Doce Tentação

18 Volta ao lar


18. Volta ao lar

– Ah, querido... Que bom que chegamos. Estou exausta, precisando de um bom banho. – Dizia Alicia ao entrar em casa.

– Como quiser querida! Eu te acompanho...

Hiko não pode terminar sua frase, quando notou uma certa desordem. Ele não sabia ainda o que era. Mas, sentiu que algo não estava bem. Alicia notou que o marido ficou estranho, tentou perguntar o que era, mas, ele a calou.

Hiko entrou na sala e seus olhos se arregalaram de espanto. Alicia, vendo seu marido parado, imóvel, na porta da sala, com uma expressão de assombro, resolveu ir ver o que havia lá.

Ao entrar, notou com estranheza, toda aquela bagunça... Vários enfeites quebrados espalhados ao chão, à mesa de centro em pedaços, ela observava tudo com assombro, até que notou um rastro de um liquido vermelho no chão e resolveu segui-lo.

Alicia levou a mão ao peito, não sabia o que era, mas, sentia que algo mal se passara. Caminhou lentamente, com cautela, seguindo o rastro, com uma expressão amedrontada, até que chega a um ponto, onde pode avistar a imagem de seu filho, estirado, imóvel ao chão.

– AAAHHHH!

O grito de Alicia ecoou pela mansão. Ela entrou em desespero e se não fosse por Hiko, que a segurou, ela teria ido de encontro ao chão, pois suas pernas já não lhe obedeciam mais. O homem a sustentava, tentando acalmar sua esposa, ao mesmo tempo em que ligava pra emergência.

Os gritos foram tão altos e escandalosos, que em pouco tempo, os seguranças chegaram ao local. E após receberem as ordens de seu chefe, saíram apressados a vistoriarem a casa a procura de algum intruso, que pudesse ser o responsável por aquilo.

Em pouco tempo, a ambulância chegou à mansão Yui, levando David em estado grave ao hospital. Os seguranças não encontraram ninguém e Hiko chamou a policia pra que investigassem o caso. Depois disso, ele e Alicia seguiram para o hospital.

–/-/-

– Por que eu não consegui te esquecer nem mesmo um minuto que fosse Heero! — Senti meu rosto sendo molhado pelas lagrimas, enquanto ele me olhava ainda sem reação. – E alem de te amar... Ainda estou grávida de um filho seu! – Não sei como, mas de repente, falei tudo!

Eu devo estar sonhando... É isso... To tendo um sonho. To dormindo e ainda não despertei. Relena voltou pra mim... Disse que me ama e ainda que espera um filho meu...

– Re... – Minha voz parou, olhei para o lado e fixei meu olhar naquele maldito aparelho, que ousou interromper meu momento mais esperado!

– Heero, o telefone está tocando... Não vai atender? – Seu comentário me tirou do meu transe. Fazer o que? Vamos atender!

Heero andou lentamente até o telefone, se perguntando lentamente o porque que ele deveria atender mesmo...?

– Alô... – A voz do Heero saiu tão monótona no telefone que me pergunto o que a pessoa que ligou está pensando! *risos*

– Certo... Estou a caminho! – Era só o que faltava. Esse cara, não tinha um dia melhor pra morrer? Que droga!

Olhei novamente para Relena e ela olhava atentamente cada canto de minha casa, como se estive procurando algo de diferente.

– Deixei tudo exatamente como você sempre gostou! – Não quero sair. Quero ficar aqui, observando o meu maior vicio. Ela!

Ela olhou pra mim e sorriu. Aquele sorriso meigo que sempre me desconcertou. Como darei a noticia a ela? – Quem era no telefone? – O que faço? Tenho que dizer, mas, para ser sincero, nunca fui bom em dar certos tipos de noticias!

Eu a encarei durante algum tempo, procurando palavras para dar a noticia que o imprestável morreu... Relena é muito sentimental, mesmo que não goste mais dele, acho que ela ira sofrer muito. E no final das contas não consegui dizer nada.

– Hã... preciso ir! – uma outra hora eu arranjaria um jeito de contar pra ela. – Tentarei voltar logo!

– Eu vou com você! – Relena me pareceu preocupada, isso não era bom, se falar era ruim... Imagine ver o corpo do defunto!

– Melhor ficar! Ei prometo que volto logo! São coisas urgentes de negócios!

Corri para cima e vesti um terno preto, desses que uso para trabalhar, o primeiro que achei, porque tinha que correr. Alias, nunca me arrumei tão rápido. Saí correndo de casa, não queria que ela tivesse tempo de perguntar novamente o que estava acontecendo e nem que fosse atrás de mim.

/-/-/

Heero saiu sem me dizer quem era, parecia um pouco afobado, o que será que ele está escondendo de mim? E ainda por cima não me deixou ir com ele!

Parando para pensar, fiquei um mês fora, era tempo o suficiente para arranjar outra pessoa.

O coração de Relena pareceu parar por um segundo, pensamentos ruins tomaram conta da loira.

Tentei não me preocupar, mas não consegui! Antes de conseguir pensar estava ligando no celular dele, meu sangue gelou quando ele não atendeu, só chamava...

