Doce Vingança

20 Capítulo 20 (final)


Notas iniciais
Último capítulo, finalmente! Boa leitura!

Na manhã seguinte após a audiência, Aiden e eu retornamos para minha casa, na noite anterior, dormimos até umas dez e meia da manhã, já que todo aquele estresse estava tirando nosso sono, mas agora tudo voltaria ao normal.

Dois dias se passaram e Matt pagou o dinheiro que o juiz havia solicitado. Ao ver aquele dinheiro na minha conta, um enorme sorriso surgiu em meu rosto, não apenas pela sensação de vitória, mas também porque era surreal ver um valor de três dígitos na minha conta bancária, sendo que durante minha vida inteira nunca tive tão pouco ao ponto de passar fome, mas também nunca tive muito.

Aiden voltou à escola depois daquilo tudo, por sorte, tudo isso terminou antes da semana de provas dele começar e eu o ajudava a estudar no máximo que eu conseguia, já que muita coisa havia mudado nas matérias desde que eu tinha a idade dele.

Certo dia, depois de buscá-lo na escola, depois de me dar um selinho, eu já estava rumando para casa quando ele me olhou.

-Pode me levar para a casa do meu pai? — perguntou ele, abruptamente.

-Por quê? O que você vai fazer lá? — perguntei, confusa.

-Relaxa, só quero pegar algumas coisas que deixei. Quando ele me expulsou, na pressa, só peguei pouca coisa que coubesse numa mochila, lembra? Mas ainda faltam algumas coisas.

-Tipo o quê?

-Meu XBOX que eu estou com muita saudade de jogar, mais umas roupas que eu gosto bastante, entre outras coisas que minha mãe me deu de aniversário.

Pensei um pouco, então concordei e fui para a antiga casa dele, onde Matt ainda morava. Quando parei, Aiden ficou parado por alguns segundos, olhando pela janela.

-Sente saudades da casa? — brinquei.

-Não... É que meu pai está aí — disse ele, preocupado.

-Como sabe?

-O carro está na garagem.

Olhei pela porta da garagem ao lado da porta da frente. O portão estava fechado, mas dava pra ver claramente o reflexo do carro lá dentro, sem falar da fumaça saindo da chaminé. Certamente, Matt acendeu a lareira.

-Está com medo? Ele não pode te forçar a voltar para casa, o juiz deu a sua guarda pra mim — o tranquilizei.

-Eu sei, mas estou preocupado com o que ele pode fazer com você — confessou.

-Acha que ele vai me machucar?

-Não quero arriscar... Fica aqui fora, eu volto rapidinho.

Eu já ia protestar, mas então Aiden falou algo que me fez mudar de ideia:

-Além disso, eu não falo com ele desde o dia da audiência. Não tivemos aquela "conversa final" sabe? Eu preciso falar com ele, deixar claro que eu não sou mais propriedade dele.

Ele me encarou. Seus olhos transbordando coragem, determinação e maturidade. Me surpreendi e concordei. Então, ele saiu do carro e caminhou para a porta da frente enquanto eu o observava entrar.

Demorou um tempo, mas logo ele apareceu carregando uma mala grande de cor azul — a favorita dele — e logo saí do carro para ajudá-lo a colocar no banco de trás. Ao arrancar com o carro, finalmente notei que ele estava tenso e quieto.

-Tá tudo bem? — perguntei, assustada.

-Sim — ele disse.

-Por quê está tão calado e sério? Encontrou o Matt na casa?

Ele apenas assentiu.

-O que aconteceu? — perguntei.

Ele respirou fundo antes de começar a contar:

-Se vai sair por aquela porta, não volta mais — ameaçou Matt.

-Eu não tô aqui pra pedir permissão. Só vim deixar claro que eu não sou mais propriedade sua — rebateu Aiden.

-Propriedade? Não seja ridículo. Eu sou seu pai. Tô tentando te proteger de uma mulher que te usou.

-Ah, claro. O pai protetor. O mesmo que destruiu a vida dela porque não aguentou ser rejeitado.

-Ela se deitou com um menor de idade! Isso é abuso!

-Eu tinha quase 18 anos. Eu sabia o que tava fazendo. Foi a primeira vez em muito tempo que alguém me olhou sem esperar que eu fosse você.

-Ela te enganou. Você é só um garoto!

-E você é só um homem frustrado tentando controlar tudo ao redor porque não consegue controlar a si mesmo.

-Você vai jogar tudo fora por ela?

-Eu tô jogando fora o que nunca foi meu: sua expectativa, sua arrogância, sua obsessão por imagem! Você me perdeu quando tentou transformar amor em crime.

Aiden se virou, indo pra porta. Matt foi até ele, segurando seu braço com força.

-Você vai se arrepender disso — disse Matt.

Aiden tira o braço com firmeza.

-Talvez. Mas vai ser a primeira decisão da minha vida que foi realmente minha — encerrou ele.

Impressionada, não pude deixar de sorrir.

-Uau, realmente ele tá furioso — falei.

-E vai ficar assim por sabe-se lá quanto tempo — bufou Aiden.

***

Cinco anos depois...

O mar batia suavemente nas pedras da praia deserta, como se tivesse aprendido a respeitar o silêncio das manhãs.

Caminhava descalça pela areia úmida, o vestido branco colando nas pernas por causa da brisa. Os cabelos estavam mais claros agora, com fios grisalhos discretos que eu já não escondia. Não precisava esconder nada. Carregava uma xícara de café e um sorriso leve.

Aiden estava sentado na varanda da pequena casa que vivíamos juntos. O livro que ele escrevia descansava aberto sobre os joelhos. Desde que entrou na faculdade de Letras, vinha se apaixonando cada vez mais pelas palavras — talvez porque com elas fosse mais fácil entender o mundo, ou a si mesmo.

Aproximei-me, encostando à grade de madeira. Ele levantou os olhos e sorriu com aquele jeito meio tímido que nunca mudou.

— Dormiu bem? — perguntei.

— Melhor ainda por saber que acordei com você aqui.

Soltei uma risada, e ele puxou-me para sentar ao seu lado. O silêncio entre nós dois era confortável agora. Não havia culpa. Não havia medo. Apenas uma história que escolhemos recomeçar juntos.

A casa era pequena. A rotina, tranquila. Às vezes eu trabalhava com idosos, às vezes ele dava aulas de reforço. Vivíamos com pouco, mas com tudo o que precisávamos.

Lancei meu olhar para o mar e murmurei:

— Nunca pensei que esse fosse o final.

Aiden sorriu, encostando a cabeça no meu ombro:

— Não é o final. É só um novo capítulo — corrigiu ele.

Amor real não ignora as consequências. Ele passa por elas. Aprende. Cresce. E quando sobrevive… é porque valeu a pena.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!