Doce Morada
10 Tabela de Sentimentos
Notas iniciais
Eu estava pensando no que havia descoberto sobre os amigos de Lorenzo. Eles foram muito inteligentes e arranjaram uma maneira de driblar a sociedade, que nem deveria se importar com a forma como vivem, e viverem suas histórias. Aquilo me dava esperanças de conseguir viver um amor. Talvez com Lorenzo, talvez com outro homem.
A quem eu quero enganar? Não consigo me imaginar com nenhum outro homem a não ser o inglês alto e desbravador. Combinamos de seguir da maneira como estávamos e com o tempo descobrirmos juntos o que é isso. Mas eu era ansioso e mesmo não dizendo a ele, queria algo definitivo sobre a nossa relação. Porém, há várias outras questões a se estabelecer em nossas vidas antes de decidir sobre isso, por isso concordei em continuar do que jeito que está.
Lorenzo descansava ao meu lado na cama. Ele vestia apenas uma cueca e o corpo dele me causava calor. Fazia um tempo desde a última vez em que estivemos juntos além de beijos. E eu meio que havia me acostumado a descobrir algo novo ao seu lado todos os dias.
Antes não havia condições de novas aventuras diante de tudo o que se passou. Mas agora as coisas estavam enfim se acalmando e eu me sinto um adolescente necessitado que precisava se aliviar. E foi um pouco vergonhoso quando comecei a tocar apenas tendo o campo de visão daquele homem de cueca na cama. Mais vergonhoso ainda quando notei um sorriso em seu rosto, indicando que ele havia acordado.
— Podia ter me esperado acordar. – parei imediatamente o que estava fazendo e voltei a vestir minha roupa. – Ah, não. Eu achei que poderíamos continuar o que você estava fazendo de uma maneira mais divertida.
— Não sei onde estava com a cabeça. Por favor, não vamos falar sobre isso. – Lorenzo entendeu que eu falava sério e acho que iria respeitar minha decisão, pois bufou decepcionado.
— Você vai me deixar por causa da minha nova cicatriz na perna?
— Claro, não conseguiria conviver com isso. Inclusive, há muitas pessoas como nós aqui em Londres?
— Eu conheço alguns amigos dos meninos que ficam com homens. Posso pedir que eles lhe apresentem depois.
— Uma boa ideia. Pelo menos terei opções para fazer uma escolha melhor dessa vez. Você foi o único que tinha aparecido para mim até agora.
— E eu peço desculpas por isso. Sei que não sou o melhor dos materiais. – eu acabei rindo da nossa estúpida conversa. Às vezes me sentia infantil demais ao lado de Lorenzo.
— Você não está com vontade de ficar com outras pessoas agora? Homens ou mulheres. – perguntei receoso, mas era uma dúvida que eu precisava tirar.
— Não, eu me sinto bem com você. O engraçado é que eu via meus amigos e pensava o quanto eu queria sentir algo assim por alguém, sabe? Mas não aconteceu. Até que conheci você e acho que estou seguindo por esse caminho.
— Eu adoro isso, Lorenzo. Você, nós. Parece um sonho do qual não quero acordar.
— Pois é a realidade. Não acho que nos sonhos, possam acontecer tantas coisas difíceis até chegar nesse ponto de paz que estamos agora.
— Sim, bom argumento. Mas não é como se estivéssemos com a vida resolvida. Não podemos morar de favor pelo resto da vida. Pelo menos, eu não posso.
— Percebeste que estás a usar os verbos na primeira pessoa do plural? Isso significa algo, não?
— Não vem mudar de assunto. O que fazemos agora? Eu não vou ter paz até planejar algo para o futuro. A incerteza me mata.
— Posso pedir emprego para uns amigos do meu pai. Acho que os meninos conseguem arranjar algum serviço para você. Enquanto isso, posso te ensinar inglês, e aí você terá mais facilidade quando começar a trabalhar.
— Eu gostei. Já é alguma coisa.
— Mas eu não acho que vou poder começar a trabalhar por agora. Preciso me recuperar desse disparo.
— Como você é preguiçoso, homem. Eu sou mais corajoso que você.
— Você é muita coisa mais que eu. Mais corajoso, mais trabalhador, mais bonito, mais interessante.
— O que você quer com tudo isso?
— Quero você.
Lorenzo se inclinou e seus lábios tocaram os meus de leve. Eu me abaixei um pouco, pois estava sentado na cama e ele deitado, e voltei a provocar o choque de bocas. O seu gosto me enlouquecia. Me sentia sendo levado para o oceano. As águas me faziam tão bem e eu me sentia capaz de flutuar.
Línguas, beijos cada vez mais molhados, mordidas na pele. Eu não conseguia respirar direito. Acho que havia perdido o costume, pois ofegava forte e nem os gemidos conseguia controlar. Lorenzo puxou minha camisa para cima e eu o ajudei a tira-la. Ele começou a beijar a parte de cima do meu corpo, até que parou no mamilo esquerdo e ficou a brincar ali, depois passando para o outro mamilo.
