Doce Vingança

14 Capítulo 13


Notas iniciais
Boa leitura *--*

— Não foi só ele quem me violentou, meu irmão também fez... — Âmbar continuou a contar. – A idiota da minha mãe não fez nada, nem ao menos foi pedir ajuda. A desgraçada se escondeu com os meus irmãos mais novos no quarto fingindo não escutar os meus gritos e súplicas. Meu pai achou que colocando o seu pinto em minha vagina fosse me fazer gostar de ser fodida por um homem. – ela riu com amargura. — Idiota infeliz! Se eu já tinha nojo de um homem e seu pinto sem ao menos tê-lo dentro de mim, imagine depois de ter sido estuprada pelo próprio pai e irmão?

— Meu Deus... Eu... Eu sinto muito. — Luna sussurrou não contendo as lagrimas...

Diferente de Matteo nos fatos, Âmbar também foi cometida de uma tragédia em sua vida. E agora ela entende o porquê há uma união e cumplicidade entre os dois... Ambos foram cometidos da dor e do ódio, e seja como foi estavam unidos como irmãos, amigos, cúmplices, bem além do que a relação de patrão e empregada.

— Depois deles fazerem tudo o que fizeram me deixaram lá. Meu pai disse que eu não iria mais a escola e que ainda naquele mês me casaria com Pedro. – ela ri amargamente novamente. – Pobre Pedro... Ele nem ao menos me amava, era apaixonado por uma garota pelo qual seu pai não aprovava o namoro... Ele mantinha uma relação com ela às escondidas enquanto fingia me namorar de verdade... Pedro sabia da verdade sobre mim, e não me criticava, na verdade ele dizia para eu fugir e que me ajudava... No final ele não pôde fazer nada, porque só me veria no dia em que nos casássemos. Na mesma noite em que fui violentada, decidi fugir. Meu pai havia trancado o meu quarto e não me deixou sair nem mesmo para me limpar da sua imundice que deixou em meu corpo. Só que ele não sabia que sou boa em escalar e descer janelas... Não queria ficar mais nenhum só segundo ali, se ficasse eu o mataria...

— Você fugiu? – Luna perguntou a interrompendo, mas Âmbar não se incomoda, via a curiosidade nos olhos da morena ansiando para que houvesse um final feliz naquela história. Infelizmente nunca houve um final feliz.

— Sim, eu fugi. Quando a madrugada chegou, eu recolhi algumas roupas e agasalhos e coloquei tudo dentro da minha mochila. Me vesti e peguei a caixa que guardava o dinheiro que minha mãe me obrigou a guardar para comprar o meu enxoval – ela faz uma careta de nojo quando mencionada a ultima palavra. – Abri a janela e sai dali. Quando os meus pés alcançaram o chão me senti livre e corri o máximo que pude, pois lembrei que havia um trem que sairia da estação por aquele horário que geralmente iria para outra cidade. Quando cheguei à estação comprei a passagem faltando cinco minutos para o trem sair. Mas consegui embarcar...

Luna sorri.

— Então, quando conheceu Matteo? Foi no trem?

— Não... Ainda demorou bastante para eu encontrar Matteo. Resumidamente Luna, depois da fuga eu não tive dias bons. No começo até consegui me virar bem, mas depois o dinheiro acabou e tão tinha como pagar a comida e um quarto para dormir. Quebrei bastante a cara até eu me dar conta de que não havia pessoas boas que poderiam ajudar... Com medo de alguém acabar entrando em contato com meus pais e tivesse que voltar para casa, acabei optando em acreditar em pessoas erradas que no fim só me machucaram, me drogaram... Por sorte tive forças para fugir, mas para sobreviver e não passar fome, fui obrigada a me prostituir, fora o vicio pelas drogas... Cheguei ao fim do poço, e um dia que recuperei minha consciência vi que não tinha mais jeito, então decidi acabar com a minha própria vida... E foi nesse dia que encontrei Matteo. Na verdade, ele me encontrou.

Âmbar estava mal vestida, rasgada, tremendo de frio e pés descalços, seu corpo tremia em reação da abstemia pela falta de droga, e por mais que a parte viciada ansiasse por mais, ela sabia que não queria mais isso e que não queria se prostituir novamente, e para por fim em seu sofrimento era somente com a morte.

