Doce Vingança
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Minutos depois, cheguei na casa da minha mãe e estacionei o carro. Tão logo saí do mesmo já caminhei rapidamente para a porta, estava agitada, mas tentava me conter.
Minha mãe abriu logo depois.
-Oh filha, que bom que conseguiu chegar! — ela disse, me abraçando.
-Oi mãe, desculpa te envolver nisso, mas eu precisava de ajuda! — respondi, aliviada.
-Você tem certeza que os policiais não te viram vir pra cá?
-Tenho. Olhei para trás inúmeras vezes a caminho daqui e não vi nenhuma viatura.
-Mas você nem sabe porquê eles estavam lá, vai ver só queriam pegar sua versão dos fatos.
-É, eu pensei nisso, mas não quis arriscar. Se eu arrisco e eles me prendem, como o Aiden ficaria?
Ela arregalou os olhos ao ouvir aquilo.
-Caramba, o Aiden. Ainda tem ele — ela disse, passando as mãos nos cabelos.
-Exatamente, eu fiquei com medo dele ficar sozinho. Não tenho notícias da mãe dele desde a última vez que fomos na clínica que ela estava — respondi.
-Tá, fica calma, o advogado deve estar chegando, depois que ele nos der detalhes necessários, a gente procura ele.
-Está bem, vou tentar me acalmar, mas me ajuda!
Logo ela me deu um copo de água e esperamos mais uns dez minutos até que finalmente o tal advogado chegou. Ele era alto, de cabelos castanhos jogados para o lado, tinha os olhos da mesma cor dos cabelos.
-Oi doutor Cunningan, que bom que o senhor chegou, já estávamos angustiadas — disse minha mãe, o deixando entrar.
-Imagina senhora Hayes, licença — disse ele.
-Vem filha, precisamos de você aqui!
Aproximei-me o cumprimentando e logo ele abriu uma pasta com documentos.
-Primeiramente, eu quero que me expliquem direito essa história. Por quê sua filha está sendo procurada pela polícia? — pediu ele.
Minha mãe me olhou e eu assenti, tomando coragem e comecei a contar para ele tudo o que aconteceu, desde o primeiro dia em que fui babá de Aiden até o momento em que fomos flagrados na cama e o Sr. Clifford o expulsou de casa, o que me levou a abrigá-lo na minha casa.
-Bem, então a senhorita sabe que o que fez foi bem errado né? — perguntou ele.
-Sim, eu sei disso — confessei.
-E sabia das consequências?
-Sim, mas não sabia que o Sr. Clifford seria realmente capaz de ir até o fim. Para mim, ele só tinha dito no calor do momento e não chamaria a polícia. Eu nunca teria feito isso se soubesse que ele realmente levaria isso tão à sério.
Apesar de ter falado com calma, eu estava um pouco trêmula, pois a situação havia saído do meu controle e eu não sabia mais o que fazer. E ele percebeu que realmente eu estava assustada, pois assentiu com a cabeça.
-Ok, meu dever aqui é te defender, então vamos fazer o seguinte: o Sr. Clifford está te acusando de pedofilia, estupro e assédio moral a um menor. Se reunir para mim provas que ele está fazendo denúncias falsas, podemos jogar isso na justiça — explicou ele.
-Na verdade, só a parte do estupro que é falsa, o resto não é mentira, mas não acho que precise disso tudo — confessei.
-Realmente não precisa de tanto, mas se não houve estupro, só com evidências e testemunhas para tirá-la do julgamento.
-Eu tenho provas e testemunhas.
Rapidamente, peguei meu celular e tirei prints de todas as conversas que tive com Aiden desde a primeira vez que tocamos no assunto "amizade colorida" até a última conversa que tivemos, embora só tenhamos nos falado pessoalmente desde que o levei para morar na minha casa.
Tudo aquilo estava sendo um processo demorado, a hora de ir buscar Aiden estava chegando e o advogado não parava de reunir as provas e fazer ligações, até que ouvi minha mãe se levantar.
-Sally, vou buscar Aiden agora. Leah deve estar no portão de embarque em cinco minutos — disse ela.
-Liga para ela e pede pra ela segurar o Aiden para mim! — pedi.
-Vou fazer isso sim. Já volto doutor Cunningan!
-Às suas ordens senhora Hayes.
Algum tempo se passou, o doutor conseguiu terminar de reunir as provas o suficiente e se virou para mim.
-Olha, eu acho que você não deve simplesmente virar as costas para o problema. Sei que não é fácil, mas você não poderá se esconder por muito tempo e sua mãe poderá ser cúmplice — explicou ele.
-Eu sei que o que eu fiz foi errado. Mas será que a pena seria tão grave assim? — perguntei, aflita.
-Olha, você disse que tem provas que ele te acusou de outras coisas que não são verdade. Isso pode ajudar a reduzir a pena, mas não posso garantir que vamos vencer.
Bufei, estava prestes a entrar em ruínas após isso, certamente seria presa após encarar o Sr. Clifford no tribunal. O advogado até tentou me acalmar, dizendo que podemos ter uma chance, basta as pessoas certas, na hora certa. Talvez pudessem convencer o Sr. Clifford a mudar de ideia e retirar a queixa. Concordei, apesar de não achar que ele cederia tão fácil.
Minutos depois, Aiden chegou em casa junto com minha mãe e Leah. Meu coração desacelerou e respirei aliviada ao vê-lo. Assim que seus olhos encontraram os meus, ele correu até a mim e me abraçou com força, parecia assustado.
-O que aconteceu? — perguntou ele.
-O que a gente mais temia, mas calma, vai dar tudo certo — respondi, tentando acalmá-lo.
-Irmã, não quero perder você — Leah veio me abraçar também.
-Relaxa mana, vai ficar tudo bem.
-Garoto, você é o Aiden? O rapaz que virou o assunto do momento nessa família? — o Sr. Cunningan perguntou.
-Sim, sou eu mesmo. E quem é o senhor? — perguntou ele.
-Doutor Franz Cunningan, prazer. Sou advogado da Sally e vou ajudá-la no processo contra seu pai, Matt Clifford.
-O meu pai realmente te denunciou? — Aiden parecia chocado enquanto me olhava.
-Infelizmente sim... — sussurrei.
-Mas relaxa garoto, não é culpa sua... — disse minha mãe.
-Não mesmo. Mas precisamos da sua ajuda para reduzirmos a pena de Sally. Como testemunha, seu depoimento será importante para o caso e poderá ajudar Sally a pegar uma sentença grave — explicou o advogado.
-Eu ajudo sim, ajudo no que for preciso — disse ele, com uma determinação que até me deixou impressionada.
Então, respirando aliviada, vi minha mãe e Leah se juntar a nós, enquanto dávamos tudo o que o advogado pedia, na esperança de que ele conseguisse nos ajudar.
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