Doce Vingança
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Dias depois...
Haviam se passado alguns dias desde que Luna voltou para casa. A principio todos ficaram felizes com sua volta e meio que não a pressionaram com perguntas, somente a deixando ter um tempo para esfriar a cabeça e se cuidada por todos que amam. Mas nem tudo poderia ficar assim, pois um dia depois de sua volta teve que ir a delegacia prestar depoimento e fora que tinha que passar por médicos para fazer exames. Ele iria se recusar a fazer, mas foi então que houve a surpresa.
Luna havia ido pela manhã à delegacia com o seu pai prestar depoimento e foi recebida pelos detetives responsáveis de seu caso. Miguel queria ficar com ela na sala ouvindo o depoimento, como Luna parecia nervosa e incomodada, Tino e Cato sugeriram conversar com ela primeiro sem ninguém na sala e somente eles, pois assim Luna poderia ficar mais a vontade para falar sem pressão. Mesmo contrariado Miguel aceitou, então ficaram somente os três.
Nesse momento foi então que Tino e Cato se revelaram terem feito parte de seu sequestro e também estão responsáveis de ocultar qualquer prova que possa incriminar Matteo sendo mandante de tudo o que aconteceu com ela. Luna não se sentiu ameaçada, na verdade se sentiu aliviada por que eles irão facilitar as coisas para ela, e disseram exatamente o que fazer e o resto eles davam um jeito, como por exemplo, não poderiam evitar que ela fosse examinada por algum médico, mas tinham como fazer com que fizessem um laudo falso sobre suas condições físicas... Por outro lado, não poderiam evitar que ela passasse por algum psicólogo, mas este eles saberiam como ela poderia lidar, além do mais não poderia interferir muito para não trazer suspeitas, sendo assim Luna não se sentiu mais preocupada e faria o que fosse preciso para lidar com tudo.
Depois da suposta conversa pré-depoimento, tiveram que fazer o depoimento tendo a presença do escrivão e Miguel que insistiu querer ficar. Mas o pouco que ficou somente interferiu não aceitando a resposta da filha e isso foi o suficiente para ele ser retirado da sala. Nesse momento, Luna se da conta de que agora seus problemas começaram com o seu pai que faria de tudo para força-la a contar a verdade, mas não faria... Pois estava disposta em fazer da vida dele um inferno se ele tentasse.
Após o depoimento Luna foi levada ao hospital para fazer os exames que diriam que ela tenha sofrido alguma agressão sexual ou física... Cato e Tino estavam presentes e se responsabilizaram de deixar uma pessoa de sua confiança para fazer os exames em Luna, como também mentir no laudo. Claro que isso custaria um bom dinheiro, mas receberiam tudo em dobro quando terminassem seus serviços para Matteo Balsano.
Com isso, Luna ficou fora de casa o dia todo, mas no final com ajuda dos detetives tudo deu certo para Luna. Segundo o laudo não havia nenhuma anormalidade, não havia nada relacionada à agressão, violência sexual, praticamente no laudo Luna ainda é virgem, completamente imaculada... Somente constou um pouco de anemia em seu sangue.
Pelo menos isso foi algo que Miguel não se opôs e acreditou ficando aliviado que sua filha não teria sido violentada. Como também Luna ficou feliz porque poderia em algum momento dar um jeito de ver se conseguia uma receita para continuar se precavendo de uma possível gravidez mesmo não sabendo quando terá relações sexuais novamente, porém com toda a repercussão que seu caso teve, muita gente poderia a reconhecer, e se fosse a sua ginecologista habitual essa poderia desconfiar, por outro lado, Luna ainda não havia rompido com Simon já que desde quando voltou ainda não havia ficado sozinha com ele ou a oportunidade para romper o namoro, poderia usar a desculpa de que havia transado com ele, e que queria se precaver e para seu pai diria que iria à ginecologista porque queria ver se ela ajudava com o problema dela sentir fortes dores no primeiro dia da menstruação, e que não seria uma mentira essa ultima parte.
