Doce Morada
5 Provocar
Notas iniciais
Não consigo recordar da última vez em que não estive com um sorriso brincando em meus lábios. A sensação era de que eu estava sorrindo desde que vim ao mundo. Meus olhos certamente brilhavam e não passavam despercebidos. Minha mãe e a senhora Bette comentaram sobre como milagrosamente eu pareço um poço de saúde agora, com as bochechas vermelhas mandando para longe a palidez de mais cedo.
Ali, na mesa de jantar, com Lorenzo sentado à minha frente, era a despedida do casal que partiria amanhã cedo da pensão. Meu pai se envolvia numa conversa de gado com o outro homem, que se não me engano tinha um pai fazendeiro. Minha mãe e a senhora Bette davam algumas dicas, acho que de costura, para a mulher. E eu, bom, eu beijava meu amado em segredo.
Eu achava que me sentiria culpado após experimentar da fruta proibida, mas sinto totalmente o oposto. Tenho o sentimento de que não foi o suficiente e quero mais, e mais e mais. Pelo olhar felino de Lorenzo, eu aposto como compartilhamos aquele pensamento. E meu sorriso se alarga com essa possível sintonia.
Era para eu estar disfarçando. Fazer cara feia para aquele moço e fingir que ele me causa tédio ou pena. O perfeito teatro para camuflar a todos, principalmente meu pai, a parte do meu coração que acabei de perder praquele ser a minha frente.
Seu olhar fez minha mente gritar: PERIGO! ALERTA MÁXIMO! Não sabia o que ele aprontava até sentir um pé, coberto por uma meia, passar por cima da minha virilha, onde pousou e passou a massagear com força. Meus olhos sem dúvida se arregalaram. Imaginei sua astúcia em se livrar de seu sapato para me provocar. Não consegui segurar uma risada e me culpei pela minha falta de autocontrole nos colocar em risco outra vez, no mesmo dia.
— O que é engraçado? — Duarte, meu pai, perguntou parando a conversa e me olhando com curiosidade.
— Nada. — respondo rapidamente cessando minha risada em razão do medo que agora sinto. Já não há mais nenhum pé me cutucando.
— Não foi o que pareceu. Conte.
— Não vale a pena. Irei entendia-los. É só uma história que ouvi pela manhã na escola e me recordei agora.
— Eu quero ouvir. Vamos! — por que papai insistia tanto? Ele descobriu. É isso.
— Prefiro não dizer.
— Desde quando desobedece seu pai? E na frente dos outros? Vamos ter uma conversa mais tarde. — disse ele com um tom que me arrepiou e levou de vez aquele sorriso que citava no início.
Eu iria apanhar e já sentia meu corpo arder pelas marcas do couro que ele usaria para me marcar a pele. Minha pele. Sim, ela deve ter marcas deixadas por Lorenzo nesta tarde. Foi assim que ele descobriu. EU ESTOU MORTO.
Minha garganta fechou e eu não conseguia mais comer. Olhei para ele pela primeira vez depois de toda essa confusão. Não havia mais o sorriso debochado de quem acreditava que tinha controle sobre mim. Seu olhar era preocupado e isso me deixou ainda mais nervoso. Disse "adeus" com os olhos. Acho que ele não entendeu. Talvez nossa conexão não seja tão forte quanto pensei. Jurava que ele conseguia ler minha mente como ninguém.
Os minutos pararam e eu me vi obrigado a ficar olhando para o meu prato. Estava constrangido por ter levado uma bronca em frente a todos. Principalmente em frente a ele. Ajudei minha mãe com a louça ao fim do martírio, lavando metade na pia da cozinha.
— Deveria ter dito o que seu pai pediu. Sabe como ele é. — comentou minha mãe. Eu sabia, ou pelo menos esperava, que ela estava do meu lado e achou injusta e exagerada a maneira como Duarte me tratou.
— Ele vai me bater?
— Não sei. Vou pedir a ele que não. Direi que ainda está fraco e apanhar pode piorar. Mas você não vai se safar de uma bronca daquelas.
