Doce Vingança
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Três dias depois...
Luna fecha o livro depois de marcar a pagina que havia parado de ler. Ela olha a hora em seu celular vendo que já estava na hora de voltar para sua casa que fica uns dez ou quinze minutos de onde está. O lago é o único lugar que conseguia encontrar o silencio e a solidão que precisava para ter um momento a só para ler um livro, escutar música ou até mesmo pensar.
Não que em sua casa não tivesse esse privilegio, mas era que lá não poderia desfrutar da beleza do lago diante de seus olhos, a tranquilidade que exala, o cheiro do verde das arvores próxima, o frescor do vento que ali soprava. De alguma maneira aquele lugar lembrava a sua mãe, mesmo que a mesma tenha morrido quando tinha apenas um ano e dois meses de idade. Claro que não lembrava com memorias de bebê, mas toda vez que se sentia triste ali era como se sua mãe estivesse ao seu lado lhe confortando e provando que sempre estaria com ela.
No começo, seu pai implicava com suas constantes idas ao lago, tudo porque se preocupava excessivamente com ela. No entanto, Luna em um momento de sufoco acabou explodindo em irritação argumentando e exigindo que parasse com toda aquela preocupação, pois quando criança até conseguiu tolerar, mas agora sendo uma adolescente precisava de espaço, interagir com seus amigos saindo com eles ou até mesmo saindo sozinha para ter um momento a só, além do mais a ultima parte sempre fazia em um lugar próximo a sua casa e isso não exalava perigo. Contrariado, Miguel por fim aceitou e começou a pegar leve, e desde então a sombra da arvora beira ao lago tem sido o seu refugio particular. Ali ninguém a incomodava e passavam horas sem que alguém fizesse.
Sem mais demora Luna respira o ar puro daquele lugar, sorri e se levanta pegando suas coisas. Antes que coloque o seu celular no bolso de seu jeans, o aparelho começou a vibrar. Luna encara a tela do aparelho sorrindo ao ver que é uma mensagem de sua amiga Nina no watsapp e rapidamente abri para ver o que escreveu.
“Boas noticias amiga. Simón vai vir e me disse que precisa falar com você”.
Luna sorri não se contendo e dando um gritinho e pulinhos de alegria pela noticia. Simón é primo de Nina que veio morar faz dois meses na cidade por conta que seu pai iria trabalhar na empresa do cunhado, pai de Nina. Agora Simón estuda na mesma escola que ela e sua prima.
Quando Luna o conheceu não sabia o certo como definir a reação que seu coração teve ao olhar nos olhos do rapaz e o quanto teve de se conter para não suspirar diante de seu sorriso lindo. Apaixonou-se mais ainda quando teve a chance de conviver com ele e mesmo que o rapaz demostrasse o mesmo interesse, ainda não havia se declarado a ela, e com essa noticia de que ele estará na festa de aniversario de casamento dos tios e querendo lhe falar, pode ser que esse será o momento em que Simón irá se declarar e a pedirá em namoro.
Sem mais hesitar Luna responde sua amiga colocando no lugar de algo escrito um emoji de carinha feliz com coraçõezinhos nos olhos. E volta a repor o celular no bolso e corre de volta para sua casa, pois iria escolher seu melhor vestido e ficar bem bonita para Simón...
Assim que entra a todas as pressas dentro de casa escuta uma voz a lhe chamar.
—Ei, onde é o incêndio? – Luna para próximo à escada e olha em direção onde seu pai está parado a encarando com um olhar divertido.
—Eu? Er... Não tem incêndio. Lembrei que ainda não havia escolhido a minha roupa para festa. – não era mentira, mas também não contaria a seu pai mais do que isso.
Acreditando na filha, Miguel continua a sorrir dizendo.
—Então se apresse porque daqui à uma hora estaremos de saída.
—Tudo bem. – ela diz se aproximando do pai e dando um beijo em seu rosto e volta a correr ate a escada e subindo apressadamente.
Quarenta minutos depois, Luna observa sua imagem de corpo inteiro refletido no enorme espelho em seu quarto. Ela sorri satisfeita na escolha do vestido, pois realçou ainda mais o seu corpo mostrando o contorno da curva de sua cintura e que seus seios estão bem maiores. Claro que sua roupa não era vulgar e chamativo, mas ainda sim ele mostrava um pouco de sua beleza corporal deixando nítido que ela não é mais aquela adolescente franzina e sem sal. Como está calor Luna escolheu usar um vestido florido tomara que caia justo nos seios ate a cintura e solto abaixo da cintura acima do joelho. Seus cabelos estão soltos e escovados somente deixando ondulados nas pontas, maquiagem discreta e o batom em seus lábios de uma cor que só deixava seus lábios naturalmente rosados.
