Doce Vingança
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Três dias depois...
“Atenção passageiros do voou 44459 para Roma/Itália, por favor, embarque-portão 12”.
A voz da mulher soava no autofalante anunciando o embarque dos passageiros para aquele voou. Além de Luna, Nina e Gastón mais seis alunos estão indo para o intercambio na Itália. Luíza irá com eles para supervisioná-los e auxilia-los nas duas primeiras semanas.
—Então... – disse Luna olhando para o seu pai. – Hora de nos despedir.
Miguel abraça a filha já sentindo saudade.
—Eu irei morrer de saudade, mas desejo que curta esse temporada fora. – ele falou dando um beijo no rosto da filha que sorrir.
—Também irei sentir saudades, mas vamos nos falar sempre pelo watsapp e evitar gastos excessivos com tantas ligações internacionais. — ela sorri e mais ainda ao ver a cara do seu pai ao mencionar em se comunicarem por métodos mais modernos. Além do mais, Miguel preferia escutar a voz em uma ligação a ter que digitar mensagens.
Vendo a expressão de Miguel, Luna rolou os olhos divertida ao perceber que seu pai havia se esquecido de que através do aplicativo também poderia enviar áudios e até mesmo fazer ligações, no entanto, ao abrir a boca para lembrar Miguel sobre poder usar o watsapp para ligar para ela, acaba sendo interrompida ao escutar uma voz feminina a lhe chamar.
—Luna... — a garota olha em direção de Luíza que a chamou. – Vamos?
Ela assente dando outro abraço em seu pai. Somente só foi ele leva-la até o aeroporto, mas Luna se despediu com decência dos empregados da casa que sempre cuidaram dela e ajudaram o seu pai em sua criação.
Luna se afasta, mas antes fala algo para Miguel.
—Eu estou indo, mas me prometa uma coisa... Prometa que vai tentar conhecer alguém e se relacionar? – vendo o olhar surpreso de seu pai e ao mesmo tempo incentivado a negá-la, Luna continua. – Por favor, diga que pelo menos irá tentar. Não quero que fique sozinho, porque nem sempre estarei do seu lado como antes, pois agora o meu destino tende a construir minha própria vida. Então quero te ver feliz... A mamãe também iria quer vê-lo feliz, o senhor já fez tudo o que pode para cuidar de mim e agora está na hora de cuidar de si mesmo e conhecer alguém e ter uma companheira.
Miguel sabia que Luna tinha razão, mesmo sabendo que seria difícil encontrar alguém para se relacionar, mas ainda sim tentaria.
—Eu prometo que tentarei.
—LUNA, vamos. — Luíza a chama novamente.
Luna sorri dizendo.
—Tchau pai...
—Tchau minha filha, vá com Deus!
Então Luna se ajunta ao grupo rumo ao portão de embarque. Lá entrega o seu passaporte e passagem para o comissário conferir e deixa-la passar até o pequeno corredor. Antes de passar para o corredor, Luna olha para trás vendo seu pai olhá-la e da um aceno para ele sendo retribuída. Os pais de Nina e Gastón e dos demais alunos que iriam também acenam para seus filhos e algumas mães choram já sentindo saudade, mas Luna se sentia feliz de certa maneira por ver que seu pai demonstra está feliz por ela.
Finalmente Miguel entendeu que sua filha cresceu e não era mais sua garotinha pelo qual protegeria eternamente. Ele ainda não aceitava em não saber o que aconteceu no período em que ela ficou desaparecida, seja o que for de certa maneira isso fez com que Luna amadurecesse bastante fazendo com que tomasse decisões importantes e otimistas para seu futuro, e tudo o que restava para ele é apoia-la e é tudo o que fará.
No avião, Luna senta no seu lugar destinado. Ficou triste que Nina se sentaria ao lado do namorado, mas Luíza seria sua companhia. Minutos depois com todos já em seus acentos colocando os cintos de segurança como recomendou o piloto para levantar voou, o avião começou a se movimentar.
Pela janela, Luna viu os prédios do aeroporto se distanciarem até que não restava mais nada e o avião levanta voou.
—Itália, ai vamos nós... – disse Luíza atraindo o olhar de Luna.
Ao encontrar a expressão da mulher, sorri sendo contagiada pelo sorriso da loira. Luna e sua orientadora conversaram um pouco até a mulher se levantar para ir falar com os outros alunos a deixando ali sozinha por alguns minutos. Luna sabia que seria pelo menos cinco ou seis horas de viagem até chegar ao destino então assim que foi liberado para soltarem os cintos ela pegou o livro que trouxe para ler e se distrair durante a viagem.