— Não é certo, mamãe. Eu apenas não achava apropriado contar a piada.
— Você sabe que não deve desobedecer seu pai. Olha o que uma piada causou. Ele é um homem difícil e perde fácil a cabeça.
— Minha pele ainda tem a marca da última surra que ele me deu. E faz mais de um ano.
— Seu pai não vai te bater dessa vez. Apenas conversar.
Não sei se ela mesma acreditava em suas palavras. Achei que meu pai me procuraria pela cozinha, mas ele não apareceu. Melhor, assim dá tempo da mamãe convence-lo a não me bater.
Fui para o meu quarto e sentei na cama. O relógio em cima da porta contava 21:04. Será que Lorenzo viria como combinamos mais cedo? Se ele vier, deve demorar ainda, pois vai esperar que todos durmam.
Me lembrei do que fizemos e o sorriso voltou por uns instantes. Todo aquele prazer que sentiu só comprovou minha teoria. Pecar é muito melhor. Quando eu gemi ao senti-lo foi como se um eco espalhasse por toda a Portugal católica, afrontando aqueles que acreditam na religião cegamente.
Eu não era inteiramente contra a religião. Também não era a favor. A questão é que fica difícil concordar que eu irei passar a eternidade com Satã por ter esses sentimentos por meninos. Digo, outros meninos engravidam meninas mais novas que eu, mas se eu apenas beijasse alguém do mesmo sexo o julgamento seria imensamente maior.
Apesar de tudo eu converso com Deus todas as noites antes de dormir. Eu peço algumas coisas, faço alguns agradecimentos. Peço para que ele me entenda. Não é como se fosse algo que eu pudesse controlar ou mudar, eu venho tentado reprimir isso há anos. Se ele não aprova, então por que me fez assim? Eu espero que ele seja essa divindade que todos falam. Acolhedor, amoroso, compreensivo. A ideia do outro lá me é muito assustadora. Sempre fui muito medroso e esse é um dos meus maiores medos conforme fui crescendo.
Paro por um momento no pensamento e percebo os nós da minha cabeça. Como eu rapidamente estou pensando em algo diferente. E agora? Penso sobre o quê? Envolto de tantos pensamentos acabei atingido pelo sono. Parece que estou recuperando todo o sono que Lorenzo me roubou da noite em que chegou aqui.
Acordo sentindo algo em meu cabelo. Abro os olhos espantado e dou de cara com aquelas íris escura me encarando tão vividamente que me fez engolir em seco. O susto fez meu coração acelerar, mas agora a razão das batidas frenéticas era outra. Olhei para a porta e vi que a mesma cadeira que estava impedindo a entrada de um intruso mais cedo estava ali. Abri um sorriso e voltei meu olhar para ele.
— Não deveria ter vindo. Meu pai pode aparecer a qualquer minuto.
— Você acha que eu conseguir dormir sem saber como você está? Seu pai foi um imbecil na mesa, minha vontade era de respondê-lo e começar uma discussão na frente de todos.
— Eu imaginei que quisesse fazer isso. Pelo que me contou, parece algo que você faria se fosse o seu pai brigando contigo.
— Você pensou rápido a história da piada. Enrique, tu não és tão ingênuo como eu pensava.
— A culpa foi sua. Não deveria ter feito aquilo.
— Não imaginei que fosse gargalhar. Você tem reações muito espontâneas.
— Cala a boca. Meu pai sabe sobre nós. Ele viu as marcas da minha pele e juntou os fatos. Fico surpreso que não tenha vindo aqui e me dado uma surra. Deve estar conversando com minha mãe sobre me jogar na rua e contar a todos para que me apedrejem.
— Isso não vai acontecer. Aquele velho não sabe de nada. As marcas nem são tão visíveis. Podem ser dos mosquitos. Eles mal me deixam dormir pela noite. Em último caso, eu levo você comigo e partimos para longe.
— Que loucura. Mal nos conhecemos e você me diz isso.
