Doce Vingança
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Os dias haviam passado ainda mais e faltava mais uma semana para completar dois meses que Luna estava sob cárcere naquele lugar com Matteo. As coisas já não eram como antes, pois desde que ela passou a fazer tudo do jeito que ele mandava não haviam mais agressões, Matteo até moderava quando era o caso de chama-la de “cadelinha” e a maioria das vezes chamando pelo nome, ou no modo irônico de “Luninha”, mas não iria reclamar porque pelo menos ele estava sem fazer nada do que fazia antes.
No entanto, seus pensamentos andavam ainda mais confusos, principalmente depois do dia em que Matteo cuidou dela quando passou o dia todo com cólicas menstruais. Nunca pôde imaginar que um monstro como ele tinha coração, e poderia ser capaz de tratar alguém com carinho, bem ela com carinho, e não poderia negar o quanto gostou. Matteo foi bem paciente os três dias em que ela ficou menstruada, até mesmo não a procurou para fazer sexo, e quando acabou ele aplicou nela uma injeção, que segundo ele havia explicado era para que não engravidasse.
Luna não contestou, até porque ficou surpresa quando soube que quem a trouxe para lá havia lhe aplicado à mesma injeção contraceptiva e com isso não ficando gravida durante todo esse tempo por Matteo em nenhum momento ter usado camisinha. Mesmo ficando dolorido o local aplicado, pelo menos se sentia segura que não engravidaria.
No entanto, Luna não estava gostando do que começou a sentir por Matteo. Não era ódio, nem isso ela conseguia mais sentir, nojo tão pouco porque cada vez que ele a tocava gemia e só faltava implorar por mais... E quando chegava a hora dele ir para o seu quarto se sentia ansiosa, mas como se Matteo soubesse de sua ansiedade acabava por indo em outras horas e ficando com ela... Momentos intensos que estavam vivendo juntos e mesmo assim isso incomodava a garota.
Não era diferente com Matteo, mas este lidava de maneira diferente ignorando esse novo sentimento dentro de si e aproveitando que Luna não mais resistia, parecia estranhamente sentir prazer, mas por outro lado ele reconhece que não era fingimento, e se sentia feliz que de alguma maneira Luna estava perto de fazer muito mais o que ele queria que fizesse, e que obviamente a morena poderia sair daquilo ainda viva...
Luna não queria pensar muito no que estava sentindo, porque ainda sim seja o que fosse Matteo a levou ali para sofrer e liberá-la somente morta. Não poderia se iludir que ele realmente a libertasse com vida, pois se mostrou bastante convincente em suas persuasões e forma monstruosa e psicopata de ser, mas nos pensamentos dela enquanto se negava sentir o que sente, repetia para si mesma que Matteo é um estuprador, sequestrador, doente maníaco. Ainda sim havia algo que também martelava em sua mente, algo que não tinha coragem de pergunta-lo.
—Uhmm... — ela geme bem baixinho ao despertar com as mãos de Matteo passando em seu corpo enquanto ele a limpava.
Diferente dos outros dias, Matteo encheu a banheira e entrou com ela para o banho. No entanto, estava em silencio somente observando o corpo dela e no que fazia ajudando a limpá-lo. Luna olha para ele voltando a se concentrar nos seus pensamentos anteriores...
Matteo ainda não havia lhe contado o que o pai dela havia feito para ele odiá-lo tanto a ponto de fazer o que fez, e se tornando uma pessoa como é... Luna por conta disso ainda estava confusa, pois sabe que Matteo é um monstro, mas tem momentos que vê que ele não é assim, no fim se dá conta de que pode estar bancando a tola se deixando manipular por ele. Além do mais tudo que fez foi graças ao seu calculo e frieza e não seria diferente que esteja fazendo tudo àquilo para conseguir o que quer.
Luna se sente estupida e irritada porque seja lá o que for que está sentindo por ele, tudo é porque Matteo está manipulando-a quando na verdade ela deveria está-lo odiando.
Nesses pensamentos e tomada pela curiosidade, ela acaba quebrando o silêncio entre eles.
— Matteo.
O moreno não olha para ela, somente continuar a passar a esponja nas pernas da garota.
— Sim? – respondeu jocosamente.
Luna morde seu lábio temendo que ele se irrite, mas já que começou era melhor falar porque o máximo que aconteceria, era Matteo se negar a responder.
