Doce Tentação
20 Insanidade.
Insanidade.
Um novitec alfa romeo 8C spider conversível entra a toda velocidade no estacionamento dos The Preventer’s, mal estacionou o carro o jovem loiro desceu e correu para dentro do prédio. Subiu pelo elevador até o décimo andar e ao sair dele começou a correr, entrando com tudo em uma das salas e ao se aproximar do rapaz de cabelos castanhos que se levantou ao vê-lo entrar, deu-lhe um gancho de direita com toda a força, ato que fez o receptor do golpe cair e machucar o canto da boca.
– Bom dia pra você também Quatre... – Incrivelmente Heero continuou monótono e calmo apesar do soco que recebeu.
– Bom dia? Você me fala bom dia? – Quatre estava alucinado e gritava com Heero. – Como ousa me dizer bom dia, depois do que você me fez?
– Está tudo bem? – Perguntou Cléo que correu para a sala depois de ouvir os gritos.
– Sim Cléo... Pode ficar tranqüila. Sai e não permita que ninguém nos incomode, por favor!
Heero falou vendo que os seguranças já se aproximavam da sala. A moça assentiu e mesmo contrariada obedeceu às ordens do chefe. Fechou a porta da sala, deixando os dois a sós e foi dispensar os seguranças. Heero se levantou do chão e foi calmamente se sentar na sua poltrona dando sinal para que Quatre senta-se a sua frente, cortesia que foi totalmente ignorada pelo amigo.
– Muito bem... Você está nervoso comigo por causa da Hadja não é?
– Nossa... Parabéns... Você ainda pensa! – Quatre realmente estava muito irritado.
– Eu já esperava por isso. Como ela te deu a noticia? – Ouvindo a pergunta Quatre se deu por vencido. Sentou na cadeira soltando todo o peso nela.
– Ela disse ontem à noite... Falou que tinha um caso muito importante que você precisava que ela investigasse. Que você deu a opção dela aceitar ou não e ela quis aceitar. E que logo ela teria que sair para cumprir a missão. – Heero ouvia com atenção. – Eu disse que conversaríamos hoje pela manhã... Como fui burro deveria ter percebido... – Essa parte Quatre falou mais pra si que para Heero. – Ela estava tão carinhosa... Fomos para cama, namoramos... E hoje de manhã me deparei com um bilhete dela dizendo que voltaria assim que tivesse terminado a missão!
– Eu sinto muito... – Falou Heero compadecido pela tristeza do amigo.
– Sente? Então porque ela? – Quatre agora voltou a se irritar e encarou Heero.
– Obviamente, porque ela é a melhor... – Heero simplesmente concluiu.
– Mas eu pedi que você não a desse nenhuma missão que envolvesse ação... Você me prometeu! – Quatre estava magoado.
– Eu sei... Desculpe-me. Deveria tê-lo consultado antes, mas as coisas foram tão rápidas que tive que tomar as atitudes com urgência... – Heero se justificava.
– E o que é tão fim do mundo assim? – Quatre falava com desdém gesticulando inconformado.
– Já descobriram o culpado do caso do David... – Heero olhou para o amigo esperando uma reação.
– E? – Quatre era arredio.
– E o culpado é o primo da Relena, que fez isso para vingar a honra dela!
Heero concluiu e Quatre franziu o cenho ao ouvir a história. Ele não conhecia tudo o que se passava, mas ao mesmo tempo não aliviava o fato de se sentir apunhalado pelo amigo. Porém, aquilo fez com que ele ao menos compreendesse melhor os motivos de Heero para tomar aquela decisão.
– Sendo assim, pedi para Had entrar no escritório de advocacia do David para conseguir provas que o incriminassem caso ele queira fazer algo contra Zechs, o primo da Relena. Entendeu?
– Mesmo assim... Não podia ter me consultado antes? – Quatre não conseguia se conformar.
– Eu me candidatei para falar com você, mas ela não quis... Disse que queria dar a noticia pessoalmente. Desculpe-me... – Heero finalizou.
Quatre assentiu com um gesto de cabeça e não falou mais nada. Levantou-se e saiu, fechando a porta atrás de si, passou pela Cléo que o olhava preocupada. Olhou para ela antes de continuar e perguntou.
– Você sabia?
– Ela me falou ontem de noite... E me mandou uma mensagem essa manhã se despedindo por um tempo... – Disse ela com pesar.
