Doce Pesadelo
1 Doce Pesadelo
Notas iniciais
O verão trouxe consigo muito calor e chuvas constantes, uma onda de calor atormentou Equestria por dias até que as nuvens decidiram se reunir no céu, trazendo a escuridão por cobrir o astro maior. Então ouvindo o suplício daqueles que caminham sobre a terra, deixaram que suas lágrimas limpassem suas almas e corpos com uma fina, constante e revigorante chuva.
A noite caiu e com ela uma leve brisa, obrigando os pôneis a retirarem seus cobertores do armário pela primeira vez no mês para que pudessem dormir com conforto. A Lua Crescente estava tímida na abóbada celeste, ela e suas estrelas escondidas atrás das nuvens que choravam incessantemente.
Em Canterlot a Princesa da Luz repousava em sua câmara real, seu grande corpo alvo descansava curvado embaixo de um fino e revelador lençol rosa. Ela mantinha suas patas dianteiras e seus joelhos traseiros próximos ao seu torso, deitada sobre um de seus lados seu peito expandia e retraia lentamente com sua respiração enquanto viajava em seus sonhos.
Uma sombra deslizou para dentro do quarto através da janela que estava aberta, escorregando pelo carpete púrpura que cobria todo o chão do ressinto. A sombra deu uma volta ao redor da cama, se Celestia estivesse acordada veria o reflexo do corpo ébano passando por seu grandioso espelho e em frente à sua lareira apagada.
A figura misteriosa esticou o seu pescoço para frente, roçando seus dentes afiados contra a orelha do alicórnio seguido de um leve sussurro em meio a uma beliscada.
“Doces sonhos, Celestia.”
As palavras fizeram a princesa se virar de imediato com seus olhos magenta arregalados e respiração ofegante, seu peito subia e descia em rápidas contrações enquanto ela olhava para os lados, dentro das quatro paredes azuis que formavam seu enorme quarto o alicórnio era o único ser presente.
Ela ficou em silêncio por um momento com um casco descansando contra o peito, até que se levantou e trotou até a janela, apoiando-se contra o parapeito para observar a água caindo por um momento em uma tentativa de se acalmar. Sua crina rosa flutuava agitada pelo vento enquanto o alicórnio refletia por um momento no que poderia ter acontecido.
Celestia levou um casco até sua orelha que parecia estar latejando, e ao olhar no resultado viu um pequeno pingo de sangue, um calafrio percorreu toda sua espinha e fez suas asas tremularem sem se desdobrarem. Seja lá o que tivesse acontecido, não era apenas um sonho.
Minutos depois o alicórnio branco estava parado em frente à duas enormes portas de madeira que foram abertas por um par de guardas, ela acenou com a cabeça e trotou pelo tapete vermelho para dentro da sala do trono.
Sentada em seu trono diminuto estava Luna em um transe profundo, seus olhos estavam fechados enquanto trabalhava no mundo dos sonhos. Celestia caminhou lentamente até ela, deixando que o barulho de seus cascos alertasse sua irmã de sua presença.
“Celestia?” Perguntou o pequeno alicórnio azul enquanto abria seus olhos lentamente. “Tu parece perturbada irmã, algo aconteceu?”
Celestia respondeu acenando a cabeça negativamente, não queria preocupar sua irmãzinha sem ter certeza de que algo estava errado. “Eu apenas tive um sonho estranho e acordei, sonhei ter visto alguém que há muito tempo eu não via.” Disse com uma expressão distante.
As orelhas de Luna se empinaram e ela levemente pendeu sua cabeça para o lado. “Isso me preocupa, não tiveste nenhum sonho ainda essa noite, irmã.”
A égua de pelo leitoso mordeu levemente seu lábio antes de soltar um suspiro e sacudir sua cabeça. “Então deve ter sido apenas a minha cabeça me pregando peças. Muito obrigado irmãzinha, voltarei a dormir.” E esboçou um leve sorriso, que foi respondido de mesmo modo pela sua irmã.
Ela se virou e deixou que a outra égua voltasse a cuidar de suas tarefas, saiu da sala dos tronos e acenou para os guardas novamente, o caminho até seu quarto não era longo, porém seus pensamentos se misturavam ao barulho reconfortante da chuva e tremular hipnótico das velas que iluminavam o corredor, arrancando-a de sua realidade por um momento.
Quando voltou a si, Celestia já havia passado de seu quarto, incerta de que conseguiria dormir nessas condições ela resolveu dar uma volta pelo castelo. Seu corpo parecia quente e febril mesmo com o frio, ao olhar para a chuva através de uma janela várias ideias atravessaram sua mente e lhe arrancaram um sorrisinho.
