Doce Trapaça
4 Capitulo Três
Notas iniciais
P.V Jacob
Cheguei ao portão principal de casa e ele logo foi aberto por um sistema automático. Estacionei na garagem lateral e assim que desci percebi a BMW branca de Paul.
Torci o nariz no mesmo segundo.
Quer dizer que o espetacular Paul Black não estava trabalhando? Hum interessante. Bufei contrariado, pois realmente acreditei que Paul não estaria em casa uma hora daquelas. Pelo jeito o almoço seria desgastante.
Merda!
Resolvi entrar pela porta principal e em seguida cheguei à fachada vendo o chefe da segurança em vigilância por ali, bati continência para ele e sorrimos um para o outro, havíamos estudado juntos no colégio e ainda éramos amigos.
Passei pelo hall da entrada e imediatamente avistei uma elegante senhora arrumando as flores ao pé da grande escada. Minha mãe.
Sacudi a cabeça sorrindo.
Dona Sarah tinha a mania de arrumar essas flores uma dezena de vezes ao dia, pelo menos. Quando eu e o Paul éramos crianças sempre derrubávamos algum vaso e adivinhem quem levava a culpa? Exatamente, o Jacob. Mas confesso: Na maioria das vezes era eu o culpado.
Tentei subir as escadas sorrateiramente passando pelas costas de Dona Sarah, no entanto ela parecia pressentir seus filhos porque mesmo de costas ela graciosamente disse:
___ Boa tarde, Jacob. ––– Seu tom era tão macio e suave que travei no último degrau e sorri amável girando os calcanhares.
___ Boa tarde mãe.
Aproximei-me dela e lhe dei um beijo carinhoso na bochecha.
___ Jake, por onde andou? ––– mamãe indagou e apesar de seu tom maternal brando notei a repreensão explícita em sua pergunta.
___ Saí com uns amigos e perdemos a hora. ––– expliquei ameno e ela sorriu compreensiva.
Eu sabia que ela sabia que eu mentia. Mamãe sempre descobria quando algo andava errado e mesmo me dando broncas ––– muitas vezes injustas e me deixando fulo ––– eu reconhecia que minha mãe não me achava um cara mal e somente se preocupava comigo.
E nesses casos como agora eu a abraçava e depositava um caloroso beijo em sua testa. Afinal, eu não era santo na maior parte do tempo.
___ Mãe não se preocupe, estou bem não há nada de errado.
___O almoço sairá em poucos minutos. ––– Avisou dando um último ajuste nas flores.
___ Subirei para tomar um banho e já...
___ Ora vejamos! Quem chegou a tempo para o almoço? Jacob Black meu irmão favorito. ––– A voz irônica e irritante do meu adorável irmão chegou a meus ouvidos como farpas.
Eu gostava cada vez menos de estar no mesmo ambiente que ele. Minha mãe percebeu isso em meu corpo repentinamente rígido.
___ Meninos, por favor! ––– Pediu Dona Sarah conforme eu virava os calcanhares e me deparava com o asno do Paul descendo as escadas.
___ O que foi maninho? Ficou preso no trabalho? ––– Paul dissimulou um tom condescendente e eu prendi a respiração para não socá-lo. ––– Espera! Você não trabalha. ––– E lá estava outra vez seu tom arrogante. ––– Você não estuda, você não faz porra nenhuma a não ser causar preocupações em nossos pais. Quando vai crescer Jacob? ––– Acusou-me veemente e eu podia sentir seu ar furioso em minha face juntamente a meu sangue que já fervia.
Eu cerrava minhas mãos em punho tentando conter a vontade de dá umas boas porradas naquela cara dele de puritano. A hipocrisia de Paul me causava repulsa.
___ Jacob não comece uma briga e Paul lave a sua boca para falar aqui dentro de casa, não estamos na rua. ––– Mamãe ralhou olhando zangada para nós dois enquanto absorvíamos o tom autoritário e respeitoso dela.
Senti como se tivesse quinze anos novamente e pelo inclinar de cabeça e relaxamento do corpo de Paul, pude perceber que ele também se sentia assim.
___ Eu volto para o jantar mãe. ––– Paul anunciou dirigindo-se somente a nossa mãe, ignorando totalmente a mim.
___ Vá com Deus filho.
Soltei o ar com brusquidão sem saco algum. Observando mamãe dar a bênção a Paul e ele sair pela mesma porta que entrei.
Quando nos encontrávamos em casa era assim: eu entrava por uma porta e ––– após uma discussão ––– ele saía pela mesma. Paul não escondia sua aversão a mim.
Às vezes me perguntava o que ainda fazia ali metido naquela enorme casa lutando por carinho junto com o Paul, sendo que era ele que recebia a maior porção. Eu sei, aprontava bastante e quando injustiçado nunca reclamei.
Eu reconhecia meu merecimento do título Rebelde sem causa, porém eu gostaria que apenas uma vez meus pais confiassem em mim sem eu precisar provar nada a ninguém. Mas eu era um fodido sentimental incubado, não tinha coragem de sair de vez de lá e sumir por aí sem me preocupar com mais ninguém como sempre prometia a mim mesmo.
Por outro lado eu sabia que um dia explodiria e isso acabaria acontecendo, mas não hoje, não agora.
Antes mesmo de Dona Sarah falar qualquer coisa para mim, eu subi ruidosamente as escadas e entrei em meu quarto fechando a porta com força. Obriguei-me a ficar calmo e fui tomar um banho.
Conforme a água escorria por meu corpo e eu o sentia esfriar, automaticamente as lembranças da noite anterior vieram com força total a minha mente.
Os gemidos de Renesmee pareciam tão reais em meus ouvidos durante o meu banho. Sua voz sensual acariciava meus ouvidos, somente recordar de seu corpo fazia um calor se concentrar em meio às minhas pernas.