Olhou para o objeto abrindo a pagina com a mensagem escrita com a letra impecável de Matteo. Sentiu um nó se formar em sua garganta e de alguma maneira se sentia arrependida por ter levado aquele pedaço que representa algo importante para ela. Sabia que não havia como fugir do que sente por Matteo ainda que não pudesse tê-lo novamente, mas de alguma maneira tinha que fazer algo para esquecê-lo.
“Ás vezes o melhor é deixar que as coisas seguissem seu curso naturalmente. Pois quanto mais forçar uma situação, magoas maiores poderão surgir e sempre haver arrependimento.” – disse a voz de sua consciência.
Cansada, Luna respira fundo desistindo de ler e recosta suas costas na poltrona fechando seus olhos... Ficou pensando um pouco sobre sua vida e essa nova etapa, desejando conseguir ser feliz e com isso acabou entrando no mundo dos sonhos...
“Ela não sabia como havia chegado até aquele lugar. Não era um lugar horrendo, e sim um desses lugares que guarda a arte talhada nas paredes e rochas, ainda sim não sabia que lugar era aquele... Continuou a caminhar na tentativa de encontrar a saída, mas à medida que seus passos seguiam em diante seus olhos encontravam a beleza daquele lugar e todo o seu temor dissipava por está encantada com cada detalhe encontrado por onde passava.
Porem se deteve ao ver uma peça prensada na parede rochosa que refletia imagem desfocada, mas ao mesmo tempo sendo algo bem bonito de se olhar.
Luna como se já soubesse o que tinha em mãos, levanta a câmera daquelas que se usa para tirar fotos profissionais, a mesma que seu pai comprou e lhe deu de presente para usar na viagem. Já sabendo usar a maquina Luna coloca na posição correta para tirar a foto, fazendo isso ela confere como ficou a imagem na pequena tela, porem seu coração vacila uma batida ao notar que na imagem na foto refletida pelo objeto havia um a figura de uma segunda pessoa além dela.
Luna não sabia como poderia alguém além dela está ali, e como não havia percebido sua chegada. Automaticamente ela gira o seu corpo olhando para o visitante e automaticamente sentindo os seus olhos abrirem em surpresa por ver quem era. Ele está ali diante dela, lindo como sempre, um olhar diferente que também reflete saudade, amor e algo que não pode identificar. Luna abre a boca para pergunta-lo o que estaria fazendo ali, mas tudo o que ele fez foi dar um passo diminuindo a distancia entre eles e a tomar em seus braços prensando seus lábios nos dela. Ela quis relutar e o afastar, mas tudo o que conseguiu fazer foi retribuir o beijo cheio de amor e saudade pelo qual sente por ele.”
—Ei. Luna... – a morena é despertada do sono e seu sonho pelo leve toque de uma mão e a voz conhecida de sua orientadora.
—Oi. – respondeu ainda sonolenta e confusa pelo sonho que acabara de ter com Matteo.
—Desculpa te acordar, é que já vamos pousar. – Luíza falou com toda calma.
Luna desperta ao perceber que havia dormido durante o voou inteiro.
—Nossa... Dormi tanto assim? – ela perguntou admirada consigo mesmo.
Além do mais isso só aconteceu porque não havia dormido na noite anterior a viagem por conta da ansiedade de ir para Itália.
—Não se preocupe que apaguei como você também...
Sorrindo Luna se ajeita no banco e logo escuta a aeromoça anunciar que coloquem os cintos de segurança apara o pouso. Luna olha pela janelinha já podendo ver um pouco da paisagem toscana do lado de fora, e automaticamente sorri por ver o quanto é belo aquele lugar.
(***)
Tempo depois todos desembarcaram e fora pegar as malas, Luíza reuniu o grupo e caminharam até a parte onde haveria uma pessoa responsável que os conduziriam para o prédio onde ficam os dormitórios que serão sua casa durante aquele ano.
Assim que a orientadora avista o homem representante da escola de artes, se aproxima o cumprimentando como se já fossem amigos e falando na língua local. Luna sabia falar um pouco em Italiano, mas ainda não conseguia entender as palavras ditas bem mais rápido quando se é fluente a língua.
Segundos depois observando Luíza conversar com o homem tendo agora um olhar preocupado, ela se aproxima de todos para apresentar o homem.
—Pessoal quero apresentar a vocês o Mariano, um dos organizadores desse programa e responsável por receber os grupos de alunos do intercambio.
Todos ali acenaram para o moreno de olhos verdes que parenta ter trinta e poucos anos de idade, mas ainda sim bem bonito. Luna viu duas garotas que veio no grupo murmurar algo que indicava o quanto elas ficaram interessada por Mariano, mas ignorou para continuar prestar atenção no que ele começou a dizer.