— Pode fazer pouco tempo, muito pouco. Mas digo com toda certeza de que você é a pessoa de que mais gosto na vida.
— Pior que tirando minha mãe, você é a pessoa que mais gosto.
— Isso quer dizer algo. Ou temos um coração muito frio ou realmente nascemos um para o outro.
— Não, não acredito nisso.
— O quê? Eu entendo você ter um coração frio. Seu pai é detestável.
— Se nascemos um para o outro, como pode ser tão difícil que fiquemos juntos?
— Talvez as coisas fáceis percam a graça.
— Me diz uma coisa. O que você pretende fazer quando acabar o dinheiro do teu pai?
— Você não vai querer saber. Confie em mim.
— Pois agora eu quero mais ainda. Quais são seus planos para continuar tendo uma vida boa?
— Não me faça dizer, Enrique. Eu não sou tão bom quanto você. Pode acabar não gostando do que vai ouvir.
— Diga de uma vez Lorenzo. Seja o que for, eu já devo ter imaginado.
— Tudo bem. Eu poderia mentir para você, mas nem isso consigo. Só espero que não me odeie. — o olhei fingindo impaciência. Estávamos deitados de frente, lado a lado na cama. — Eu planejava me casar com uma mulher rica. Viver às custas dela. Sei que é um ato de covardia, mas eu não importava muito com isso.
— Conseguiria uma pretendente sem muito esforço. Há um rapaz da cidade que comentam que se casou apenas pelo dinheiro da mulher. Ela tinha uma aparência de mulher fraca, doente. Quando ela morreu, nossa, isso faz tempo, eu lembro da minha mãe comentando que ele a matou para ficar com o dinheiro. As pessoas foram no enterro e diziam que imaginavam o quanto ele estava sofrendo, eram irônicas. Minha mãe disse que tinha mulheres que chegavam a se engraçar para ele. Depois da morte da mulher, esse homem saiu da cidade, sumiu.
— Nossa. Bom, eu nunca chegaria a matar a mulher. Ainda me resta alguns escrúpulos. Mas sinto que agora a visão que você tem de mim é bem ruim e não vejo como posso muda-la.
— Eu soube quem você era desde o minuto em que te vi. Não idealizei que você fosse algum tipo de cara perfeito. Não acho certo a sua ideia, mas também não estou apto a te julgar.
— Você sabe que eu desistiria desse meu plano se você aceitasse ficar comigo, não é? Nós daríamos um jeito, juntos.
— Como você é impulsivo. Você deve seguir sua vida. Nós combinamos como isso entre nós seria. Não está aberto a mudanças.
— Eu sei que parece loucura fugir com alguém que conhece há dias. Ao mesmo tempo parece tão certo, isso me deixa tão confuso.
— É algo que você provavelmente faria, mas não eu. Largar minha família e partir para uma aventura sem garantias. Isso é demais para mim.
— Eu quero ter mais tempo com você. Não sei se algum dia conseguirei enjoar de ti. Isso que sinto, que estou sentindo, é muito forte.
— Vamos apenas viver. Aproveitar o tempo que temos. Me dê as melhores lembranças que conseguir. Aquelas que me acompanharão até uns cem anos de idade. Apesar de achar difícil eu viver tanto assim.
— Eu sei que eu não passo dos setenta. Essa vida que levo vai me gastar cedo. — acabei rindo e ele me acompanhou.
O tempo com ele era algo estranho. Parecia que não passava, mas se eu olhasse no relógio minutos já se foram. Estamos ficando cada vez mais íntimos e eu tento não pensar no momento em que ele saíra pela porta da frente, segurando uma mala e indo para não voltar.
— Quero te pedir uma coisa. — falou Lorenzo se sentando na cama. Fiz o mesmo que ele e acenei para que ele fizesse o pedido. — Dance comigo, igual dançou com aquela menina do bar.
— Você viu? Você e a loira sumiram por um tempo e só depois voltaram.
— Tive que ir para longe dali. Se eu ficasse perto de ti, não ia conseguir me concentrar.