— Você ainda não me disse o que meu pai fez a você para odiá-lo tanto e querer se vingar.
Matteo não gosta da pergunta e larga a espoja se recostando na banheira e a encarando seriamente.
— Não tem que saber disso. Já disse que só tem que saber que ele é o culpado. – ele respondeu secamente.
Luna não aceita a resposta, e estava disposta em saber, mas para isso teria que falar moderadamente com ele.
—Eu sei que já disse isso. Mas Matteo eu preciso saber e entender.
Ele ri secamente com ironia e rebate.
—Você nunca vai entender, e com certeza ainda vai acreditar e defender o seu pai. Se vai ser assim porque perderei meu tempo contando meus motivos?
Luna franziu a testa analisando as palavras dele, de certa forma era como se quisesse que ela acreditasse nele, mas como se tratava do seu pai e que o vê com bons olhos continuaria acreditando que seria incapaz de fazer mal a alguém. No entanto, Matteo estava enganado sobre ela... Luna não era nenhuma tonta, apesar de seu caráter bondoso e fácil de perdoar quem a fizesse mal, ela sabia que as pessoas por mais que pareçam boas pode fazer algo ruim para outras pessoas, sejam intencionais ou não. No caso de Miguel, não sabia o que seu pai havia feito para definir como intencional ou não.
— Está errado. Posso não entender na sua forma de ver, mas posso entender por minhas próprias perspectivas. Não posso defendê-lo ou acusa-lo sem nem ao menos saber o que de fato meu pai fez a você... E pela forma que está se vingando dele me usando para atingi-lo, acredito que tenha sido algo bem ruim.
Matteo franziu a testa, se perguntava se Luna tinha o mesmo dom para manipular como ele ainda que seja de modo mínimo. Seus olhos se perdem em pensamentos, como se Matteo tivesse entrando num tempo diferente que estão, e Luna pode ver que talvez ele finalmente lhe contasse...
— Eu tinha apenas nove anos quando tudo aconteceu... – ele começou a contar.
Luna não diz nada, somente olha para Matteo escutando cada palavra dita.
— Eu estava brincando no jardim quando me cansei de ficar sozinho e fui chamar o meu pai para brincar comigo jogando bola. Ele sempre fazia isso quando estava em casa, mas aquele dia foi diferente. Quando chegava perto do seu escritório, escutei ele discutir com a minha mãe e fiquei escondido para ver o que estava acontecendo entre eles dessa vez. Sempre discutiam, mas aquela discursão foi diferente... Meu pai havia descoberto que minha mãe estava o traindo com o seu melhor amigo...
Ao escutar a fase “traindo com seu melhor amigo”, Luna sentiu o seu coração vacilar uma batida e algo travar em sua garganta. E nesse momento ela ficou mais ainda incapacitada de falar.
— Minha mãe queria deixa-lo. Pediu o divorcio porque queria ficar com o amante... Pelo que entendi seu amante a tinha dispensado porque havia escolhido ficar com a noiva e faltava uma semana para se casar... Meu pai bateu na minha mãe, mas isso não a intimidou de dizer que iria embora mesmo assim. Foi quando ela saiu do escritório correndo e não percebeu eu ali, e meu pai a seguiu tendo uma arma na mão. Não sei o que me deu na hora, mas fui atrás dele, e quando me aproximei do quarto ouvi mais gritos e depois um tiro. Corri para lá e no mesmo instante que cheguei à porta, vi meu pai apontar a arma em sua cabeça e atirar. Minha mãe já estava morta por suas mãos, quanto a ele se suicidou em seguida...
Luna engoliu a seco ao escutar aquela historia triste, mas se perguntou onde o pai dela entrava nessa historia, de certa forma ela já sabia.
— Meu pai. Onde ele entra nessa história? Não entendo... — nesse momento Matteo parecia voltar à realidade e olha nos olhos de Luna com seus olhos marejados e ao mesmo tempo com uma fúria na qual a morena ao vê-lo com aquela expressão se arrependeu de ter feito a pergunta.