Quatre meneou a cabeça e sem muito animo entrou em sua sala e bateu a porta atrás de si. Caminhou até sua cadeira, sentou e apoiou o rosto entre as mãos e chorou. Quatre tem medo que algo de mal aconteça a sua amada. Não suportaria perde-la. E o fato dela estar em uma missão sozinha o faz sentir-se impotente, ele não estará lá caso ela precise dele e por mais que saiba que ela é totalmente capaz de voltar ilesa, o medo que o apavora, não desaparece.
Heero continuou estático olhando para a porta pela qual seu amigo saiu. Se sente culpado com tudo isso. Mas, não tem mais como voltar atrás. – O que está feito, não pode ser mudado... – Disse em voz alta para que pudesse ouvir suas próprias palavras. Decidiu então que se não tinha como reverter à decisão, tomaria todas as precauções necessárias para que nada ocorresse a Hadja. Pegou o telefone e fez uma ligação.
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Um taxi pára em frente a um enorme prédio de advocacia que leva o nome Palmer escrito na fachada e dele desce uma mulher muito linda de cabelo preto e corte chanel, estava vestida com um terninho azul marinho e um scarpin preto nos pés, seu andar é refinado e ganha os olhares interessados de cada homem por quem passa. É detida logo na entrada do elevador por um segurança que pede sua identificação, mostrando-lhe um crachá com o nome Anne Montana e o cargo de secretária embaixo do nome, Hadja consegue a permissão para adentrar o elevador.
Ao chegar ao quinto andar, saí procurando por sua sala, mas uma pessoa em especial lhe chama a atenção, um segurança loiro, alto e forte estava de costas pra ela, mas ela tinha a sensação de conhecê-lo, então ele se vira e ela o reconhece. Seus olhares se cruzam e ambos suprimem um sorriso que queria se formar em seus lábios. Hadja então teve certeza de que Heero estava cuidando de tudo para que nada de mal lhe ocorresse. Após trocar um olhar discreto de cumplicidade com Treize, ela continua seu caminho.
– Bom dia... – Disse ela sorrindo olhando para mulher com semblante cansado a sua frente.
– Pois não? – Disse a mulher com descaso.
– Poderia me informar onde será minha sala? – Hadja continuava sendo simpática.
– E quem é você? – A mulher continuava com mal — humor.
– Sou Anne Montana a nova secretária do doutor Palmer... – Hadja sorria.
– No próximo corredor a ultima sala é a dele, a sua mesa fica ao lado da porta... – A mulher falou e voltou a olhar para os papeis a sua frente, ignorando por completo a Hadja.
– Obrigada! – Disse Hadja educadamente e a mulher apenas fez um sinal de tanto faz com a mão.
Hadja continuou seu caminho e seguiu para o rumo indicado. Facilmente encontrou o local certo e foi se organizando na mesa a ela correspondida. Preparou tudo e ligou o computador.
– Veremos se já encontro alguma pista sobre você... – Sussurrou para si, olhando fixamente para a tela do computador.
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– Como assim? Heero te pediu em casamento? – Teyuki e Cléo gritaram eufóricas...
– Quietas... Por favor, o restaurante inteiro não precisa saber... – Relena falava olhando para os lados, envergonhada pelo escândalo feito pelas amigas.
As meninas estavam boquiabertas e sorridentes encarando a Relena. Elas estavam tão felizes com a noticia que mal conseguiam se conter e pouco se importavam com o fato de estarem em um restaurante fino e rodeadas por pessoas, que não paravam de encará-las por conta do grito.
– E o que você respondeu? – Teyuki foi a primeira a perguntar.
– Nada... – Disse Relena olhando com pena para a amiga.
– Como assim nada? – Cléo expressou sua indignação.
– Bem... É que... – Relena ficou encabulada de repente.
– É o que? – As duas perguntaram em uníssono.
– É que depois do pedido ele me beijou, eu o abracei, ele me pegou no colo e fomos pra cama... Hoje quando eu acordei, ele já tinha ido trabalhar... Foi isso – Ela ficou corada ao contar.
– Que fofo! – Disse Cléo com olhos brilhantes.
– Tudo bem... Dessa vez passou. – Disse Teyuki segurando um sorriso de maroto. – Mas, o que você dirá? – Agora as duas voltaram a olhar fixamente para Relena.
– Eu... Direi sim!