Ela caminha em direção de uma ponte que liga uma cidade a outra, e lá pôs seus pés na beirada se apoiando em um dos mastros de apoio. Ela olhou para as rochas sendo banhada pelas águas do rio ciente de que a sua queda seria mortal. Chorou por alguns minutos tomando a coragem para acabar com sua vida, no fim, foi como se tudo o que havia passado passasse por seus olhos sendo o bastante para soltar a sua mão, estava prestes a deixar seu corpo cair diante e finalmente morrer, quando alguém se posta ao seu lado.

— Vista linda. – Âmbar olhou assustada para o seu lado.

Quase se desequilibrou, mas o rapaz ao seu lado com um sorriso divertido lhe segura conseguindo manter o equilibro próprio e o dela. Âmbar voltou assegurar o mastro com suas mãos enquanto o rapaz lhe soltou lhe deixando por conta própria.

— Tem que tomar cuidado. Pode cair. – ele disse ainda sorrindo.

Âmbar começou acreditar que ele estivesse debochando dela, e naquele momento tudo o que ela queria era dar à resposta a altura.

— Quem quer se matar não toma cuidado. – ela respondeu entre dentes limpando seu rosto com o pulso.

Ele ergue a sobrancelha como se estivesse surpreso.

— Sério? Então me permita em lhe ajudar.

Âmbar abriu os olhos não acreditando como aquele cara era um maluco.

— Você é algum doido?

Ele dar de ombro.

— Acho que sim. Mas ainda sim, se eu quisesse me matar não ficaria chorando e cheia de medo. Já teria me jogado sem pensar... Desculpa a franqueza, mas acho que você não quer se matar.

— Você não sabe de nada... Só é um filho da puta enxerido.

Ele não parecia ofendido e mantendo um sorriso divertido responde.

— Isso não discordo de você. Minha mãe realmente era uma puta, mas está morta.

Âmbar abriu a boca novamente não sabendo se ficava triste ou mal por ele, mas o rapaz não parecia triste com esse fato.

Ela não disse nada somente desviou seus olhos para olhar novamente o rio abaixo.

— Ei... Realmente eu não sei nada de sua vida, e se quiser pode me contar antes de se jogar. Prometo que não vou lhe impedir. – Âmbar olha para ele que possui as mãos abertas erguidas na altura do seu ombro deixando bem claro que realmente não iria impedi-la.

Ela não queria contar sua vida a ele, pois todos que acreditou e confiou só lhe machucaram fingindo que queria ajuda-la e no fim a fazendo estar daquele jeito. Não iria cometer o mesmo engano.

— Vai se danar. Me deixe em paz. – ela disse entre dentes, mas ao invés de se jogar desceu desajeitadamente da barra de segurança da ponte. Em um salto, o rapaz fez o mesmo.

Âmbar se sentou no chão irritada porque aquele estranho fez com que acabasse com a sua coragem, mas não arredaria o pé dali, pois ele iria embora em algum momento lhe deixando em paz e assim, podendo fazer o que quer fazer.

Mas infelizmente para ela, ele sentou ao seu lado mostrando que não sairia dali tão cedo. Âmbar o encara bufando de raiva.

— O que está fazendo? Vai embora. Já disse pra me deixa em paz.

Ele nega.

— Não... Não antes de você me contar o motivo que quer se matar. Vamos... Me conte e lhe prometo que vou embora.

Vendo que o rapaz realmente não iria embora, irritada ela rola os olhos.

— Vai embora mesmo?

— Com toda certeza. – ele garantiu e não cruzou os dedos em sinal de mentira, então Âmbar começou a contar toda a sua história.

O rapaz em nenhum momento a interrompeu, foi testemunha novamente de sua dor e lágrimas da loira. E o que para Âmbar foi uma tortura... Por outro lado, o pouco que ela viu no olhar dele não foi o mesmo que via no olhar das pessoas que confiou e a machucaram. De alguma forma ele lhe trouxe um conforto, uma sensação de que as coisas mudariam ainda sim ela não se permitiu a se iludir, então que no fim ele levantaria e deixaria ali sozinha a sua sorte.

— É isso... Essa é minha história. Agora que já sabe pode ir embora e me deixa em paz.

Com um olhar diferente e sem o sorriso que o rapaz possuía quando chegou, ele a encara serio e começa a dizer brandamente.

— Eu vou. Mas antes quero que me responda uma coisa. – ela assente louca para que ele fosse embora. – Acha que vale a pena tirar sua vida por isso tudo ao invés de buscar a felicidade? Buscar vingança por quem te fez tudo isso?

