Doce obsessão

13 Capítulo 13: Boa noite.


Notas iniciais
Olá gente!! Como estão? Obrigada mesmo pelos comentários. Vocês me dão uma super força, agradeço. Espero que gostem desse capítulo e me perdoem pelos erros. :B Até lá embaixo. õ/

Brittany P.:

Santana ficou me olhando, provavelmente tentando entender o real significado das minhas palavras.

Como eu queria que ela soubesse os meus sentimentos e sentisse o mesmo. Seria meu paraíso, minha felicidade, mas ela não sente. Eu enxergo isso nos olhos dela. Ela não deve nunca ter cogitado a hipótese de se relacionar com uma mulher, ainda mais comigo. Os olhos dela me transmitem um absoluto carinho e isso já me faz feliz, mas como todo ser humano, eu quero mais. Quero mais que apenas o carinho dela. Quero que ela me olhe da mesma forma que olha para o Noah. Que ela me enxergue não apenas como uma amiga, mas como um possível relacionamento.

– Você também faz tudo ficar bem, Britt. Sempre faz meu dia ficar mais leve. – Santana comenta, sorrindo amigavelmente.

– É... acho que isso é bom, não é? – Respondo, sorrindo um pouco desconfortável. De repente ficar perto de Santana parecia sufocante.

Afasto a mão de Santana delicadamente e levanto, confusa com meus próprios sentimentos. Em um momento sinto vontade de beijar Santana e nunca mais a soltar, de dizer tudo que sinto e esperar pelo melhor. Já em outro momento, me sinto sem esperança alguma, como se tudo fosse dar errado e eu estivesse apenas me iludindo. É uma sensação horrível e que me deixa em pânico.

– Hum, eu vou guardar essas coisas. Se quiser pode mudar o canal da televisão. – Autorizo, sem olhar para seu rosto.

Santana não me responde, assim como também não muda o canal. Não dou muita importância. Nesse momento eu só não quero olhar para seus olhos e me entristecer por não ver o que espero encontrar.

Junto as folhas e as recoloco na pasta. Quem sabe um dia eu não tente melhorar os desenhos, não é? É, seria bom.

Enquanto me movimento, posso sentir Santana me observando. É um pouco desconfortável estar agindo sob seus olhos curiosos.

– Britt, acho melhor eu ir. Daqui a pouco fica tarde, sabe. – Informa Santana, ficando de pé.

Olho para ela que parece absolutamente desconfortável e sinto meu rosto formar uma expressão de desespero misturado com dúvida, algo que ela logo nota.

– É só que não quero ir quando já estiver escuro, entende? E você parece cansada, não quero te incomodar. – Ela comenta, enquanto caminha até a porta.

– Não vai, San. Fica. Você nunca incomoda, juro. – Peço, apesar de ainda estar sufocada com sua presença.

Santana me olha indecisa e por um momento parece que realmente vai embora, porém logo me sorri e volta a sentar na cama.

– Certo, fico. Mas não muito. Eu disse aos meus pais que voltaria para o jantar.

Só vi pessoalmente os pais de Santana uma vez e os dois formam um lindo casal. Santana puxou muito ao pai pelo que pude notar.

Eles são sempre muito ocupados com o trabalho e apenas chegam em casa quando já está escurecendo. Apesar disso, acho que não são ausentes na vida da filha. Eles formam uma família linda na verdade.

– Tudo bem, San. O que você acha de vermos um filme? – Pergunto, esperançosa.

– Acho ótimo. Quais você tem, hum? – Questiona, indo em direção ao pequeno espaço abaixo do meu criado mudo, onde ficam alguns dvds. – Britt, aqui só tem filme infantil.

– Eu gosto, okay? E Rose também. Eles são ótimos mesmo. – Afirmo, pensando sobre como filmes infantis são sempre adoráveis.

Santana me olha dando risada e mostrando suas covinhas lindas. Ela logo pega um dos filmes e me entrega. O filme escolhido é Up: Altas aventuras. Uma fofura sem tamanho.

Coloco o filme e me sento de um lado da cama, encostada na cabeceira, sendo acompanhada de Santana que senta do outro lado, passando a ficar em silêncio, esperando o filme começar.

Na realidade, Santana e eu não queremos de verdade ver algum filme. O propósito, desde a escola, foi dela vir aqui em casa para que pudéssemos passar mais algum tempo juntas, na companhia acolhedora da outra.