Todas comemoraram felizes e novamente se esquecendo de onde estavam Relena olhava para os lados pedindo desculpas pela gritaria que as amigas faziam, mas ao mesmo tempo não podia censurá-las, pois se sentia tão entusiasmada quanto elas.
Finalmente a felicidade sorriu pra mim... Acho que agora sim, poderei viver em paz ao lado do homem mais perfeito do mundo! Ah Heero... Eu te amo tanto... – Mas uma lembrança a trouxe de volta para a realidade...
– Ah sim, Cléo... Porque mesmo a Hadja não veio encontrar a gente? – Questionou Lena.
Cléo estava bebendo um gole de vinho e quando ouviu a pergunta da amiga se engasgou e quase mancha sua roupa com o vinho que derrubou, sua sorte foi o fato de estar com o guardanapo de pano no colo. Relena e Teyuki a acudiram ao ver a cena.
– Você ta bem? – Perguntou à morena.
– Si-Sim... – Cléo ficou nervosa e tentava a todo custo disfarçar. – É... É que ela teve que viajar Relena. – E disse com um sorriso sem graça.
– Mas, tão repentinamente? – Questionou a loira.
– Sim... Foi por motivos familiares... – Falou Cléo.
– Então, porque você não foi também? – Teyuki ficou curiosa. E Relena aguardou a resposta.
– Bem... Porque eu tinha que trabalhar. – A ruiva tentava se esquivar das perguntas.
– Mas, tenho certeza que Quatre e Heero teriam te dispensado por uns dias... – Concluiu Relena.
– Sim... Mas, eu não quis... Tenho muito trabalho acumulado. – Cléo não sabia mais o que responder. Relena e Teyuki não acreditavam muito na história.
– Tem certeza que está tudo bem? – Questionou Teyuki, intrigada.
– Claro que sim... – Disse Cléo se fingindo de ofendida. – Eu hein... Vocês duas tão convivendo muito com Trowa e Heero... Já tão até vendo pêlo em ovo!
Cléo pegou sua taça e deu mais um gole do vinho. Relena e Teyuki estreitaram o olhar para a amiga, depois se entreolharam e sem acreditarem muito na situação, decidiram esquecer o assunto pelo momento. Relena para descontrair, perguntou para Teyuki como ia seu namoro com o Trowa e o sorriso se estampou no rosto da morena que começou a falar alegremente sobre o quanto seu amor era perfeito.
Relena e Cléo riam das caras de apaixonada e sonhadora que a amiga fazia toda vez que falava o nome do namorado. Ainda concentrada e divertindo-se com a narração de Teyuki, Relena vê que recebeu uma mensagem no celular e pega para lê-la. Fecha a expressão ao ler o nome de identificação no visor do aparelho. Ao vê-la séria as meninas param de conversar e perguntam o que aconteceu.
– Recebi um sms... – Falou sem tirar os olhos do visor.
– E de quem é? – Perguntou Teyuki.
– É do David... – E ela concluiu. As amigas se entreolharam.
– E o que fala? – Perguntou Cléo.
– Não tive coragem de ler... – Relena agora levantou o rosto e olhou para as amigas.
Cléo estendeu o braço e pegou o aparelho da mão da loira e clicou para ler a mensagem. Relena estava apreensiva esperando a noticia de qual seria a mensagem que seu ex lhe enviou. Cléo após ler, levanta o rosto e fala olhando fixamente para Relena.
– Ele quer te ver...
– Me ver? Para que? – A loira questiona.
– Não sei... Ele só pediu que você fosse vê-lo no hospital... – E a ruiva finalizou.
– Você não vai... Né Relena? – Teyuki ficou preocupada.
– Claro que não. – Disse Relena para acalmá-la.
– Certeza? – Cléo leu o rosto da amiga e desconfiou.
– Certeza. – Relena sorriu em resposta para assegurá-la. Cléo continuou a encarar a amiga desconfiada e Teyuki pedia o cardápio de entrada.
Mas, o que será que David quer comigo dessa vez. Será que é algo relacionado com Zechs? Ou algo contra Heero? Não... Não deve ser nada de importante, ele deve apenas querer me pedir para voltar para ele... Exato. Ou não... Talvez eu deva ir. Mas, Heero não pode saber disso... De jeito nenhum, então tenho que fazer Cléo acreditar em mim...
Ao notar que a ruiva não tinha aceitado a resposta e ainda duvidava, a loira decidiu mudar o assunto para ver se conseguia fazê-la esquecer daquilo, então imitou Teyuki e começou a escolher uma salada como entrada.
