Na Ilha de Manhattan, em plena tarde o sol castigava com seus 27°, em meio a terra umedecida devido a relva que nela continha era fincada a madeira impiedosamente.

Então agora era oficial, a última mansão dos Cullen estava à venda.

Renesmee tinha seus olhos chocolates nublado de ódio, traços de tristeza rondavam as orbes intercalando com o sentimento sombrio que a assolou quando viu o corretor finalmente implantando a placa de madeira que continha um letreiro em azul marinho: "Vende-se".

Um torpor invadiu a moça que cerrou as mãos em punho até os nós de seus dedos ficarem brancos. Renesmee trincou os dentes e manteve seus olhos abertos para a grande casa que ostentava seus grandiosos três andares.

A fachada em mármore era tão bela, a garota tinha orgulho de viver ali. Apesar do bairro luxuoso, a mansão Cullen só por seu nome já instigava devoção nos demais.

Renesmee não segurou mais, uma grossa e violenta lágrima despencou de seus olhos, sentia como se parte de sua vida estivesse sendo vendida juntamente a abastada propriedade.

Ela havia crescido naquela casa, ao fitá-la fechada e com o anúncio doía seu coração, suas pernas negavam-se em se afastar. Eram lembranças de traquinagens da infância, as festas escondidas na adolescência além dos momentos familiares na grande casa, propriedade que até o dia anterior pertencia a sua renomada família. Mas agora seria de qualquer outro empresário ou político.

A garota que havia habitado magníficos 20 anos naquela casa, sentia-se impotente em ver seus pais dirigindo-se para o carro recém-trocado.

Outrora uma Mercedes top e agora um sedan tão comum que Renesmee reconhecia a ira interna crescer por ver que até toda a exclusividade de um automóvel concedida a Edward, agora havia sido retirada.

Edward Cullen manteve-se firme diante de sua esposa e sua filha, já bastava às lágrimas das duas, não iria se render a tristeza de perder o último imóvel que restara da família. Todas as outras propriedades, sítios, ranchos, a outra mansão ao qual morava seu irmão Emmett, casa esta que havia sido conquistada por seus pais, estavam em leilão.

O homem cerrou os olhos e respirou fundo indo com sua esposa até o sedan que havia conseguido finalmente.

Bella fitou uma última vez a casa na qual fora feliz por tantos anos com seu marido e filha, em seguida entrou no carro silenciosamente. Edward enquanto colocava as malas no carro observava Renesmee em prontidão frente a casa, suspirou mais uma vez sabia que a filha amava aquela mansão mais que qualquer outro membro daquela família.

O carro da mudança buzinou tirando a atenção de Renesmee, que tinha seus olhos vermelhos pelo choro incontido de ver suas lembranças trancadas atrás daquelas grandes portas que agora não seriam mais de sua fortaleza.

Já havia se despedido de cada canto, não precisaria fazer isso novamente então avançou alguns passos para longe da propriedade.

– Vamos querida. – Edward disse a poucos metros de Nessie.

Renesmee então aproximou-se lentamente de seu pai.

– Vai ficar tudo bem querida, para onde vamos também é grande e confortável. – Edward disse sereno abraçando a filha que silenciosamente chorava.

Não era em si o conforto que fazia Renesmee sentir-se odiosa, mas era a humilhação de sua família, as lembranças impregnadas em cada canto daquela casa ou qualquer outra residência pertencente aos Cullen.

– Eu já vou. — Murmurou para o pai que assentiu e entrou em seu carro.

A garota por sua vez fungou a fim de prender as lágrimas.

O dinheiro, as empresas, as propriedades, tudo que continha o nome dos Cullen fora destruído, estava em ruínas, tudo tirado pelos Black.

O corpo de Renesmee tremeu com o pensamento daquele nome. Não deveria saber disso, mas Nessie desde há muito tempo notou que seu pai estava com problemas na empresa e ouviu quando a frase foi dita pelos lábios de seu tio que estava trancado com seu pai no escritório:

– Eu disse Edward, não confie nos Black, não deixe James a cargo de tudo, ele não é confiável, os Black são espertos. — Ele dizia pausadamente sob o olhar culposo de Edward que estava sentado na cadeira atrás da mesa enquanto Emmett, andando de um lado a outro do cômodo prosseguia:

– Que Merda Edward, estamos em um nível irreversível, só pagaremos as malditas dívidas vendendo ações e Deus queira que não, mas acredito que propriedades também entrarão na conta, custava me ouvir? — Ralhou parando de frente para o cunhado.

– O queria que eu fizesse Emmett? — Replicou em voz alta batendo em um baque surdo as mãos na madeira maciça de sua mesa.

– Você mesmo disse: um contrato com os Black é o que precisamos para dobrar nossos lucros, não ponha a culpa em mim, todos os acionistas estavam de acordo inclusive você... — Edward exaltado levantou e continuou com sarcasmo. — Vice-presidente.

– Um contrato sim, mas decente e não aquela merda toda tramada pelo Black. — Emmett rebateu e suspirou suavizando seu tom.

– Foi ingênuo Edward, não o culpo, foi uma vítima, mas você poderia ter evitado se me ouvisse quando disse que não deveria confiar em Paul Black. — Ele assinalou relaxando os ombros assim como Edward que relaxou sobre a cadeira outra vez.

Enquanto Renesmee, atrás da grande porta trancada, tentava controlar a respiração por ouvir aquelas fatídicas palavras.

Ali frente aquela casa Renesmee jurou para si mesma que vingaria a destruição de sua família.

Os Black pagariam cada centavo e cada pingo de dignidade que foi tirado da dinastia outrora tão prestigiada dos Cullen.