Apoiei minhas mãos na parede e permiti a água fria golpear minha nuca a fim de espantar aquelas imagem eróticas que faziam meu amigão lá em baixo ficar em ponto de partida. Sorri largamente e malicioso.
Oh mulher danada!
Ah se eu a pegasse de novo... Não poderia garantir que a soltaria da próxima vez.
*****
Uma semana e nada demais aconteceu. Briguei com o Paul ao longo dos dias, sempre ao jantar e saía puto da vida por isso.
Na noite de sexta não foi diferente. Eu bem queria ficar em casa e relaxar, pois o dia havia sido estressante. Eu trabalhava, em oculto, mas trabalhava. Administrava um cassino com Quil. Eu tinha que tirar dinheiro de algum lugar não?
A porcentagem que eu tinha da empresa era mínima. Eu não era o filho favorito e meu pai estava tentando me dar uma lição. Ignorando os pormenores, o agradeço. Tive força para montar meu próprio negócio e esse estava indo muito bem.
Mantinha meu trabalho longe do conhecimento dos meus pais e irmão. Não, eu não tinha que provar nada a ninguém. Se eles prematuramente achavam Paul o filho perfeito e eu o vagabundo arredio, que continuassem assim.
Eu não gostaria de bajulações mesmo. E não era hipocrisia, eu realmente não ligava quando papai ou mamãe me davam sermões, eu de fato provocava e merecia. O que me deixava realmente com vontade de matar um era o cinismo e falsidade de Paul.
Ele não era melhor que eu, no entanto eu me sentia bem por ter isso em minha consciência e jamais jogaria isso em cima dos meus pais e tão pouco provaria alguma coisa para aquele medíocre do Paul.
Após uma discussão com Paul ainda no corredor dos quartos na sexta-feira, saí com o Quil e outros amigos. Peguei umas mulheres e fui para meu refúgio secreto mais tranquilo e temporariamente fiquei livre do sentimento de culpa de ser o caçula rebelde. Por vezes eu me divertia com o título, contudo raramente eu queria ser o orgulho da família Black, só às vezes não queria ser o cara irresponsável.
No sábado assim que acordei ––– as 11h00min ––– fui à piscina, o dia estava ensolarado. E de imediato dei de cara com Paul nadando, com isso os meus ombros pesaram e dei meia volta decidido a não topar com meu irmão naquele dia. Acabei encontrando uma Sarah no corredor de saída, desgostosa e fitando-me com reprovação.
___ Você e seu irmão precisam parar com isso. ––– Alertou-me.
Suspirei pesadamente e lhe dei um sorriso solidário.
___ Mãe, sei que isso te magoa, mas Paul e eu temos nossas diferenças... ––– retruquei em tom brando.
___ Claro que tem, vocês não são gêmeos e até gêmeos são diferentes. ––– rebateu com seu olhar duro sobre mim. ––– Jake nós os amamos mesmo sendo diferentes, por que vocês não podem ao menos suportar um ao outro? ––– Reclamou chorosa.
Fui obrigado a baixar o olhar, fitando meus pés.
___ Desde que voltou não conseguimos jantar em paz, alias nem chegamos ao final porque um de vocês dois levanta em meio à refeição, isso já está caótico. ––– demarcou olhando-me com advertência.
Encarei-a pesaroso, sempre que ela me lançava aquele olhar negro e profundo, eu sabia que estava redondamente errado. Se fosse moleque estaria apanhando e uma semana sem game, com certeza.
Soltei o ar levemente, vencido por Dona Sarah.
___ Perdoe-me, mas nem sempre sou eu que começo. ––– argumentei.
Mamãe soltou uma risada sem humor.
___ Acha que não sei? Não se preocupe, já falei com Paul também, ele precisa parar de tomar conta da sua vida, mas você precisa ser mais tolerante, Jacob. Sabe disso. ––– Particularizou.
___ Okay. Tentarei, mas não vou nadar com ele. ––– disse de forma birrenta apontando para o fim do corredor onde a grande porta de blindex nos permitia ver Paul ao longe nadando ferozmente na grande piscina.
Mamãe deu um sorriso complacente e tocou meu braço como forma de aceitação. Achei graça, pois ela tinha um palmo abaixo de mim em altura e ter que ouvir broncas de um ser tão pequeno e ao mesmo tempo tão sábio, era bizarro de vez em quando.
Resolvi ir à casa de um amigo e lembro-me de Dona Sarah insistir para que eu jantasse em casa aquele dia, pois a namorada do Paul viria jantar.
Não fiquei por ele ou por sua namorada, e sim por mamãe que ficaria zangada caso eu faltasse e eu não era um adolescente, não tinha motivo para magoá-la. Eu já tinha esgotado minha cota de intransigências da semana.
Cheguei da casa de Embry às 19h00min, imaginei está atrasado. O carro de Paul estava lá e isso significava que eu ouviria reclamações não só do poia do meu irmão, mas do metódico do meu pai também. E eu estava pouco me fodendo para isso. Eu estava ali, não estava? Pontualidade nunca foi meu forte mesmo.
Cheguei ao salão principal e não havia ninguém ali. Bingo!
Eles já estavam jantando. Apressei-me em um banho rápido e coloquei uma bermuda e uma camisa cinza de manga; simples, mas não desgastadas, tínhamos visita, afinal.
Desci de dois em dois degraus na sala de jantar ––– onde estavam todos sentados –––, eu adentrei de forma escandalosa e barulhenta.
___ E aí família? Cheguei. ––– Anunciei de forma travessa e chamativa.
Foi quando meus olhos bateram nela.
Arregalei os olhos sentindo um choque violento passear livremente em meu corpo congelado.
A bela namorada do Paul era a Nessie.
Caralho!
O que mais me surpreendeu foi a aparência de Nessie, parecia outra. Estava como uma menina.... Aquela que eu vi vagamente em seus olhos na outra noite. Porém sentada a mesa ela parecia terna, bondosa, indefesa, inocente... Tudo que eu sabia que ela não chegava nem perto de ser.