– Então meninas? O que decidiram? – Lena sorria.
– Eu vou pegar uma salada de Camarão com Vieiras... – Disse a morena. – E você Cléo?
– Hum... Não tenho certeza ainda, mas acho que ficarei com a salada Camponesa. – Falou Cléo, finalmente desviando o olhar da loira e dando atenção para o cardápio. – E você Lena?
– Ficarei com a salada de peru com amêndoas... – E finalmente se sentindo mais tranqüila, sorriu.
O garçom anotou os pedidos e saiu. O restante do almoço correu bem e David não foi mais citado na mesa. Relena traçava idéia com as amigas de qual seria a melhor estação para se casar e onde ela deveria passar a lua de mel. As garotas empolgadas davam idéias de como deveria ser a festa e Relena se divertia com as opções...
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Hiko abriu a porta do quarto onde David estava internado e viu o rapaz dormindo, olhou para a poltrona ao lado dele e viu Alicia que havia passado toda a noite com o filho também descansando. Meneou a cabeça e a contragosto fechou a porta. Dirigiu-se para o refeitório do hospital e sentou em uma cadeira e apoiando o rosto entre as mãos, pensativo.
Uma linda médica o viu parecendo desanimado e resolveu se aproximar, intrigada com o motivo dele estar sozinho por achá-lo muito atraente. A jovem médica elegantemente se aproximou do homem e tocou o ombro dele, ganhando sua total atenção.
– Boa tarde, senhor... Está tudo bem? – Perguntou ela. Hiko olhou para ver quem o abordara e contemplou uma linda mulher. Ela tinha o cabelo cacheado castanho escuro e os olhos azuis escuro, sua pele era bem clara, aparentemente ela tinha por volta de quarenta e cinco anos, mas se vê de longe que sempre se cuidou. A beleza dela era tamanha que ele demorou alguns instantes para responder e ela insistiu. – Senhor...
– Desculpe... – Disse Hiko agora se levantando da cadeira. – Eu estava divagando em meus pensamentos. – Ela sorriu pra ele.
– Eu pude notar que o senhor estava distraído, porém seu semblante era tenso e triste... Posso ajudar? – Os olhos da mulher brilhavam para ele.
– Eu creio que não... É um assunto familiar. – Hiko não conseguia desviar os olhos dos dela.
– Sente-se... – Ela apontou para a cadeira e ele assim o fez, ela o imitou ficando em sua frente. – Muito prazer... Sou a doutora Amanda St-Pier. – Ela estendeu a mão pra ele e selaram o comprimento. – E o senhor seria?
– É um prazer conhecê-la doutora, sou Hiko Yui.
– O prazer é todo meu senhor Yui. Importa-se de eu perguntar qual seria seu problema familiar? – Ela estava interessada e ele ficou intrigado com a pergunta.
– Desculpe, mas... Qual sua especialidade doutora? – Ela então sorriu.
– Sou psiquiatra. E adoro casos de família... – Hiko então sorriu. Entendeu o porquê da pergunta.
– Meu problema... – Hiko pensou em falar algo, mas começou a rir. – Por acaso está tentando me consultar doutora?
– Não. – Ela riu de volta. – Se eu quisesse consultá-lo, marcaria hora e lhe encontraria em meu consultório. No momento só estou curiosa. – Amanda jogava seu charme para Hiko.
– É casada? – Perguntou ele notando o interesse dela.
– Divorciada. – Ela apenas respondeu.
– Pois eu sou casado. – As feições da médica mudaram e ela tentou disfarçar a vergonha que sentia. – E recentemente, descobri que o meu enteado é um bandido que violentou a ex-noiva e minha mulher acha que ele é a vitima. – Hiko decidiu ignorar o fato dela ter mudado sua expressão com a nova descoberta. Amanda franziu o cenho com a história. Sua vergonha momentânea foi ignorada e ela começou a se interessar pelo caso como profissional.
– Agora sim, acho que deveríamos marcar um horário. – E ela sorriu e lhe foi recíproco.
– Sabe-me dizer como lidar com esse assunto? – Perguntou Hiko sorrindo.
– Onde está seu enteado agora? – perguntou Amanda...
– Internado aqui, porque alguém quis vingar o que ele fez pra moça. – Ele falou monotonamente.
– Entendo... Qual o quarto dele? – Ela tirou uma agenda e anotou as coordenadas.