Levemente expandindo suas asas, a monarca disparou até chegar em uma das sacadas do castelo, porém não diminuiu a velocidade e nem terminou de abrir as suas asas, apenas saltou para a queda abissal de olhos fechados.
Seu corpo branco caia com uma velocidade vertiginosa, deixando para trás um rastro rosado de sua crina e cauda, seu coração batia rapidamente, bombeando adrenalina para todo seu corpo. Por um momento a monarca e a chuva eram um só, sentia-se pura e livre como as gotas que a acompanhavam em seu belo salto suicida.
Porém não poderia acompanhar as gotas até o seu destino final, e com um giro que esbanjava a maestria de suas asas, o alicórnio rodopiou e esticou seus membros colossais, ascendendo de volta aos céus. Ela havia escapado da morte por alguns metros e a sensação era indescritível, sentia seu corpo arder ainda mais, porém sentia também um gosto de satisfação ao lamber seus lábios e abrir seus olhos, estava viva como nunca.
Não sabia o que havia transformado aquela noite em algo tão especial, porém seus sentimentos e emoções estavam à flor da pele, sentia a chuva massagear não apenas seu corpo, mas também seu espírito.
Suas asas golpeavam o vento de modo firme e decidido, ganhando altura o suficiente para retornar à capital de seu reino, porém não queria retornar ainda, queria mais. E assim ela voou até as águas que formavam uma queda ao lado da capital de seu reino, ao se aproximar pudera notar como estavam mais violentas e barulhosas do que o normal, a chuva havia aumentado a vazão e a fez se sentir boba por ter passado tanto tempo sem aproveitar esse tipo de deleite simples da vida.
O momento não durou muito tempo, pois algo tão violento quanto a queda d’água lhe acertou em pleno voo, e antes que pudesse ter ideia do que era ela já havia atingido o lago. Seus olhos se abriram e tudo o que pode ver era um vulto que nadava de volta para a superfície.
Celestia ficou imersa por mais alguns segundos, confusa com o que havia acontecido, perguntava a si mesma se havia sido atacada, porém não faria sentido seu agressor lhe soltar justo em um momento que não teria como reagir.
Ao emergir ela notou que o vulto havia mergulhado novamente e se diria até a borda, talvez fosse uma brincadeira de alguém? Apenas Luna poderia fazer algo assim, porém duvidava que sua irmãzinha fosse deixar a sala do trono assim tão cedo essa noite. Sem muitas opções, Celestia também mergulhou e a seguiu.
Quando colocou sua cabeça para fora novamente, um casco negro azul escuro, tão escuro que ninguém poderia ser culpado de chamar tal cor de preto, adornado por um sapato equino metálico foi oferecido como ajuda para sair da água. Ao olhar para cima seu coração encheu-se de ira enquanto seu sangue fervia.
“Nightmare Moon! Como ousa?” Ela bradou e jogou o casco para longe usando o seu, rapidamente saltando para fora da água.
“Ah minha querida Celestia, então é assim que você vai me receber?” A égua negra respondeu com um sorriso, fitando Celestia com seus olhos turquesa através de seu elmo vazado. “Mesmo quando eu brinco com você?” Ela perguntou enquanto dava alguns passos para trás, fazendo com que sua armadura produzisse alguns barulhos metálicos.
“Eu não tenho paciência para as suas brincadeiras! O que você quer?” Celestia disse espalhando suas patas ao redor de seu corpo, tomando uma postura defensiva enquanto abaixava sua cabeça, pronta para mirar seu chifre caso fosse necessário.
“Como assim o que eu quero?” Ela respondeu e também baixou sua cabeça, porém ao contrário de Celestia seu chifre piscou brevemente e seu elmo se desprendeu de seu corpo, pegando a soberana de Equestria de surpresa. “Você me chama até aqui e depois ainda me pergunta o porquê eu vim?”
O alicórnio branco fitou o sorriso de sua rival por um momento, algo que lhe deixou ainda mais confusa. “Eu te chamei? Mas que tipo trama estúpida é essa, Nightmare?” Ela perguntou sem tirar os olhos do corpo negro à sua frente.
“Celestia por favor, você parece tão bobinha desse jeito, erga esse chifre, ele não será necessário essa noite.” Disse enquanto observava o alicórnio branco erguer sua cabeça e logo emendou enquanto soltava o peitoral de sua armadura com um de seus cascos. “Isso, boa menina, agora me conte querida, você não acha que está muito tarde para tomar um banho de chuva?”