Eu tentei raciocinar, dizer a mim mesmo que estava enlouquecendo. No entanto os olhos avaliativos e dissimulados daquela garota me fizeram saber: Era realmente aquela Deusa.
O que uma maravilha dessas está fazendo com o Paul?
Aquela cena toda estava muito estranha. Muito mesmo.
P.V Renesmee
De volta a Winchester.
Eu não reparei quando chegamos à frente do meu prédio. Minha cabeça permanecia totalmente voltada para a noite anterior e em como passei por ela maravilhosamente bem com o moreno do pecado.
Mesmo quando eu tentava focar na estrada através da janela ou no caminho à frente aqueles orbes tingidos de desejo cobriam minha mente, sua pele bronzeada e pecaminosa serpenteava em minhas lembranças levando-me a apreciar a sensação gostosa de ter aquele corpo sobre mim, sensação essa que eu ainda podia sentir.
Isso me levava à memória de seus beijos ora intensos ora lentos e arrebatadores, me incentivando a desejar estar naqueles braços outra vez, ouvir aquela voz máscula e sedutora e me perder naqueles olhos sedutores.
Mas o que era isso?
Renesmee Carlie Cullen contenha-se! Repreendi a mim mesma por isso. Uma, duas, três vezes e até o táxi parar em seu destino e, portanto eu finalmente ser forçada a ignorar meus pensamentos.
Cheguei aos tropeços no andar do apartamento, pois o elevador ainda estava com defeito e eu não podia subir com elegância, não quando estava de salto agulha e as pernas fracas.
Paul durante todo o meu caminho até a porta ligou para confirmar nosso almoço. Ah se ele soubesse que nem o café da manhã eu havia tomado. Corroeu-me um arrependimento por não ter aceitando a proposta de Jacob, mas caso eu aceitasse tenho certeza que ainda estaria naquela cama com ele. E perversidade ou não eu estaria adorando. De fato uma boa foda com aquele mau caminho era melhor que uma tarde melosa com Paul.
Não era porque eu não gostava do meu (agora) namorado. Eu gostava do Paul, ele era divertido, inteligentemente, e eu conseguia sorrir com sinceridade de vez em quando. Ele era lindo, tinha que admitir. No entanto Paul tinha uma serenidade que me irritava constantemente, ele tinha um primor comigo que me dava vontade de gritar com ele às vezes. Não me agradava ser tratada como uma boneca de porcelana.
Na verdade eu nunca precisei de um homem para me carregar no colo ou fazer mimos para mim, e agora eu não iria mudar. Contudo se o Blasck sentia-se bem assim e o meu bem estar com esse jeito protetor dele o conquistava, eu iria até o fim.
Entrei no apartamento com presa, e então eu tive que sorrir ao ficar de frente para o sofá bem ao centro da sala de paredes verde e coral.
Candice estava muito compenetrada nos livros sobre a mesa em sua frente, porém eu sabia que não era o amontoado de anotações que lhe roubava a atenção e sim o seu explicador. Seth estava lá. Ele era meu melhor amigo desde que cheguei assim como era a Candice e a Claire.
Seth era lindo, cabelos lisos e castanhos do tom de seus olhos que eram sedutores e repuxados, sua boca era encantadora e tinha um belo desenho e seu sorriso era infantil e cativante. Eu poderia pensar nele com segundas intenções se ele verdadeiramente não fosse para mim um irmão que não tive. Baby ––– como eu o chamava –––- era um ótimo conselheiro e ouvinte e apesar de ter uma beleza generosa sua alma também era igualmente bela. Ele era bom de coração, até demais. Era incapaz de matar um mosquito que lhe picasse.
Eu tinha um afeto grandioso por ele.
___ Olha quem resolveu aparecer. ––– Candice disse assim que ergueu a vista e com seu sorriso tomando boa parte do seu rosto encarou-me.
Eu sabia, não era felicidade em me ver. Eu era a única que sabia do amor incubado de Candy por Seth. Claire desconfiava, entretanto eu não sabia se Candice havia lhe dito com todas as letras. De qualquer forma me alegrava pensar que um dia Seth a veria como alguém além de uma amiga.
Por outro lado eu tive uma desconfiança sarcástica que esse dia não era aquele.
___ Olá meus amores. ––– os cumprimentei indo até eles e dando um beijo na bochecha de cada um.
___ Ual gatinha, aproveitou bem o fim de semana hein. ––– comentou Seth com seu lindo sorriso nos lábios. ––– Matou aula e chegou agora com essa cara de quem teve uma boa noite... ––– acrescentou ele com tom malicioso.
___ Ótima noite, Baby. ––– eu disse sorridente e caindo sentada no sofá, ficando entre eles.
___ Hum, o cara era bom? ––– questionou-me Candice, mas Seth respondeu por mim.
___ Candy pela cara dela ele era um animal. ––– então gargalhou estrondosamente e eu o acompanhei.
___ O Seth tem razão Candy, o Jake é selvagem e insaciável, e tem umas manobras... ––– eu me empolguei relatando pausadamente, mas Seth me cortou.
___ Opa! Pode dizer que o cara é boom, mas sem detalhes, por favor, se não você fere meu ego, gatinha. ––– dissimulou um tom ofendido.
___ Eu tenho certeza que você é ótimo também, Seth. ––– Candice comentou despretensiosa e eu segurei o riso.
Outra isca que o Baby não iria morder.
___ Não se preocupe comigo Candy, eu sei o quanto sou bom. ––– Seth retrucou e em seguida ofereceu uma piscadela para ela.
Candice sorriu amigavelmente, todavia eu sabia que ela estava decepcionada por dentro, pois o tom de Seth não era maldoso tampouco debochado.