– Quarto 612... Por quê? – Ele ficou intrigado.
– Quero entender o que se passa na cabeça dele antes de lhe responder como deve agir... – Ela falou levantando da cadeira e ele a imitou cortesmente. – Como ele se chama?
– O nome dele é David Palmer e sinceramente doutora, a única cura que vejo para ele é a prisão. – Hiko falou abrindo a carteira e tirando um cartão de dentro dela, depois estendeu o pedaço de papel para que a médica pudesse pega-lo. – Mas, vou deixá-la dar uma olhada no caso antes. Esse é meu cartão me avise quando tiver alguma novidade, está bem?
– Sim senhor Yui, assim o farei... – Ela lançou um olhar para o pedaço de papel em sua mão e depois sorriu para aquele homem tão atraente que ela descobriu ser casado.
Amanda se virou e saiu. Hiko a observou e pela primeira vez em todos esses anos de casado com Alicia sentiu seu coração acelerar por outra mulher. Afastou esses pensamentos que se formavam em sua mente com respeito à doutora abominando-os. Nunca traiu sua mulher e não seria agora que o faria. Por ser um homem de princípios nobres odiava todo tipo de traição e não aceitaria que nada deturpasse sua conduta.
Hiko desistiu de ficar ali e foi direto para o quarto de David. Abriu a porta e ainda vendo os dois dormirem, cansou de esperar e fechou a porta atrás de si e acordou Alicia. Ela sorriu para Hiko e ele pediu que ela fosse comprar algo para ele beber, Alicia reclamou do pedido do marido, mas ele voltou a falar com ela em tom de ordem. Vendo que Hiko não estava bem para reclamações, a contragosto Alicia pegou sua bolsa e saiu do quarto deixando Hiko com seu filho.
Após a mulher sair e fechar a porta ele sem nenhum cuidado pegou um copo de água que estava na cômoda ao lado da cama e despejou todo o conteúdo na cara de David, que acordou assustado e irritado com a situação. Ao se virar para ver quem fez aquilo com ele se encontrou com o olhar frio e duro de Hiko. Então, engoliu em seco...
– Hiko? Que... Que honra tê-lo aqui... – David estava amedrontado.
– Por favor... Não seja falso. – Hiko era duro.
– Fa... Falso? De onde tirou isso? – David estava preocupado com a situação.
– Me deixa ser bem claro com você... Eu já sei de tudo... Absolutamente tudo! Dês do fato de você ter violentado a Relena até o porquê de você estar nessa cama de hospital... Como eu disse... Tudo. – David estava branco como um papel. Se Hiko estava ali era porque as coisas não estavam boas para seu lado e ao ouvir que ele já estava por dentro do assunto o deixava desesperado.
– Vi-violentado? Que palavra mais forte... Não foi bem assim... Eu posso explicar! – Ele tentava inutilmente se justificar.
– Cale sua boca seu verme! – Hiko gritou. E David ficou mudo. – Se quer se explicar faça isso para o juiz, porém duvido que resolva... Por que farei tudo o que estiver ao meu alcance para vê-lo apodrecer na cadeia! – O homem olhava para o rapaz com ódio no olhar.
– Como assim? Hiko... Você precisa acreditar em mim... – David agora se levantou da cama e foi se ajoelhar na frente dele segurando no tecido da calça de Hiko.
– Me solta seu lixo! – Ele olhava com desprezo para David. – Fique o tempo que quiser internado aqui... Mas, lembre-se que a conta do hospital será paga por você e para minha casa, você não volta nunca mais! – Hiko encarou friamente a David e falou pausadamente cada palavra. Depois se virou e saiu.
David estava de joelhos no chão e com os olhos arregalados olhava de um lado ao outro desesperado. Começou a falar para si mesmo que não fez nada... Que era inocente. Abraçou o próprio corpo e se balançava para frente e para trás. Passou a mão pela cabeça e começou a apertar as têmporas.
– Sou inocente... Sou inocente... Estão mentindo... Eu nunca faria isso com ela... Eu amo a Relena e ela me ama... Sim, ela me ama e vamos nos casar! Ela disse que quer ficar comigo para sempre! Foi isso que ela me disse.
David chorava sem perceber. Continuou no chão por mais alguns instantes até que recuperando o fôlego e com um olhar estranho se levantou. Secou as lagrimas e sentou na cama como se nada tivesse acontecido. Ficou parado olhando fixamente para o nada, até que sua mãe entrou.