Então decidida um dia depois ela marcou uma consulta com a ginecologista em um horário que seu pai não estaria em casa e poderia ir sem ele querer ir atrás. Apesar de contrariada Amanda se deixou ser convencida por ela em deixa-la sair sozinha e que iria e voltaria de táxi. Como prometeu Luna voltou a tempo e conseguindo a receita da medicação para tomar as injeções. A principio a médica queria passar pílulas, mas Luna disse que poderia se esquecer e que preferia a injeção, então a médica indicou a ela vir de seis em seis meses fazer o preventivo já que ela iniciou uma vida sexual. Luna também pediu sigilo à doutora porque temia que se seu pai descobrisse e por conta do que aconteceu ficasse ainda mais neurótico e acharia coisas erradas do namorado dela.
Feliz por ter conseguido manipular a sua ginecologista, Luna se sentiu aliviada por agora uma parte de seus problemas terem sido resolvidas. Por outro lado ainda faltava um detalhe...
É domingo à noite, e Luna termina de arrumar sua mochila para no dia seguinte voltar à escola. Tecnicamente, Luna deveria ir com o seu pai mais cedo para se reunir com a diretora da escola para dizer a decisão sobre como procederá a seus dias escolares. Miguel não queria que a filha voltasse tão cedo para a escola, pois preferia que ela assistisse aulas em casa, mas Luna insistia em ir. Então a contra gosto entrou em contato com a diretoria da escola que se reuniria com os professores de Luna para decidir sobre o caso e tomando a decisão em conjunto saberiam da resposta na manhã seguinte.
Desde que voltou para casa havia passado quase uma semana, tendo que aturar perguntas, exames, repórteres querendo uma entrevista, mas Luna queria voltar sua vida normal. No entanto, todas essas coisas que teve de se preocupar foram o suficiente para não pensar certo homem que ama...
Colocando a mochila em um canto, Luna escuta alguém bater na porta do seu quarto. Rolou os olhos, pois já imaginava quem poderia ser.
— Entre. – ela disse sentando na cama e vendo seu pai entrar e fechar a porta.
— Como está? – ele pergunta se sentando em frente a ela.
Luna encolhe os ombros como se a pergunta fosse inútil, mas responde.
— Estou bem...
— Tem certeza? – ele insistiu e Luna se contem para não bufar.
— Não. Obvio que não... – ela fala não escondendo a irritação. – Quero saber até quando vou ficar vivendo esse inferno e poder viver a minha vida normal. Não posso nem ao menos tomar sol no jardim porque tem um jornalista me observando e chamando para dar uma entrevista, e fora que não posso nem respirar que o senhor ou os empregados ficam me vigiando.
Miguel fica triste pela forma que ela fala... Via o quanto Luna estava mudada e agora não escondendo muito o que sente. Sendo assim, Miguel acredita que algo muito grave aconteceu por ela não querer falar nada, mas por outro lado os exames que ela fez deram que não sofreu nada em seu corpo. Sendo assim não entende o que Luna insiste em esconder e de alguma forma afetou e sua postura.
— Eu sinto muito por tudo. Darei um jeito de afastar os repórteres e jornalistas, mas quanto a nós...
— O que? Agora vai mandar Amanda ou Daniela me dar banho? Vai me dar comida na boca ou me dar à mão para me levar a escola? Sério que vai fazer a minha vida virar um inferno por isso?
— Luna, entenda que nos preocupamos com você e não queremos que aconteça o mesmo... – ele suplica, mas Luna se irrita ainda mais. — Você não quer contar para ninguém o que aconteceu, e como vamos ficar seguros e protege-la?
— Não preciso de segurança e nem proteção. Eu preciso de liberdade e respirar e se o senhor não parar eu vou sumir de verdade, porque não vou viver desse jeito para o resto da minha vida.
— Luna você está sendo egoísta...
— Estou papai? – ela pergunta com ironia. — Tem certeza? Ao invés de olhar só para seus medos e preocupações, olha para mim. Acha que é isso o que quero? Quando se dará conta de que isso tudo está acabando comigo?
Ele nega...
— Não é por isso, você passou por um trauma e é normal que se sinta desse jeito. Deixe que eu cuide de você e vamos ao psicólogo e vamos resolver tudo... E aliás, acho melhor não ir mais a escola, vou contratar professores particulares e na faculdade fará a que tem aqui perto. Contratarei alguém para te levar e trazer em casa...
Luna abre boca escutando todo o que seu pai dizia se dando conta de que ele quem precisa de um psicólogo e não ela. Foi o que bastou para Luna explodir como nunca havia feito.