Eu gostaria de poder abraçá-la novamente, assim como fizemos nas arquibancadas, no entanto me falta coragem.

Novamente Santana consegue me atingir de forma inexplicável, me fazendo esquecer meus temores em relação aos sentimentos dela por mim e me fazendo ao mesmo tempo sentir um medo terrível de me aproximar. Ela simplesmente bagunça e derruba todas as minhas estruturas.

Olho para seu rosto e ela está concentrada no filme, que já havia dado seu início. Ela aparenta não perceber que eu estou a observando, mas sei que ela na verdade percebe sim. Seu rosto fica levemente corado e ela fica movendo os olhos, como se quisesse disfarçar.

Ela finalmente desiste de fingir e me olha, me questionando com o olhar o motivo de eu estar a fitando tão curiosamente. Apenas lhe ofereço um sorriso e passo meu braço direito pelo seu braço esquerdo.

Ela me olha por alguns segundos e deita delicadamente sua cabeça em meu ombro. Suspiro e sorrio sem ela ao menos notar e logo deito minha cabeça por cima da sua.

Eu passo a acariciar levemente seu braço. O filme continua passando e já está na parte em que o senhorzinho e o garotinho encontram o cachorro. Não havíamos conversado, apenas aproveitamos a companhia da outra.

Um pouco insegura, talvez muito, eu desço minha mão que estava em seu braço e passo a segurar delicadamente a sua mão. Santana de início não parece dar a mínima, como se nem ao menos tivesse notado, porém, para minha maior felicidade do dia, ela simplesmente vira sua mão e corresponde ao meu aperto.

Não consigo evitar e abro um enorme sorriso, mesmo que ela não veja. Santana consegue fazer meu mundo ganhar cor com qualquer coisa. Me sinto tão clichê e boba quando estou perto dela, mas é assim mesmo que me sinto. Ela não precisa se esforçar muito para me fazer sorrir e me fazer sentir como se o mundo fosse um lugar melhor. Só em olhá-la, tudo parece estar no lugar certo. Tão bobo, no entanto tão real.

Suspiro pela provável milésima vez e seguro sua mão um pouco mais firme, como se conferindo de que ela está mesmo ali.

Santana levanta um pouco a cabeça, consequentemente me fazendo levantar a minha. Ela encara intensamente nossas mãos por alguns segundos e me olha logo em seguida. Sinto meu rosto esquentar um pouco pela vergonha de ter sido pega observando-a e ela sorri um pouco com isso, ainda me olhando.

O olhar dela me deixa ainda mais envergonhada. Tenho a sensação de que ela poderá ver todos os meus sentimentos apenas olhando para meus olhos, o que me faz querer olhar para qualquer coisa, menos para ela. Mas eu não consigo. Eles são lindos e chamativos.

Parecem confusos agora, apesar de sua expressão mostrar a mais pura tranquilidade e entendimento.

Ela não parece se importar com a confusão que deve estar passando por sua cabeça e que eu não faço ideia do que seja. Ela simplesmente continua me encarando e me estudando, me fazendo novamente sentir sufocada. Parece que ouço o mundo gritar para que eu tente algo. Ouço algo como: "Vocês estão tão pertinho uma da outra e ela com certeza não se importaria de receber um beijo de boa noite. Vamos Brittany, você sabe que amigos não se olham dessa forma. Acorda."

A voz parece me enlouquecer. Meu subconsciente está se aproveitando da minha confusão interna e eu me sinto desesperada.

Ela me olha ainda confusa, mas ao mesmo tempo com expectativa. Esperando minha próxima ação para confirmar qualquer dúvida que ela tenha em relação ao que está acontecendo.

Apesar do terrível medo, sei que estou me aproximando cada vez mais. Meu pânico aumenta cada vez mais também, como se a cada pouquinho que eu me aproximasse, mais difícil seria de me afastar posteriormente.

Mas decido, ao menos uma vez na vida, não deixar que as coisas entre Santana e eu aconteçam acidentalmente e sem querer. Quero dessa vez fazer intencionalmente e apenas esperar pelo melhor.

Me aproximo um pouco mais e ela ainda não se afasta, apenas estuda meu rosto, curiosa para saber se eu terei a coragem necessária.

E eu tenho. Finalmente tenho. Olho para sua boca e simplesmente a beijo delicadamente, sem esperar nada mais. Não havia o que esperar. A proximidade estava ali e eu não iria correr.