Nervosa, resolvi ir até a empresa onde ele trabalha.

–/-/-

Cheguei ao hospital, não sei nem por que eu tenho que estar aqui... A me lembrei... Sou o líder do The Preventer's... Fui até a recepção me informar onde estava o corpo do David.

Minha surpresa foi saber que ele tava vivo! Não sei se fico feliz ou triste... Bom, agora eu tenho que descobrir quem quase matou esse cara, só por isso eu já o respeito...

Quando entrei no quarto onde ele estava, me surpreendi em ver que estava vivo, tava com um pé na cova, mas mesmo assim... Como dizer, vaso ruim não quebra. Seria impossível interrogá-lo, teria que ir à casa do David e fazer um trabalho de detetive completo.

A primeira coisa obvia foi falar com os seguranças.

– Não vi nenhum rapaz entrar hoje, além dos pais do David. – disse o segurança, e as câmeras não captaram imagem de ninguém.

– O sujeito é bom em se esconder pelo visto.

Ou são comparsas dele, pensei.

Andar para lá e pra cá, e o que eu quero é estar com a Relena! Nem pude curtir meu momento como futuro pai!

/-/-

Quando cheguei até o prédio à secretária me fala que ele nem pisou ali, senti meu mundo ruir! Não sei por que comecei a querer chorar. . Saí dali correndo, e dei de encontro com a Teyuki.

– Relena? Você voltou? Está chorando! –Teyuki a olhou preocupada.

– É que... – precisava desabafar, fomos até a casa dela, e não consegui conter uma lágrima sequer.

– Calma, vou falar com o Trowa para ver se sabe dele... – Teyuki me abraçou forte com um braço e com o outro, telefonou.

– Oi meu amor, tudo bem? – não demorou muito para ele atender. – Eu to bem sim... Escuta, você sabe onde o Heero está? Hum... Certo, nada, é porque a Relena não o encontrou... Mas tudo bem obrigada, beijos amor!

– Ele não sabe onde ele está... Vamos ligar para as meninas, quem sabe alguém o viu! – Deu para ver que ela tentava me animar, mas eu to com medo... Eu não quero ser substituída na vida do Heero.

Não deu quinze minutos e as meninas vieram voando para casa de Teyuki.

– Calma Hadja! Vai ver não é nada disso! – Cléo, acreditava que poderia ter uma explicação, poderia ter acontecido alguma coisa para ele não querer falar o que era.

– Ah, mas se o Heero está traindo a Relena, eu o mato! Vai virar comida para cachorro! – a Hadja era a que estava mais alterada.

–/-/-

Acho que o melhor jeito é esperar o David acordar e abrir a boca, eu ainda preciso ver se esses seguranças não estão encobrindo o criminoso.

Heero era sagaz, por isso era o líder do The Preventer's, notou no vídeo de segurança que tinha sido editado, estava faltando dez minutos de vídeo...

– Cadê a parte que está faltando? – eu notei que o segurança ficou um pouco nervoso.

– C-como a-ssim? – é, dava para ver que estava mentindo.

Não deu muito tempo de conversa, e mandei prende-lo, ia interrogá-lo até ele abrir a boca, nem que eu tenha que torturá-lo, meu humor não está bom mesmo.

– Acho bom abrir o bico, estou com pressa hoje. – Heero lançava aquele olhar de deixar qualquer mortal com medo, ele estava falando sério.

–Não sei de nada, senhor! – o segurança suava frio.

Fiquei horas com aquele cara, ele tava quase falando quem era, mas acho que exagerei na tortura e ele desmaiou, não sabia que ele era tão franguinho.

Resolvi voltar para o hospital, e dei de cara com um sujeito alto e loiro, estava saindo do quarto de David, nunca o tinha visto na vida, serial algum parente distante? Ou o criminoso?

Fui falar com ele.

– Boa noite, sou Heero Yui, posso ter uma palavra com o senhor?

– Heero? Você é namorado da Relena? – Zechs se lembrou do nome que Relena dissera naquela casa de campo.

Isso sim foi surpreendente... Não esperava que ele me conhecesse. Resolvemos ir a um lugar mais reservado para conversar, soube que era primo de Relena, e sem que eu perguntasse ele mesmo admitiu que foi ele o agressor.

O caso em si estava resolvido.

– Bom, vou fingir que não sei sobre isso, mas quando o David acordar vai abrir a boca para os quatro ventos.

– Ele não o fará, quando saí do quarto ele tava um pouco consciente, mas foi só me ver que desmaiou... Ele tem medo de mim, sabe que eu o mato da próxima vez! Bom... Por agora estou indo. Mas, ainda temos que conversar senhor Yui... Quando nos encontraremos?

– Logo. Eu te acho!

– Não! – Zechs rio. – Eu te acho! Tenha uma boa tarde!

Zechs saiu colocando seus óculos de sol e com uma mão no bolso da calça e a outra solta. Esse cara realmente sabia intimidar no modo de falar! Coitado do David... Se deu mal dessa vez! Me pego sorrindo! Ver David nesse estado anima meu dia! Eu ia abafar o caso por enquanto, ia ver no que ia dar, agora posso ir para casa ver minha Relena!