— ESTÁ ESCUTANDO O QUE ESTÁ FALANDO? FICOU MALUCO? VAI SE TRATAR VOCÊ PORQUE É O SENHOR QUE ESTÁ PRECISANDO.
— Não grite comigo, eu ainda sou seu pai. – ele altera a voz.
— NÃO. MEU PAI NÃO FARIA ISSO, DIANTE DE MIM ESTÁ UM HOMEM LOUCO QUE PERDEU A NOÇÃO DAS COISAS E QUER FAZER DA MINHA VIDA UM INFERNO. NÃO VOU A MERDA NENHUMA DE PSICOLOGO OU PSIQUIATRA, E SE FIZER ALGO QUE ME FORCE EU JURO QUE O SENHOR NÃO IRÁ ME VER NUNCA MAIS E VAI SE ARREPENDER DO QUE FEZ. TUDO QUE SÓ QUERO É CONTINUAR A VIVER A MINHA VIDA, SAIR COM OS MEUS AMIGOS, NAMORAR, IR A ESCOLA, FACULDADE, VIAJAR, TUDO SEM TER QUE TER SEGURANÇA OU UMA SOMBRA ME PERSGUINDO, E O SENHOR ME INFERNIZANDO.
— Meu Deus que gritaria é essa? – Amanda entra desesperada no quarto de Luna sendo acompanhada por Ramiro e Daniela que vieram ver o que aconteciam.
— Você está transtornada, e precisa se acalmar. E entender que eu...
— QUE QUER ACABAR COM A MINHA VIDA COM SUAS ESCOLHAS ERRADAS. JÁ NÃO BASTA AS SUAS ESCOLHAS E QUER DECIDIR POR MIM. É TÃODIFICIL ACEITAR E ME ESCUTAR... – nesse momento Luna chora sentindo puro ódio de seu pai.
Amanda se aproxima abraçando a menina que se deixa levar por ela. Miguel também chorava por ver a filha daquele jeito e o odiando...
— Senhor... – Ramiro se aproxima do patrão. — Venha comigo... Conversar assim não vai levar a nada. Deixa Amanda e a Daniela cuidar da menina...
Miguel não queria sair, mas percebeu que Ramiro estaria certo, então saiu do quarto sendo acompanhado pelo seu motorista.
— Ei, calma... Não fica assim. – Amanda fala conduzindo Luna até a cama. — Daniela, traz um copo com água e açúcar ou algo para que ela se acalme. -A empregada assente indo fazer o que a governanta pediu.
Luna olha para Amanda dizendo um pouco mais calma.
— Amanda, por favor, me ajude... — ela implora com a voz mais calma. — Eu não quero viver numa prisão. Meu pai não entende e não quer me escutar... Tudo que quero é seguir em frente como era antes, mas ele não quer deixar e se fizer isso ficarei louca e não vou suportar.
Amanda abraça Luna novamente e chorando com ela. Sabia que seu patrão estava exagerando e seja o que foi que aconteceu tinha que deixar Luna em paz até o dia em que ela quisesse dizer a verdade e não força-la ou coagi-la protetoramente... Por conta disso acobertou junto com Daniela e Ramiro a menina ter saído sozinha, pois eles também não concordavam com a decisão de Miguel de mantê-la sob vigia constantemente. E vendo como Luna reagia a tudo aquilo, uma hora ela iria explodir e foi o que acabou de acontecer.
— Fique calma... Eu prometo que vou ajuda-la... – a governanta garante olhando nos olhos da garota.
— Eu quero voltar à escola amanhã... Quero recuperar esse tempo que perdi as aulas, quero tentar me formar esse ano, seguir em frente... – ela fala entre soluços.
— E você vai, eu garanto...
Minutos depois, Daniela chega com água e Luna bebe um pouco... Elas a colocam para se deitar e a deixa sozinha para dormir quando vê que já está mais calma.
Luna ainda demora a pegar no sono, mas cada vez que lembra sua discursão com seu pai, começa a chorar em silencio... Não queria gritar com ele, mas como faze-lo escutá-la se ele não quer a ouvir, e tudo o que pode fazer foi berrar.