Âmbar franziu a testa sem entender.

— Não tem jeito. E não me vem com a mentira de que pode me ajudar. – ela falou descartando qualquer possibilidade dele tentar persuadi-la.

— Não vou te ajudar a não tentar, porque nesse momento quem precisa se ajudar é você a si mesma. Você não será ninguém se continuar assim desse jeito. Às vezes temos que guardar toda a dor, raiva, trauma, tudo dentro de uma caixa e só lembrar disso tudo para nos fortalecer e conseguirmos vencer em algum momento.

Ela nega.

— Você não entende, eu...

— Eu entendo perfeitamente. Vi meu pai matar minha mãe e depois covardemente se matar porque foi um fraco ao invés de lutar. Não o culpo por sua fraqueza porque foi ele quem não suportou sua própria provação. Quanto a mim, coloquei tudo aqui dentro. – ele aponta na direção de seu peito esquerdo. – e cada dia da minha vida, deixei de chorar, deixei de odiar, deixei de me vingar. Tudo porque não era hora e o momento para isso, e ainda não é a hora... Mas quer saber? Te digo que faça o mesmo, mas se quiser ser fraca e acabar com a sua vida vá em frente porque não vou impedir, mas se optar pelo contrario, saiba que terá um amigo, um aliado, um irmão para que finalmente um dia possa encontrar sua redenção. Não precisa confiar em mim, pois nem eu mesmo confio, mas acredite eu junto que iremos aprender muito mais e aprenderá o que eu já sei.

Ele se levanta sem esperar por uma resposta de Âmbar.

— Agora estou indo. Você é quem decide que caminho quer seguir. – e vira as costas caminhando em direção onde um carro está parado no meio da ponte.

Âmbar olhou aquele desconhecido se distanciar, e pela primeira vez na vida sentiu que realmente poderia confiar em alguém porque dessa vez não iria se engar. Subitamente ela se levantou e mesmo desengonçada pela fraqueza da fome e seu estado abstêmio consegue caminhar apressada até o rapaz.

— Espere. – ela chamou o fazendo virar em sua direção.

Ele a observa se aproximar e quando a loira está bem próxima somente a encara.

— Como se chama?

Ele sorri como ninguém nunca havia sorriso para ela, e sentiu sendo contagiada para retribuir, mas não fez, e não faria antes de saber se realmente poderia confiar nele.

—Me chamo Matteo Balsano.

Ela assente.

— Já me decidi, Matteo. Vou com você.

Ainda sorrido ele diz.

— Ótimo. Então vamos... – Matteo fez um sinal para que Âmbar o acompanhasse, mas ela o interrompe.

— Espere. – ele franziu a testa. – Você não sabe no que está se metendo. Agora estou bem, mas virão dias ruins. Sou uma drogada vadia a qual irá se arrepender amargamente por ter querido ajudar.

Matteo não se sente desanimado e responde.

— Não se preocupe comigo e sim com você. Quem primeiramente tem que se ajudar é você mesma.

Com essa, Âmbar não pode rebater, pois ele não a prometia nada, mas de alguma forma lhe apoiaria ajudara si mesma.

Então ela pega em suas mãos agora estendida e o deixa ser levada por ele, seja para onde Matteo iria levá-la.

Luna respira fundo se sentindo emocionada por aquela história. Sabia que existiam mais coisas que os uniam, no sentindo que não se aplica como casal, mas seja o que for, percebe que ambos faram o apoio do outro para suportar tudo o que passou. Âmbar ali parecia uma boa pessoa, mas sabia que sua casca era aparência de mulher má, fria e calculista, a imagem e semelhança de Matteo, mas não poderia odiá-la nem mesmo quando foi omissa deixando que Matteo fizesse tudo de ruim com ela e não se comovendo pelo que passou. No entanto, seja como for à lealdade da loira é para Matteo e não para ela.

— Ele te salvou. – Luna disse sentindo emocionada.

— Na verdade, Matteo me mostrou o caminho para que me salvasse. Segundo ele, precisava ter o alicerce construído por mim para não cair. E funcionou. Acabou que hoje somos como a família uma para o outro.

— Você depois não voltou a procurar a sua família verdadeira? – Luna perguntou vendo a loira adotar uma expressão nada agradável.

— Como disse. Matteo é a minha única família e já basta.

Luna percebe que seria melhor se contentar com aquela resposta, pois de alguma forma se Âmbar não queria responder é porque deva ter alcançado a sua vingança.

