Notas iniciais
Boa noite mais um capítulo quentinho saindo do forno, estou amando escrever e amando ainda mais o retorno o carinho de vcs, continuem nessa loucura que próximo capítulo prometeeeeee...

A frase ecoava incessantemente em sua mente como um aviso. Uma maldição.

“Eu não posso me machucar de novo, Katniss.”

Peeta a dissera com a voz grave, os olhos tomados por uma sombra que Katniss não conseguiu decifrar. E aquilo a inquietava de uma forma que não era bem parte do plano.

Ela odiava admitir, mas o beijo ainda queimava em sua memória. O gosto dele, a urgência, a intensidade... tudo ainda estava tão vivo, tão presente, que a irritava profundamente. Katniss não gostava de se perder em sentimentos. Aquilo não era parte da equação. O plano era claro, meticulosamente calculado. Aproximar-se, conquistar confiança, enfraquecer por dentro — e destruir.

Mas algo na forma como Peeta havia recuado depois do beijo — como se estivesse fugindo de um abismo que ele mesmo desejava cair — a deixava desconcertada. Ele era um homem cheio de nuances, camadas que ela ainda não decifrara por completo. E Katniss odiava não ter controle total do roteiro.

Para manter a sanidade, mergulhou no trabalho. Era o único lugar onde tudo fazia sentido. A rotina da Atlas Technology, as metas do Synapse, as métricas de conversão e testes comparativos... tudo isso era previsível, mensurável. Diferente dele.

Mas o destino parecia ter prazer em desafiá-la. Uma reunião crucial com investidores de peso estava marcada após o almoço — e Peeta estaria presente. Ela ponderou por um segundo inventar uma desculpa qualquer, algo como uma crise hormonal — talvez TPM. Mas achou ridículo. Covarde. Não. Se ele recuou, melhor ainda. Estava funcionando.

—Isso o desequilibra, e eu atuo melhor assim.

Vestiu-se com elegância. Sensual, firme, a imagem viva de uma executiva em ascensão. E ao entrar na sala de reuniões, seus olhos percorreram automaticamente o ambiente, buscando por ele. Não o viu. Um alívio desconfortável percorreu seu corpo.

Ela se posicionou com calma. O tablet em mãos, o ícone da Atlas Technology ao lado do da EverdeenTech, reluzente na tela. Tocou com firmeza no arquivo do Synapse e se preparou. Ela não era filha de Burdock Everdeen por acaso.

Então ele entrou.

Peeta caminhava com a elegância silenciosa de quem dominava a sala sem precisar dizer uma palavra. Seus olhos encontraram os dela — e não desviaram. Havia algo naquele olhar que a desarmava por dentro: desejo, sim, mas também algo mais denso, mais... quebrado.

Frágil. Frágil é uma palavra perigosa, pensou ela, forçando-se a lembrar. Homens como ele não têm permissão para serem frágeis. Pelo menos, não comigo.

Ele sentou-se de frente para ela. Não disse nada, apenas a observava. E mesmo em silêncio, era como se gritasse.

Peeta iniciou a fala técnica com sua costumeira precisão — linguagem limpa, postura segura — mas quando passou a palavra a ela, os olhos não deixaram os seus por um segundo sequer. Katniss pareou o tablet ao monitor da sala, projetando os gráficos com maestria.

Cada dado apresentado, cada slide, era uma cena cuidadosamente ensaiada. Não apenas contra o mercado — mas contra ele. Porque ela sabia que Peeta veria algo ali além dos números. Ela queria que ele visse sua inteligência, sua força. Queria que desejasse. E se culpasse por isso.

A sala escutava com atenção. Os investidores murmuravam aprovação, anotavam freneticamente. Katniss respondia com coerência. Não havia espaço para dúvidas. Ela era o rosto do Synapse. E o futuro se curvava diante dela.

