Doce Vingança
2 Capítulo 2 - Humilhada
Notas iniciais
Como todos os dias, acordo-me exatamente ás 06:00h da manhã, olhando exatamente para o nada, apenas sentindo os raios de sol invadirem meu quarto e aquecer minha frágil pele. Dou um leve suspiro e levanto-me indo diretamente para o banheiro, parando bem á frente ao espelho mediano acima da pia. Paro por um minuto e me olho intensamente com frustração, vendo minha imagem pálida. Maldito cabelo, maldito aparelho, maldito óculos. Maldito tudo que há em mim! Eu tenho que admitir, eu realmente sou assombrosa. Agora entendo o porquê das piadas que meus "amigos" fazem.
Eu agora deveria estar arrumada para o colégio — mas aqui estou eu, escovando meus cabelos até que eles se submetam e fiquem bem disciplinados. Apesar de minha mãe sempre dizer que meus cabelos são bonitos, eu desaprovo totalmente sua opinião. Talvez, se meu cabelo fosse de uma cor normal como a de todos, eu sofreria menos — meus cabelos são de cor roseado, o que é um fardo para mim. Eu não sei porque estava fazendo exatamente isso, já que todos os dias eu travava uma luta diária decidindo-me se iria deixar ou não meu cabelo preso, e sempre optando por coques altos. Eu reviro os olhos para mim mesma, e suspiro longamente e exasperadamente. Estou completamente preparada para mais um dia de xingamentos, e bullying no colégio. É, acredita que eu sofro isso? Pois acredite, Sakura, é isso que você sofre todos os dias — falei para mim mesma enquanto escovava os dentes. Tomo uma ducha rápida e me seco, vou até a minha cômoda velha, de pinho e madeira pintada de um vermelho rosé — Minha avó havia me dado quando eu era pequena, até hoje ela está ao meu lado — e procuro minha roupa. Apenas escolho um vestido comprido, azul com renda em cima no busto. Um dos meus preferidos, e que para muitos é um horror!
Desço até a cozinha e me sento á mesa, onde o café da manhã já estava pronto.
_ Bom dia, mãe. _ Falei a ela com doçura enquanto ela sorria apenas para mim, repassando-me a geléia.
_ Bom dia, meu amor. _ Ela murmura. Nunca havia falado a minha mãe sobre o que acontecera comigo durante todos esses anos de colégio, tentava poupá-la de tudo isso, evitando que sofresse. _ Seu irmão já acordou?
_ Não sei. _ Murmurei com désdem, nunca fui próxima de meu irmão. Shikamaru e eu não nos dávamos bem. Tive esta conclusão quando tinha doze anos e precisei que ele me ajudasse em um trabalho sobre biologia celular e ele recusara logo em seguida para que ninguém descobrisse que éramos irmãos. De lá para cá apenas trocávamos poucas palavras "em casa". _ Está se sentindo melhor?
_ Claro. Não se preocupe. _ Ela falou relutante, mentindo — e eu sabia disso. Minha mãe sofre do coração, o médico recomendou que a mesma repousasse diariamente, mas nunca a vejo fazendo isso. Ela é empregada doméstica, o que dificulta um pouco.
_ Sabe que é para repousar, não sabe? _ Fui firme nas palavras, ás vezes eu parecia a mãe dela, e não ela parecia minha mãe.
_ Está tudo bem, querida. _ Ela sorriu gentilmente para mim, e eu retribuí o sorriso. Ela é a única pessoa na qual eu amava, ela é a única. Meu irmão desce as escadas e senta ao meu lado, sem dizer uma única palavra, nem ao menos um bom dia.
Assim que terminamos o café da manhã, recolhi minha mochila e segui meu irmão até a garagem, onde eu criei coragem e o perguntei.
_ Pode me dar uma carona? _ Ele se vira, e me encara. Estava atrasada e não poderia pegar um ônibus agora, teria que ir com ele nem que eu ficasse na esquina.
_ Sabe que não. _ Ele disse enquanto procurava ás chaves de seu carro, e adentrando o mesmo. _ Olha, não é nada com você, mas você sabe que se todos do colégio descobrir que somos irmãos, estarei perdido. _ Ele dá a partida em seu carro fiat punto. _ Vai de ônibus, da tempo para você chegar. _ Então ele partiu, deixando-me como uma idiota.
Shikamaru é meu irmão, e fazia parte dos "populares". Ele é alto, magro mais com um corpo musculo, seus cabelos são longos pretos — sempre amarrados em um rabo de cavalo. Qualquer mulher faria de tudo para ficar com ele, qualquer uma.