—Sejam bem vindos! Espero que aprecie essa grande chance de poderem aprender e conhecer a arte em nosso país... – Mariano disse na linguagem que os alunos entendiam, mas com sotaque carregado no italiano.
—Pessoal... –Luíza tomou a palavra tendo agora uma expressão indecifrável, pois ninguém ali sabia que algo deu errado ou parecido. – Houve um problema com relação aos dormitórios. Um dos funcionários responsáveis pela contagem das habitações errou o número disponível... Outra instituição antes de nós já havia reservado essa quantidade exata disponível de dormitórios.
—Mas se é assim, teremos que voltar? – Nina perguntou se manifestando pela primeira vez.
Isso trouxe murmúrios dos alunos em protesto.
—Não, gente... Acalmem-se. Não vamos voltar. – Luíza garantiu conseguindo silenciar os seus alunos. – Iremos ficar numa casa utilizada como republica que fica a dez minutos da escola. Lá tem tudo o que precisarem.
—Mas então as regras serão diferentes? – Gastón perguntou sentindo animado, porque já não tinha gostado de saber que ficaria preso dentro de um lugar tendo horário para entrar e sair, e isso não era nada exemplo de liberdade para quem já está formado.
—Na verdade, viver numa republica implica que terão de ter responsabilidade. Como cuidar do lugar, fazer suas próprias alimentações, trabalhar em conjunto. E claro que sei que esse detalhe vão amar, pois poderão sair e voltar a hora que quiserem.
Essa parte a maioria ali gostaram, até porque já possui dezoito anos e somente Luna e Nina são um pouco mais jovens, mas ainda sim sabem se virarem.
—Isso não vai dar problema com os nossos pais? – Luna perguntou não que seria problema com o pai dela, mas lembrou de que a mãe de Nina é uma chata controladora que quando ligasse no dormitório para falar com a filha e saber se havia se alimentado, tomado banho, colocado agasalho, daria um jeito de pegar o primeiro voou para a Itália e buscar a filha por saber que não está hospedada em um dormitório seguro e sim numa republica. Nina morria de vergonha com esse jeito da mãe, que até mesmo continuou do mesmo jeito depois que ela começou a namorar Gastón.
—Bom... Eles ficarão cientes do ocorrido, eu avisarei a todos e deixarei o contato para ligarem pra vocês na republica. Mas por hora, agora temos que ir, por que está ficando tarde e amanhã será bem corrido o dia.
Todos foram conduzidos para uma van e de lá levados para onde ficaria vivendo enquanto cursavam a escola de artes. Demorou pelo menos quarenta minutos para chegarem ao destino, e assim que chegaram ficaram boquiabertos com a beleza do lugar.
É uma daquelas casas enormes que tem outras coladas nas outras, mas com sua entrada própria e adornos de flores silvestres e uma faixada rustica, a rua coberta por placas rochosas deixando visível a beleza das casas e ruas italianas.
A casa é bem grande por dentro, e pelo que foi explicado ali foi um hotel havendo quartos com banheiros próprios, uma cozinha e refeitório, uma sala de repouso, outra de música e um escritório para ser usado como local de estudo... Havia outros cômodos que poderiam ser utilizados pelos alunos conforme procedessem a seus cursos... Pelo incidente. A escola pagaria duas cozinheiras para ficarem responsáveis com a alimentação dos alunos e arrumadeiras para deixaram casa limpa, porem os quartos e higiene de suas vestimentas ficariam a encargo dos próprios alunos.
Como havia quartos para todos e mais alguns para receber outro grupo pequeno de alunos cada um ficaria com o seu próprio quarto. Luna foi conduzida para um quarto bem bonito a qual ela iria arruma-lo a seu gosto. Luíza a deixa sozinha depois de entregar a chaves para ela trancar a habitação quando saísse, como também para que se organizasse até o jantar.
Sozinha, Luna observou os detalhes do seu quarto já se sentindo em casa. Ela avistou que aquele cômodo possui uma vista perfeita que dá para um pátio traseiro da republica e que possui ao meio uma fonte e flores adornando a peça. Se sentando na cama, a morena respira fundo se sentindo bem então começou a arrumar seus pertences.
(***)
—Atenção. – Luíza disse chamando a atenção dos alunos que terminava seus jantares. – Assim que terminarem de comer, peço para todos que voltem para seus quartos e descansem, pois amanhã iremos a escola conhecer o lugar e ver seus horários de aulas, turma e participar de uma palestra de apresentação.
—Senhorita Ríos? – Uma garota morena de cabelos cacheados falou. – As aulas começam daqui a três dias, não vamos pelo menos poder sair e conhecer a cidade?
A pergunta fez com que Luíza sorrisse, mas não por deboche e sim por ver a maioria concordarem com a pergunta da garota.