Casca Highbottom, um dos investidores mais antigos da Atlas, conhecido por sua postura conservadora pronunciou-se:

— Impressionante, Srta. Everdeen. Sua abordagem de mercado é ousada, mas sólida. Se o Synapse entregar metade do que foi prometido... teremos algo grandioso em mãos — comentou ele, a voz grave, porém branda enquanto ajeitava seu terno sob medida.

— A integração de IA preditiva com UX intuitiva é ambiciosa. Mas vocês têm benchmarks comparativos com concorrentes internacionais? Como o Synapse se posiciona frente ao NeuroLink OS da Akira Systems? — Com olhos atentos, Clemensia Dovecote, uma investidora do Vale do Silício, elegante e analítica, cruzou as pernas, apoiando o queixo na mão com interesse.

Katniss manteve o olhar firme, projetando segurança apesar do nó ainda presente em sua garganta.

— A Atlas e a EverdeenTech realizaram testes comparativos no último mês — falou ela, com um leve sorriso profissional. — O Synapse superou os principais concorrentes em tempo de resposta e adaptabilidade ao comportamento do usuário. Posso compartilhar os relatórios técnicos após a reunião.

— E quanto à escalabilidade para múltiplas plataformas em tempo real? Vocês têm parceiros em nuvem com estrutura global? — Sejanus Plinth, um investidor jovem e promissor, com um tablet sempre à mão, levantou uma sobrancelha, interessado.

— Ainda nem lançamos oficialmente o nosso produto e já fechamos há duas semanas uma parceria com a ZephyrData, o que nos garante presença em 42 países e estrutura para até 300 milhões de usuários ativos. Estamos prontos para escalar.

Um murmúrio de aprovação percorreu a mesa. Johanna, até então silenciosa, reclinou-se em sua cadeira.

— Você está me surpreendendo, Everdeen. E olha que isso é difícil — comentou ela, com um meio sorriso debochado. Katniss apenas sorriu de volta. Sabia que aquilo era um elogio.

Seu pai, Burdock, permaneceu calado. Mas o leve aceno de cabeça bastava. Ele a observava como quem assiste a um ato decisivo sendo interpretado com maestria.

Então Peeta se levantou.

A voz firme dele preencheu a sala, e com ela, uma nova inquietação se acendeu dentro de Katniss.

— Uma apresentação brilhante, Srta. Everdeen — disse ele, e por um segundo ela quase acreditou que ele usava aquele tom apenas para ela. — É por isso que essa fusão entre a Atlas e a EverdeenTech foi uma das decisões mais acertadas que já tomamos...

Katniss mal ouvia as palavras. Mas sentia tudo.

"Quando se tem profissionais como a Katniss liderando esse processo..."

Sem o “Srta.”. Apenas Katniss. Uma quebra sutil no discurso, mas não despercebida. Ela sentiu o calor subir pelo corpo, mas conteve-se.

Aplausos preencheram a sala, mas ela continuava parada, respirando fundo. Havia vencido. De novo. E mesmo assim, não era uma vitória limpa.

Casca Highbottom, em voz baixa, dirigiu-se a Clemensia:

— Ele confia nela mais do que deveria. Você percebeu?

— Ou talvez... não o suficiente — respondeu ela, sem tirar os olhos de Katniss

Katniss manteve o rosto neutro. Mas por dentro, ela registrava tudo. Aquilo era mais que uma reunião. Era o início de uma apresentação maior. Uma peça onde cada fala era cuidadosamente dita, cada expressão cronometrada, cada silêncio milimetricamente calculado. E Peeta... Peeta havia acabado de entrar no palco.

E ela precisava lembrar de uma única coisa.

Essa história é sobre vingança.

Nada mais.

Ou pelo menos... era o que ela dizia a si mesma.


✦✦✦


Depois da reunião com os investidores, Katniss notou que Peeta havia desaparecido sem se despedir. Ela vasculhou mentalmente os possíveis andares da Atlas em que ele poderia estar, mas a ausência dele era total. Impaciente, pegou o celular e digitou o contato salvo como “Hawk”.