O casco despindo a armadura chamou sua atenção e fez com que suas bochechas corassem levemente. Tal reação provavelmente parecerá tola ao leitor já que é algo natural para os equinos andar por ai desnudos, porém o ato de se despir não deixava de ser algo atraente já que o significado era o mesmo, mostrar à alguém que você está aberto, indefeso, passando um sentimento de entrega que faria qualquer pégaso bater suas asas.
“Eu não consegui ouvir sua resposta.” Nightmare Moon emendou com um sorriso enquanto outro pedaço de sua armadura caia na relva verdejante, apenas para sumir magicamente logo depois junto com seu elmo, deixando o pesadelo só com suas proteções para as pernas.
“Cale-se!” Ela finalmente respondeu, sacudindo sua cabeça enquanto dava um passo para trás, levando um de seus cascos dianteiros de encontro à sua testa. Sua cabeça latejava, sentia-se quente e talvez pronta para um desmaio.
O alicórnio branco ergueu seus olhos a tempo de ver Nightmare cobrindo distância, trotando com passos leves e lentos até ela. Ao ficar de pé em frente à Celestia, ergueu seu casco dianteiro direito e segurou a ponta da proteção de metal com seus dentes para lentamente tirar o seu casco de lá. Então ainda com o metal com sua boca, a égua negra posicionou seu casco desnudo contra a testa de dela e a acariciou ternamente.
Tal ação foi recebida com um bufar aborrecido, porém Celestia não se afastou e deixou que o casco morno lhe acariciasse, brincando e sentindo seu ralo pelo alvo. Algo nessa situação lhe confortava e acalmava as suas sensações, então decidiu que deixaria a égua negra continuar.
“Você fica uma gracinha quando deixa essa pose de superior de lado, sabia?”
Ela estava pronta para protestar, porém o casco moveu para o topo de sua cabeça, afagando sua crina enquanto brincava com suas orelhas, fazendo com que Celestia baixasse sua cabeça e deixasse qualquer reclamação de lado enquanto a chuva continuava a encharcar as suas éguas.
“Você tem sonhado comigo, não é mesmo querida?” E recebeu um aceno de cabeça negativo como resposta. “Então você não lembra?” Ela disse enquanto se aproximava, deixando seus lábios bem próximos de uma das orelhas de Celestia. “Eu até deixei uma marca em sua orelha.” E terminou mordiscando o alicórnio branco mais uma vez.
Rangendo seus dentes Celestia aprofundou seus cascos contra a grama e puxou seu pescoço para o lado, tentando sair do controle de Nightmare enquanto a pressionava para longe com um casco contra seu peito. “Não me morda!”
Seu saco foi jogado para longe e o pesadelo deu um passo à frente, pressionando seu peito contra o alicórnio alvo, o contraste das cores de seus pelos era algo atrativo e instigante. Celestia sentiu algo se apoiar embaixo da junção entre sua perna dianteira e torso, e antes que pudesse reclamar de algo o mundo girou e ela foi ao chão, sendo pressionada contra a grama pelo corpo ébano tão grande quanto o seu.
“Você não tem poder sobre mim, querida, muito pelo contrário.” Com a princesa presa embaixo de seu corpo, Nightmare Moon posicionou seu focinho embaixo da curva de seu pescoço, banhando o pelo molhado com sua respiração aquecida. “Primeiro eu me tornei seu pesadelo, e então o teu desejo.” Disse enquanto sentia Celestia contrair e relaxar seu corpo. “Querida... você teme a minha presença por que eu sou a única que pode te dominar, isso te enche de medo...” Suas presas afiadas romperam a delicada pele, fazendo com que um leve filete rubro brotasse e fosse logo levado pela chuva. “E isso te excita.”
Celestia se debateu e tentou remover a égua de cima de si, apenas para ser domada por um par de presas apertando contra seu pescoço, arrancando gemidos do fundo de sua garganta. Estaria Nightmare certa? Ela poderia lutar, porém não queria, existia algo doce na dor de ter seu pescoço perfurado, algo em sentir alguém mais forte impondo as regras fazia a chama em seu corpo se acender ainda mais forte.
Um gemido escapou entre seus lábios, e ao olhar para baixo podia ver sua inimiga arrastando sua língua sobre seu pescoço, alternando as lambidas com beijos macios e rápidos contra o pelo encharcado.
“Você... tem me visitado?” Celestia perguntou enquanto fechava seus olhos e descansava sua cabeça para trás.
“Todas as noites, por muito tempo.” Nightmare respondeu com um sorriso, deliciando-se com o pescoço de sua rival. Era difícil explicar como as coisas haviam chegado a esse ponto, ambas as éguas eram tão diferentes e nutriam um ódio mútuo desde o início dos tempos, porém também respeitavam o poder uma da outra além de serem as únicas a terem um corpo tão forte e imponente, não seriam mais iguais do que gostariam de admitir afinal?
