Doce Mentira
1 Prólogo - O Começo
Notas iniciais
O mundo sempre foi tão suspeito assim ou eu estou apenas percebendo isso agora? De qualquer forma isso não importa neste momento. Preciso chegar o mais rápido que posso na escola. Ainda bem que atualmente a idade mínima para se dirigir é quinze anos, seria bem trabalhoso chegar na escola andando. Eu lembro de escutar meu avó contando histórias sobre carros movidos a gasolina.
Ele dizia que teve que aprender a "dirigir". Sim, isso mesmo, os carros eram manuais naquela época. Você consegue imaginar isso? O velho falava que haviam escolas onde as pessoas aprendiam a "dirigir". Sinceramente, eu não saberia o que fazer se o meu carro não funcionasse a comandos de voz.
Meus pensamentos foram interrompidos pelos avisos do carro:
-Senhor, estamos nos aproximando de nosso objetivo. -Relatou a voz metálica. -Por favor, prepare-se para sair.
Eu segui seu conselho e me voltei para a porta, o carro fez uma suave paragem e a porta deslizou lateralmente. Eu desci sem pressa e olhando os edifícios a minha volta disse:
-Isso é estranho...Como a tecnologia evoluiu tão rapidamente nos séculos passados mas recentemente apenas estagnou?
Alguns sons foram emitidas do robô e uma resposta foi emitida:
-Acabei de checar meu banco de dados, baseado nas informações que coletei apenas posso deduzir uma falta de ""génios".
-"Génios"? -Perguntei eu franzindo testa. -É uma palavra familiar mas não consigo me lembrar de seu significado...
-Génio, Um indivíduo com excepcional capacidade intelectual, criatividade e originalidade. -Indicou o automóvel.
-Pessoas inovadoras?
-Por outras palavras, sim.
Eu comecei a caminhar para longe de meu carro:
-Sabe, eu tenho a impressão que não é só isso... -Sussurrei eu para mim mesmo.
Eu segui em direção a minha sala e ao abrir a porta fui confrontado pelo olhar raivoso do professor:
-Atrasado de novo, Sr.Anderson? -Reclamou o professor. -Porque ainda insiste em vir para escola se vai sempre chegar na metade da aula?
Eu levei toda sua fúria na esportiva:
-Como o meu avó costumava dizer: "A pressa é inimiga da perfeição!" -Sorriu eu.
-Já que é assim, porque não demonstra a sua perfeição? -Perguntou o professor. -Nós estamos nesse momento simulando um sonho, porque o senhor não experimenta?
Eu havia começado aquilo e meu fútil orgulho me impedia de parar por ali:
-É uma honra!
Eu me aproximei de sua mesa e conectei a máquina a minha cabeça. Logo em seguida, uma pequena área branca foi projetada na mesa:
-Com o auxílio dessa magnífica máquina de simulação de sonho Carlos X, vocês podem ver esse lindo espaço branco. -Disse o professor pedindo para a classe se aproximar. -Vamos Sr.Anderson, esse é o seu sonho, imagine uma floresta.
Eu me surpreendi. Eu estava literalmente olhando dentro de minha mente. Ao perceber que eu podia criar coisas naquele espaço, uma floresta formou-se quase instantaneamente:
-Como um sonho é algo muito dependente do subconsciente de uma pessoa, esta máquina limita esses sonhos de diversas maneiras. -Advertiu o professor. -Afinal de contas, não quereríamos ver a escuridão da mente do Sr.Anderson.
Todos deram uma breve risada:
-Sr.Anderson, o senhor já viu uma carroça?
Eu balancei minha cabeça para responder que não:
-Então porque não tenta projetar uma?
Eu me concentrei mas apenas um objeto disforme e estranho surgiu:
-É claro que você não consegue. -Sorriu o professor. -É impossível criar algo totalmente novo dentro de um sonho. Nos sonhos, nós apenas podemos criar coisas que já vimos no mundo real. O mais perto disso seria fundir dois objetos para criar algo parcialmente novo. Último pedido, crie um computador e em seguida divida-o ao meio para podermos ver o seu interior.