(***)
Na sala, Miguel andava de lado para o outro. Ramiro havia ido até a cozinha fazer um chá para ele se acalmar já que Amanda e Daniela estavam com Luna. E quando trouxe ficou ali com ele sem dizer nada somente fazendo companhia.
Estava nítido o quanto Miguel estava perdendo o controle e isso prejudicando a filha por conta de seu medo de perdê-la novamente. Tudo porque não aceitava a situação de Luna reaparecer três meses depois de ter desaparecida sem querer dizer nada, onde estava, com quem, se fizeram mal... E tudo o que Miguel só via em Luna quando olhava para ela era alguém sob efeito de um trauma que ao invés de ter as reações normais de qualquer pessoa no seu caso deva ter, e reprimia como se nada tivesse acontecido.
Miguel até perguntou a filha se havia sido ameaçada ou alguma coisa que não permite que fale, mas ela sempre dizia que estava tudo bem... Mas de algum modo sabia que não estava.
— Com licença senhor? – Amanda entra na sala chamando atenção de Miguel que a encara preocupado.
— Como Luna está?
Amanda olha Daniela numa indicação de que queria ficar sozinha com o seu patrão, entendendo e sabendo o que a governanta queria falar com ele, fez sinal para Ramiro ir com ela para a cozinha. E em silencio saíram deixando Amanda e Miguel sozinhos.
— Ela está mais calma agora. – Amanda respondeu por fim.
Miguel possui um olhar triste e sofrido e balança a cabeça negativamente como se estivesse prestes a desabafar.
— Ela está piorando. Primeiro não quer falar nada sobre o que aconteceu e agora começou a ficar agressiva... Amanhã eu vou marcar uma consulta com o melhor psiquiatra desse país...
Amanda não conseguia suportar ver o seu patrão agir daquela forma e não querer enxergar que o que está fazendo não é certo, e de alguma forma ele está perdendo a filha. Mesmo Amanda não querendo antes se meter, agora não havia como se calar ainda mais que prometeu a Luna que iria falar com ele.
— Senhor me perdoe. — Ela disse firme fazendo Miguel a olhá-la. – Mas está fazendo tudo errado.
Ele fica confuso não aceitando que pudesse está errado.
— Amanda, estou fazendo o melhor que posso para o bem da minha filha. Não posso deixar as coisas como estão.
— Pode sim... E se não fizer vai perder a sua filha. – ela rebate.
— Não, não... Eu não...
— Pelo amor de Deus. Pare com isso. – Amanda fala duramente e Miguel pela primeira vez a encara surpreso, mas não rebate. – Eu não queria me meter, até porque sou somente a governanta dessa casa. Mas como ajudei a criar a menina Luna, me sinto no direito de tentar ajudá-la nesse momento.
— Não... Você faz parte da família... – ele diz em um sussurro.
— Por favor, me deixe falar. – ela o interrompeu ainda séria e se aproxima de Miguel parando quando havia meio metro os separando. – O senhor tem que parar com o que está fazendo. Não enxerga que o que aconteceu apouco só foi o resultado de que sua filha quer que o senhor a escute e lhe entenda? O senhor tem que parar de olhar para si mesmo e escutar seus medos de perdê-la e olhar para Luna e escutá-la. Não sabemos o que aconteceu, e seja como for temos que agradecer que ela esteja bem, e viva... Só que seja o que for o que a menina passou e não quer nos contar, ainda sim ela quer seguir com sua vida em frente. Não precisa de alguém vigiando vinte quatro horas por dia, não precisa de psicólogo para curar trauma, porque Luna não quer e não precisa ser tratada e o senhor precisa entender isso...
— Mas Amanda eu não posso deixar minha filha desse jeito, uma hora ela pode...
— Quando chegar essa hora e se chegar, o senhor estará ali de braços abertos para ajudá-la ao invés de ser o que ela irá odiar e se afastar... Nesse momento, o senhor deve somente pensar na felicidade dela. Luna está tentando mostra para o senhor, mas não esta aceitando e fazendo-a sofrer. Quer que ela fique transtornada e desapareça novamente ou faça algo pior? Se ela tem algum trauma deixe que cure a si mesmo. Deixe que viva a liberdade que quer e não a force mais... Porque se um dia ela finalmente quiser dizer a verdade sobre seu desaparecimento, não será da maneira como quer força-la, será dito voluntariamente.