___ Mas vocês se verão outra vez... ––– Seth conjecturava risonho.
___ Não Baby ––– o cortei ––– Nada de telefone, endereço, emails, e afins. Foi uma ótima transa e somente isso. ––– Finalizei me levantando sob os olhares descrentes de Seth e Candice.
___ Gatinha você não pode... ––– Ele tentou argumentar.
___ Seth deixa... ––– Candy o interceptou. ––– A Nessie se sente melhor assim e de verdade eu a invejo. –––- o seu tom era ligeiramente triste, mas soava compreensível. ––– Sem repetecos, sem apego ou sem decepções. ––– argumentou eloquente.
___ Além do mais eu tenho namorado. ––– disse em tom categórico cruzando os braços e tanto Seth tanto Candice ergueram as sobrancelhas questionando-me completamente céticos. ––– Paul Black me espera para um almoço. ––– Informei indo até o corredor e ouvindo os risinhos divertidos dos dois enquanto eu entrava no quarto.
Assim que me livrei do vestido sujo e suado olhei-me no espelho em frente a minha cama e pude contemplar as marcas da noite passada, não eram exageradas, no entanto um vermelhão em meu seio esquerdo estava lá, vívido. Da mesma forma desenho dos dedos de Jacob permaneciam em meu quadril.
Só por contemplar aqueles vestígios minha fenda untava. Meus seios endurecem e eu vergonhosamente desejei tê-lo aqui para me pegar e me golpear com aquele membro gostoso pelo menos mais uma vez. Soltei uma risada infame.
Mas que inferno!
Ele não sairia da minha mente? Parecia que não. Suspirei derrotada, por fim.
Não iria brigar comigo mesma sobre pensar ou não na delícia do homem. Que diferença faria?
Corpinho sem vergonha acostume-se porque você não será mais marcado pelo Deus da beleza novamente.
O que fazer? Eu era assim e ao que constatei Jacob também era. Sorri satisfeita por lembrar o quão leviano Jake era, tanto quanto eu.
Sem mais delongas tomei uma ducha rápida no banheiro da suíte e sai enrolada na toalha a fim de caçar a primeira roupa que achasse. Meu primeiro pensamento foi uma regata e um shortinho. Estava um calor dos infernos, contudo eu iria ver o Paul e ele admirava mulheres elegantes e bem arrumadas. Revirei os olhos à medida que me recordava desses detalhes.
Tirei do canto do meu armário um vestido florido novo que havia comprado para sair com meu novo namorado. Arrumei-me o mais rápido que pude. Paul já ligava outra vez, fazendo-me imaginar que se ele não estivesse na portaria estaria próximo.
Coloquei os brincos e penteei os cabelos com meus dedos apenas para deixá-los mais comportados. Mirei a mulher no espelho. Coloquei os olhos em branco de tédio para ela. Confesso, ela estava bonita, entretanto formal demais.
Pois é, né. Era Renesmee Cullen ali, e essa era eu. E eu sempre seria bonita independente do estilo.
Cheguei à sala tropeçando na porra do vestido, pois ele era longo. O danado insistia em dançar frente aos meus pés, mas eu consegui chegar até meus amigos, praguejando aquela peça, claro. Pelo menos não era quente, pensei de repente me sentindo mais confortável.
___ Ual, você está linda senhorita por acaso viu minha amiga por aí? ––– Gracejou Seth e eu apenas estreitei meus olhos para ele. Esses sem nenhum delineador.
___ Ah não a conhece? É uma porra louca que chegou ainda agora de uma noitada quente, tem certeza que não a viu? ––– Baby continuou a encenar.
___Vai foder alguém, Seth. ––– Respondi dissimulando uma arrogância inexistente recebendo uma risada ruidosa do meu amigo.
___ Está linda Nessie, mas ainda não entendo essa sua obsessão com o Black, ele nem faz seu tipo. ––– Candice comentou e jogou os ombros.
Eu fiquei séria por uns segundos, não poderia dizer o real motivo, jamais. Todavia me sentia mal por mentir para meus melhores amigos.
___ Ah Candy ele é um gato e está sendo um desafio. ––– Inventei. ––– Ele até é agradável. ––– acrescentei querendo encerrar o assunto.
E antes mesmo de ouvir mais alguma gracinha de Seth, meu celular tocou e não tinha mais jeito. Paul estava na portaria e eu teria que descer. Dei um breve beijo em cada um e fui de encontro ao meu namorado.
Aquela palavra ainda me causava calafrios. Mas eu precisava me acostumar a ela se quisesse realmente chegar ao fim da minha... Justiça.
E lá estava ele, em frente a BMW branca. Com um largo sorriso ––– admito eu era doida por aquele desenho em seus lábios –––-, seu terno engomado de cor cinza e bem arrumado lhe deixava sensual, a camisa de dentro era azul marinho com a gravata preta e por fim seus olhos.
Os olhos do Paul estavam famintos, não era sempre que os via assim. Naquele momento me senti esquentar e não sei por que me lembrei de Jake na hora. Bem, provavelmente tenha sido a forma gulosa de seus olhos, mas não demorou e Paul voltou a seu olhar carinhoso e apaixonado à medida que eu me aproximava e lhe deixava um beijo casto nos lábios.
*****
Adentrei o restaurante assim que a porta foi aberta por um auxiliar. Uma mesa ao fundo já estava reservada e um dos garçons nos guiou até lá. Pedimos uma comida light a tarde era muito quente para caldo.
Teatralmente mexi nas orquídeas ornamentando o centro da mesa de vidro, o ramalhete ––– exatamente entre eu e Paul ––– me serviu com exímio, pois eu queria me exilar um pouco do olhar profundo, devoto e escuro do meu namorado.
___ Amor, está bem? ––– Paul indagou com seu tom meloso e cortês.
Ofereci a ele um sorriso afável.
