Ainda estava parado no mesmo lugar, o freezer estava aberto, o sangue corria em minhas mãos, a bolsa de sangue agora estava vazia mas eu ainda a segurava. Minha camiseta estava toda suja assim como minha boca.

Os passos se aproximavam de mim, mas eu não tinha coragem de olhar para trás. Estava com um frio na barriga, minhas penas tremiam e estava paralisado.

– O que você fez aqui? — Disse a voz agora um pouco mais perto, de repente na minha frente surge um garoto, era o mesmo lindo garoto que estava conversando com Nick aquela tarde.

– Eu.. eu.. — Minha voz não saia, por mais que eu tentasse me explicar era inútil, mas para minha surpresa o rapaz não estava tão impressionado.

Outra pessoa no lugar dele já teria gritado, pedido ajuda, mas o rapaz apenas me olhava surpreso. Ele não se impressionou com a cena, o que me deixou intrigado.

– Tranque a porta — Ele disse gentilmente pegando a bolsa de sangue vazia das minhas mãos

– Mas.. — Gaguejei

– Você quer que alguém veja isso? Tranque a porta agora — ele disse agora um pouco mais agressivo

Mesmo estando confuso e ainda chocado, eu não queria que ninguém visse aquela cena, claro que eu seria expulso da faculdade e poderia até ser preso ou processado por roubar sangue do laboratório. O Rapaz limpou onde havia pingado sangue, depois fechou o freezer, jogou a bolsa de sangue no lixo e jogou outras coisas por cima para esconder.

– Preciso tirar você daqui — Ele disse procurando algo pelo local

Ele pegou um jaleco que ficava ali para o uso dos alunos e pediu que eu vestisse. Assim eu fiz, depois coloquei as mão no bolso como ele pediu, e saímos do laboratório. O rapaz ia me dando cobertura, quando alguém passava ele pediu que eu me virasse de costas, eu estava de cabeça baixa pois ainda havia marcas de sangue pela minha boca. Fomos assim até o dormitório, lá pedi a ele que entrasse primeiro, e me avisasse caso nick estivesse lá, mas o garoto não estava então entrei rapidamente e depois fechei a porta.

– Agora vá tomar um banho, antes que Nick volte pro quarto — Disse o rapaz com a voz baixa

Eu caminhei até o banheiro, tirei a roupa e fiquei de frente para o espelho antes de entrar no chuveiro, eu estava aterrorizante, com sangue nas mãos, na boca. Meus dentes agora tinham voltado ao normal, mas eu ainda me sentia um monstro. entrei debaixo do chuveiro e fiquei olhando enquanto a água vermelha entrava pelo ralo. Me agachei em baixo do chuveiro e comecei a chorar. Eu tinha me tornado um monstro. Tantas pessoas querem ser bruxas, vampiros e isso foi acontecer logo comigo, eu nunca quis isso, eu só queria ser uma pessoa normal, ter uma vida normal.

Depois que sai do banho, vesti uma roupa mais confortável e coloquei a roupa cheia de sangue em uma sacola. Sai do banheiro secando meu cabelo com a toalha, me surpreendi com o rapaz que ainda estava ali, sentado na beira da minha cama, reparei um pouco mais nele agora, tinha o cabelo castanho claro, jogado nos olhos, tinha um rosto lindo, sua boca vermelha chamava minha atenção demais, seus olhos castanhos claros eram perfeitos, ele tinha um corpo bem definido, usava roupas apertadas o que mostrava ainda mais seus músculos.

– Porque você me ajudou? — Perguntei ao olhar para o garoto, ele me olhava com um sorriso de canto

– Eu esperava um obrigado — ele falou sorrindo de canto, era um sorriso lindo

– Obrigado

– Desculpa não me apresentar, sou Jhonny — O rapaz estendeu as mãos para mim

– Eu sou Charlie — respondi aceitando o cumprimento do rapaz, depois me sentei ao lado dele na cama

– Charlie, acho que você é um novo vampiro certo? mas não faça mais isso ok, se alimentar aqui não é uma boa idéia, muito menos com sangue do laboratório — Disse o rapaz com a voz mais calma agora

– Eu não queria, mas não consegui me controlar... espera como você... então você...

– Sim, eu sou um vampiro também Charlie — Respondeu Jhonny me interrompendo

– Então você sabia o que eu era?

– Na verdade não, no dia em que eu te vi aqui, quando eu estava conversando com Nick e você estava atrás da porta... Bom você me lembrou alguém muito especial, você se parece muito com alguém que foi importante pra mim, não quero assustar você, mas a partir desse momento eu comecei a seguir você. Vi quando você entrou no laboratório, então fiquei do lado de fora, quando senti cheiro de sangue eu entrei, pensei que estivesse precisando de ajuda.

– E eu estava... eu senti o cheiro do sangue no laboratório, estava com uma sede incontrolável, não consegui resistir. Eu sinto muito pelo que fiz, sinto muito pelo monstro que me tornei — Eu disse isso e voltei a chorar

– Não fique assim, sei como é difícil nos primeiros anos, mas com o tempo você se acostuma. — Disse o rapaz com a mão em meu ombro

– Obrigado outra vez, se alguém tivesse me visto, eu estaria encrencado uma hora dessa

– Muito pior, Charlie você tem que saber que aqui há muitos fundadores

– Fundadores? — Perguntei confuso

– Fundadores, são humanos que sabem da existência de nós vampiros, eles vivem em segredo assim como nós. Nos caçam e nos matam, foram ensinados a serem assim por gerações e gerações. Não se arrisque mais se alimentando aqui, se estiver precisando e se perceber que está perdendo o controle, peça minha ajuda, eu te ajudarei com maior prazer

– Obrigado Jhonny

– Tudo bem, acho que você precisa de alguém pra te ajudar, e saiba que eu vou ajudar você sempre que precisar

– Porque? você não me conhece, porque se preocupa tanto comigo?