O contraste de escuro e claro ia além de seus pelos e penetrava fundo em suas almas, por mais que tivessem curiosidade uma da outra, eram inimigas juradas e seu contato proibido. Os pecadores irão entender o que se passa aqui, provar aquilo que é proibido é um pecado que deixa um gosto maravilhoso na boca e tinge o espírito com uma culpa deliciosa, estar errado era muito saboroso para fazer essas duas se ignorarem por muito tempo.
Celestia descansou um de seus cascos no topo da cabeça de sua parceira, afagando sua crina azul claro enquanto sua cabeça descia até a base de seu pescoço, mordendo e sugando sua carne com luxúria ao céu aberto.
Em pouco tempo o pescoço do alicórnio estava coberto de listras vermelhas causadas pela irritação de sua pele que era repetidamente violentada por um par de presas afiadas, o pelo branco era péssimo para esconder esse tipo de coisa, as marcas vermelhas e redondas dos chupões também começavam a aparecer, e tudo o que podia, ou queria, fazer era gemer e se contorcer afogada em seu prazer.
As presas finalmente deixaram seu pescoço, movendo para o meio de seu peito onde deslizavam para cima e para baixo de modo provocativo, Celestia tinha certeza de que Nightmare queria ter certeza de que deixaria marcas, seria difícil de explicar o que acontecera para a sua irmãzinha, mas deixaria para pensar nisso em outra hora.
Logo os ataques cortantes cessaram e seu peito for coberto por uma rajada descendente de beijos, em uma tentativa de ficar em uma posição mais confortável Celestia tentou se mexer, porém foi rapidamente repreendida ao sentir a pressão contra seu corpo aumentar. Com um suspiro aborrecido ficou como estava e tentou relaxar mais, sendo auxiliada por Nightmare que acariciava seu flanco na região de sua Cutie Mark, arranhando-a levemente com a ponta de seu casco.
O alicórnio alvo espalhou suas asas pela grama ao sentir um casco deslizando sobre a parte inferior de sua coxa, tratando suas partes sensíveis com muito mais amor do que havia tratado seu peito e pescoço. Suas costas se arquearam quando sentiu lábios macios cobrindo um de seus tetos, sugando e puxando enquanto uma língua acariciava seu mamilo, arrancando suspiros e gemidos arrastados e encharcados.
A água fria continuava a despencar dos céus, ajudando a controlar o calor dos dois alicórnios que exploravam um ao outro. Suas respirações ofegantes podiam ser observadas com facilidade em forma de pequenas nuvens brancas.
Cada vez mais Celestia tinha dificuldades em conter seus barulhos e passou a chamar pelo nome do pesadelo, esse logo moveu seu corpo para cima e selou seus lábios em um beijo fulminante, nesse momento as duas criaturas que alimentavam tanto ódio uma pela outra seriam amantes de longa data, tudo para satisfazer essa obsessão que haviam desenvolvido pelo seu oposto.
Enquanto seus lábios massageavam um ao outro e suas línguas brincavam e dançavam, a égua branca sentiu algo pressionar contra a sua intimidade que a essa altura estava clamando por alguma atenção. Nightmare percorria o corpo de Celestia com suas patas, sentindo suas curvas enquanto prensava sua perna em meio às dela, moendo contra seus lábios inchados e sua saliência, arrancando suspiros e gemidos que eram silenciados por sua boca.
Nightmare Moon finalmente se afastou, dando uma trégua à sua presa que se contorcia de prazer, tentando balançar os seus quadris contra a sua perna procurando por mais daquilo que amainava seu fogo.
“Eu quero usar você.” Disse abrindo um pequeno sorriso enquanto afagava a face de Celestia. “E abusar de você.” Ela se inclinou e beijou seus lábios de leve de modo provocante. “Eu quero saber o que tem dentro.” O sorriso se tornou algo pervertido enquanto seu focinho deslizava por cima do peito alvo e só parou entre as suas pernas.
As duas éguas continuariam a provar do corpo um da outra até o amanhecer, o raiar do Sol faria claro novamente o contraste mortal que havia entre as duas, partiriam cansadas para seus lares e continuariam suas vidas como se nada houvesse acontecido, voltariam a se odiar e lutariam uma com a outra se necessário.
Porém seus desejos continuariam a queimar e em todo olhar trocado faíscas de ódio e desejo seriam acesas. Docês sonhos são feitos disso.
Quem sou eu para discordar?
Fale com o autor