— Gale, alguma notícia do Mellark?

A resposta veio rápida, em tom neutro.

— Ele pediu que eu o trouxesse até o Pier 79. Encontro com o Cato.

Katniss franziu o cenho. Cato Mellark raramente dava as caras.

— Ele vai voltar pra sede?

— Não. Depois do encontro, pediu pra passar na cobertura. Disse que precisa buscar alguns documentos.

Katniss mordeu o lábio.

Oportunidade.

— Ele vai sozinho?

— Sim. E Katniss... — A voz de Gale ficou mais baixa. — O acesso pela entrada de serviço da cobertura é por onde vai conseguir entrar. O código da fechadura é: M12-LR16. Você só precisa evitar o segurança do saguão. Suba pelo elevador de carga.

Katniss nem respondeu. Já pegava sua bolsa e o terninho no encosto da cadeira quando desligou.



✦✦✦



Pier 79, final da tarde...


O vento frio do Hudson lambia a pele de Cato Mellark enquanto ele encarava o horizonte. O pôr do sol se refletia nas águas turvas, como se tentasse esconder as sombras que se acumulavam em sua vida. O terno escuro bem cortado parecia destoar do rosto abatido, das olheiras profundas, da tensão visível nos ombros.

Peeta se aproximou em passos calmos, as mãos nos bolsos.

— Vim assim que pude. — Sua voz soou baixa, quase respeitosa diante do estado do irmão.

Cato apenas assentiu com a cabeça. Por um tempo, ficaram os dois em silêncio, observando os barcos distantes cortando a água.

— Eu não sei o que fazer, Peeta — disse Cato, por fim, a voz grave carregada de um peso raro. — Ela me jogou no meio de um inferno que eu nem sabia que existia.

Peeta virou o rosto para ele, atento.

— Clove?

— Ela usou meu nome, minha assinatura, meu CPF, cara. Falsificaram documentos, esconderam dinheiro em offshores, envolveram nomes grandes, executivos do setor público e privado. E agora... agora a bomba tá caindo no meu colo como se eu fosse o cérebro por trás da operação.

— Merda...

Cato assentiu, o maxilar rígido.

— Eu sou advogado, Peeta. Sócio de um dos maiores escritórios de Nova York. E estou sendo acusado de fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Eu nem sei se amanhã ainda vou ter licença pra exercer.

— Você não sabia de nada? — perguntou Peeta, a voz baixa, tensa.

— Nada. E agora o promotor quer abrir inquérito com base nos arquivos que ela mesma entregou anonimamente. — Cato riu, sem humor. — A Clove sempre foi brilhante. Brilhante e cruel. Mas nunca imaginei isso.

Peeta respirou fundo. Ficou em silêncio por um tempo, absorvendo o peso das palavras. Então, falou com convicção:

— Eu vou resolver isso, Cato.

O mais velho o olhou, surpreso.

— Como? Isso pode acabar comigo, Peeta. Não é só a reputação do escritório, é minha licença na ordem dos advogados. É a guarda da Skye, cara...

Peeta ficou quieto por um segundo. Depois, firmou a voz.

— Vou montar uma equipe só pra isso. Os melhores. A gente vai escavar cada centímetro dessa trama. Se a Clove tá te usando como bode expiatório, vamos expor isso.

Cato suspirou, apoiando as mãos na grade do píer.

— Clove era brilhante, desde sempre. Inteligente, articulada... mas fria. E agora, perigosa. — Ele passou a mão pelos olhos. — Eu me casei com ela achando que tínhamos algo de verdade. Que a Skye tinha uma família estável. E agora... isso.

Peeta deu um passo à frente e pousou a mão no ombro do irmão.

— Ninguém vai tirar a Skye de você, Cato. Ninguém. Isso eu prometo. E se, a Clove pensa que pode ferrar um Mellark e sair ilesa, vai descobrir o contrário.

Cato soltou um riso cansado.