—Mas é claro que vamos... Eu não poderei ir a todos os lugares com vocês, porque tenho que tratar de assuntos pendentes, mas poderão ir sozinhos. Caso se percam tem os números dos meus celulares que manterei carregados para socorrer quem for precisar de socorro. Podem ligar a cobrar caso sejam roubados e não tem nenhum aparelho com linha livre...
A orientadora ficou ali explicando mais algumas coisas, mas Luna deixou de escutar quando não havia nada que lhe interessava. Assim que Luíza parou de falar, a morena se levantou para voltar ao seu quarto. Nina lhe acompanha para ir para o quarto dela, pois estava exausta da viagem e de falar com sua mãe quando ligou para avisá-la que chegou e estava bem, mas não contente com isso a mulher quis que a filha fizesse um relatório, claro que Nina não contou sobre o imprevisto, pois conhecendo sua mãe não deixaria Luíza em paz, então deixaria que a própria contasse para ela.
—Luna. – Nina falou antes de entrar em seu quarto.
—Sim? – Luna respondeu se detendo em frente à porta do seu quarto.
—Não sei se dará tempo amanhã, mas tem um lugar que quero que conheça. Eu e Gastón combinamos de ir lá tirar fotos... Gostaria de ir conosco?
Luna sorri com o convite e responde.
—Claro que sim. Além do mais você já veio aqui e conhece os lugares mais lindos de se ver. Aceito que seja minha guia enquanto sou sua vela.
Nina sorri divertida.
—Sabe que não e assim. – rebateu. – Bem eu vou dormir. Estou morta de sono.
—Também. Boa noite Nina.
—Boa noite Luna.
(***)
Dois dias depois a chegada a Itália...
Como havia combinado com Nina, Luna foi com ela e Gastón ao lugar que havia mencionou e pela qual se impressionou com a beleza. Como no dia seguinte de suas chegadas à Itália não puderam passear, deixaram para passear no dia seguinte já que todos os alunos teriam o dia todo livre... Havia ruinas e esculturas fantásticas pela qual a morena se encantou e tirou varias fotos. Pensou que seria chato está ali com a amiga e atrapalhando o momento a sós com seu namorado, mas por fim como o lugar dá liberdade para cada um circular por ali sem que se perca, Luna não ficou muito perto do casal e sozinha foi explorar a cada canto daquele lugar.
Apesar de está gostando do passeio, Luna começou a sentir uma sensação estranha como se estivesse sendo observada e por mais que procurasse quem seria a pessoa que poderia estar lhe observando não viu ninguém por perto. Porem continuando sua caminhada e exploração daquele lugar magnifico a sensação de estar sendo observada começou aumentar, mas nada ali indicava ter alguém por perto ou se aproximando dela exalando perigo...
Caminhou por vários corredores de pedras tentando se desvencilhar da sensação estranha de está sendo observada, até que se deteve numa entrada para outro lado do muro rochoso. Nesse momento a sensação de está sendo observada mudou para o sentimento de que conhecia aquele lugar.
Não se intimidou com esse detalhe, Luna continuou a caminhar até que finalmente entendeu o que seria. Como se fosse uma previsão, ela identificou aquele lugar sendo o mesmo lugar pelo qual sonhou quando dormia durante a viagem até a Itália. Mas por um lado a pessoa que finalizaria o sonho não estava ali para se fazer real, e sim somente ela.
Luna se aproxima do objeto idêntico a do seu sonho, mas o objeto diferente do sonho está com a imagem focada... Sem hesitar ela pega a sua câmera e tira a foto, mas não confere como ficou. Seus olhos mantem na parte da peça que reflete a imagem detrás de onde ela está e nesse momento Luna vê alguém se aproximar.
Ele caminha em passos lentos fazendo com que cada segundo seja uma tortura. O coração de Luna não vacilou somente ficou acelerado, e seus olhos expressam a surpresa até que o sente parar por detrás dela, seu perfume, sua presença lhe deixa inebriada.
Luna não hesita e gira o seu corpo ficando de frente a ele. Seus olhos se prendem aos dele e nesse momento não sabia como reagir. Ele está ali diante se seus olhos a encarando intensamente, em seus olhos castanhos escuros Luna pode ver o sentimento de saudade, carinho e amor...
Queria chorar, pois temia que pudesse estar submersa em outro sonho, ou que ele estivesse ali para brincar com seus sentimentos. Queria se afastar, mas suas pernas não movimentam, e quando se dá conta ele se aproxima ainda mais olhando em seus olhos acariciando o seu rosto. Luna fecha os olhos e antes que consiga recuperar sua sanidade, ele a beija... Um beijo lento, calmo que aos poucos se intensificam quando ele a prensa junto a seu corpo.
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