Doce Sangue
5 Primeira vítima
Dormi em outro quarto a noite passada, não queria ficar no mesmo quarto onde Nick tentou tirar a própria vida. Ainda não entendia o motivo do garoto ter feito isso, não poderia ser por minha causa, mesmo depois de tudo ele sabia que eu estava bem, não era necessário tudo isso. Essa foi a primeira noite que eu passei acordado dês de que cheguei aqui. De manhã me levantei da cama, eu estava no quarto de um colega de classe. Tomei uma ducha, me vesti e segui para minha aula. Fiquei em silêncio durante toda aula, encarando os olhares de alguns alunos para mim, olhares curiosos, todos queriam saber o que tinha acontecido, mas mal sabiam eles que eu também não sabia de nada.
Depois que a aula terminou, fui até a lanchonete do campus. Sofia estava sentada em uma das mesas, me aproximei da garota ela estava lendo um livro que eu não fui capaz de ver, ela o colocou rápido na bolsa assim que eu me aproximei.
– Já está sabendo o que houve? — Eu disse me sentando de frente pra garota
– Sobre Nick, sei sim. Vou visita lo no hospital a tarde, depois da nossa última aula — Ela disse pegando um copo de suco que estava na mesa bem a sua frente
– Sério? posso ir com você? — Pedi, eu precisava ver o garoto, perguntar o que motivou ele a fazer aquilo
– Claro, o hospital fica aqui bem perto, eu espero você no final da aula no portão
– Está bem
Depois pedi um suco, não conseguia comer nada, fiquei ali conversando com Sofia até que terminei de beber o suco. Fui então para o dormitório, entrei no meu quarto finalmente, tive coragem de encarar o lugar depois do susto do dia anterior. Ao entrar no quarto notei que alguém estava ali mexendo nas coisas de Nick, reconheci o rapaz mesmo de costas, era Johnny. Ele estava segurando um retrato de Nick nas mãos, algumas lágrimas escorriam de seu rosto.
– Está tudo bem — Perguntei ao ver o garoto naquele estado
– Não — o garoto correu para perto de mim e me abraçou
Eu retribui o abraço, ele chorava nos meus ombros e tudo o que eu podia fazer era o confortar, dizer que tudo ficaria bem. Eu alisava o cabelo do rapaz enquanto ele chorava deitado em meu ombro. Depois de um tempo desfez o abraço e se sentou a meu lado na minha cama
– Ele era seu melhor amigo não é? — Perguntei assim que o garoto estava mais calmo
– Nick foi mais do que um amigo — ele falou alisando o porta retrato com uma foto dele e Nick juntos em um acampamento
– Foi um irmão? Não é?
– Não, Nick era meu namorado, minha vida, quem eu mais amava
– Sério — Eu fiquei chocado com a revelação
– Sim, A gente tinha planos de ficar juntos, nos formar comprar uma casa, morar juntos. Mas algumas circunstâncias nos separou, Nick queria voltar, continuar nossa relação mas eu não podia aceitar, por isso ele ficou tão irritado quando você pegou a vaga no quarto, ele queria que eu ficasse aqui para tentar me reconquistar e tal... Mas na verdade foi eu quem pedi a direção para que colocasse você aqui com ele
– Então você poderia ter ficado aqui no quarto com ele e não quis? Porque? achei que era o que você mais queria
– Eu não posso mais me aproximar de Nick, eu ainda posso ser amigo dele, mas jamais algo a mais
– Porque?
– Quando a gente estava junto, eu descobri que Nick faz parte dos meus antepassados, é como se ele fosse da minha família entende, o mais grave de tudo é que ele também é filho de Fundadores, os humanos que caçam vampiros. Nick não sabe sobre nossa existência, os pais deles são pais adotivos, e a regra do fundador é apenas passar seus ensinamentos para os filhos de sangue. Por isso Nick não sabe nada, eu também não posso contar a ele, então o melhor é manter ele afastado, apenas como um amigo.