2 anos depois.

Finalmente Emmett e Edward conseguiram reerguer a empresa Cullen, pelo menos a matriz.

O que um dia fora uma multinacional agora era mais uma das empresas publicitárias competindo no mercado. Sobre tudo, estava dando para as famílias de ambos viverem tranquilamente.

Emmet, sua esposa Rosalie e seu filho de 10 anos Mattew, Edward, Bella e Renesmee que agora podia ir a faculdade sem preocupar-se com menores despesas.

Custosos 20 meses foram o suficiente para os negócios se estabelecerem e Edward finalmente bancar sua filha em uma cidade e mais a faculdade.

Nada tão grandioso como a fortuna de antes, aliás, os Cullen não eram mais privilegiados, não tinham mais tantas posses e ações, mas tinham o suficiente para viverem com conforto e dignidade.

Entretanto, Renesmee ainda tinha sede de vingança, mesmo que sua família regressasse ao grande império que outrora tinha sido, ela queria mais.

Ela queria ver os Black passarem pela mesma agonia de se ver a beira da miséria.

Como parte de seus planos, Nessie foi à faculdade, mas não uma qualquer, a Universidade de Nevada em Las Vegas foi escolhida, por estar na mesma cidade onde a grande cede Black estava instalada.

Assim que chegou a cidade Renesmee fez amizades que a levaram a dividir um grande apartamento em Whinchester, era perto da faculdade não lhe custaria tanto tempo.

Morava com suas amigas de turma Claire e Candice, além de Emily a proprietária oficial do espaçoso apartamento de dois andares. Renesmee também encontrou uma estimada amizade com Rachel, uma morena provida de beleza generosa, tanto que Renesmee pela primeira vez em sua vida percebeu sua segurança vacilar.

Perante o encanto que era Rachel, Renesmee sentiu-se diminuída, mas aquilo não se implantou em seu coração, não era tão frívola assim e Rachel era um anjo de verdade.

Doce, delicada e benevolente, a morena tornou-se mais apreciada ainda quando Nessie descobriu onde ela trabalhava: Na empresa Black Company.

Renesmee não sossegou até conseguir frequentar a empresa na desculpa de ver sua amiga.

Rachel não sabia do plano sombrio da estimada amiga, mas a conhecia o suficiente e percebeu claramente que o objetivo de Nessie em visitá-la periodicamente era o seu supremo chefe: Paul Black.

Jovem, rico, sério e antiquado, como Rachel mesmo o havia descrito para Nessie, o moreno sensual era difícil de agarrar.

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– Amiga não me leve a mal, mas sei que esta afim do Paul e ele é um pouco difícil de agradar... — Rachel disse cautelosa para a amiga que lhe ajudava levar as compras para casa.

Renesmee juntou as sobrancelhas e elevou uma delas em seguida, fitando a morena com interrogação. Quem resistiria a ela? Pensou.

– É que eu conheço o Paul há tempos. — Respondeu docemente parando lentamente.

– E bem você é o oposto que ele espera Renesmee. — Jogou de uma vez fitando a amiga. — E sinceramente você merece mais que um arrogante como o Paul. — Rachel explicou eloquente deixando Renesmee perplexada uns dois passos atrás dela.

Renesmee especulativa se auto avaliou.

Uma mini saia jeans e uma camiseta que deixava estrategicamente parte de sua barriga lisa a vista, seus cabelos ondulados propositalmente voavam com o vento da rua os tirando de sua face.

Analisou seu próprio corpo e percebeu um homem a contemplando enquanto passava a seu lado.

– Como assim eu não sou como ele quer? – Renesmee exaltou-se irritadiça o seu pensamento fulminante. Rachel uma vez que parou ao ouvir a questão considerável da amiga, riu fitando-a com condescendência.

Renesmee para ela era uma patricinha adulta que não tinha noção de que homens ao se relacionarem sério não queriam uma libertina sensual como ela e sim uma mulher culta, elegante e pacata.

– Renesmee desencana. O Paul gosta de mulheres reservadas, maduras e com conteúdo. — Explicou voltando a caminhar. — Não que você seja fútil, mas não tem essa personalidade adulta, você é uma folha ao vento amiga, uma aventureira. Paul nunca levará você a sério, a não ser se ele estiver afim de uma transa, aí sim ele a levará no colo até lá, já o vi fazer isso. – Rachel assinalou serena e Renesmee sentiu a veracidade em suas palavras.

Então Renesmee balançou a cabeça afirmativamente e logo sorriu para agradecer a Rachel.

A morena completou o caminho achando que tinha ajudado a amiga a enxergar o engano, ou seja, apostar em um cara que não iria querê-la. Para ela que poderia ter muitos outros era uma perda e tempo jogar com o Paul, pensava Rachel.

Por outro lado Renesmee estava embevecida com a carta que tinha na manga, se Paul queria uma mulher serena e sem graça, ele teria. Deliberou Renesmee no mesmo instante.

Sendo assim a morena trocou o jeans apertado, as blusas decotadas e curtas por vestidos soltos ou até o joelho, saias longas, blaze e maquiagens o mais leve possível, comportando-se como uma lady autentica.

Renesmee uma vez bem preparada passou a calcular minuciosamente os encontros "acidentais" com Paul.

Não foi difícil conquistá-lo.

Paul Black estava deslumbrado com aquela estudante que um dia encontrou casualmente no estacionamento de sua empresa. Julgou então que aquela mulher era perfeita para ele.

O problema era que Paul estava longe de conhecer a verdadeira Renesmee.

Notas finais
E então, gostaram??? - O que acharam??? - Até breve, beijos