Eu não imaginava que mamilos masculinos eram prazerosos, porém aquela era a minha confirmação. Nós estávamos a ponto de fazer aquilo na casa de outra pessoa e para mim era um pouco estranho. Eu sentia que devia algum respeito. Mas sinceramente, não dava para pensar muito. Aquelas sensações me consumiam. E eu estava necessitado de um pouco de prazer. Minha ação de mais cedo era a prova disso.
Tirei minha bermuda e cueca de uma vez e tirei a dele também, indo até aquele pedaço de carne – que eu sempre acabava associando a um churrasco, por algum motivo – e levando a boca. Lorenzo poderia me retribuir depois, mas hoje eu cuidaria dele. Estava no controle da situação. Não permiti que ele colocasse sua mão na minha cabeça e me guiasse. Esse sentimento de poder num momento assim aumentava o meu ego a ponto de fazê-lo causar um furo no teto.
Passei a fazer aqueles movimentos devagar, provocativo. Eu adorava ouvir os seus gemidos de suplico. Saber que dependia de mim a sua satisfação naquele momento. Queria que ele me desejasse mais que nunca. Aquele jogo era perigoso e poderia voltar-se contra mim depois, porém pouco me importava.
Eu estava diferente da primeira vez que havia feito isso. Havia algo me dando confiança e sei que ainda havia muito a aprender, mas acredito que estou no caminho certo. Livrei-me do seu pênis e Lorenzo me puxou para um beijo. Era um beijo selvagem, parecia que seu desejo era me engolir. Talvez aquela fosse a maneira de me punir por ter lhe provocado. Mordendo meu lábio com força e não me dando espaço para respirar.
Quando nos afastamos, eu fiquei segundos apenas tentando normalizar minha respiração. Olhei para ele com um olhar de repreensão, mas na verdade eu havia adorado aquilo. É claro que não o deixaria saber disso.
— Você quer fazer aquilo? – perguntou ele com um sorriso no rosto.
— Quero.
— Deita de lado. Acho que assim vai ser melhor para mim.
— Será que devemos fazer? Você precisa descansar da perna. Talvez seja melhor deixar isso para uma outra hora.
— Eu sou o dono da perna e posso te afirmar que não vai ter problema. Só depende de você.
— Vamos em frente.
Fiz como Lorenzo disse e me deitei de lado, virado para ele. Logo senti o seu corpo se encostando no meu e seus lábios em minhas costas, provando da pele. Fechei os olhos e passei a gemer baixinho. Seus beijos iam abaixando cada vez mais até chegarem na minha bunda. Ali, ele abriu minhas nádegas e enfiou a língua no meio.
Eu estava delirando de prazer e aposto que se ele me pedisse qualquer coisa naquele momento, eu diria sim. Um dedo foi usado para começar a abrir espaço. Já pude perceber uma pequena diferença da primeira vez. Antes, eu quase morri com apenas um dedo. Foi como ser partido ao meio por uma faca de abate. Agora ainda doía, porém menos.
Ele colocou outro dedo e brincou com eles dentro de mim por um tempo. Depois, senti algo redondo e grosso na minha entrada. Era o seu pênis pronto para abrir passagem. Mordi os cobertores quando ele entrou com o seu membro em mim. Ficou parado por um tempo, enquanto me beijava na nuca e agora segurada o meu pênis fazendo movimentos.
Foi muito melhor que a primeira vez, era quase impossível não ficar comparando. A dor dessa vez passou mais rápido e restou só um pouquinho dela. Tão gostoso, como poderia ficar sem isso pelo resto da minha vida? Depois de expelirmos um líquido esbranquiçado constatando o ápice do nosso prazer, dormimos agarradinhos.
Acordei e parte do corpo de Lorenzo estava em cima de mim, me esmagando. Olhei para a janela e estava tudo escuro, já havia anoitecido. Como os casais já deveriam ter chegado do trabalho, resolvi levantar e tomar um banho. Deixei o homem na cama descansar mais um pouco. Ele havia se esforçado mais do que deveria para quem havia levado um tiro há poucos dias, e parte disso era minha culpa.
A água molhava meu corpo levando o cheiro daquele atrevido. Eu podia sentir minha pele sensível por causa de mordidas ou apertos e aquilo me excitava, pois, me lembrava do que fizemos. Eu agora estava mais liberto quanto ao fato de gostar de estar com outro homem. O que antes para mim era um erro, um pecado, agora é algo normal.
Talvez saber sobre Joseph, Ronald, Lily e Carlie tenha me ajudado a perceber que duas pessoas de mesmo sexo podem sim viver como um casal e serem felizes. Eles me pareciam felizes, pelo menos.
