Doce Red
17 Carlos
Notas iniciais
Sacudo as mãos enluvadas no ar, tentativa de fazer com que o plástico acomode melhor entre os dedos, inútil. Volto com o bisturi numa precisão cirúrgica contra um pedaço de cérebro, música tranquila tocando no rádio, movo os quadris numa dança tranquila, erguendo o rosto, cantando uma frase, minha parte favorita, respiro fundo, voltando à carne, um coelho, ou o que fora um dia.
— Carlos? — Ouço a voz de Red, me viro na direção, baixando a máscara branca e sorrindo amplamente, os dentes brancos e afiados dos quais ela ama.
— Irmã — Balanço a cabeça em um cumprimento, voltando ao pedaço, apenas esperando para ser dilacerado.
— Vai excruciar este pequeno animal por muito mais tempo? — Sua voz inocente reverberou pelo cômodo, me fazendo arrepiar. Ajeito a camisa, limpando a garganta.
— Ele está morto, apenas o cérebro, não sente dor. — Esclareço.
— Hum — Sinto sua mão sobre meu peito, deslizando, ergo o rosto, inspirando.
— O que está fazendo? — Minha voz sai um fio, rouca.
— Quero brincar — Sinto a língua sobre minha orelha, ofego.
— Red... — Ergo o bisturi e o coloco sobre seu braço, esticando e o passando sobre a pele, um filete de sangue escorre.
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