Contente com o resultado, Luna vai até o banheiro pegando o seu perfume favorito e borrifando um pouco em seu pescoço e depois em seus pulsos em seguida volta para dentro de seu quarto colocando sua sandália.
—Luna? – ela olha em direção à porta de seu quarto vendo Amanda, governanta da casa parada lhe dirigindo um sorriso simpático.
—Sim, Amanda? – responde.
—Seu pai pediu para ver se já está pronta. E avisá-la que está lhe esperando na sala para poderem ir à festa.
De pé, Luna fala.
—Já estou descendo. – ela pega o celular e sai do quarto acompanhada por Amanda.
Assim que chega até o pai, Miguel adquiriu uma expressão surpresa por ver a filha arrumada daquele jeito. Claro que para um pai como ele era difícil admitir que sua menininha esteja se tornando uma mulher... Não iria manda-la mudar de roupa, até porque seu vestido não era indecente embora que realçava ainda mais a beleza corporal da filha. Por outro lado, se perguntou por que ela estava vestida daquele jeito, como se estivesse querendo impressionar alguém. Miguel sabia que um dia Luna traria um namorado para apresenta-lo, e mesmo sempre tendo sido superprotetor com ela, jamais teria coragem de impedi-la de namorar, se apaixonar, só deseja que sua filha encontrasse alguém que lhe amasse de verdade e não a machucasse.
—Está linda minha filha. – Miguel disse assim que ela se aproximou dele dando um beijo em sua testa.
—Obrigada papai. Você também está... – Luna falou se afastando um pouco.
Sorrindo, Miguel não deixa de alfinetar a filha sob o olhar de Amanda.
—Me diz uma coisa... Por acaso toda essa produção, tem algum motivo especial?
Ele sabia que sua filha andava suspirando pelos cantos e uma vez sem querer ouviu uma conversa dela com a sua melhor amiga Nina filha de seu amigo Ricardo sobre o seu primo Simón que agora estuda na mesma escola que elas.
Luna fica vermelha e isso é o suficiente para saber a resposta, pois ela sempre ficava assim quando estava envergonhada ou tenha sido descoberta.
—Er... Eu não... — ela tenta dizer, mas é interrompida pela risada do pai.
—Não fique assim... Nada melhor do que o primeiro amor. Seja como for espero que esse rapaz valha a pena e que te mereça.
Luna sorri feliz por ver que seu pai não era contra a seu futuro namoro.
—Obrigada pai. – ela agradece novamente e o abraça.
Três segundos depois Luna se afasta dos braços carinhosos de Miguel para olhá-lo e dizer.
—Sabe papai. Daqui a pouco tempo estarei namorando e ficarei feliz com isso, mas eu também queria te ver feliz da mesma maneira que eu.
Miguel franziu a testa dizendo.
—Do que está falando?
—De o senhor arrumar uma namorada. – ela fala de uma vez.
Embora nunca tenha mencionado diretamente a seu pai, Luna sempre se perguntou por que ele nunca namorou ou se casou novamente. Amanda que trabalha na casa desde quando sua mãe estava viva, disse a ela uma vez que seu pai nunca quis se relacionar com outra mulher porque nunca conseguiu deixar de amar Monica e que jamais conseguiu substitui-la por ninguém. Nunca ninguém substituiria sua mãe, mas ainda sim seu pai merecia ser feliz e encontrar um novo amor. E sabendo que daqui a alguns meses não estará mais ali com ele quando for para a faculdade, Miguel não poderia continuar sozinho, então Luna decidiu que estava na hora de abrir os olhos dele para começar a sair com alguém e não ficar mais sozinho.
—Luna, de onde tirou essa ideia? – ele pergunta confuso.
—De lugar nenhum papai. – ela responde tranquilamente. –Só penso que está na hora de ser feliz com alguém.
—E quem disse que não sou feliz? – ele rebate.
—Não estou dizendo que não é feliz, estou dizendo que precisa viver algo diferente, sai dessa rotinha de trabalho, cuidar de mim... Toda pessoa precisa sair e namorar um pouco.
—Luna não quero arrumar ninguém, e se eu quisesse já teria feito. – Miguel não consegue se convencer dos argumentos de Luna, até porque desde que ficou viúvo jamais se interessou por outra mulher. Monica foi seu único e grande amor, embora que mais jovem tenha cometido vários erros e acreditado que tenha amado outras mulheres, inclusive uma delas foi à falecida esposa de seu falecido melhor amigo.
Na época ele quase abandonou Monica por essa louca aventura, mas antes que fizesse algo ainda pior se deu conta a tempo de que o que sentia por Beatriz Balsano não passava de uma paixão intensa que foi morrendo aos poucos até que pôs um fim definitivo. No entanto, agora com sua filha ali abordando um assunto delicado e mostrando que deseja vê-lo com outra mulher isso o surpreendeu bastante.