A única referência que eu tinha sobre isso eram histórias contadas com ódio e nojo ou o que a bíblia dizia sobre o ato. Eram coisas tristes, aterrorizantes, que me faziam ter medo e repulsa do que sentia. Agora eu vejo um outro lado. Um lado feliz e saudável. O que me fará mal, para mim agora, é reprimir tudo isso que ando sentindo. Eu preciso viver a minha vida e não vai ser ninguém que vai ditar a maneira como farei isso.
Podia ser também que não ter os meus pais por perto ajudasse nesse processo de libertação da minha sexualidade. E pela primeira vez, eu pude ver um ponto positivo na tragédia. Por que eu ficaria perto de pessoas que não me amam como eu sou? Mesmo sendo meus pais, acho que o dever deles seria o de amar o filho sem se importar em como ele é. Ou pelo menos, não se importar com uma questão como essa. Não é como se eu estivesse cometendo um crime ou ferrando com a vida de outras pessoas ao estar com outro homem.
Eu definitivamente havia mudado desde que conheci Lorenzo. Não foi por causa dele, mas ele foi um empurrão para essa mudança acontecer. Nem consigo imaginar como eu seria infeliz se seguisse o rumo da minha vida de maneira falsa, me escondendo. Será que eu casaria com uma mulher? Teria um filho e o criaria num lar de infelicidade, porque não conseguiria amar a mãe dele. E a mulher também sofreria, se perguntando o que havia de errado em mim, ou talvez se culpasse pela minha falta de interesse.
Finalizei o banho quando vi que já havia ido além na minha cabeça. Fui para o quarto e vesti roupas limpas, novamente de Ronald. Eu tinha que comprar roupas novas com urgência, mas ainda havia outro problema. Como pagaria por elas?
Suspirei fundo e pensei se deveria acordar Lorenzo ou não. Resolvi deixa-lo e fui até a cozinha, encontrando os quatro conversando e rindo. Lily e Carlie trocavam carinhos e se eu já não soubesse sobre as duas, imaginaria que eram boas amigas. Abri um sorriso alegre, me sentia bem mais a vontade com eles agora. Eles me deram esperança sem nem perceber.
— Como foi a tarde? – perguntou Ronald e os olhos dos quatro estavam direcionados a mim. Lembrei do que havia feito no quarto da casa deles e fiquei um pouco envergonhado.
— Foi boa. Eu acho que Lorenzo não vem jantar. Ele está muito cansado. – Ronald falou algo em inglês para os outros, acho que avisando sobre Lorenzo.
— Vamos comer daqui a pouco. Lily e Carlie querem que você aprenda inglês rápido. Estão enciumadas por só conseguir falar comigo. – eu acabei ficando um pouco envergonhado – e vermelho— por estar sendo “disputado”.
— Lorenzo prometeu me ensinar. Logo falarei inglês perfeitamente.
— O inglês ficará perfeito com o seu sotaque. – Ronald disse e deu um selinho em Joseph que estava estranho.
Era a primeira vez que eles demonstravam afeto na minha frente e confesso que meus olhos brilharam. Eu nunca havia presenciado uma cena assim antes, não entre dois homens, e não imaginaria que me faria tão feliz.
Não demorou para que o jantar ficasse pronto e eu ajudei a transferir as panelas para a mesa de refeições. Pude ver que havia pão, carne cozida, uma torta de carne feita a base de purê e outras coisas que não consegui identificar. Não sei se era o fato da comida da minha mãe ser mediana – o que eu comprovava sempre que comia fora de casa -, mas a culinária inglesa era deliciosa.
Me eduquei a comer devagar, afinal já havia passado uma má impressão quando cheguei aqui e ataquei a comida como um animal faminto da selva. Acabei um pouco depois dos outros, que me esperavam para poder cortar a torta. Aquilo estava de cair o queixo de tão bom. Eu precisava aprender a receita para assar uma torta inteira e apenas eu comer.
Após a refeição, era o momento de limpeza. E todos na casa, sem exceção, ajudava. Isso para mim era estranho, já que em casa, nunca vi meu pai lavar um prato sequer. Eu estava ajudando enxugando as louças molhadas. Lily, que estava ao meu lado, passava a mão no meu cabelo a todo momento, me fazendo carinho.
Acabamos e fomos para a sala. Joseph saiu e Ronald me disse que ele havia ido tomar um banho. Lily e Carlie foram para o quarto e ambas me deram um abraço antes de subir as escadas. Ficamos apenas Ronald e eu na sala, sentados em cadeiras lado a lado.
— Está gostando de Londres?
— Ainda não tive muita oportunidade de conhecer, mas me parece encantadora.
— Como? Não entendi a última palavra.
— Quis dizer que aqui é muito lindo.