— Deixe-me perguntar: Quando começou a ter interesse em mim?
— Atração eu tive desde a primeira vez que trocamos olhares. Mas eu me policiei ao máximo para não fazer nada. Fui sentir algo a mais depois da nossa primeira conversa. Eu estava tentando achar uma brecha para chegar até você, depois já não conseguia parar de pensar em ti.
— Será que todos esses sentimentos não são apenas a atração falando mais alto?
— Não acho que seja. Você me enlouqueceu de vez hoje à tarde, e eu apenas lhe chupei. Quero dizer, já fiz muitas outras coisas, mas o que senti te dando prazer foi uma loucura sem igual.
— Ainda acho um pouco estranho o que fizemos. Nunca imaginei um garoto me fazendo isso. Foi uma surpresa tão boa.
— Enrique, eu sou louco em te levar para as nuvens. Quero sentir você em cada parte. Quero estar o mais próximo que puder. Dança comigo, vai.
— Isso é ridículo, não tem nem música.
— Se fosse aquela garota te pedindo você também recusaria?
— Deixa de ser bobo. Eu nem lembrava mais dela.
— Eu vi como você estava com os lábios inchados quando fomos embora. Por isso não aguentei, eu precisava prová-los. Fui egoísta, talvez, mas precisava demais daquilo.
— Vamos logo dançar. Assim você para um pouco de falar. — levantei e estendi meu braço direito para ele que deu a volta no quarto e segurou minha mão.
Não queria que ele continuasse a falar porque estava me enlouquecendo a ideia dele me desejando. Meu corpo queimava de luxúria. Circulei meu braço direito pela sua cintura e ele pousou as mãos em cada lado do meu ombro.
— E agora? Vamos dançar o quê? — perguntei tentando disfarçar o sorriso. Para ele, eu ainda achava aquela ideia ridícula. E acho.
— Vamos ficar apenas balançando de um lado para o outro. Se esfregando. Parece bom para você?
— Parece estranho e inapropriado. Tudo bem.
E assim ficamos. Naquele pequeno quarto, nós dois colados. Ele alguns mais alto que eu em centímetros consideráveis. A respiração quente em minha pele. A minha acelerada porque nunca consigo mantê-la normal quando estamos tão perto. Mexemos pouco os pés. Estamos quase parados. Lá embaixo eu sinto algo crescendo. Ele está igual. Começamos a nos esbarrar mais um num outro para sentir aquele atrito. Sons manhosos saíam de minha boca e eu não conseguia – ou queria – impedir.
— Eu ainda não te vi sem roupas. — comentei após uns dois minutos. Não vou mentir que imaginei por várias vezes como seria o seu pênis.
— Não acredito que fui tão maldoso com você. Precisamos corrigir isso.
— Eu tô com uma ideia.
— Continue. — inclinei um pouco para cima a fim de olhá-lo. Seus olhos estavam brilhando esperando para ouvir minha ideia.
— E se eu tentar fazer aquilo que você fez comigo mais cedo? Me bateu uma curiosidade para saber se é tão bom fazer como foi receber.
— Falando por experiência, fazer foi ótimo. Mas é claro que não te posso negar isso. São tantas descobertas que está fazendo, não vou impedi-las.
— Adoro o jeito como você tenta disfarçar que é vaidoso.
Tomei coragem e coloquei meus dedos em cima do primeiro de três botões que prendiam a calça em suas pernas. Desabotoei um por um olhando fixamente para os botões. Talvez ficasse muito envergonhado se fizesse isso olhando diretamente para ele. Abaixei a calça e ele me ajudou, a tirando por completo. Então, a cueca.
Preciso de ajuda!!!! Como é mesmo que eu fazia em meus sonhos? Aqueles que eram raros, mas quando aconteciam não me deixavam pensar em outra coisa por uma semana. Nos sonhos, tudo estava a meu favor para eu conhecer um homem mais a fundo. Mas eu nunca conseguia completar a "missão", seja por vergonha, ou eu demorava demais e alguém chegava para atrapalhar. Era frustrante.