– Sinto muito, deve ser uma barra ter que enfrentar tudo isso
– Você é uma ótima pessoa Charlie, você não é só fisicamente parecido com ele, mas tem o coração bondoso igual ao dele... isso é incrível — Falou o rapaz, eu fiquei intrigado
– Igual a quem? — Perguntei confuso
– Nada, esquece, estou falando bobagens. Te vejo depois — Disse o garoto enxugando as lágrimas e saindo rapidamente do quarto. Ele deixou o porta retrato em cima da cama de Nick.
Eu fui até lá e fiquei admirando o porta retrato, até que me assustei com a hora, já estava atrasado para as últimas aulas da tarde. Corri para minha sala, consegui chegar a tempo a professora ainda não estava na sala. depois que a aula começou deixei os pensamentos de lado para focar na aula.
Assim que terminou as últimas aulas do dia, fui até o portão onde Sofia pediu que eu a encontrasse. Ela estava lá em pé com seus longos cabelos jogados no ombro, ela estava com um sorriso de canto falando no celular. Assim que me aproximei a garota desligou, e me cumprimentou
– Vamos — Ela disse suspirando
– Sim — Respondi empolgado
Nós caminhamos pela rua lado a lado, Sofia me mostrava alguns lugares da cidade que eu não conhecia, chegamos rápido ao hospital, realmente não ficava tão longe. Era um prédio enorme, havia uma escada e no final da escada uma porta de vidro. Sofia foi na frente eu acompanhei a garota, ela entrou primeiro, eu a segui. Ela perguntou sobre Nick na recepção, uma moça jovem loira, pegou um telefone e fez uma ligação, depois voltou a recepção
– Desculpa meus amores, Nick Jonson teve alta hoje de manhã, ele passou a noite no hospital, mas o médico disse que ele estava bem e seus pais preferiram levar ele pra casa — Disse a moça educadamente, muito simpática
– Ah obrigada — Respondeu Sofia com um sorriso simpático
– E agora — perguntei ao dar de costas para o balcão
– A casa dele não fica longe — Disse Sofia
Eu acompanhei a garota pela rua outra vez. Caminhamos um bom caminho até uma casa simples que ficava em uma esquina. Sofia tocou a campainha e o portão se abriu, nós entramos, antes de chagar a porta da casa tinha um jardim muito bonito cheio de flores. Assim que nos aproximamos da porta, Sofia deu algumas batidas
– Já vou — ouvimos uma voz de dentro da casa
Logo em seguida, uma mulher de aparência jovem abriu a porta, ela tinha os cabelos presos na cabeça, usava roupas bem comportadas e não tinha nenhum sinal de maquiagem no rosto. Ela olhou para gente simpática e sorridente.
– Olá Sofia — disse a mulher, em seguida Sofia foi até o encontro da mulher e lhe deu um abraço, elas estavam dentro da casa de Nick,
Eu me aproximei da porta e tentei entrar para também cumprimentar a mulher, mas eu não consegui, tentei várias vezes entrar mas era como se houvesse uma parede invisível ali na porta, eu não conseguia passar dali. Achei melhor não tentar mais entrar, pois pareceria estranho essa minha reação, e a mulher poderia desconfiar de algo.
– Viemos ver Nick, esse é meu amigo, o novo colega de quarto do seu filho — Disse Sofia apontando para mim que ainda estava do lado de fora da casa.
– Ora, entre, meu filho vai ficar feliz em vê los — Disse a mulher
Eu dei um sorriso e me aproximei da porta, estava morrendo de medo de não conseguir entrar, com certeza isso seria muito estranho. Mas quando eu me aproximei da porta dessa vez, consegui entrar normalmente, era como se aquela parede invisível tivesse desaparecido. Eu cumprimentei a mulher com um abraço depois ela nos levou até o quarto de Nick
– O quarto dele é ali, pode entrar ele está acordado — Disse a mulher apontando uma porta ao final de um corredor branco muito iluminado
Depois a mulher se afastou e nos deixou ali sozinhos
– Sofia, eu quase não consigo entrar aqui, o que foi que aconteceu? Essa casa tem algum feitiço? — Perguntei baixinho para a garota que estava do meu lado
– Não, Você é um vampiro agora, não pode entrar na casa das pessoas a não ser que elas convidem você a entrar — Ela respondeu sussurrando baixinho
– Mas como eu consigo entrar no campus?