— Ah, sim. E o Lorenzo. Como estão as coisas entre vocês?
— Bem. O que ele contou sobre mim?
— Ele falou que te conheceu em Portugal e vocês estavam juntos, ou pelo menos ele pensava que estavam. Palavras dele. E depois seu pai descobriu e os dois tiveram que vir para cá. Agora em minhas palavras, ele parece gostar muito de ti.
— E eu gosto muito dele. Ele foi o meu primeiro em quase tudo.
— Entendo. Você está apaixonado pelo Lorenzo?
— Como posso saber? Eu nunca me apaixonei antes, não sei como funciona.
— Você sabe. Tem algo dentro de você que quer falar isso em voz alta. Você quer que todos saibam para que possa falar com as pessoas sobre. Isso é paixão. – suspirei pensando que eu me sentia exatamente assim.
— Sim, eu estou apaixonado. Mas tenho medo. Lorenzo e eu combinamos de continuar as coisas do jeito que está e ir descobrindo como isso funcionará. Mesmo assim, eu sinto que em um momento tudo pode acabar e eu vou ficar muito magoado.
— E é por isso que se apaixonar não é fácil. A questão é: o quanto você é forte perante o medo? Se você conseguir, essa paixão pode ir ainda mais além e se transformar em algo muito mais bonito e doloroso também. Amor.
— Você ama o Joseph? Ou ainda está apaixonado?
— Conheci o Joseph na mesma época que conheci o Lorenzo. Eu tinha dezesseis anos e entrei para a escola em que dois estudavam. Nos tornamos amigos, o que foi chocante porque éramos muito diferentes. Acho que no fundo nós sempre quisemos algo mais que amizade. E então eu passei a me encantar por Joseph cada vez mais e nos apaixonamos. Houveram alguns términos, porém sempre voltamos um para o outro e estamos juntos desde aquela época. Conhecemos Carlie e Lily há alguns anos, numa espécie de reunião para pessoas que ficavam com outras de mesmo sexo. Nos demos bem e elas precisavam de um lugar para ficar na Inglaterra. Joseph e eu queríamos morar juntos, mas tínhamos medo da reação das pessoas. Entramos num acordo com as meninas, provavelmente Lorenzo te explicou. – acenei positivamente. – Eu nem sei porque te contei tudo isso. Você me perguntou se eu estou apaixonado ou amo o meu marido.
— Marido?
— Sim. Não houve uma cerimônia, mas é assim que vemos um ao outro. Casamento não é só um ato. É um meio de viver. É claro que queremos oficializar nossa união, porém você deve entender que isso não é possível. – concordei com a cabeça. – Bom, eu amo o Joseph. Amo muito, às vezes a ponto de me assustar. Nós temos uma linda relação e quase tudo que eu faço, penso, é algo em conjunto, sabe? Não é só apenas eu. Sou eu e Joseph. Minha visão sobre a paixão é algo inicial num relacionamento. Com o tempo, isso amadurece e alguns casais se perdem, mas nós estamos sempre nos esforçando para manter vivo esse fogo. Eu espero que com tantas palavras, eu tenha conseguido te responder.
— O que você falou foi muito lindo. E eu sinceramente espero viver isso com alguém. O que você e o Joseph têm.
— Se depender do que eu vejo, acho que não precisa se preocupar com isso. Apenas deixe acontecer. Lorenzo sabe se comprometer e ele parece muito envolvido nessa história com você.
— Obrigado pelas palavras. Isso era algo que eu nem sabia que precisava ouvir.
— Foi um prazer ter essa conversa. Sei que parece rápido, mas já gosto de você Enrique. E eu desejo o melhor para o meu amigo. Agora eu vou para o meu quarto. Acho que meu marido está me esperando. – Ronald levantou da cadeira e eu fiz o mesmo. Ele veio até mim e me abraçou. Um abraço caloroso repleto de boas vibrações.
Eu também já gostava dele. Era o meu preferido, principalmente por poder conversar com ele. Ronald disse um tchau e foi em direção as escadas, sumindo aos poucos. Voltei para o quarto onde Lorenzo continuava a dormir. O cansaço o atingiu em cheio. Fiquei observando aquele ser dormir por uns minutos.
— Acho que ainda não te falei isso, mas percebi que estou mesmo apaixonado por você. Sei que parece meio óbvio depois de tudo o que já aconteceu entre a gente. Nem sei porque estou falando enquanto você está dormindo. Talvez eu tenha medo que saiba. Eu quero tanto que sinta o mesmo. Se você não sentir, não sei o que farei. Sendo bem egoísta agora, espero que esteja sonhando comigo. A gente naquela construção abandonada, nos encontrando escondido. Tendo a primeira, segunda, terceira vez. Porque se eu pudesse voltar no tempo, eu me entregaria a você outra vez, e de novo e de novo. Isso faz sentido? Para mim fez.
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