Não posso fazer tudo hoje. Para um dia, sentir a boca de outra pessoa em meu pênis e fazer o mesmo parecia suficiente. Mas já não era mais o mesmo dia, pois olhei para o relógio e já passava de meia noite. Mesmo assim, ainda não estou preparado para ir além. Não agora.
Memorizei por um segundo tudo que Lorenzo tinha feito mais cedo para repetir o mais similar possível. Comecei então apertando aquele volume presente na cueca. Nossa, estava duro, mas eu conseguia sentir uma maciez ao mesmo tempo. Minha curiosidade pulou de mim e eu abaixei a cueca de uma vez, colocando para fora aquela coisa.
Era maior que o meu, acho. Pensei em medir, porém acho que passaria uma ideia minha de iniciante que eu não queria perpetuar naquele momento. Olhei novamente para ele e o beijei. Foi por apenas alguns segundos e ouvir ele murmurar como se reclamasse quando eu me afastei. Ajoelhei no chão e fiquei de em frente ao seu pênis. Minha vontade era de rir de nervoso. Sair correndo dali. Dar um jeito de voltar no tempo e cancelar tudo que me trouxe até aqui.
Mas apesar da vergonha, eu queria tanto experimentar aquilo. E me arrependeria pela vida inteira se não o fizesse. Cadê aquele surto de coragem que eu costumo ter quando estou em momentos que exigem atitude? Envolvi minha mão direita em volta de sua parte. Iniciei alguns movimentos. Pra frente. Pra trás. Pra frente. Pra trás. Estava crescendo mais ainda!!!
Eu não sei se Lorenzo me ouviria se eu falasse algo. Ele parecia perdido, em outra dimensão. A cabeça um pouco inclinada para trás. Então resolvi fazer de uma vez. Abri a boca no que achava suficiente para abrigar aquilo. Três. Dois. Um... De uma vez, fui até onde conseguir e vi que ele se afastou um pouco e levou a mão na boca. O barulho interrompido pela sua mão me fez rir por um momento.
— Porra! Eu entendo por que você gritou. Isso foi...
— Será melhor se você ficar parado.
— Foi só a surpresa. Fique à vontade para continuar. Prometo não me mover.
Novamente coloquei minha boca ali. Eu percebi que ele se esforçava para ficar parado. Talvez tivesse sido mais fácil para mim não me mexer, já que eu estava deitado na cama quando era sua vez. Se bem que, não vou mentir, tive vontade de empurrá-lo de cima a baixo para apressar os movimentos. Se ele fizer isso comigo, não vai acabar bem. Eu tentava ir até o fim, mas aquilo topava na minha garganta e eu sentia alerta de vômito.
Tentei fazer com que ficasse mais confortável para mim. Focava principalmente na cabeça. Nossa, eu lembro dos meninos da escola descrevendo o sexo que faziam. Era escondido dos professores, claro, se pegassem alguém falando sobre sexo era encrenca na certa. Ninguém deveria falar sobre isso em 1800. Tomo em comparação o caso da Grécia, acho que era Grécia, onde os adultos falavam sobre isso com jovens. Era uma civilização bem aberta quanto a isso, suponho. Aquelas obras de deuses nus exalavam sensualidade.
A única maneira de saber fazer sexo em Portugal era aprendendo por si só. Na prática, no caso. Acho que no caso dos meninos, alguns pais até falam algumas coisas. Escondido das mães religiosas, é claro. Meu pai definitivamente não era esse tipo. E nem é por causa de minha mãe ser religiosa, já que nem aos cultos ela vai com frequência. Apenas não é do seu feitio.
Certo, eu não deveria pensar sobre isso enquanto estou praticando – e aprendendo. Culpo unicamente minha mente que não dá um sossego nem nesses momentos. Tento novamente ir mais a fundo e não me importo tanto com a sensação de vômito, porque percebo que Lorenzo está diferente. Quando olho para cima, sua testa está suada, os olhos fechados. O lábio inferior preso em seu dente com força.