Antes mesmo de eu ter tempo de pensar naquilo que havia sido me dito, os objetos mencionados começaram a aparecer, como mágica. Mas era estranho, por fora o computador era totalmente normal. Mas por dentro não havia nada além do vazio:
-Sr. Anderson, você conhece o interior de um computador?
Eu novamente respondi que não:
-Exatamente! Por se tratar de um sonho, as leis da física não são aplicadas aqui e o impossível é completamente possível. -Explicava o professor. -Como você não conhecia o interior do computador, essa parte não foi criada mas mesmo assim o computador funcionará normalmente caso você tente usá-lo.
Eu sorri:
-Que interessante...
O professor olhou-me com uma cara de satisfação:
-Parece que não havia tanta perfeição assim... -Sorriu ele maleficamente. -Isso estava tudo nos seus livros digitais, parece que alguém não andou estudando...
-Não professor...eu sabia, eu apenas queria dar a oportunidade do senhor distribuir essas suas fabulosas explicações... -Brinquei eu.
-Pois bem, divirta-se com suas fabulosas novas vinte páginas de tarefa adicional! -Sorriu ele.
-Eu consigo ver o ódio no seu coração professor... -Pensava eu. -Ele é tão grande e tão forte...
Eu tentei compensar essa gigantesca tarefa adicional realizando-a durante a aula. Mas foi fútil como eu havia pensado, duas horas não foram nem perto do suficiente para eu terminar aquilo. O resto do dia se resumiu a eu terminando a tarefa silenciosamente durante as outras aulas. Eu cheguei em casa totalmente exausto e ainda faltava meia página.
Subi as escadas, abri a porta de meu quarto e senti aquele cheiro de mofo junto de comida:
-Deveria parar de comer aqui... -Pensei eu por segundo.
Tirei as roupas do meu caminho para evitar um acidente e antes de sentar disse:
-Ligar computador, acender luzes e fechar cortinas!
Todas as minhas ordens foram acatadas e eu me sentei perto de minha mesa. Eu movi o holograma para o lado até chegar na página do livro que eu queria:
-Ainda bem que está é a última... -Suspirei.
Terminei de realiza-la em alguns minutos e logo em seguida desci para pegar o jantar, no caminho me deparei com uma mensagem de áudio:
-Hoje nós chegaremos um pouco tarde, o jantar estará pronto às dez. -Dizia minha mãe na mensagem. -Mas não se preocupe, nós tiraremos uma folga para termos certeza que vamos estar com você em seu aniversário de dezessete anos.
Eu ouvi a mensagem até o final e me dirigi para a cozinha. A máquina estava indicando que a comida ficaria pronto em cinco minutos e por isso eu me escorei na parede. Os armários branco reluzente dessa cozinha sempre chamaram minha atenção mas hoje eles pareciam mais bonitos que o normal. O chão estava limpo como sempre e tudo estava em seu devido lugar:
-O drone de limpeza sempre limpa tão bem... Até porque seria estranho se o drone de LIMPEZA não LIMPASSE.
O único lugar desarrumado daquela casa era o meu quarto, pelo fato do meu quarto estar quase sempre trancado, ele não tinha oportunidades para limpa-lo:
-Eu me pergunto porque eu tranco a porta do meu quarto quando saio de casa...Deve ser algum costume estúpido de adolescentes...
Um som ecoou atraindo minha atenção:
-Comida pronta! -Informava a máquina.
-Pronto...vamos pegar essa delícia e leva-la para o meu quarto... -Disse eu tirando minha comida de dentro da máquina.
Eu me dirigi para o quarto segurando aquele prato de comida quente tentando não queimar minhas mãos. Comi enquanto assistia alguns vídeos no Youtube e mais tarde fui me deitar. Na cama, minha mente começou a percorrer mundo desconhecidos e perdido entre sonho e realidade eu pensei:
-E se esse mundo for um sonho? E se a realidade for outra?
Uma pergunta estúpida que se mostrava aterrorizante quando confrontada.
Fale com o autor