Doce Vingança
1 Prólogo
Depois de passar um tempo me arrumando no espelho, finalmente terminei e então peguei minha bolsa na cama, caminhando para o carro. Olhei no meu celular, ainda faltavam quinze minutos, o caminho até o local durava apenas dez indo de carro, então aproveito os cinco minutos para conferir se não estava esquecendo nada e se estava tudo desligado e organizado.
Realmente estava, então peguei a chave do carro e entrei no mesmo, indo até a casa onde iria ficar um tempo como babá, já que o homem que me contratou vai ficar até tarde em casa e pelo visto, é solteiro.
Depois que cheguei, desci do carro e fui até a porta da casa. Já vi mansões maiores, mas aquela casa era realmente bem grande. Depois de uns segundos, finalmente um homem de uns quarenta anos, alto, forte, loiro de olhos azuis e de barba rala bem desenhada atendeu a porta.
Ele até que fazia meu tipo, mas não queria passar para uma relação além de profissional.
— Boa noite, é a babá? — perguntou ele.
— Sim, sou eu, me chame de Sally — respondi com um sorriso.
— Muito prazer Sally, meu nome é Matt. Matt Clifford. Entre.
— Licença.
Quando entrei na casa, fiquei admirando a mesma. Era espaçosa e muito linda, apesar de não chegar perto de várias mansões que existiam em toda cidade, até que era ótima de se morar.
Depois de me levar para fazer um tour por toda a casa, o último cômodo foi o quarto do filho dele. Com duas batidas leves na porta, ele chamou pelo filho.
— Pode entrar — respondeu ele e eu logo estranhei, a voz dele não era tão aguda.
Quando ele abriu a porta, pude ver o filho dele. Era a cara do senhor Clifford, com a mesma cor dos olhos, do cabelo, mas era um adolescente de aproximadamente quinze anos e estava jogando no XBOX dele! O que está havendo?
— Filho, essa é a Sally, a babá que eu contratei para ficar com você por um tempo indeterminado — ele falou, sorrindo — Sally, esse é meu filho, Aiden.
— Oi Aiden — cumprimentei, ainda sem entender nada.
— Oi Sally — ele disse rapidamente, me olhando rápido e depois voltando a se concentrar no jogo.
Quando saímos do quarto, o senhor Clifford encostou a porta e fomos até a sala.
— Eu estou indo para uma festa entre sócios da minha empresa. Irei conhecer novos acionistas que conheci. Devo voltar lá pelas onze da noite. Pode deixar o Aiden acordado até as dez, pois amanhã ele precisa acordar cedo para ir pra escola. Quando eu voltar, te darei o dinheiro. Pode ficar no quarto de hóspedes se não quiser voltar tão tarde pra casa, ok? — explicou ele.
— Ok mas... Você não acha que o Aiden é muito velho para ter uma babá? Eu pensei que ele tinha uns dez anos, mas aparenta ter quinze — perguntei, confusa.
— Sim, mas ele tá mesmo precisando. Me separei da minha esposa tem uns doze meses, porque ela começou a ficar viciada em remédios. Nunca mais o casamento foi o mesmo, então... A gente se separou. Ela até chegou a entrar em tratamento, vez ou outra o Aiden dorme na casa dela, mas eu não acho que tenha volta, por enquanto.
Ele pegou um porta retrato na mesinha de centro da sala que estava à direita dele, em frente ao sofá e me entregou. A foto mostrava ele, o Aiden bem mais novinho em um parque e uma mulher bem bonita, aparentava ter a mesma idade do senhor Clifford e tinha olhos castanho escuros como os cabelos, que eram compridos. Pela aparência dela, essa foto foi tirada anos atrás, quando ela ainda não era viciada em remédios.
— Mas o que isso tem a ver com o Aiden precisar de babá?
— Bem, eu fui fazer uma viagem de negócios e deixei ele aqui sozinho, mas eu acho que... Talvez, se sentindo sozinho, decidiu dar uma festa e aí um dos amiguinhos dele apareceu aqui com drogas — ele revelou e eu levei a mão à boca, espantada — Obviamente a polícia foi acionada, voltei para casa antes do previsto o que quase custou caro para mim. E então, eu decidi contratar você, devido ao seu histórico, para servir como um castigo para ele até eu decidir que já está bom...
Quando ele terminou de contar, fiquei bastante chocada, mas mesmo não concordando com a atitude dele de chamar uma babá para castigar o filho depois do que ele fez, acabei concordando, afinal, precisava do dinheiro. Então apenas assenti.
— Está bem, pode ir, vou lidar com isso — suspirei.
— Fique tranquila, ele não é um desses adolescentes rebeldes que fazem birra e se trancam no quarto. Ele pode parecer meio tímido, mas logo isso passa.
— Tudo bem então, pode deixar.
Nos despedimos com um aperto de mão e ele logo saiu pela porta indo até o carro. Ótimo, agora estou sozinha em uma casa desconhecida com um garoto que, apesar de ter cara de bem novinho, era um adolescente desconhecido.
O que pode dar errado nisso?
Para não decepcionar, decidi me aproximar dele o quanto antes. Voltei ao quarto dele e bati na porta duas vezes como o senhor Clifford fez anteriormente.
— Entra — ele disse e eu abri a porta.
— Licença... Tá com fome? Posso fazer o jantar — ofereci.
— Não estou com fome... — ele respondeu, desanimado.
Deixei a porta aberta e me aproximei.
— Você realmente não está com fome ou é só birra porque seu pai te botou de castigo? — perguntei.
— Ele te contou o que aconteceu?
— Sim, fiquei chocada, admito. E me contou porquê se separou da sua mãe. Mas não vim para te julgar. Só vim ver se queria alguma coisa.
— Eu juro que não sabia que o garoto veio vender drogas.
O desespero no olhar dele me comoveu.
— Deixou de falar com ele, pelo menos? — perguntei o olhando nos olhos.
— Claro, bloqueei ele do WhatsApp e na escola o ignoro!
— Isso mesmo, já é um passo. Continue assim e seu pai logo te libera do castigo.
— Você não conhece meu pai.
— O que quer dizer?
— Ele é muito cabeça dura. Esse foi um dos motivos da minha mãe ter ficado viciada em remédios, então, dificilmente ele vai mudar de ideia sobre mim.
Suspirei, ele é sim um pouco rebelde, mas o nível era sustentável.
— Tudo bem então. Mas não se preocupe, se quiser desabafar comigo, e pelo seu olhar eu sei que tem bastante coisa entalada dentro de você, é só me falar que eu tô disposta a ouvir — garanti.
— Tá bom, obrigado
— Disponha. Vou pro quarto de hóspedes, qualquer coisa chama.
Ele assentiu e saí de lá.
Ufa, o primeiro contato foi bom, ele não aparenta dar trabalho, então fui para o quarto mexer no celular para passar o tempo.
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