— Eu só quero paz, Peeta. Quero poder dormir sem medo de que minha filha seja usada como moeda. Quero poder respirar sem advogados me vigiando.

— Então deixa comigo — respondeu Peeta, firme. — Você é meu irmão. E ninguém mexe com você sem enfrentar a porra da minha guerra.

Cato assentiu, os olhos marejados, mas sem permitir que uma lágrima caísse.

— Obrigado, não sabia mais a quem recorrer —desabafou ele.

Peeta checou o relógio.

— Preciso passar na cobertura, pegar uns contratos. Mas vou te ligar amanhã cedo. Mantenha o telefone por perto. E, por favor, sei que você sabe, mas não fale com a Clove sem um advogado ao lado.

Cato assentiu, sem forças pra contestar. Sua expressão era dura, mas por trás dela havia medo — não por si, mas pela filha.

E, Peeta seguiu sem olhar pra trás, não imaginava o que — ou quem — o esperava no topo do prédio.


✦✦✦


A cobertura de Peeta no Central Residences parecia saída de uma revista de arquitetura. Katniss seguiu as instruções de Gale. Ela passou pelos ambientes silenciosos, os saltos fazendo um som abafado no chão. Serviu-se de uma taça de vinho branco e caminhou até a área externa, onde a piscina de borda infinita refletia o céu alaranjado do entardecer.

Ela se sentou em uma espreguiçadeira, saboreando o vinho em silêncio, o olhar perdido na água cintilante. A mensagem de Gale chegou minutos depois.


[15:58] Hawk > “Águia a caminho do ninho, em quinze minutos.”


Ela sorriu. Soltou os cabelos. Lentamente, desceu o zíper do vestido vermelho justo que colava ao seu corpo como uma segunda pele. A fenda frontal que deixava sua coxa à mostra, caiu como cortina revelando suas pernas bronzeadas. Retirou os saltos, a lingerie. Andou nua até a borda da piscina e mergulhou.

A água estava morna, envolvente. Ela nadou por algum tempo antes de debruçar na beira de vidro. A porta panorâmica interna se abriu. Peeta.

Ele caminhava pelo corredor. A calça social cinza bem ajustada aos quadris, camisa azul clara com as mangas dobradas até os cotovelos. Havia suor na clavícula. Cansado... e perigosamente bonito.

Ele parou ao vê-la, caminhou até ficar próximo à beira da piscina, as mãos nos bolsos. A silhueta dela emergia da água como uma visão.

— Vai ficar só olhando ou vai entrar? — provocou Katniss, arqueando a sobrancelha. A água escorria pelos ombros nus.

Peeta sorriu de canto, mas não avançou.

— Definitivamente você não é um peixe, Katniss. É uma sereia. E do tipo que arrasta homem pro fundo e não devolve.

Ela riu, um riso quente, sacudindo os cabelos molhados para trás.

— Você sumiu depois do almoço. Eu precisava te entregar os relatórios... mas aí vi essa piscina e não resisti. Como não trouxe um biquíni, resolvi improvisar.

Ele mordeu o lábio inferior, visivelmente lutando contra algo dentro de si. O olhar dele percorreu cada curva do corpo que a água mal escondia.

— Meu Deus... — sussurrou quase para si mesmo.

Katniss percebeu. Aproveitou a tensão e jogou mais lenha no fogo.

— Pode me emprestar uma toalha? Ou você prefere que eu saia assim mesmo?

Peeta piscou, despertando do transe. Caminhou até o armário envidraçado e pegou uma toalha clara. Estendeu a ela sem se aproximar muito.

— Aqui. Toma.

— Vira — pediu ela, com um sorrisinho. — Só um cavalheiro de verdade vira de costas.

Peeta obedeceu, de costas para a piscina, os punhos cerrados dentro dos bolsos da calça.

— A propósito, como entrou aqui? — perguntou curioso.