– Hiko... Aqui está o que me pediu... – Disse ela fechando a porta do quarto e quando de virou, não encontrou o marido ali. Confusa, procurou por ele até mesmo no banheiro e não o encontrando e vendo que seu filho já despertará, decidiu perguntar. – Querido, onde está seu padrasto?
– Hiko? – David perguntou ainda olhando para o mesmo ponto de antes e então devolveu um olhar insano para a mãe e com um sorriso maligno no rosto, que ela não notou, respondeu. – Ele acabou de sair. Disse que veio ver se eu estava bem... E que é para eu descansar e me recuperar devidamente. Mandou um beijo para você... Mãe! – Alicia sorriu acreditando nas palavras do filho.
– Bom querido... Então deixarei esse suco aqui para você e me retiro para tomar um banho e descansar. Mais tarde volto! Está bem?
Ela deu um beijo na testa do filho que apenas assentiu com um gesto de cabeça e ela saiu tranqüila. David voltou a olhar para o ponto fixo de antes com o olhar vazio...
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Heero estava saindo da sala quando resolveu passar pela sala de Quatre. Abriu a porta sem pedir permissão e viu o amigo estático sentado em sua poltrona olhando para a foto de Hadja em cima da mesa. Os olhos vermelhos, conseqüência do choro, mas agora secos. Quatre não se moveu e nem ao menos percebeu não estar mais sozinho.
– Treize está cuidando dela! – Disse Heero ao se aproximar da mesa e sentar na cadeira de frente ao amigo. Quatre então se surpreende com a presença de Heero.
– Treize? – Ainda confuso, pergunta. – O que tem o Treize?
– Ele está cuidando da Hadja. Eu o infiltrei como segurança no prédio. É minha forma de garantir o bem estar dela e me desculpar com você! – Heero apenas disse.
– Mas, Treize estava ocupado cuidando do caso de proteção a testemunha. – Disse Quatre estranhado.
– Lady Une agora está no comando do caso da testemunha e mandei Tom para substituir o Treize com ela e Kimberly.
– Mas... Wufey ficará possesso de raiva. – Disse Quatre agora desencostando da poltrona e debruçando sobre a mesa, pensativo.
– Problema dele... Hadja é muito importante para nós e eu precisava do nosso melhor homem para protegê-la. Por outro lado, Kimberly e Tom São bons em serviço e Lady Une é a melhor agente feminina nossa e uma líder nata. Saberá liderá-los no lugar de Treize. – Heero continuava no seu tom monótono e tranqüilo de falar. Quatre então olhou para o amigo emocionado.
– Obrigado Heero! – O loiro disse por fim e seu coração começava a ficar mais tranqüilo.
– Se quer mesmo me agradecer levante e vamos almoçar. A Cléo já deve estar voltando do horário de almoço e nós nem saímos ainda.
Heero levantou da cadeira e esperou que Quatre o imitasse. Agora com os ânimos mais calmos o loiro levantou e saiu junto com o amigo. Os dois entraram no carro do loiro e foram para um restaurante italiano, porque Heero assim o quis.
Cléo descia do táxi bem a tempo de ver seus chefes saírem de carro para comer. Vê-los juntos a alegrou. Não gostava de vê-los brigarem, sempre achou a amizade que os dois têm algo admirável e pensar que isso podia ser abalado, a assustava demasiadamente.
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Hadja ainda investigava o conteúdo do computador da secretária de David quando uma mulher vem falar com ela, era uma funcionaria do escritório.
– Você não vai almoçar? – Pergunta a moça curiosa com a novata.
– Como? – Hadja se sobressalta com a pergunta por estar compenetrada em sua pesquisa.
– Almoçar... Já está acabando o horário de almoço e aqui não aceitamos atrasos. – Disse a mulher impaciente.
– Ah sim... – Hadja olhou para o relógio em sua mesa e confirmou o que aquela mulher dizia. – Me desculpe... Estava me familiarizando com o serviço...
– Não me interessa – A mulher a cortou. – Faça como quiser, mas esteja de volta no horário. – E dizendo isso a mulher deu as costas para Hadja e saiu.
– Credo... Todo mundo aqui é mal-humorado e mal-educado? – Perguntou para si, pegando sua bolsa – E eu estou realmente enferrujada, preciso ficar mais atenta. – E saiu para comer algo rápido e voltar no horário.