___ Sim meu amor, tudo ótimo. ––– Respondi finalmente enfrentando seu olhar flamejante. ––– Só pensando em uns trabalhos, perdoe-me. ––– Esclareci em um tom suave e ameno ainda sustentando meu sorriso meigo.
Paul olhou-me com afeição e afagou minhas bochechas com seus dedos quentes e gentis.
___ Admiro sua dedicação minha linda, mas tente relaxar. ––– disse-me terno ainda com suas mãos sobre meu rosto.
Abaixei o olhar timidamente e dissimulei um suspiro derrotado.
___ Está bem amor, prometo não pensar em trabalho ou faculdade durante nosso almoço. ––– Retruquei sem alterar meu tom suave ou desviar-me de seus carinhos que desceram da minha face e foram escorregando por meus ombros, braços chegando às minhas mãos.
Eu confesso! Gostava dos afagos de Paul. Ele era quente, no entanto suas carícias eram lentas demais. Argh! Eu gritava internamente a cada vez que me beijava com esmero ou me tocava tão cadenciado como agora.
O que eu queria ––– sempre ––– era ter aquelas mãos febris e boca cálida açoitando-me com fervor como na outra noite em que finalmente passamos juntos.
Loucura, eu sei. Mas eu não gostava de tanta devoção, já havia sido criada com o cuidado ao extremo. Não que todo o amor da minha família fosse enjoativo, contudo eu não esperava que um homem me colocasse no colo e afagasse os meus cabelos como meu pai fazia. Com meu pai esses carinhos eram aprazíveis e sublimes, de um homem como Paul ou qualquer outro que tentasse me conquistar era... Broxante.
Eu queria fogo, luxúria e devassidão! Toques sem pudor ou castidade. Não era uma boneca frágil, eu era ardorosa e insolente! Modesta eu não tinha nem um pouco ou era retraída para aprisionar meus desejos.
Eu sempre queria uma boa foda ou no mínimo um bom jogo de sedução. E com Paul, bem... Com ele eram beijos e abraços amorosos e palavras doces. Mesmo sendo um ótimo amante, meu namorado era um tanto desanimador fora dela.
___ Minha mãe quer conhecê-la. ––– Disse-me brincando com meus dedos.
Congelei um sorriso para ele.
___ Está incomodado com isso? ––– indaguei.
___ Não amor, eu disse a ela que falaria com você para conhecê-la o quanto antes. ––– Respondeu alegre. ––– Quero que todos conheçam o quão maravilhosa você é. ––– assinalou.
Eu permaneci com minha cara de paisagem. Se ele pretendia me levar a casa dele e me apresentar à família Black significava que as coisas entre nós estavam realmente sérias e eu estava me saindo muito bem com meu plano.
Sorri mais empolgada com o pensamento de terminar com tudo isso mais cedo do que pensei.
___Como quiser amor. ––– Eu disse enquanto o garçom colocava os pratos de porcelana em nossa frente.
___ Sábado agora está bom pra você? ––– Perguntou-me.
___ Excelente.
*****
De fato eu me encontrava ansiosa para conhecer seus pais. Como eu acreditava que Paul não era um homem de muitas mulheres ––– ou pelo menos ele tentava não ser –––, eu diria que às vistas de sua família eu poderia ser sua futura esposa, e apesar de nervosa essa possibilidade era meu objetivo, não?
Portanto vesti uma longa saia amarela com uma blusa justa de algodão e branca, bem simples e refinada.
Oras, eu batalhava para ser na visão dele uma jovem meiga, de pouco namorados, caseira, tímida, do jeito que ele gostaria. Uma bonequinha de luxo eu seria se isso o fizesse comer na minha mão em um futuro próximo. Rolei os olhos discretamente ao pensar nisso à medida que observava nosso trajeto até sua casa.
O grande portão dourado chamou minha atenção. Fitei a frente e reparei um brasão dourado dos Black em meio ao portão principal. Deixei meu queixo cair um pouquinho.
Puta que pariu era uma imensa mansão. A nossa casa de Manhattan caberia com todo o terreno dentro dessa residência.
Através da janela do carro pude ver o grandioso jardim perfeitamente verde e cuidado e às suas margens belas arvores floridas. Sorri embevecida com a beleza do lugar, era impecável. A nossa frente a enorme mansão.
A fachada em mármore branco grego arremetia lembranças de minha própria casa, as grandes janelas eram de vidro retangular, eu reparei os dois andares e o telhado com platibanda, no entanto não pude ver o fim de sua largura, seguimos para uma garagem lateral e então percebi os longos metros que aquela casa media.
Paul abriu a porta frontal delicadamente e logo veio uma senhora magricela ––– julguei ser a governanta –––- e nos cumprimentou cordialmente informando que a Dona Sarah esperava no salão principal.
A todo tempo eu sorria simpaticamente. Sem demorar entrei de mãos dadas com Paul, sendo que ele estava um pouco à frente. Caminhamos por um longo e estreito hall enfeitado por flores naturais em uma larga escrivaninha de carvalho no meio.
___ Será que eles vão gostar de mim? –– perguntei entrando com passos leves observando os detalhes.
Era realmente linda, as paredes que nos cercavam era cor de pérola e no teto pequenos lustre de cristais, eu andava atrás de Paul bem distraída.
___ Claro que vão amor, impossível alguém não gostar de você assim, doce, carinhosa... ––– disse Paul com ar de apaixonado acariciando a minha face.
Sorri e passamos por uma antessala decorada em tons azuis e dourados. Era grandiosa, porém simples e com poucos móveis e logo chegamos a um grande salão cor de pêssego. Onde o que mais chamava atenção eram a escadaria de mármore e a mobília sofisticada de cor clara.
Não demorei reparando os adornos de muito bom gosto ––– eu havia adorado cada ornamento –––. Tão cedo apareceu uma senhora de estatura media, sorridente e cabelos negros na altura dos ombros. Não era o sorriso gentil e sensual como o de Paul, era caloroso e cativante. Seus olhos sim eram tão doces quanto aos do filho. Sua elegância também me deixou admirada. Ela vestia um terninho salmon que achei um luxo. Talvez fosse minha opção de vestimenta na idade dela, pensei.