Cheguei ao colégio de ônibus. Estava completamente atrasada, e rezava mentalmente para que a senhora Tsunade não me perguntasse o porquê do meu atraso. Com meu pensamentos entrando em conflitos, eu não havia notado que cada vez mais passava perto dos populares, até ouvir uma piadinha.
_ Olhem pessoal, para a miss universo como está apressada! _ Virei-me e vi que quem havia dito aquilo, era um garoto alto, de pele bronzeada e loiro — Naruto Uzumaki — o palhaço da turma. Não dei ouvidos á ele, e segui em frente. _ Não me escutou, horrorosa? _ Eu o encarei, e ele aproximou-se de mim despertando os olhares dos curiosos.
_ O que quer? _ Estava cansada de tudo aquilo repertir-se diariamente.
_ Olha só, vejo que está revoltada! _ Ele disse analisando-me dos pés à cabeça. _ Não tem o direito de me responder assim, ouviu?
_ Você que não tem o direito de falar assim comigo, entendeu? _ Eu o desafiei, sabia disso, e estava completamente aflita apesar de não demonstrar.
_ Como ousa... _ Ele disse. Uma garota de cabelos ruivos e óculos aproximava-se de mim — Karim — ela segurava em suas mãos um copo de suco. _ A falar assim comigo, esquisita? _ Sem eu notar, Karim derrama todo o líquido que havia no copo.
_ Aprenda a falar direito conosco. Entendeu, estranha? _ Ela disse rindo, e ao mesmo tempo olhando-me com um ar de superioridade.
_ A deixem em paz, pessoal. _ Olhei discretamente para o lado, e vi que quem havia dito aquilo foi ele — Sasuke Uchiha — Simplesmente lindo. Ele é alto, musculos e seus cabelos são negros repicados, combinando perfeitamente com seus olhos. Ele é o garoto mais rico deste colégio, é herdeiro de uma rede de hotéis e resorts de luxo. _ Deixa essa pobre coitada em paz, não basta a vida ter feito ela feia. _ Todo riem, é claro. Olho espreitamente para o lado e vejo meu irmão... Lá... Sem me defender.
O sinal toca fazendo as pessoas saírem, vou correndo para o banheiro na tentativa de me limpar. Depois de um certo tempo, eu me dei conta que havia perdido a segunda aula. Hoje realmente não era o meu dia! Mas a minha sorte foi que consegui limpar a manchas do suco de meu vestido, com um paninho branco que nunca o deixo em casa. Lavei meus cabelos e os deixei molhados, o penteando novamente com minha escova. Sai do banheiro e logo senti os olhares de todos sobre mim, era como se eu fosse uma aberração. Segui reto pelo corredor, quase correndo, não olhava para ninguém. Senti bater em algum tipo de barreira, que me fez cair no chão. Coloquei meus óculos e vi que trombei exatamente em Sasuke Uchiha, ao seu lado estar meu irmão. Rápidamente me levantei, e olhei para Sasuke totalmente corada pela minha falta de coordenação.
_ Me desculpe. _ Eu tentei soar tranquila, mas vejo que foi um fracasso — estava nervosa e isso era evidente.
_ Da próxima vez, olhe para onde anda. _ Ele falou em tom severo, repreendendo-me na hora e saindo em seguida, ficando apenas eu e Shikamaru.
_ Droga, porque você é tão... _ Ele não conseguia terminar a frase, com certeza procurando o melhor jeito de dizer que sou burra sem me ofender.
_ Tão o quê? Burra? Desastrada? Rídicula? _ Eu falava um pouco alto, despertando alguns olhares por perto. Não me preocupava com nada, para mim já chega.
_ Quer calar a boca, rídicula? _ Ele disse, logo saindo e me deixando lá sozinha. Eu olhava ao redor e vir as pessoas rindo baixinho, com certeza de mim.
Fui diretamente para a sala de aula, ainda estava um pouco vazia, havia apenas algumas pessoas desimportantes. Eu escutava alguns cochichos, e temia que fosse sobre mim — mas não era. Todos estavam comentando sobre o baile de formatura que haveria daqui á dois meses, mas era óbvio que este assunto não me interessava. Aos poucos os "populares" chegavam. Esta aula seria de artes cênicas, e a professora Tsunade entra radiante como sempre. Nem queria olhá-la, havia perdido sua primeira aula, e com certeza ela me perguntaria o motivo de minha ausência, e todos olhariam para mim começando, provavelmente a outras séries de bullying.
