Doce Red
31 O Fim
Notas iniciais
— O senhor veio em busca de atenção — Segura a caneta entre dedos, levando ao papel.
— Anotação...
— Anotações, desde o início, frases marcantes para melhor entender — Uma pausa — O senhor. — Concordo, aceno levemente, meneando a mão, sinal de continuação.
— E agora? Publica minha vida, recebe uma promoção? Aumento de salário, férias — Dou de ombros, ela observa. — Enfia uma faca em minha garganta, enrosca-me numa habena puxando, açoitando? — Meu maxilar trava, o olhar agora de surpresa. Ergo o nariz, prendendo ar. — Que fará agora?
— O senhor apenas voltará à cela... — Deixa a frase morrer no ar, posso ver palavras não ditas flutuando. Red entre elas. Morte, assassinato, profanação. Solto o ar.
— Posso? — Indico a prancheta. — Apenas dedilhar cautelosamente, e, a caneta. — Gesticulo. Ela desliza ambos pela mesa, lenta, desconfiada, apalpo a madeira fina, os papéis com dizeres e esboços e rabiscos, toco a caneta, pegando entre os dedos.
— Matar pelo pescoço é uma tarefa difícil, senhorita. Tem de saber onde perfurar. — Nada mais que um sussurro escapa, giro a caneta na mão, segurando como a uma faca — Matar da trabalho — Observo a ponta, enfio no pescoço, engasgo.
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