Santana parece corresponder e meu peito se enche de uma nova esperança.
Quero poder dizer que sinto fogos de artifício, porém eu não consigo no momento ter noção de muita coisa. Meu coração está tão acelerado e feliz que não sei ao certo como reagir a essa nova sensação. É diferente estar beijando uma pessoa pela qual você está completamente apaixonada e pela qual você você esperou e imaginou tantas vezes estar fazendo isso.

Sei e sinto que estou um pouco tremula, mas ainda assim seguro o rosto de Santana com a outra mão que não estava segurando a dela.

Ela apoia sua mão no meu braço erguido, o mantendo ali.

Apesar de eu querer a beijar loucamente e para sempre, eu sei que não é o que devemos fazer no momento, quando temos tantas coisas a considerar. E eu vi a confusão em seus olhos, não quero deixá-la assustada ou a fazer se afastar depois. Um passo se cada vez.

Me afasto um pouco, já sentindo o desespero voltar. O que eu vou dizer? O que ela vai dizer? O que nós vamos dizer? Ela vai ficar chateada? Vai me ignorar? Penso rapidamente em todas as possibilidades ruins e torço para que nenhuma delas aconteça.

Olho para seu rosto e ela primeiramente não reage, parece esperar, mas logo a vejo ficar totalmente tímida, como nunca antes vi. Ela me olha, envergonhada. Lhe ofereço um sorriso, também tímida. Mas mais que isso, o alivio de não ter sido rejeitada até o momento me faz ainda mais feliz.

Quando resolvo abrir a boca, Rose bate fraquinho na porta do quarto, a abrindo devagar e me fazendo me afastar mais de Santana. Rose me olha inocentemente com a carinha arrependida.

– Britt-Britt, você ainda está zangada comigo? – Ela pergunta, preocupada. – Me desculpa, não mexo mais nas suas coisas.

A olho desconfiada e ela me oferece o dedinho mindinho, como uma promessa. Dou risada e aperto seu dedinho junto ao meu. Ouço Santana rir ao meu lado e a olho, com suas lindas covinhas expostas. Tão maravilhosa.

– Está tudo bem, Rose. – Digo, a abraçando e beijando sua testa. Ela me dá um sorriso enorme e logo sai do quarto, saltitante.

Ela chegou em um ótimo momento. Eu não tinha muita certeza do que dizer para Santana. Provavelmente diria algo estúpido e vergonhoso. Não me sinto preparada para conversar com ela, ainda mais quando estou tão confusa. Pois veja, poucos minutos antes, eu tinha certeza que nada jamais iria acontecer entre a gente. Santana jamais iria aceitar tal situação. Mas a vida me surpreendeu novamente.

– Preciso ir embora, Brittany. Talvez possamos assistir ao resto do filme num outro dia, não é? – Ela propõe, se levantando e arrumando suas roupas.

– Seria ótimo, San. – Digo sorrindo.

Santana pega sua bolsa e descemos. Mamãe vem se despedir de Santana, assim como Rose. Acompanho-a até a porta, ficando um pouco tímida quando chegamos lá.

– Nos vemos depois então, Britt. – Ela diz, me fazendo confirmar com a cabeça.

– Nos vemos, San. – Confirmo, sem saber o que dizer.

– Hm... Boa noite, B. – Ela me deseja.

Me aproximo e lhe beijo a bochecha, a abraçando.

– Boa noite, San. – Desejo de volta. Ela me olha séria e acena, dando tchau e logo partindo para sua casa.

Eu não faço ideia alguma sobre o que aconteceu aqui em casa hoje a noite. Sei que Santana e eu precisamos ao menos esclarecer o que está havendo e pretendo fazer isso assim que possível. Não quero deixar a situação dessa forma e nem fingir que não aconteceu. Não seria agradável e eu gosto muito de Santana para simplesmente deixar isso afetar nossa amizade.

Meu dia foi absolutamente confuso e com diversas alterações com meus sentimentos e com meu humor. Me sinto cansada mas ao mesmo tempo com uma felicidade incontrolável. Santana e eu nos beijamos e isso parece fazer surgir milhões de sentimentos novos. Receber um beijo de boa noite nunca me fez tão feliz, tão realizada.

Notas finais
E foi isso... O que vocês acharam? Não sei se está como eu queria, mas é isso. Acabei postando um pouco tarde, mas consegui postar no dia certo õ/ Espero que estejam tendo uma boa semana. Até o próximo. Bjo bjo :*