— Seu pai era o amante da minha mãe... Ele a iludiu fazendo acreditar que ficaria com ela. Ele era o melhor amigo do meu pai e o traiu tendo um caso com a esposa dele. Minha mãe nos abandonaria por ele, por conta de Miguel Valente que meus pais brigaram e meu pai matou a minha mãe porque iria deixa-lo, por causa dele que meu pai tirou a própria vida não suportando o que fez matando a mulher que ama ainda que tenha o traído... Eu perdi os meus pais por culpa da putaria do seu pai que não se contentou em foder com a vadia da noivinha dele, e depois que cansou resolveu dispensar a minha mãe como um lixo... Por culpa dele que eu passei o resto de minha infância até agora planejando minha vingança... Eu mais que ninguém sempre quis causar a mesma dor que ele causou em minha vida.
Luna pôde ver todo ódio nos olhos de Matteo. Apesar de sua história ter sido desse jeito, sendo filha do homem que lhe causou a sua dor poderia dizer que seu pai foi humano, errou, mas nunca quis a morte dos pais dele. Mas como poderia defender seu próprio pai que não teve escrúpulos na época e traiu a amizade com o pai de Matteo? Amizade é algo que não se pode jogar no lixo, não pode ser traído ou desprezado, mas ainda sim o fez. Traiu até mesmo a noiva e que no caso obviamente foi sua falecida mãe, mesmo tendo a escolhido.
Luna se lembra da mãe e sua trágica morte... Poderia ser ilógico seus pensamentos naquele momento, mas de alguma forma lembrou que muitas vezes ficava pensando porque sobreviveu ao acidente e sua mãe tenha morrido. Todavia, chegou a uma conclusão: o destino talvez quisesse assim... O destino de certa maneira fez com que seu pai pagasse perdendo a mulher amada em consequência do que fez com o seu melhor amigo, perdeu sua mulher e com o tempo e perderia a filha... De uma maneira ou outra tudo parecia se encaixar, entendendo a razão do porque teve o milagre de sobreviver o acidente... Ela tinha que viver e conhecer Matteo e através dela conseguir finalizar sua vingança...
Não poderia culpar Matteo. Que criança poderia suportar o que ele testemunhou? Como uma criança poderia não nutrir ódio por alguém que mesmo não estando presente e mesmo assim foi culpado por ter feito a escolha errada?
Luna não poderia negar, e por mais que quisesse defender seu pai, ela via que Miguel e suas escolhas erradas trouxe estrago à vida de todos. Indiretamente a morte dos pais de Matteo, o ódio que o fez ser o que é, a morte de Monica, e por ela ter passado todo esse inferno que vem vivendo desde o dia em que chegou aquele lugar.
De uma maneira surpreendente, Luna já não mais odiava Matteo. Ela o entendia... Matteo pode ser um homem de 28 anos, rico, bonito, inteligente, mascarando todo o seu obscuro, mas na verdade apesar disso tudo, ele ainda era aquele menino de nove anos que perdeu os pais tragicamente e que jamais teria o amor deles, e sua família.
Luna sentiu seus olhos lacrimejarem, mesmo que se obrigasse ainda odiar Matteo por ter feito mal a ela e que nada justifica o que fez ainda sim, Luna já não sentia mais o ódio de antes e o perdoou à medida que Matteo contou sua história vendo que aquele homem diante de seus olhos não passa de um menino que perdeu a noção do que é o amor, por ter jogado fora e colocado o ódio e o desejo de vingança em seu coração.
— Então... — ele falou com um sorriso irônico e de amargura deixando uma lagrima rolar em seus olhos.
Luna não queria dizer nada, não diria nada, porque não havia o que dizer. Sem pensar ela ergue o seu corpo de dentro da banheira e se acomoda no colo de Matteo de frente a ele prensando seu corpo no dele e levando seus lábios até os lábios do moreno. Ela o beija com toda paixão que nunca havia sentido, de uma forma ou de outra a morena queria desvanecer todo o ódio que ele tinha dentro do peito. Não importava se na verdade Matteo a odiava ou voltaria agredi-la, porque naquele momento ela só queria beijá-lo do mesmo jeito que desejou quando o conheceu.
Matteo fica confuso porque acreditava que Luna iria ter outro tipo de reação negativa, berrando em defesa a bondade do seu pai, mas não. Ela o beijava com urgência e ele voltou a sentir o mesmo sentimento desconhecido por ela queimar em seu corpo. Sem pensar em mais nada, Matteo a puxou mais para ele a beijando com a mesma urgência enquanto sentia os seios da morena prensar seu peito.