_ Quero apenas recordá-los que já estou com a lista para vocês se escrevem para o musical. _ Ela disse com a voz levemente rouca, após ela passar horas torcendo pelo nosso time de basquete ontem a noite. _ Como eu havia dito, este será um trabalho essencial para todos vocês. Contará como a última nota do ano, que totaliza os cem pontos, portanto, quem não participar estará em sérios problemas comigo. _ Ah, essa não. Só de pensar em ficar em um palco, na frente de várias pessoas, cantando e o pior dançando... Ah, estou perdida!
_ Qual o tema do musical? Não vai ser nada chato, não é? _ Meu irmão falou, ele não é... Digamos, um amante de clássicos literários.
_ Sr. Haruno, nunca, ouviu perfeitamente? Nunca nenhum musical é chato. _ A professora Tsunade falou o repreendendo. _ Estou pensando ainda, mas queria que fosse algo clássico. Como alguma obra de Shakespeare. _ A sala inteira reclama pela escolha. Eu não os entendo, Shakespeare é um dos melhores romancistas do mundo, seus livros são uma verdadeira obra de arte. Uma verdadeira relíquia! _ Se eu escolher Shakespeare, então será Shakespeare. Querendo ou não! _ Ela disse visívelmente irritada.
_ Professora, se está procurando uma protagonista para a peça... _ Disse Shino Aburame levantando-se e apontando para mim. _ Então eis aí sua protagonista. _ Todos olham para mim, e eu temo no que ele irá dizer. _ E já tenho até a noção do título do musical.
_ E qual seria? _ Sasuke pergunta, quase rindo.
_ Pesadelos de uma noite de verão. _ Shino fala, e todos riem.
_ Chega sr. Aburame, sente-se ou irá embora. _ Tsunade diz furiosamente.
_ Tudo bem, professora. Me desculpe, eu não sabia que gostava de defender a brua... Opa! A Sakura. _ Ele corrigi. Não aguentei, juntei tudo e coloquei na minha mochila, levantei-me e sair imediatamente daquela sala. Ninguém me impediu, o que foi um alívio para mim.
Freqüentemente aquilo acontecia, eu acho que não exista garota neste colégio que sofra mais do que eu. Não mesmo. Nem mesmo um almoço digno eu tenho. Eu passei a maior parte no banheiro, apenas sair de lá para assistir a aula do professor Benner, de algébra. Ele interagia muito com os alunos, mas sempre sua aula era monótona. Eu apenas ficava cabisbaixa, não olhava para ninguém e apenas evitava ser notada durante a aula. Mais como sempre, a aula passou rápido. Estava arrumando minha mochila organizadamente, era um hábito meu que nunca morria. Karim esbarra em mim, derrubando minha mochila fazendo com que todos meus materiais caissem ao chão. Eu a olho, e ela estava acompanhada do namorado, Sasuke. Os dois deram um longo beijo, e logo após deram um breve sorrisinho para mim. Sempre fui apaixonada por ele, mas nunca queria admitir para mim mesma, sendo que ele nunca me tratou bem.
Respiro fundo e vou diretamente para o estacionamento do colégio. Hoje eu iria voltar com meu irmão, isso se ele não tivesse algum tipo de compromisso. Eu seguia rápida, com passos firmes tentando não ser percebida por ninguém. Assim que eu me aproximava de meu irmão, eu escutava risos das pessoas. Achava estranho elas rirem, já que não via nada de especial acontecendo. Decidi me virar, e justamente senti ser molhada por óleo e graxa de carro. Me sujando toda. Naruto e Sasuke com a ajuda de Shino Aburame e de Neji Hyuga eles havia jogado um galão de graxa e oléo de carro em mim. Eu estava completamente suja, meu vestido, cabelo. Tudo! Estava coberta de graxa e de óleo.
Eu deixei rapidamente aquele estacionamento sem olhar para ninguém. Sai dali desesperadamente. Apenas chorava, chorava, chorava. Fui até um parque no centro de Konoha, limpei meu rosto com meu paninho que à esta altura não me servia de nada. Eu me sentia bem aqui, sentia que eu poderia me desabar aqui mesmo sem ninguém me atormentar. Só de lembrar de tudo que passei da minha vida, todas as minhas mágoas, sofrimento... As humilhações! Tudo que estas pessos fizeram contra mim, sem ao menos sentir remorso... Ou pena! Eu teria que dar a volta por cima, me reerguer das cinzas, assim como a Fênix!
_ Não, não, não. _ Eu dizia enquanto limpava minhas lágrimas. _ Por tudo que eu mais amo nesta vida, vai ter volta tudo que eles fizeram comigo. Eu juro! _ Respirei fundo e tentei amenizar aquele ódio que eu sentia. Mas sim, haverá troco. Eu prometo!
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