—Luna não vamos conversar sobre isso agora. — Miguel desconversa sentindo-se desconfortável, ate porque não queria discutir sua vida pessoal com a filha naquele momento. — Temos que sair agora, já estamos atrasado...
Como se houvesse esquecido, Luna abriu os olhos assentindo o que o pai disse.
—Está certo. Mas não pense que irá escapar de terminar essa conversa depois.
Miguel rolou os olhos sabendo que realmente não escaparia, mas não perde o humor por isso.
—Sim senhora... Vamos? – ele diz fazendo um sinal para que ela segue ate a porta.
—Vamos. – ela diz caminhando e olha para a governanta. – Tchau Amanda.
A governanta sorriu abrindo a porta para que seu chefe e sua filha passassem, mas responde.
—Tchau minha querida, e divirtam-se.
(***)
Uma Maybach excelero preta e reluzente para em frente à mansão Simonetti, e dela surge um homem de aparência impecável. Para os convidados que chegava ali naquele momento a festa, era impossível não deixarem de ficar de bocas aberta por verem um carro tão belo e luxuoso como também, se renderem a presença marcante de seu dono.
Matteo apesar de sua chegada marcante a casa de seu amigo não permitiu que as pessoas a sua volta tivessem uma má impressão de sua pessoa. Apesar de amar ostentar seu gosto por carros exclusivos de luxo deixando nítido o quanto é podre de rico, cumprimentou a todos ali educadamente com um aceno de cabeça e um sorriso nos lábios.
Ao chegar à entrada da mansão fala o seu nome para a recepcionista que procura na lista, confirmado, ela dá passagem para que ele entre e não evitando um olhar cobiçador para o homem. Matteo não poderia evitar a forma com que sua presença atrai as mulheres, como também não é o tipo que recusa experimentar coisas novas nem mesmo quando se trata de uma bela recepcionista, porem ele não estava ali para ter prazer com alguma mulher que estivesse naquela casa, com exceção de uma. Sua presença ali é somente por uma razão. Se aproximar de Luna Valente.
Matteo antes de seguir o caminho se detém olhando tudo a sua volta para encontrar o seu alvo. Não obstante, seus olhos seguem em direção à escada e logo vendo duas garotas descerem sorrido e uma delas é quem anseia encontrar. No entanto, Matteo se contem porque ali não seria o lugar e nem o momento para se aproximar, iria esperar o momento certo e por hora só observaria.
—Matteo! – ele olha em direção da pessoa que o chamou e vê Ricardo Simonetti aproximar dele. Ele abriu um sorriso retribuindo a cordialidade do amigo de recepciona-lo. — Fico feliz que finalmente tenha aceitado meu convite.
Geralmente Matteo inventava alguma desculpa de que não poderia está presente por está viajando ou ocupado supervisionando seus negócios nas filiais de suas construtoras, mas na verdade só fazia isso quando se tratava de eventos os quais correria risco de se encontrar com Miguel Valente. Até então não queria ter nenhum vinculo de amizade com o homem, pois primeiro; porque é o seu inimigo e segundo; tem se dedicado em manter afastado dele para não dá-lo liberdade em lhe pedir ajuda alheio de que ele mesmo seja o causador de sua ruina.
—Sabe que sou bem ocupado e às vezes fica difícil de participar dos eventos que sou convidado ou até mesmo prestigiar um amigo. – Matteo respondeu cordialmente apertando a mão de Ricardo.
—Eu sei que sim. Mas fico feliz que pode vir. Bom, venha... Quero te apresentar algumas pessoas. – Ricardo o chama apontando em direção ao um grupo de pessoas as quais algumas Matteo já tenha os visto e outras não.
—Onde está a sua esposa? Gostaria de cumprimenta-la. — Matteo falou acompanhando lado a lado a Ricardo.
—Sabe como são as mulheres... Sempre demoram a se arrumar, mas Ana deve está descendo. Espero, porque está ficando bem chato ter que receber sozinho os convidados. – Para Matteo o comportamento da esposa de Ricardo é totalmente deselegante e grosseiro em deixar seus convidados à espera quando deveria está os recebendo ao lado do marido como saudosos anfitriões, no entanto, ele não diria sua opinião quanto a isso.
—Não se preocupe. Pelo visto a ausência de sua esposa está alheia aos convidados que parecem já está se divertindo. – disse por fim numa falsa forma de tranquiliza-lo.
Em meio à conversa Matteo não percebe que se aproximava do grupo a qual uma pessoa fazia parte, cujo qual não queria se quer uma aproximação, porem...
