Doce de Sapoti
1 A Salva-vidas.
Notas iniciais
Um frio tão confortáveis naquela cadeira de plástico que tornava tudo ainda mais gelado, dentro do metrô indo para a faculdade, ainda faltavam várias estações, Camila poderia dormir um pouco e recuperar o sono de um dia inteiro de trabalho. Hoje o sol havia castigado sua pele morena, que ardia e aumentava ainda mais o cansaço. Ela era salva-vidas de um parque aquático local. O sono e o cansaço a castigavam a salva-vidas, e também ali estava tão vazio, tão silencioso...
Pareceu um piscar de olhos, na cabeça da morena aquilo não havia demorado mais de cinco minutos, ela havia dormido e aquele farfalhar do metro lotado atordoou seus sentidos por um momento, quando notou ao lado de sua cadeira se segurança com apenas uma mão uma garota loira que mal aparentava ter a maior idade, na outra mão ela carregava um livro ele era grosso como uma bíblia, também levava uma pequena bolsa de lado, essa ultima diferente do livro, era bem discreta. Camila se ofereceu prontamente para segurar o livro e a bolsa da loira, mas a mesma retrucou – Pode deixar a bolsa está levinha. – E sorriu, ela era uma garota muito bonita, sua voz era doce e ela era tão cheirosa, Camila na hora não pode evitar compara-la a um doce de sapoti. A morena realmente adorava sapoti.
Segurando o livro logo acima de sua mochila, que continha seu material de estudo e coisas do trabalho, Camila adormeceu mais uma vez, a contra gosto, era arriscado passar da estação, e como de costume, quase sempre por esse motivo, perder a aula. Porém olhos de Camila não obedeciam, eles fechavam, estavam pesados. A pequena loira sorria discretamente, talvez achando fofo, não era possível saber ao certo, mas ela estava se divertindo, era nítido se alguém estivesse prestando o mínimo de atenção, o que não era o caso.
Aquele vazio, aquele frio e seus olhos abriam lentamente. – Droga, de novo! – E a salva-vidas havia mais uma vez perdido a noite de aula, pois estava na última estação, havia dormido de mais. O que restava fazer era dormir ainda mais, esperar aquele mesmo metro iniciar a sua volta pelos tuneis escuros e passar por todas as estações uma a uma, até que chegasse a da sua faculdade, com certeza perderia as aulas de antes do intervalo.
Seu rosto foi baixando, seus olhos fechando, quando notou aquele objeto sobre a sua mochila, suas mãos ainda seguravam o grosso livro da loirinha e nele, bem entre suas duas mãos, estava grudado um papelzinho amarelo, no post-it estava escrito, com uma linda letra cursiva:
“ Você parecia tão cansada, eu jamais poderia te acordar.
Me devolva o livro depois...
Mallu =D”
A salva vidas não pode evitar o largo sorriso em seus lábios, que garota mais louca era aquela pequena loira, mas era inegável a felicidade estampada no rosto da morena.
Ela dormiu pensando em como aquela loirinha era linda, cheirosa e tinha a voz mais doce que ela já havia escutado. Eu quero ver a Mallu de novo o mais rápido possível. Com esse pensamento Camila adormeceu mais uma vez, talvez ela voltasse para casa, talvez ela parasse na faculdade, isso não estava mais na sua cabeça, tudo o que ela conseguia pensar era se aquela loirinha tinha gosto de doce de sapoti.
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