Miguel se dá conta de que Amanda tem razão... Está fazendo tudo errado e por conta disso está recebendo a fúria e ódio da filha ao invés do carinho que ela sempre deu a ele. Luna sempre detestou sua supre proteção e uma vez brigou com ele para parar, e quando atendeu o seu pedido, ela parecia ainda mais feliz e o amando incondicionalmente.
— Deixa que ela volte à escola como antes sem ninguém lhe seguindo ou vigiando. Não a leve em nenhum psicólogo por enquanto a menos que precise, de a ela a liberdade que precisa e não a sufoque como está... Luna apesar de tudo sabe se cuidar, é uma garota forte, mais forte do que possamos imaginar... Ela precisa voltar a conviver com amigos, namorar, sair... Dê a ela o que ela precisa e não o que o senhor acredita ser melhor para ela... Deixa o tempo solucionar as coisas... Não faça por mim, ou pelo senhor, mas pela felicidade de Luna e se a ama, a deixa tentar seguir em frente...
Miguel não tinha como negar, sabia que havia exagerado, e agora ali Amanda lhe abrindo os olhos, percebe o quanto agiu errado. Sendo assim não poderia mais negar em fazer o que é certo e escutar as suplicas de sua filha.
Ele agradece Amanda que em seguida o deixa sozinho. Miguel decide ir ao quarto de Luna. Sem bater na porta, ele entra de vagar vendo que ela ainda está acordada, chorando e soluçando. Sente o seu coração doer por ver a dor que suas atitudes estão causando a ela, então ele se aproxima dela se sentando em silencio de modo que ela o via. A forma como Luna o olhou lhe doeu mais o coração e nesse momento, estava decido a fazer tudo o que ela precisasse e lhe escutasse, por ela e sua felicidade faria tudo.
— Me perdoa por ter sido um cego, surdo... E só pensar em meus medos.
Luna encara o pai ainda ressentida, mas não fala nada o deixando terminar de falar.
— Amanda conversou comigo, e me mostrou o quanto estou agindo errado.
Luna se senta na cama, mas não perde a chance de mostrar o quanto está magoada com ele.
— Deveria ter me escutado primeiro... — ela disse ressentida.
Com pesar Miguel responde.
— Eu sei. Me perdoa... Não quero mais brigar com você. Vim aqui porque além de te pedir perdão, também quero te dizer que deixarei que volte a escola, saia com seus amigos namorado, siga todas suas rotinas de antes sem ter ninguém lhe vigiando. Quanto a te levar num psiquiatra, acho que por hora podemos deixar isso de lado a menos que tenha necessidade de ir.
Escutando seu pai dizer aquilo e que não mentia, a expressão magoada de Luna mudou para animada.
— Verdade? Está falando sério?- ela pergunta ganhando um sorriso nos lábios.
Miguel sorri em confirmação.
— Sim. Estou falando a verdade... Por sua felicidade e o bem de nossa relação, deixarei meus medos de lado, pois é melhor de ter você como minha inimiga e me odiando.
Vendo que ele dizia a verdade Luna o abraça dando um beijo em seu rosto.
— Obrigada papai... Não sabe o quanto está fazendo por mim. – ela se afasta olhando nos olhos dele que sorri acariciando o rosto dela.
— Espero que esteja fazendo certo. E que não sofra mais.
Ficaram ali conversando mais um pouco, e pela primeira vez Luna se sentiu normal falando de que está ansiosa por ver seus amigos e ser feliz novamente. Porem Miguel a deixou ali depois porque tinha que dormir para acordar cedo para ir à escola. Como Luna não poderia ir sem ele por conta das burocracias por conta que ela faltou às aulas três meses não poderia aparecer normalmente na escola e continuar estudando como se nada houvesse acontecido. Ainda que todos soubessem de seu caso, tinham certas pendencias a resolver, mas depois Luna teria a liberdade de ir à escola sem escolta do pai.
Foi dormir feliz por conta dessa conquista, porem isso não mudava em nada seus verdadeiros sentimentos. Sorrir quando não tem vontade de sorrir foi fácil sorrir para ela demonstrar para Miguel a sua alegria por deixa-la ter a vida normal sem vigia e sufoco, por outro lado Luna ainda não estava alegre e poderia agora ser como se sente, sem mais ninguém para atormentar.
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