– O dono daqueles prédios já está morto, por isso você pode entrar e sair na hora que desejar. Apenas nos lugares onde os donos estão mortos você poderá entrar. Caso contrário precisará da permissão, ou do convite de seus donos. A senhora Jonson pediu para você entrar, então ela já te convidou, você poderá entrar aqui sempre que quiser agora.
– Isso tudo é loucura
– Mas é sua realidade agora — ela disse, depois finalmente abriu a porta do quarto.
Nick estava assistindo TV, ela estava em cima de uma mesa de frente para sua cama. Sua mãe realmente o mimava muito, ele estava rodeado de doces, e outros mimos. Nick estava sorridente, seus pulsos estavam com uma facha, ele abriu um sorriso a nos ver ali.
– Vocês, aqui? — Perguntou Nick surpreso
– Viemos ver como você está — Falei dando um sorriso
– você veio me ver, já é alguma coisa, quer dizer que já me perdoou? — Ele disse fazendo beiço
– Já, eu nem lembro mais do que aconteceu, só estava preocupado com você
– Eu também estava, você é um idiota sabia — Disse Sofia depois deu um abraço no garoto
– Então, já sabem quem fez isso comigo? — Perguntou o garoto, ele parecia certo do que dizia
Sofia olhou para mim, e eu olhei para a garota. Ficamos confusos com o que Nick tinha acabado de dizer. Como assim ele queria saber quem tinha feito isso? Ele foi encontrado com a navalha nas mãos, sozinho. Será que ele tinha problemas de memória também?
– Nick, você não se lembra mesmo do que houve? — Perguntei me aproximando do rapaz na cama
– Bom, algumas coisas, mas meu pensamento fica confuso
– Do que você se lembra? — Perguntou Sofia, ela pegou a mão do garoto e apertou por um momento
– Não sei, pouca coisa, mas não quero falar nisso agora — Ele disse olhando pra mim
– Tudo bem, espero que melhore logo, estamos te esperando de volta — Falei sorrindo de canto
– Você é um cara legal Charlie, estanho as vezes, mas legal — Ele disse
Depois de um tempo conversando, Sofia me acompanhou até a porta, eu precisava voltar para o campus, já estava escurecendo e eu não conseguiria encontrar o caminho de volta a noite.
– Vou ficar um pouco mais com ele — Disse a garota antes de se despedir de mim
– Você acha que ele tem problema de memória? — Perguntei para a garota que parecia muito preocupada
– Não Charlie, Nick não tem nenhum problema, quando peguei em sua mão notei que em seu sangue há magia negra, das trevas, ele realmente não sabe o que fez, ele estava hipnotizado, não sabia o que estava fazendo, só estava cumprindo ordens de alguém.
– Como assim? Magia negra?
– Vá embora Charlie, se alguém fez isso com Nick, é porque algo muito ruim está na cidade. Esse tipo de magia nunca foi usada por nenhuma bruxa, é uma magia proibida, das trevas. Só uma bruxa muito poderosa poderia ter feito isso, e saiba que as bruxas odeiam os vampiros. Então é melhor você voltar para o campus e ficar perto de alguém, não fique sozinho.
Depois de ouvir essas palavras de Sofia fiquei ainda mais assustado, sai andando depressa, tentando seguir o caminho que ela tinha me explicado, mas eu acabei me perdendo. Já estava escurecendo, nas ruas não tinha muita gente, eu perguntava ´para algumas pessoas e elas me explicavam, assim me aproximei um pouco mais do campus. Quando eu cheguei em frente ao prédio da faculdade, senti um alívio. Ao mesmo tempo alguém passava pela rua, já era noite, ninguém passava por ali aquela hora. Ouvi quando passos se aproximavam ali na rua, eu me escondi atrás de uma árvore.