Katniss saiu da água, a pele brilhando, os seios e o quadril cobertos apenas pela toalha enrolada de forma descuidada. Pegou a roupa e caminhou até ele. Parou atrás. Com um dedo molhado e firme, tocou o queixo dele, fazendo-o virar o rosto.

— Segredo... — sussurrou ela, a entonação com certa sensualidade. — Ah! Vê se não me espiona pelas suas câmeras de segurança, Sr. Mellark. Ou não garanto que vou usar toalha da próxima vez.

Ela piscou e saiu, caminhando nua sob a toalha em direção ao banheiro social.

Peeta ficou ali. Imóvel. Respirando fundo.

Maldição.

O som discreto da porta do banheiro se abrindo fez Peeta levantar os olhos do celular — onde fingia revisar e-mails que não lia. Ele estava encostado no balcão da cozinha aberta, segurando um copo de whisky, os ombros ainda tensos.

Katniss saiu com calma, renovada. Usava o mesmo vestido justo vermelho, agora alinhado, e o cabelo solto, ainda levemente úmido. Os pés descalços tocavam o chão de mármore com uma elegância silenciosa.

— Pode olhar agora, Sr. Cavalheiro — provocou, com um sorriso enviesado nos lábios.

Peeta virou-se, e por um segundo sua expressão entregou tudo, ela o desarmava.

— Você sempre entra assim nos apartamentos dos seus chefes? — perguntou ele, com um tom meio acusador, meio... encantado.

Katniss se aproximou devagar, a taça de vinho nas mãos, os olhos cinzentos cravados nos dele.

— Só quando eles somem misteriosamente no meio da tarde e me deixam com uma pilha de relatórios sem resposta. — Deu um gole elegante. — Eu podia ter mandado tudo por e-mail, mas... confesso que a vista daqui me convenceu a esperar.

Peeta deu uma risada breve, sem humor. Estava claramente dividido. Corpo e razão duelando.

— E aí decidiu... tomar um banho sem roupa na minha piscina?

— Não achei que você fosse se importar — respondeu ela, dando de ombros. — Ou se importa?

— Me importo com o que isso faz comigo — murmurou ele, baixo.

Katniss arqueou uma sobrancelha, tomando mais um gole da bebida.

— E o que exatamente isso faz com você?

Ele se aproximou. Lentamente. A poucos passos dela, parou. Seus olhos percorreram os dela até os lábios, depois a fenda frontal, insinuado do vestido colado ao corpo ainda levemente úmido.

— Me faz esquecer tudo que eu prometi a mim mesmo.

Katniss sentiu o estômago revirar — uma mistura de poder e perigo. Um passo a mais, e talvez aquele jogo acabasse ali mesmo.

Ela deu a volta no sofá devagar, os dedos deslizando pelo encosto. Peeta a seguiu com os olhos, como um lobo em alerta.

— E o que você prometeu a si mesmo?

— Que não me envolveria com você — confessou ele, a voz carregada de frustração.

— Por quê? Porque sou sua diretora de marketing? — provocou, fingindo inocência.

Ele não respondeu de imediato. Havia algo mais. Algo que ele mesmo não sabia como explicar.

— Porque sinto que... sinto que... Maldição! — disse, por fim.

Katniss congelou por dentro, mas sorriu por fora.

— Apenas ignore, Peeta — sussurrou, aproximando-se novamente. Com um gesto lento, levantou o dedo indicador e o deslizou pelo peitoral da camisa social até alcançar o colarinho. Depois tocou o queixo dele, o mesmo gesto de antes. — Afinal... se você fosse seguir seus instintos, já estaria dentro da piscina comigo.

Peeta sorriu, mas não se mexeu.

— Se eu ceder agora... não vai ser só uma vez.

Katniss inclinou o rosto até que os lábios quase tocassem os dele.

— É isso que te assusta?

— Não — respondeu, rouco. — É isso que me prende.

Ela se afastou como se nada tivesse acontecido, depositou a taça sobre a bancada, foi até a mesa onde deixara sua bolsa, o terninho, e no chão, as sandálias.