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David continuava olhando fixamente para um ponto no quarto de hospital quando uma batida na porta o chama para a realidade. Parecendo um robô ele levanta a cabeça, olha para porta e manda entrar.
Seus olhos brilham quando ele vê quem chegou. Relena ainda parada na porta olha para ele incerta se deveria ou não entrar. Decidida a acabar com aquele terrorismo, ela levanta a cabeça, respira fundo e entra, fechando a porta atrás dela.
– Meu amor... Você chegou! – Disse David sorrindo. Relena estranha a atitude dele.
– David... Eu não sou seu amor... – Ela falou ríspida. – Como soube que eu tinha voltado para casa?
– Eu... Não sabia. Eu senti! Somos ligados um ao outro meu amor. – Ele dizia com o olhar alucinado.
– David... Você está bem? – Aquilo a estava assustando.
– Claro que sim amor! Sempre que estamos juntos eu fico bem!
– Pára de me chamar de amor... Eu e você já não temos mais nada! – A paciência dela estava acabando.
– Esta bem meu docinho... Está melhor assim?
– David! – Ela gritou incrédula. – Nós já não temos mais nada... Agora eu sou a mulher do Heero e vou ter um filho dele...
Ele apenas a olhava com um sorriso no rosto. Nada dizia e pouco respondia. Até que o nome Heero fez com que ele fechasse as feições e olhasse para ela transtornado. Relena deu dois passos para trás e o olhar dele fez seu corpo arrepiar.
– Relena... Desculpe... Eu não estava lá para protegê-la... Mas ele irá pagar... Eu juro que ele irá pagar! – Ele olhava fixamente para ela.
– Pagar? Desculpa? Do que está falando? – Ela estava assustada.
– Heero... Ele te violentou! Perdoe-me por não tê-la protegido...
– Heero? Foi você quem me violentou! – Ela voltou a gritar.
– E... Vamos ter um filho? Relena meu amor... Você está grávida de um filho meu? – David levantou da cama e se aproximou rapidamente dela que se encostou à parede atrás com medo.
– Você está maluco David? – Ela disse preocupada pelo estado dele.
– Eu não estou louco! – David gritou a plenos pulmões.
Relena se encolheu tremendo. Olhava para David e algo lhe dizia que fez muito mal em ir ali. Olhou para a porta, porém ela estava longe demais e sabia que se tentasse correr ele a impediria. David ficou analisando ela de um lado e do outro até que se acalmou, então abaixou para tocar o rosto dela.
– Eu farei eles pagarem por todo o mal que nos fizeram... – Sussurrou.
– Eles? – Ela perguntou.
– Sim... Heero e Zechs. – Ela arregalou os olhos. – Heero por ter te violentado e tentado te tirar de mim. E Zechs por ter me batido... – David sorriu.
– Não... Por favor... Deixe-os em paz! – As lagrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.
– Não... – Ele a olhava com os olhos arregalados e continuava a falar. – Não posso deixá-los impunes. – Falou baixo bem perto do ouvido dela.
– Por favor... Não faça nada contra eles...
David deitava a cabeça de um lado ao outro analisando as reações dela, então olhou para o chão pensativo, para depois sorrir para ela e dizer.
– Ótima idéia meu amor... Quero dizer, meu docinho... Vamos fugir... Só nós dois e nosso filho e os deixaremos aqui abandonados. Essa seria uma excelente vingança contra eles! – Ele falava concordando com a cabeça o seu raciocínio. Ela estava atordoada. – A sua idéia foi maravilhosa!
Relena ficou pálida como o papel, olhava para David amedrontada. Não sabia o que havia passado com ele, mas era visível que ele não estava mais são e isso a deixava desesperada. Como poderia fazer para sair daquele quarto?
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Hadja já havia voltado do almoço antes mesmo de acabar o tempo de descanso. Aproveitou que as maiorias dos funcionários ainda não haviam chegado e entrou rapidamente na sala de David, ligou o computador dele e começou a percorrer as pastas tentando encontrar algo de útil. Viu uma pasta que levava o nome de Alicia Palmer e entrou para ver seu conteúdo. Surpreendeu-se com o que encontrou. Seu olhar de brando passou para incrédulo. Rapidamente, inseriu um pendrive e começou a copiar a pasta.
– Já tenho um bom motivo para incriminar você e sua mãezinha! Bingo... Heero vai adorar isso! – Hadja sorriu de satisfação e continuou vasculhando o computador dele...
Continua...
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