—Com licença... – Ricardo diz chamando atenção do pequeno grupo de homens que conversavam. – Gostaria de apresentar a vocês a um amigo. Sei que alguns de vocês já o conhecem, mas sempre bom às reapresentações.
Matteo contem a não rolar seus olhos, pois os pensamentos de Ricardo eram bem ilógicos para ele. Ainda sim forçou um sorriso cortês e educado para manter sua imagem pela qual batalhou para ter.
Ricardo disse o nome de cada um ali, até que seu olhar se deteve numa determinada pessoa. Matteo também manteve seu olhar na única pessoa que havia a todo esse tempo evitado, mas ali estava ele, um pouco mais velho.
—Matteo esse é o meu sócio que te falei. Miguel Valente.
Miguel sorriu gentilmente erguendo sua mão para cumprimentar o filho de seu falecido amigo. Havia o visto pela ultima vez quando ainda tinha apenas nove anos de idade no dia em que seus pais foram enterrados. Depois disso não teve mais contato com o menino, pois ele havia ido morar com sua tia em outro país e desde então faltou oportunidade de se verem. Por outro lado, Miguel sempre esteve um pouco a par da vida de Matteo sabendo que ele havia crescido e superado a morte dos pais, sendo um rapaz estudioso e se transformando em um homem que daria orgulho ao pai se estivesse vivo. Tornou um dos melhores empresários no ramo imobiliário e ainda que hoje não tenha nenhum familiar próximo vivo, aparentemente consegue sobreviver sem um elo familiar, mesmo em sua idade não estando casado e com filhos.
—É um prazer revê-lo depois de muitos anos. – disse Miguel lembrando que o viu pela ultima vez quando era um menino.
Matteo usa o seu melhor sorriso falso a qual ninguém percebe e responde retribuindo o aperto de mão. Sabia que teria que passar por isso se esse fosse o preço a ter de aproximar de Luna.
—Prazer é todo meu. – Matteo disse por fim. – Uma pena não termos nos visto depois da ultima vez. Não seria nada mal manter uma amizade com o melhor amigo de meu pai. No entanto, as coisas não foram dessa maneira. Por outro lado ainda que a rotina não me permita me socializar com mais ênfase acredito que ainda possamos ter essa amizade agora, além do mais temos amigos incomuns. — mentiu descaradamente e sentindo o desejo de vomitar por sentir que suas palavras caíram mal em seu estomago.
Não percebendo a mentira nas palavras de Matteo, Miguel sorri cordialmente respondendo.
—Será um prazer.
Ambos ficaram ali conversando mais um pouco, até que Matteo se afastou indo cumprimentar a esposa de Ricardo, uma bela ruiva e apesar de sua idade tem um nível bem atrativo. Depois disso Matteo resolveu se afastar de todos, queria ficar um pouco a sós e observar o local. Ainda não havia conseguido chegar até a filha de Miguel, mas a observava de longe.
Luna de fato era ainda mais bela pessoalmente do que aparenta na foto, e vestida como está naquela festa só fez com que Matteo idealize todas as maneiras tortuosas para se divertir com ela, e isso o deixa excitado...
Ele estava por detrais de uma pilastra olhando uma obra de arte, quando escutou passos se aproximarem. Ele olhou de rabo de olho para ver quem seria a pessoa que teria de tolerar naquele momento com assuntos que não o interessavam, porem ao ver as duas garotas que conhecia decidiu manter seus olhos na obra de arte e ampliar sua atenção no que elas diziam para outra.
— Simón me pediu para te avisar que é pra se encontrar com ele lá na sacada com vista para o jardim... Ou é para ir ao jardim? – a morena ficou pensativa não se lembrando direito do recado.
—Mas porque ele quer que eu vá lá? Poderia falar comigo aqui. — Luna estranha o pedido do seu crush, mas sua amiga se antecipa em explicá-la.
—Não pense mal dele, Simón só quer está com você num lugar que ninguém possa atrapalhá-los. Além do mais está cheio de gente aqui, e fora o seu pai. Ande amiga... Não quer que seu pedido de namoro seja algo bem romântico? – Nina sorri sugestiva.
Luna retribui o sorriso deixando nítido em seus olhos o quanto está apaixonada por Simón.
Matteo ergue a sobrancelha em reação ao que escutou.
“Quer dizer que tem um namoradinho?” – ele pensa, mas pouco se importa com esse detalhe, pois isso não o impediria de seguir seus planos.
Ele escuta Luna falar mais algo com sua amiga sorrindo cumplice a ela, e depois segue em direção como se fosse dar cobertura para amiga se encontrar com o namorado. Matteo Observa Luna entrar numa porta e sem que note que ele prestava atenção para onde seguia, Matteo caminha na mesma direção que ela discretamente sem ser notado...
Finalmente terá a oportunidade de chegar a ela.
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