Acordei no dia seguinte um pouco mais cedo que o normal, talvez todas as emoções do dia anterior tenham me feito perder o sono completamente.

Logo percebi que ainda eram cinco e meia da manhã quando meus olhos abriram. Assim que acordei totalmente, percebi que Aiden ainda estava na mesma posição que adormeceu. Bem, não exatamente. Eu tinha mudado um pouco a minha posição de dormir, quase com meu corpo inteiramente de lado, mas como Aiden gosta de dormir de lado também, acabou que seu braço ficou agarrado ao meu pescoço levemente, como que se recusasse a soltar do abraço enquanto dormia.

Coitado, devia estar tão preocupado de se sentir sozinho que nem ao dormir queria ficar longe de mim. Isso me preocupava, se todos os acontecimentos do dia o deixassem com algum tipo de trauma, seria prejudicial para ele, principalmente agora que estava no último ano do ensino médio.

No começo, pensei em acordá-lo para levantar, mas ao vê-lo dormir como um anjo, com seu rosto tão sereno, fiquei com pena de o fazer principalmente depois do que aconteceu, então simplesmente fui lentamente me levantando, saindo de seus braços de forma sutil para não o acordar com movimentos bruscos. Quando finalmente consegui, calcei meus chinelos e saí do quarto indo para o banheiro, onde escovei meus dentes, tomei um banho e depois saí, indo para a cozinha pra fazer o café da manhã.

Depois de uns minutos, waffles estavam prontos, além de queijo ou manteiga para misturar, café e suco de laranja. Assim que acabei de pôr tudo, ouvi ele chegando na cozinha.

-Bom dia — ele disse, ajeitando o cabelo.

-Bom dia, como você tá? — perguntei, preocupada.

-Tô bem, melhor que ontem — respondeu ele, beijando minha bochecha, me fazendo dar um leve sorriso.

-Que bom, senta pra comer. Fiz pra gente.

Ele se sentou sorrindo e pegou um waffle, comendo.

-É gostoso... — disse ele, sorrindo.

-Gostou mesmo

-Gostei muito. Qual o nome disso?

-Waffle. Nunca comeu?

-Não, meu pai não sabe fazer...

-Ah sim, entendi.

Então comecei a comer também. Como esperado, ele não quis o café, apenas o suco e servi pra ele. Às vezes eu o observava comer e dava pra perceber que ele estava se esforçando para parecer feliz, estava nítido em seu olhar a tristeza dele, mas eu precisava manter a calma e ter paciência com ele e apoiá-lo naquele momento em que ele se sentia completamente sozinho.

-Você dormiu bem? — perguntei preocupada.

-Do seu lado sim. E você? — disse ele.

-Também dormi bem.

Logo depois de um tempo, terminamos de comer e levantei pegando a louça toda e lavando, ele me ajudava secando e guardando tudo.

-Obrigada pela ajuda — eu disse.

-De nada.

Sequei minhas mãos e olhei para ele.

-Tem aula hoje?

-Tem. Não estou com vontade de ir, mas... Pelo menos vou manter minha cabeça ocupada — suspirou ele.

-Tudo bem, então eu vou tomar um banho, me trocar e te levo.

-Tá bom então.

Sorri pra ele e fui para o banheiro, tomando um banho bem relaxante enquanto Aiden arrumava o material dele. Logo saí, coloquei uma calça jeans rasgada, uma blusa cropped branca e coturnos pretos. Enquanto fazia a maquiagem, Aiden foi tomar o banho dele e saiu minutos depois já arrumado e foi até a mochila dele.

-Você tá bonito — elogiei

-Obrigado, você também — respondeu ele, forçando um sorriso.

Logo fomos para fora de casa e entramos no carro. Durante todo o caminho, ele olhava pela janela, sem falar muita coisa. Às vezes eu comentava sobre algo pra puxar algum assunto, mas ele continuava conversando sem muito ânimo.

Quando chegamos na escola dele, estacionei o carro e o olhei.

-Chegamos — respondi.

-Sim. Vai trabalhar como babá hoje? — perguntou ele, finalmente se virando pra mim.

-Não sei, depende se algum cliente me chamar. Por quê?

-Se você precisar ficar de babá de alguém e não puder me buscar, me manda mensagem que eu vou sozinho. Nem é tão longe da sua casa e eu sei o caminho à pé.

-Tudo bem, mas relaxa, não vai precisar — prometi.

-Está bem, muito obrigado... Por tudo... — ele colocou a mão dele sobre a minha — De verdade.

-De nada Aiden. Sabe que eu nunca vou te deixar né? — falei sincera.

-Sim, sei. Por isso agradeço muito à você.

-De nada.

Dei um pequeno sorriso pra ele, era bom vê-lo valorizar todo o apoio que eu estava dando à ele nessa situação tão difícil. Então, ele me deu um selinho demorado e pegou a mochila.

-Até depois — disse ele.

-Até. Boa aula — falei o vendo sair do carro e acenar enquanto caminhava para dentro da escola.

Esperei até que ele entrasse para ir embora, mas não antes de vê-lo cumprimentar uns garotos que pareciam ser da mesma turma dele. Sorri novamente, antes ele era zoado por todos os alunos da escola, mas agora era bom ver que ele estava fazendo novas amizades ou recuperando as antigas.

Chegando em casa, deixei o carro na garagem, tomei um banho e fui deitar na cama um pouco, esperar o tempo passar, mas ouvi a campainha tocar e mesmo estranhando, afinal, não esperava visita de ninguém, decidi abrir e ver quem era.

Para meu alívio, era minha mãe.

-Oi mãe, que surpresa! — sorri a olhando.

-Oi filha, desculpa surgir assim, do nada. Fui deixar sua irmã na escola e aproveitar pra passar aqui antes de ir para o trabalho — disse ela.

-Poxa, então você aceita um café? É rapidinho.

-Claro, pode ser.

Então entramos em casa e eu fiz um café do jeito que ela gostava, servi uma xícara para nós e começamos a beber.

-E como andam as coisas? — perguntou ela, depois de tomar um gole.

-Ah vão bem, tirando algo que aconteceu recentemente — respondi, decidida a contar pra ela.

-Que coisa? Quer me contar?

Assenti, respirei fundo e contei à ela tudo o que havia acontecido, sobre quando bolei meu plano de vingança contra o Sr. Clifford, as vezes em que Aiden e eu deitamos juntos ate o dia anterior, quando fomos flagrados pelo pai dele. E a cada detalhe que eu contava, mais chocada ela ficava.