Logo ao seu lado vinha um senhor alto, mulato e corpulento. Seu sorriso sim era como o de Paul, mas a forma que me olhava era tão intensa, eu não consegui decifrar o que havia neles, porém logo percebi, ele só estava encantado e fiquei feliz por isso. Pelo menos não teria problemas com meus sogros.
Fitaram-me aparentemente agradados com o que viam e eu me limitei a sorrir docemente para eles.
___ Então, você é a mocinha que meu bebê tanto falava? ––– disse Sarah com um sorriso amável.
___ É eu acho que sim... ––– respondi timidamente
__ Essa lindona aqui amor, é a minha mãe Sarah. ––– Paul disse apresentando sua mãe.
__Muito prazer, sou Renesmee. ––– eu disse estendendo a mão para Sarah que aceitou e me deu um breve abraço.
___ E esse aqui é meu paizão, Billy. ––– Paul apontou para o homem mais alto.
___ Prazer minha nora. ––– Billy disse apertando a minha mão sorrindo gentilmente.
___ Bom, vamos sentar um pouco enquanto o jantar não fica pronto. ––– pediu Sarah tranquilamente e todos nos sentamos nos sofás de camurça clara.
No sofá menor estávamos eu e Paul de mãos dadas, em frente ao grande onde seus pais estavam abraçados.
__- Então Nessie, o Paul disse que você é estudante de ciências contábeis... ––– comentou Sarah simpaticamente.
___ Ah é verdade, estou no 2º semestre.
___ Realmente é uma área muito interessante, eu admiro pessoas desse ramo... ––– Billy comentou simpático, mas logo o sorriso de seus lábios se desmanchou e eu fiquei totalmente confusa.
___ O que houve? ––– perguntei.
___ O meu pai tinha um grande sonho do meu irmão trabalhar nessa área já que eu optei por ajuda-lo nas empresas e cursei administração, mas o imprestável nem isso fez... ––– explicou Paul simultaneamente recriminando o irmão.
___ Paul não fale assim dele, embora ele não tenha a cabeça no devido lugar ainda é nosso filho e seu irmão. ––– Sarah o censurou mesmo que seu tom tenha sido melodioso e não rude.
___ Verdade filho, você não deve falar assim dele, além do mais ele não está aqui para se defender... ––– meu sogro reforçou.
Eu já estava me sentindo incomoda diante daquela “discussão” iniciada. Falar ou não falar mal do caçula e blá blá blá. Paul fechou seu semblante, contrariado a meu lado quando desistiu de argumentar. Permaneci com cara de paisagem até que para meu alívio, a empregada anunciou que a janta enfim estava pronta.
Todos nos dirigimos para a sala de jantar. Era igualmente luxuoso, o papel de parede era creme com desenhos dourados, a mesa era comprida ––– com oito lugares ––– e forrada com uma linda toalha de renda. Definitivamente essa família não economiza com a decoração, pensei sarcástica.
Sem protelar eu e Paul ficamos do lado direito assentados na cadeira de carvalho trabalhado. E do lado oposto; Sarah e Billy.
Acabávamos de pôr a comida sobre os pratos de porcelana quando ouvimos o som da porta principal se abrindo descuidadamente.
___ Ah deve ser o Jake. ––– disse Dona Sarah sem dar importância ao fato.
___ Não acredito que o Jake teve a coragem de chegar a essa hora, ele nunca consegue chegar na hora marcada? ––– reclamou Paul chateado.
Eu tive vontade de mandá-lo calar a boca. Homem ranzinza. Se o irmão dele quer vadiar o que ele tem com isso? Eu realmente reprovei essa vigilância desnecessária de Paul, todavia não me manifestei e apenas passei a degustar de forma lenta e educada a comida, que por sinal estava muito boa.
__ Querida não se importe, é o nosso filho mais novo, vive dando problemas. ––– Billy esclareceu tentando tranquilizar-me, imaginei.
Deve ter percebido meu incomodo com aquilo tudo. Entretanto ele não conseguiu esconder o ar de preocupado com seu filho caçula.
___ Não tem problema não... Toda família é assim. ––– proferi lhe oferecendo um sorriso indulgente.
___ Bom, vamos esquecer e comer. ––– Dona Sarah encerrou o assunto.
Instaurou-se um silêncio à proporção que mastigávamos o ravióli de carne, porém não levou muito tempo e ouvimos passos.
___ E aí família? Cheguei.
Eu estava de cabeça baixa e controlei a vontade de engolir o bolo alimentar em minha boca para não me engasgar.
Aquela voz... Sensual e excitante. Eu devia está louca.
Ergui meu olhar e fui obrigada a sorver a comida, eu me encontrava em um embaraçoso sobressalto. Seus olhos negros e profundos, sua pele caramelo, seus bíceps avantajados enfatizados pela camisa e aquele sorriso irresistível e abrasador. Não consegui deixar de fitá-lo, seus orbes enigmáticos permaneceram cravados em mim, ele parecia tão surpreso quanto eu.
Além do choque inicial, não pude deixar de reparar o quanto ele estava lindo. Seus cabelos sem corte e molhados, a barba feita e o cheiro de seu perfume másculo e inebriante que empesteou o lugar e chegou até meu sistema me deixando embriagada naquele aroma excitante.
___ Jake, você vai jantar? ––– inquiriu Sarah em um tom alto fazendo-me despertar do meu próprio transe.
___ Hã...Vou sim. ––– Respondeu um pouco torpe. Eu segurei uma risada por isso.
Não acredito! O irmão tão abominado pelo Paul é o Jacob?
Quando o susto passou refleti melhor sobre isso.