Então começo a ir mais rápido para ver qual era sua reação. Sinto suas pernas tremerem e me afasto. Elas estavam bambas.
— Se continuar assim, eu vou acabar caindo. — falou ele ofegante. O que deve ter sido uma repreensão eu levei como desafio.
Voltei a chupá-lo. Chupá-lo é o certo? Bom, é o que eu sinto que estou fazendo. Enfim, ia com a rapidez que conseguia. Às vezes se afastava para tossir, mas continuava em seguida. Tentava fazer isso olhando para ele e vendo no que daria. Lágrimas estavam saindo de seus olhos. E eu não sabia se suas pernas seriam mesmo capazes de lhe sustentar em pé. Coloquei as duas mãos em suas coxas e passei a alisar e arranhar com a pouca unha que tinha. Segurava um pouco mais firme quando sentia que elas cederiam. Ele ia acabar caindo se eu continuasse.
Não deu tempo de acontecer o tempo. Ele despejou aquele líquido na minha boca sem aviso. O que eu deveria fazer? Decidi fazer o mesmo que ele e compartilhar aquilo no beijo. Foi o que fiz depois de um minuto dele espirrando aquela coisa branca pelo pênis. Levantei e nos beijamos compartilhar seu gosto. Talvez fosse impressão minha, mas o dele parecia melhor que o meu.
— Desculpe não ter avisado que estava prestes... Ah, você mereceu. Tava fazendo de propósito para eu cair, não era?
— Não era minha intenção. — tentei soar sério naquela mentira, porém o sorriso que eu carregava deve ter me denunciado.
— Estou humilhado, você foi muito melhor que eu. Mas tudo bem, tudo bem.
— Você chorou de verdade?
— Nossa, isso foi louco! Juro que pensei que fosse explodir por um momento. Você que é o inteligente, isso é possível? Já teve casos de alguém que explodiu com isso?
— Não sei. Acho que não é cientificamente possível. E também não tenho para quem perguntar.
— Por isso que odeio a escola. Eles não são capazes de responder todas as nossas dúvidas. Uma vez perguntei qual a idade mínima que uma garota podia engravidar e chamaram meu pai. Tenho certeza de que só não fui expulso, porque ele pagou a escola para me manter.
— Malditos professores que proíbem falar de sexo. Tenho teoria de que eles não fazem. É tipo um pacto para seguir a profissão.
— Pois essa teoria deve estar certa. Assim, depois dessa, acho que pode considerar que eu durma aqui, não é?
— Claro. Meu pai vai gostar tanto de saber que você dormir aqui, que até virar dormir também.
— Não seja assim. Se não for aqui, podemos ir para o meu quarto. Lá tem tranca na porta.
— É arriscado demais, Lorenzo. Agora vai. Preciso dormir. Hoje é sexta e eu tenho aula.
— Tudo bom, vou deixar minha cueca de lembrança para que pelo menos algo meu durma com você. — disse ele, o que achei que fosse brincadeira, mas ele só vestiu a calça e deixou a cueca ali, jogada no chão. — Boa aula na porcaria da escola. Eu a odeio ainda mais agora que me tira seu tempo. — ele me beijou rápido e foi até a porta. Tirou a cadeira um pouco pesada da frente e saiu, dando uma última olhada com uma piscada.
Eu sei que aquele beijo rápido de despedida foi uma vingança por eu não o ter beijado por tanto tempo naquele momento antes de eu chupá-lo. Tudo bem, acho que estou viciado no verbo chupar. Inclusive, chuparei várias frutas nessa sexta. Peguei a cueca dele do chão e levei até meu nariz.
Fui para a cama a escondi embaixo dos lençóis que usava para me cobrir. Apesar de já ter iniciado um novo dia, minha quinta acabava apenas agora. E foi um dia longo e cheio de novas descobertas. Mal posso esperar para saber o que irei descobrir na sexta – meu dia favorito da semana.
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