– Bom, primeiro que você é um de nós e outra que eu já disse, você me lembra alguém que foi muito importante pra mim,

– Sou mesmo parecido com essa pessoa?

– Sim, é impressionante, seu rosto, seus olhos, sua pele — Disse o rapaz passando a mão sobre meu rosto, senti sua pele macia e perfumada acariciando meu rosto

Nessa hora a porta se abriu, Nick entrou de repente e pela cara não gostou muito de ver aquela cena. jhonny encolheu a mão depressa e se levantou da cama. Nick lançou um olhar de reprovação para o amigo e me olhou com cara de poucos amigos.

– E ai Nick — disse Jhonny tentando aliviar o clima tenso que se estabeleceu pelo lugar

– Jhonny, o que faz aqui? — Perguntou Nick ainda sério

– Bom, vim procurar você, e como não estava resolvi bater um papo com seu novo colega de quarto

– Ele não fugiu de você? — riu Rick ao dizer isso

– Fugiu? — Me assustei com o comentário de Nick, será que ele sabia sobre os vampiros?

– é, você saiu correndo quando eu perguntei de onde você veio — Respondeu Nick, me senti aliviado quando percebi que era sobre isso.

– Eu estava me sentindo mal, precisava de ar puro, as vezes tenho isso — Respondi depois me virei de costas para os garotos

Nick e Jhonny soltaram uma risada, depois os dois saíram pela porta. fiquei sozinho no quarto, estava me sentindo melhor agora. Já era cinco da tarde, o sol estava um pouco mais fraco, deixando o apartamento um pouco escuro. fui até a porta para acender a luz, o interruptor ficava ao lado da porta. quando cheguei lá Nick abriu a porta de repente e entrou olhando para mim como se quisesse me estrangular ou algo do tipo.

– O que foi? — Perguntei ao garoto

– Você e Jhonny? o que rolou entre vocês dois? — ele perguntou furioso

– Nada, ele e eu estávamos conversando enquanto você não chegava

– Mentira — Nick gritou isso e partiu pra cima de mim, o garoto me derrubou no chão e ficou segurando meu pescoço, eu estava um pouco sem ar, ele ficou em cima de mim sentado nas minhas pernas, o que seria muito excitante se eu não estivesse assustado e com falta de ar por ele estar segurando meu pescoço.

– É verdade — eu disse com dificuldade, minha voz saiu fraca

– Ele estava alisando seu rosto, não sou idiota, ninguém conversa alisando o rosto de alguém

– Nick me solta por favor — Pedi mais uma vez tentando empurrar o garoto de cima de mim, mas ele estava firme, segurando meu pescoço com muita força.

– Vou soltar, mas me diz a verdade o que rolou entre vocês dois? — Ele insistia

– Nada, que droga eu nem conheço ele, — Falei finalmente conseguindo me livras das mãos de Nick

Eu sai correndo do quarto, Nick veio atrás de mim. Resolvi pegar a escada, não queria que ele me alcançasse e se eu fosse esperar o elevador com certeza ele me pegaria outra vez. Nick me seguiu até a escada, eu olhava para trás e corria, o garoto vinha em minha direção. Eu estava descendo as escadas o mais rápido que podia, foi quando tropecei em uma caixa que estava ali e sai rolando escada abaixo. Eu não me lembro de muita coisa, apenas de alguns olhares me olhando enquanto eu estava deitado no chão.

Quando acordei estava em uma sala branca, tinha algumas camas do lado vazias, algumas cadeiras de rodas espalhadas pelo local. Era um quarto de hospital. Ao lado de minha cama estava Nick, me assustei ao ver o garoto, estava prestes a gritar chamar alguma enfermeira ou alguém, mas Nick tapou minha boca com as mãos

– Não grite Charlie por favor, não vou te fazer mal — Ele disse depois soltou minha boca aos poucos

– Estou aqui por sua causa — Respondi

– Desculpa, eu sinto muito mesmo, nunca foi minha intenção machucar você

– Então porque quase me enforcou?

– Achei que você tivesse tido algo com Jhonny, eu fiquei com raiva, as vezes não consigo controlar minha raiva, mas eu não queria te machucar, fiquei aqui esperando você acordar pra dizer que eu sinto muito

– Sai daqui — Respondi friamente

O rapaz me olhou outra vez, depois saiu da quarto. em seguida entrou um médico, percebi pois ele estava vestido de branco, estava com um papel nas mãos.

– Pode voltar para seu dormitório — ele disse

– Já estou bem?

– Por incrível que pareça você não quebrou nada, e não tem nenhum hematoma, é estranho, mas você está bem sim — Respondeu o médico surpreso

Eu me levantei da cama, não estava sentindo dor nenhuma, estava melhor do que antes. Caminhei até a porta e sai, notei que estava na enfermaria do campus da faculdade. voltei para dentro do prédio, fui até meu dormitório Dei um grito ao abrir a porta do meu quarto e ver Nick no chão com os pulsos cortados, ele ainda segurava o estilete em uma das mãos, estava caido com os braços cheios de sangue.

Ao ouvir meus gritos, todos sairam de seus quartos e correram até lá. Não demorou muito para que o socorro chegasse. Levaram Nick para o hospital da cidade pois seu caso era mais grave.