Ele só podia estar brincando, Jacob era um Adônis e um exímio na arte do prazer, invés de criticá-lo o Paul deveria aprender com ele, pensei observando Jacob sentar... Ao meu lado?
Cachorro! Se eu bem o conhecia ele aprontaria alguma coisa.
___ Essa aqui é a Renesmee, minha namorada. ––– Paul apresentou-me de má vontade.
___ Prazer, é Jacob seu nome, né? ––– disse amistosa estendendo a mão para ele.
___ É sim, muito prazer. Você é uma moça muito bonita. ––– disse Jake sorrindo simpaticamente e eu não vi maldade em seus olhos.
___ É bonita, mas é minha. ––– replicou Paul em um tom rabugento.
___ Não, pode ter certeza que eu vou rouba–la de você maninho. Porque eu adoro roubar suas namoradas. ––– respondeu Jake irônico.
___ Meninos, por favor... ––– prevaleceu Billy, ao pressentir que iria começar uma discussão entre eles.
Todos se calaram e continuamos a jantar. Eu e Jake ocasionalmente nos olhávamos disfarçando. Durante a sobremesa Jake ––– emprestando atenção ao que seu pai dizia ––– colocou uma de suas mãos em minha coxa por cima da saia, a alisando sem reservas.
Ao sentir a mão graúda de Jake em perna arregalei os olhos rapidamente e sutilmente o encarei com reprovação, no entanto ele como todos ali permaneciam concentrados nos relatos de Billy. Eu já havia me perdido naquela conversa sobre finanças e acredito que Jacob também só fingia entender para disfarçar suas carícias.
Mexi o corpo cruzando as pernas, eu estava desconfortável. Sentia-me quente e excitada. Sua palma parecia brasa e eu notei seu breve sorrisinho presunçoso quando respirei um pouco mais fundo ainda fingindo ouvir meu sogro.
Passei meu olhar por todos à mesa. Paul agora respondia a seu pai e toda a atenção da mesa estava voltada para ele. Inspirei o ar com força e sem tirar os olhos do perfil de Paul ––– ao meu lado direito ––– coloquei a mão devagar sobre o membro de Jacob e apertei-o levemente sobre o short.
Reparei a respiração de Jacob pesar. Esbocei um sorriso satisfeito por isso e apertei seu falo com um pouco mais de força deixando-o semiereto. Pela visão periférica notei Jacob passar uma das mãos sobre o cenho, ele não mais acariciava minhas coxas com tanta brutalidade. Sorri verdadeiramente realizada por colocá-lo nervoso.
Quando Billy retomou suas palavras, ambos paramos com as provocações, pois estávamos ficando excitados e não poderíamos, pois eu e Jake excitados éramos como um pavio curto e acesso.
Logo após terminar o jantar, voltamos a nos acomodar no salão principal. Jake se retirou com muita educação é claro, e visualizei seus pais com o semblante preocupado e Paul sacudindo a cabeça reprovando o jeito do irmão.
___ Então Nessie, soube que seu pai é um dos sócios de nossas empresas. ––– disse Sarah puxando assunto.
___ Na verdade era. O meu pai tem um novo negócio. ––– respondi cordial e completei mentalmente em um tom azedo. ––– Porque a sua empresa roubou o nosso dinheiro.
Entretanto mantive um sorriso angelical nos lábios.
___ Os Cullen eram grandes sócios da empresa, agora recordo que abriram falência, sinto muito. ––– Lamentou Billy verdadeiramente.
Eu engoli em seco com mal-estar, esperava encontrar cinismo na face dos meus sogros ou até mesmo uma evasiva do assunto, no entanto eu somente vislumbrei uma lástima verdadeira no olhar e face de ambos.
Contudo percebi Paul mexer-se incomodado ao meu lado. Fitei-o e ele ofereceu-me um sorriso solidário que era terrivelmente falso. Senti um bolo amargo subir a garganta e meu instinto era retirar as mãos dele que alisava meu ombro, porém controlei-me e permaneci sorrindo gentilmente.
___ Espero que agora os negócios estejam indo bem. ––– Comentou Dona Sarah, agradável como sempre.
___ Sim está. ––– limitei-me a dizer.
Ficamos conversando sobre os negócios da família durante um tempo logo passamos aos negócios que os Black possuíam na América do Sul.
Dessa eu não sabia, porém não demorou e os pais de Paul nos deixaram sozinhos. E em menor tempo ainda Paul segurou com suas mãos na lateral do meu rosto enlevando-me em um beijo passional apesar de lento.
Embrenhei minhas mãos em seus cabelos, controlei a vontade e dar ferocidade ao beijo molhado e quente, no entanto para meu alento Paul desceu suas mãos do meu rosto por minha nuca e chegou a minha cintura colando meu corpo ao dele.
Eu já disse que ele era um cara quente? Sim ele era. Não pude evitar lembrar-me de Jacob, o corpo febril era características de ambos, todavia Paul era menos e seus músculos não eram tão proeminentes. Ele aprofundou o beijo. Aleluia!
Não evitei que saísse um gemido baixo de minha garganta. Paul sorriu em meus lábios por isso e passou a caminhar com sua boca molhada por minha pele até meu pescoço. Estremeci, minhas mãos aferradas em seus ombros queriam traçar veredas em seu corpo.
Paul passeou com suas mãos até a lateral da minha nádega a apertando à proporção que seus lábios retornavam aos meus em um beijo mais violento. Sendo assim rumei minhas palmas por seu abdômen, entretanto não coloquei muita impetuosidade nos toques.
Reconheci a vontade do meu namorado de se livrar da minha longa e estressante saia, pois ele segurava uma porção do pano com afinco provavelmente se controlando para não levantar a peça.
Ouvi um coçar de garganta. Virei-me em direção ao som e abri a boca sutilmente. Jake descia o ultimo degrau nos olhando divertido.