Suas línguas se encontravam com toda volúpia e intensidade e o desejo voltou a aumentar o fogo em seus corpos. Matteo ergueu o quadril da morena voltando encaixá-la de uma vez só em seu pênis. Com suas bocas unidas ele a penetrou com toda fome e Luna mexia seus quadris em um ritmo gostoso...
Para Matteo a boca de Luna era ainda mais perfeita quando o chupava, por outro lado também é perfeita para beijar a sua boca, e isso foi tudo o que bastou para ele levantar da banheira com ela no colo. Sem medo de escorregar ele à leva para o quarto novamente sem importar que fosse molhar a cama. Matteo começa a estocar seu membro com bastante força atraindo gemidos prazerosos dos lábios de Luna... Ela circulou com mais força suas pernas em volta da cintura dele deixando ainda melhor a penetração permitindo com que ele entrasse todo dentro dela.
— Ohhhh, Matteo... Uhm...
— Delicia... Uhrmmmm...
Ambos gemem de tanto prazer e como se estivesse em um momento de entrega por saudade, acabam chegando ao limite juntos.
Matteo continua a beijá-la e dessa vez lentamente, mas a forma que seus seios roçam no peitoral masculino e rebola em seu membro ainda encaixado na cavidade molhada, ele começa novamente a fazer sexo... No entanto... Luna consegue inverter a posição, Matteo reluta um pouco...
— Não... Por favor... – ela implora em um sussurro sufocante e nesse momento ele somente coloca suas mãos em volta da cintura da morena para conduzi-la.
Luna coloca suas mãos apoiadas no abdômen de Matteo e lentamente começa a remexer. Com seus olhos fechados ela desfruta dele erguer seu corpo para chupar um dos seus seios, mas não demora ali voltando a capturar seus lábios...
Não demoram por muito tempo se beijando, e se afastam ofegantes. Luna olha nos olhos de Matteo que retribui o mesmo olhar. De uma maneira diferente parecia que ali abriu a porta para um sentimento, os quais desconheciam e jamais poderia imaginar sentir um pelo outro.
Ainda sim, não queria admitir para o outro e tão pouco confessarem... Tudo porque era um sentimento incoerente, porque diante um do outro para Matteo há uma garota de 16 anos que havia sequestrado e violentando-a por varias vezes na intenção de se vingar de seu pai, para Luna ali diante dela era o homem que a sequestrou e a estuprou por varias vezes... E não estaria disposta a deixar esse sentimento brotar ainda mais... Porque querendo ou não, não há destinos para os dois...
No entanto, Luna o beijou novamente, sabendo que as coisas mudariam... Só não sabia se o fim seria bom.
(***)
O sol está a pino e Luna remexe o seu corpo e aos poucos despertando. Ela toca em seu rosto tentando clarear os olhos, mas então começa a lembrar da noite anterior. De alguma forma ela e Matteo haviam feito amor como jamais fizeram... Não conseguia acreditar no que estava sentindo porque apesar de tudo ela ainda queria odiá-lo, mas ao mesmo tempo esse ódio não dava nenhum sinal de que voltaria... Estava disposta a continuar a fazer o que ele queria e se fosse para libertá-la com vida jamais contaria a ninguém o que aconteceu, nem sob tortura... Mas se fosse o suficiente para ela conseguir expulsar tal sentimento por ele e nunca mais o vê-lo, ela faria.
Nesses pensamentos, Luna olha para seus pulsos se dando conta de que não estavam mais presos, nem se quer com as algemas. Franziu a testa sem entender e levanta ficando sentada bruscamente, mas ao olhar diante do quarto se assusta com a presença de alguém que não era Matteo.
— Bom dia Luna! Espero que tenha dormido bem sem as algemas e correntes. – disse a loira com um sorriso simpático, porém Luna sabia de alguma forma que por trás daquele sorriso havia a mesma maldade que Matteo. Porque se está ali deveria ser alguém de alto confiança do moreno e ciente do que ele fez com ela.
— Quem é você? – Luna perguntou confusa.
Mantendo o mesmo sorriso a loira responde.
— Meu nome é Âmbar, assistente pessoal de Matteo. Estou aqui para cuidar de você.
“Cuidar de mim?” — ela se perguntou, mas em sua mente também se perguntava o que dessa vez Matteo iria aprontar...
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