar magicamente um rasgo do pano que a cobre. Suspiro frustrada.
– Sabe, Peter, você deveria aproveitar meu bom humor e conversar comigo. Não terá outra chance dessas com frequência. – Digo sincera. Peter me estressa diariamente e ajudá-lo em qualquer coisa que seja não faz parte dos meus planos para com ele. No entanto, eu jamais negaria uma boa e sincera conversa. Seja lá o que ele tenha a dizer.
– Eu... eu estou envergonhado. – Revela ele abaixando a cabeça. Aguardo silenciosa que ele continue. – Rose é uma boa menina e eu me senti tão humilhado e fraco quando me dei conta de que ela presenciou toda aquela palhaçada de mais cedo.
– Bem, não é de hoje que você tem feito isso. – Falo seriamente. – Tem sorte de que Rose não entende esse tipo de coisa ainda. Ela ficaria tão decepcionada com você, Peter.
– Eu sei! – Diz irritado e apoiando a cabeça nas mãos novamente.
– Então arrume isso, droga! – Exclamo também irritada. – Não digo apenas sobre hoje. Hoje foi só uma pequena parte do todo. Há quanto tempo não saímos em família, hein? – Observo-o e ele mantém-se em silêncio, talvez envergonhado de verdade. – Rose pergunta de você todos os dias em que não está. E quando você está, não lhe dá a mínima. Ela pode ser apenas uma criança, mas ela sente, ok?
Olho para ele e contenho a vontade de gritar em sua cara tudo o que está perdendo. Gritar acordaria mamãe e Rose e decididamente não quero isso neste momento. — Hoje mais cedo, quando mamãe te levou para descansar, ela disse que você estava engraçado e que talvez assim você quisesse brincar com ela. Entende o quanto isso é péssimo? Ela estava tão esperançosa por poder finalmente brincar com o pai.
Ele parece querer chorar e, seu eu fosse ele, choraria mesmo. Meu pai ter falecido quando eu era pequena me deu toda a dor de uma infância sem um herói. Imagino que a dor de ter um pai, mas não ter a atenção dele, seja tão ruim quanto. E Peter sabe disso. Assim como sabe que Rose não é merecedora de tal sentimento.
– Você tem uma família incrível. E não digo por mim. Digo pela mamãe e por Rose. Você tem não motivos para tratá-las assim. E não vou te questionar sobre isso. Só tente, tudo bem? Pela Rose e pela mamãe. Por favor, tente ajeitar toda essa merda que você anda fazendo. Elas não precisam disso e você não tem que perdê-las. Prove para mim que aí dentro tem um cara legal que merece uma família. – Vejo-o abaixar a cabeça e balançá-la concordando. Ele olha para mim quase agradecido. – Promete? – Pergunto estendendo o dedo mindinho em sua direção. Vejo um pequeno sorriso aparecer em seu rosto enquanto ele concorda e logo sinto sua mão bagunçando meu cabelo de forma divertida. Observo-o se retirar e subir para o quarto.
Parece se esforçar para não chorar. O fato dele não falar só me comprova isso. Está com medo de falar e sua voz falhar. Mas deixo por isso mesmo. No momento, tudo o que eu preciso é de sua sinceridade e se ele disse que vai tentar, darei a ele um voto de confiança.
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