Quando cheguei, ela não estava em parte alguma! Vi meu celular em cima da cama, tinha me esquecido na hora da correria... Estava cheio de chamadas de todo mundo, principalmente da Relena.

Liguei para o celular dela, caía direto na caixa de mensagens, resolvi ligar para as amigas dela.

– Heero Yui! Venha imediatamente a casa da Teyuki! – era Hadja no telefone, estava furiosa, dava medo no Quatre quando ela ficava assim. – A Relena tá aqui aos prantos por sua causa! Venha já! – e desligou o telefone.

Heero quase morreu quando chegou, foi praticamente um ataque em massa das meninas, e viu os amigos lá também, preocupados.

Olhei para Relena, estava vermelha com os olhos um pouco inchados, não queria vê-la chorando por minha causa. Mas nem deu tempo de eu pensar que a namorada do Quatre já estava em cima de mim.

– Você sabe que horas são? Pode ir se explicando você deve isso a ela! – ela praticamente me jogou na frente de Relena.

– Acho melhor deixar os dois sozinhos, vamos dar uma volta meninas? – Teyuki olhou para todas que concordaram, depois olhou para os rapazes que também assentiram com a cabeça. – Fiquem a vontade, nós já voltamos!

Ficamos sentados na sala, eu queria entender o porquê Relena estava chorando tanto, afinal só fiquei um dia inteiro fora.

– Heero, você... tem outra? – Relena foi direta.

– Hã? – do que você tá falando? – não entendi aonde ela queria chegar.

– Você saiu cedo hoje, não queria me dizer aonde ia e nem levou seu celular... E está voltando agora... – Relena tentava conter os soluços, enquanto tentava falar. – Se tiver, é melhor falar logo.

Então era isso que a estava fazendo chorar? Eu sou um idiota mesmo, acho que qualquer mulher em sã consciência pensaria o mesmo que ela, sair sem dar uma explicação descente, e ainda não atender o celular, sem contar que está tarde.

– Relena, vou te contar tudo, tá? – pude vê-la arregalando os olhos, e as lágrimas escorrerem incessantemente.

– Então eu estou certa?

– Não. Me deixa falar. Não é nada disso... – precisei de uns segundos para organizar minhas idéias, e falar sem chocar muito ela, mas nunca fui muito bom nesse tipo de coisa. – Relena, eu não falei antes porque eu não achei maneiras de te falar sem que você se assustasse, porque por mais que vocês já não tenham mais nada, você é uma pessoa muito gentil... Mas ficou menos difícil de dizer por que ele ainda tá vivo.

Relena arregalou os olhos novamente, dessa vez pude ver os olhos desesperados dela.

– O que?

– O David foi fortemente espancado e está na UTI agora... Ninguém sabe ainda, mas o agressor foi Zechs, seu primo. – não sei se devia ter dito sobre ele, mas já que era para falar tudo, falei de uma vez

– Zechs? Não acredito! Não devia ter contado pra ele!

– Só peço para que não fale isso para ninguém, eu vou encobrir isso por enquanto, mas se a informação vazar serei obrigado a prender seu primo.

Acho que não devia ter dito isso, a expressão dela era de horror. Bom, acho que teria de contar uma hora ou outra. Ficou aquele minuto de silencio incomodo...

– Heero, me desculpe por ter desconfiado de você! Como fui tola!

–/-/-

Era muita informação para um minuto só, mas eu me sinto tão envergonhada em pensar que Heero tinha outra, o que ele deve estar pensando de mim agora? Que sou uma idiota que chora a toa e que ainda por cima não confia nele!

Ele me abraçou forte, como se sentisse aliviado.

– Relena... Esqueça isso... O que importa é que finalmente estamos juntos! Eu senti tanto a sua falta!

– Verdade?

– Relena... Nunca mais faça isso! Nunca mais me abandone! E isso é uma ordem! – Seu olhar era firme e seu tom era rouco! – Apesar de isso soar até possessivo, não era nem perto do que vivi com David. E gostei de ouvir!

– Te amo Heero!

Ele a puxou para um beijo que começou suave e aos poucos foi intensificando! Aquele era o momento deles! Onde eles estavam matando a saudade do tempo que estiveram separados. Os beijos começaram a se tornar mais quentes, quando o telefone toca...

Sem animo algum Heero se vê obrigado a atender o maldito aparelho. Afinal, depois dos acontecimentos do dia, ele não pode se ausentar do mundo! Ele se separa pesarosamente de sua amada e busca o aparelho que toca desesperadamente no bolso de seu paletó. Pega o aparelho sob os olhos inquietos de Relena e o atende...

– Alô?

Venha imediatamente pra casa... Temos um suspeito!

A voz de seu pai era firme... E a noticia não agradou em nada a Heero! Se realmente aquilo era verdade, como ele faria pra ajudar Zechs?

...Continua...

Notas finais
E aqui temos um rolo todo formado. kkkkkkk Ai que bagunça. Comentários, por favor? Beijinhos. :D