Estava lindo e perfumado. Seu perfume de almíscar atingiu-me e respirei fundo tentando disfarçar a onda de excitação que sua imagem somada ao seu cheiro entorpecente me causava.
Sabia que ele não ficaria em casa, estava pronto para sair. Vestia uma camisa esporte fino cor de chumbo que chamava atenção para seus músculos.
Ah eu queria ser aquela barra dobrada da camisa ao final de seu bíceps. Gostaria de estar enroscada em seu corpo naquele momento. Seus cabelos estavam bagunçados seu sorriso brejeiro ostentado nos lábios. Ansiei morder aquela carne vermelha.
___ Não queria interromper, porém me ouviriam de qualquer forma. ––– informou passando por nós indo em direção à saída.
Reparei como sua calça jeans escura marcava seu bumbum.
Ai que vontade de apertar. Eu choraminguei em pensamento e ele virou-se para nós.
___ Tenham uma boa noite. ––– ele disse tranquilamente, toda via o seu sorriso sacana e seu tom de escárnio me fez estreitar os olhos para ele.
Estaria me provocando? Quando seu olhar pousou ligeiramente sobre minha face, eu tive certeza que a ironia era para mim.
___ Jacob já vai? ––– Dona Sarah perguntou vindo do corredor que nos levou a sala de jantar há uma hora atrás.
___ Sim, mãe. Prometo não voltar tarde. ––– Jake contestou indo de encontro a ela e beijando sua face.
Ele sorriu debilmente e depositou um beijo da bochecha do filho.
___ Deus te abençoe filho e tome cuidado. ––– Proferiu em um tom zeloso e eu sorri pelo zelo que ela tinha com o filho.
___ Tchau Renesmee, Paul. ––– despediu-se já saindo porta a fora e no segundo seguinte ele sumiu no corredor da entrada.
___ Eu não aguento com o Jacob toda noite é isso, aí chega de madrugada e sai logo de manhã, depois só volta a noite e sai de novo, isso não pode continuar. ––– minha sogra resmungou inconformada e mesmo em tom baixo eu e Paul ouvimos.
___ Mãe não tem jeito, o Jake sempre foi assim, só levando uma cassetada da vida pra aprender. ––– comentou Paul em um tom estranhamente brado aninhando-me delicadamente em seus braços.
___ Ai, Deus onde esse menino vai parar? ––– disse Sarah preocupada já virando-se para se juntar a Billy em algum outro cômodo novamente.
Eu e Paul ainda trocamos mais alguns beijos, nada comparado ao que o Jacob interrompeu, todavia eu aproveitei. Paul me mostrou a casa, a decoração era como a do salão. Peças de carvalho e inteiriços de granito e mármore, corredores arejados e muitos arranjos de flores em jarras de porcelana. O jeitinho sofisticado e aconchegante de Dona Sarah estava por todo lugar.
Havia oito quartos no segundo andar, quatro eram com suítes ––– para Paul, Jake, seus pais e um de hóspede –––. Não fui ao sótão ou ao terraço. Passei pelo escritório, biblioteca e por duas salas de jogos uma com open bar e a outra era aberta e de frente para a área da piscina que me embeveceu. Era grandiosa e possuía uma cascata artificial além de sua ornamentada borda iluminada formando um clarão no exterior traseiro da propriedade. Ao lado oposto da casa uma enorme ala para churrasqueira e integrado a cozinha e lavanderia um pequeno casebre para empregados. Paul explicou-me que sua mãe decidiu assim para os empregados ficarem mais cômodos.
Billy e Sarah saíram da sala de estar e juntaram-se a nós ao tour, porém após mais uma hora de conversa já era o momento de ir.
___ Bom, acho que já está tarde, né... ––– comentei ficando um pouco sem graça ao olhar a hora no relógio dourado na parede.
Estávamos à vontade na antessala, eu acompanhava minha sogra em um suco de framboesa.
___ Nossa, mas ainda são 22h45min, você precisa mesmo ir? ––– falou Sarah em um muxoxo.
___ Não mãe, a Nessie não gosta de chegar tarde, porque ela gosta de dar uma olhada nas matérias antes de dormir, não é meu amor? ––– Paul noticiou com um tom amistoso.
___ É sim, me desculpe. Eu ficaria mais, mas eu preciso descansar e acordar cedo amanhã para fazer uns trabalhos. ––– eu disse docemente com um sorriso terno.
___Tudo bem, se você tem responsabilidades, necessita mesmo de descanso, não vamos lhe atrapalhar. ––– Billy demarcou afetuoso. ––– Foi um prazer conhecê-la, espero que o Paul traga você aqui mais vezes. ––– disse animado.
___ É verdade Nessie, volte sempre. Você é um primor, finalmente o Paul conseguiu a menina certa. ––– comentou Sarah alegre.
Fiquei um tanto encabulada.
___Mamãe que é isso? Está deixando a Nessie sem graça. ––– Paul ralhou risonho. ––– Desse jeito ela não irá querer voltar mais aqui. ––– ele disse censurando a mãe de brincadeira.
___Tá tudo bem amor, também adorei conversar com vocês, são muito amáveis. ––– Falei verdadeiramente confortável na presença deles me levantando e cumprimentando Billy e Sarah com um aperto de mão. ––– com certeza voltarei aqui mais vezes. ––– acrescentei simpaticamente.
Seguimos tranquilo de volta ao apartamento. Em todo o caminho eu fiquei relaxada no banco do carona com um sorriso enlevado. Eu havia adorado a noite. Billy e Sarah eram os opostos do que pensei, pois me trataram muito bem. Quero dizer, todos ali de um jeito ou de outro me trataram muito bem, não estava sendo difícil seguir o plano.
Por outro lado havia algo que me preocupava. Jacob. Ele conhecia meu verdadeiro eu e isso me deixou em alerta ao final do caminho que o carro fazia. Será que Jacob era capaz de destruir meus planos?
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