Um jovem garoto se aproximava, estava bêbado, tinha as mãos sangrando por ter quebrado uma garrafa numa briga de bar. Quando senti o cheiro de sangue, aquela sensação incontrolável tomou conta de mim outra vez, eu pulei na frente do garoto. Ele me olhou e começou a rir, depois a pender de um lado para o outro de bêbado
– Você me assustou guri — Ele disse sorrindo, mas sem levantar o rosto
Eu não conseguia pensar e dizer nada, meus olhos estavam apenas nas mãos do rapaz que continuava sangrando. O Rapaz tentou se sentar, mas eu o agarrei pelo braço depois o segurei firme e fiquei olhando para seu rosto, era lindo apesar de estar sujo, ele estava muito bêbado, seus olhos estavam quase fechados, ele não falava nada que eu pudesse entender.
– Sinto muito — eu disse, depois meus olhos começaram a ficar escuros, senti meus dentes crescerem mais uma vez, mordi o rapaz no pescoço com toda vontade.
Nunca me senti daquela forma, ser um vampiro realmente te transforma em um monstro, naquela hora eu não me importava com a vida do rapaz, nem mesmo quando ele gritou e tentou sair de meus braços, eu me importava apenas em matar minha sede. O Rapaz não lutou tanto tempo, já que estava bêbado e frágil por ter perdido um pouco de sangue pelo caminho. Senti quando alguém me empurrou para longe do rapaz, era Johnny.
– Charlie não.. — ele disse olhando para mim, eu estava pronto para atacar novamente o rapaz
– Sai da frente — minha voz era agressiva
– Se controla Charlie, olha pra mim — Ele disse mais uma vez, eu olhei bem nos olhos de Johnny, e aos poucos fui me acalmando. Meus olhos e meus dentes voltaram ao normal em questão de segundos.
– O que eu fiz — Comecei a me perguntar assim que me dei conta do que tinha feito. Cai de joelhos no chão e comecei a chorar. nunca na minha vida pensei que eu poderia ser tão frio com uma pessoa. O Rapaz estava deitado no chão agonizando, eu ficava olhando para me punir por ter sido tão cruel e frio
– Me desculpa — Disse Johnny para o rapaz, em seguida pegou o pescoço dele e torceu, apenas ouvi quando estralou. Johnny acabou com o sofrimento do garoto, também não queria que ele se tornasse um vampiro, poderia ser arriscado e perigoso para todos.
– Eu sou um monstro — Eu gritava
– Vem, vamos sair daqui — Disse Johnny me pegando pelo braço.
Ele me levou escondido até meu quarto. Lá estava eu outra vez embaixo do chuveiro, vendo aquele sangue correr pelo ralo. Dessa vez o sangue de um inocente, o primeiro que eu matei, sabe lá quantos mais eu iria matar. Realmente essa vida não era pra mim, eu acabaria virando um assassino em série, ou acabaria morrendo. Johnny dessa vez entrou no banheiro enquanto eu estava em baixo do chuveiro
– Posso entrar ai com você — Ele perguntou
Eu não respondi, ainda estava chocado com tudo que tinha acontecido. Johnny entrou no chuveiro, ele também estava sujo dessa vez, precisava se limpar também. Mas não necessariamente na mesma hora que eu, mas naquele momento eu nem pensei em mais nada.
Quando Johnny entrou no chuveiro, pelado. Eu estava agachado debaixo do chuveiro, ele me levantou, segurou meu queixo e me abraçou. Não era um momento para isso, nós estávamos pelados. Isso me excitou um pouco devo confessar.
– Vai ficar tudo bem — Johnny falou assim que me abraçou
Depois eu olhei para o rapaz, nossos lábios se aproximaram, e eu o beijei, senti quando nossos lábios selaram embaixo daquela água quente do chuveiro. ele tentou colocar a língua na minha boca, mas nesse momento eu sai correndo. Peguei minha toalha e sai do banheiro. não estava no clima,e ainda tinha Nick, que não merecia que nós fizéssemos isso pelas costas dele e ainda no quarto dele.
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