Âmbar encara Luna, não com raiva por querer saber, mas que se recriminou por isso tão longe contando aquela história e de certa maneira ela poderia está achando sua amiga. Mas não, a morena tinha um olhar curioso como se esperasse a resposta pela qual significa que ela voltou e tenha se vingado da família. E na verdade foi o que fez...

Os longos anos depois com auxilio de Matteo investigaram sobre sua antiga família. Sua mãe havia morrido meses depois da sua fuga devido à depressão por algum trauma que ninguém sabia o que seria... Seu pai tornou-se um alcoólatra e perdeu a guarda dos filhos menores para a cunhada, seu irmão mais velho ainda vivia com ele. No entanto, Âmbar se encarregou para que seu pai sofresse tudo o que ela sofreu e o seu irmão também.

Contratou dois homens para levá-los a um lugar, e lá Âmbar assistiu seu pai e irmão serem estuprados enquanto estavam amarrados com seus rostos em direção a ela. Não disse nada somente sorriu prazerosa mostrando o quanto estava gostando de vê-los tendo pênis enfiados em seus rabos sem seus consentimentos sendo a coisas mais humilhante e nojenta. A loira não se satisfez tão rápido e contratou mais homens para que continuassem a estupra-los em rodizio e que só parassem quando tivessem mortos. Nunca se arrependeu pelo que fez, mas quando os viram pagarem pelo que fez com ela, se sentiu leve e grata por graças a Matteo ter conseguido sobreviver e ter sua vingança... Depois disso, Âmbar declarou sua lealdade a Matteo empenhando em ajuda-lo sem questioná-lo... Por conta disso nunca interpelou a ele quando violava Luna... Por mais que o que fazia trouxesse lembranças dolorosas, não poderia impedir que o moreno tivesse a vingança dele quando lhe concebeu a sua sem questionar.

Luna não querendo estar mais ali, se levanta decidida a voltar para o quarto. Seja como for, mesmo que Âmbar tenha lhe garantido que Matteo havia permitido sua saída, preferia que ele voltasse e a encontrasse em seu quarto.

— Foi... Bom conversamos e saber um pouco sua história com Matteo. Mas acho que vou entrar novamente.

Âmbar franziu a testa se levantando também.

— Por quê? Pode ficar mais um pouco, se quiser pode ir até a praia...

Luna abriu os olhos surpresa pela sugestão. Apesar de tentador, lembrou que ali não seria o lugar para estar e muito menos se deixar ser vista, então nega.

— Não... Não quero ser vista por ninguém. Matteo não irá gostar... Prometi a ele que faria tudo o que me ordenar, então não vou passar dos limites.

Âmbar sorrir.

— Mas Luna, é seguro... Se tiver medo dele se zangar, eu me responsabilizo. – a loira argumentou numa garantia.

Luna não acreditava, e mesmo Âmbar ter sido bem legal com ela não poderia confiar na loira. Ela estava junto com Matteo naquela vingança, e com certeza faria de tudo para jogar o mesmo jogo e por tudo a perder para ela... Se for um truque ou não, Luna já estava decidida a não cair nele.

— Não. Na verdade eu não quero. Prefiro voltar para meu quarto, ler ou ver algo na TV.

— Pode ficar na sala de vídeo assistindo alguns DVDs ou ir ao escritório de Matteo onde ficam seus livros... – Âmbar sugeriu querendo evitar que a morena volte para o quarto.

Mas Luna nega piamente.

— Não... Eu ainda não terminei de ler o livro que ele me emprestou. E gosto das séries que passam na TV, então não precisa, mas obrigada por me deixar ficar lá mesmo assim. — Luna sem esperar alguma resposta da loira se afasta indo em direção da casa.

Âmbar sorri vendo a morena se distanciar, não se sentindo ofendida por ela se negar a fazer o que mandou e sim, agora mais que nunca tendo a certeza de que Matteo finalmente conseguiu dominá-la.

Notas finais
Caramba, Matteo arrasou... Pra vocês verem que mesmo ele estando cheio de ódio e movido pelo anseio da vingança, ainda sim deixou duto trancado no lugar para que no momento certo se vingasse, e ainda sim teve compaixão por Âmbar lhe amparando quando mais precisava por ela ter sofrido como ele, mesmo de maneira diferente. Matteo meu lindo, TE AMO!!!! Bjs #Lutteo *--*