— Preciso ir. Já me molhei demais por hoje.

— Você sabe que tá brincando com fogo, né?

Katniss parou na porta, olhou por cima do ombro e sorriu com malícia.

— Peeta... eu sou o fogo.

E então saiu.

Deixando Peeta sozinho. Enlouquecido. Fascinado. Perdido.

E completamente alheio ao fato de que aquela mulher linda, sedutora e misteriosa...

... era a mesma garota que ele um dia humilhou por diversão.

Ela ia ser o fim dele.


✦✦✦


Mais tarde, Joanna entrou no apartamento dele com uma expressão que era metade irritada, metade maternal.

— Vai me dizer o que te deixou assim? — perguntou ela, pegando um punhado de castanhas do pote. — Tá estranho há dias.

Peeta girava o copo de whisky nas mãos, sentado no sofá da sala, enquanto Johanna observava da bancada, com uma expressão de quem já sabia o que estava por vir.

— Eu beijei a Katniss.

Johanna arqueou as sobrancelhas e se sentou na poltrona à frente dele.

— Como foi?

Peeta soltou uma risada nervosa, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— Incrível. Intenso. Quente. Diferente de tudo o que eu já senti... mas depois eu surtei por dentro. — Finalmente ele colocava pra fora o que realmente vinha o assolando.

— Sur... quê? — Johanna o olhou, incrédula. — Você beija a mulher que não tirou os olhos desde o dia que ela entrou naquela empresa e aí foge feito covarde?

—Não é tão simples assim.

— Claro que é.

— Eu... travei porque é isso que eu faço. Porque eu sou um idiota. Porque... — Ele passou a mão pelos cabelos. — Porque toda vez que me entrego, sou traído. Eu vi isso com meus próprios olhos.

— Você tá preso em memórias que não têm mais poder nenhum sobre você. Tá comparando a Katniss com sua mãe agora?

— Não! — Ele se levantou e começou a andar pela sala. — É que isso tá dentro de mim, Jo. Como um alerta constante. Como se tudo o que é bom, na verdade, fosse uma armadilha.

Johanna suspirou e se levantou também.

— Peeta, você é um bom homem, mas precisa parar de viver à sombra dos outros. A Katniss não é a Jacqueline. Nem a Glimmer. E muito menos a sua mãe. Ela é a Katniss. É diferente. Ela é inteira. Ela é fogo, sim, mas não é destruição. Você sabe disso. Está com medo de quê?

— E se eu estragar tudo?

— E se você não tentar e perder a mulher da sua vida?

Peeta a olhou em silêncio.

Joanna se levantou com um sorriso malicioso e anunciou:

— Então ótimo. Amanhã à noite, você vai ter uma segunda chance. Vamos na inauguração do clube da Cashmere e do Gloss. Festa beneficente, muita música e... adivinha quem vai estar lá?

Peeta ergueu uma sobrancelha.

— Ela.

— Ela. E de salto alto toda poderosa.

Peeta bufou, meio tenso, meio excitado com a ideia.

— Eu não sei se é uma boa ideia...

— Cala a maldita boca, Mellark! Você não é inseguro, vista-se decentemente. Eu e a Delly vamos te encontrar no C&G NITHTCLUB amanhã à noite. — Johanna se virou antes de sair e disse com um sorriso cúmplice. — E se você travar de novo... só me manda um sinal. Eu levo o desfibrilador.

Peeta sorriu de nervoso. Sabia bem que Katniss incendiaria o lugar todo.












Notas finais
É a dona Katniss provoca, coloca lenha na fogueira e depois o que ela faz? Deixa o loiro querendo... hahaha... título do próximo capítulo é "Chamas" então sabem né... o parquinho estará em chamas... bora! Quero saber de vcs o que estão achando e calam que logo, logo saberão mais sobre o passado de Peeta e o que fez pra ele estar assim, beijos e até. Comentem!