Notas iniciais
Desculpa a demora, pessoal. Fiquei sem internet. Minha beta não me responde mais (sabe-se lá o motivo...), por isso o capítulo não está betado. Qualquer erro, me perdoem e podem avisar nos comentários para que eu possa corrigir. Boa leitura! ^.^

Um raio de sol incomodava os olhos de Ciel.

– Bom dia, mestre!

O garoto sentou-se, gemendo. Esticou os membros pela enorme cama e percebeu o mordomo aumentar a fresta do dossel. Observou calmamente o desjejum ser servido. Sorveu um gole do chá avermelhado com um suave cheiro de hibisco. A fina fatia de bolo de chocolate e cereja permaneceu intocada em seu prato. A mão ferida repousava ao lado do corpo com delicadeza.

– Meu mestre não gostou do bolo? Posso trocá-lo.

– Não será necessário, Sebastian. – Ciel mordiscou um pequeno pedaço. A suave dança começou em seu interior, dois sabores únicos lutando por espaço, travando uma batalha sem vencedores. Primeiro o amargo chocolate ataca, vindo do merengue, mas a doce cereja em pedaços defende-se bravamente, eles giram e suas espadas se cruzam. A língua do jovem era o cenário perfeito para o desenrolar, era como uma virgem de vermelho escarlate sendo disputada, e ela adorava. – Está suficientemente bom.

O mordomo sorriu, se curvando. Sabia que seu mestre era humilde em elogios, mas em silêncio deliciava-se com os dotes culinários do subordinado. Sebastian poderia listar todos os sabores preferidos do mestre, o que não gostava, o que já comeu e quando, podia até mesmo prever do que o garoto gostaria de experimentar. Era uma necessidade inicialmente profissional agradar ao jovem de todas as maneiras possíveis, mas com o passar do tempo tornou-se uma diversão.

– O jornal está em seu escritório, como de costume. – Começou, prestativo. – Nenhuma notícia exaltante, apenas alguns poucos assassinatos envolvendo ópio e uma mensagem furiosa de um professor sobre o descaso da saúde pública.

– Como se fossemos responsáveis pela nojeira a que se submetem...

– Algumas cartas da companhia para serem assinadas também estão sobre sua escrivaninha para serem analisadas. Um convite para baile de máscaras de Sir Nicholas Bellmont, que está comemorando seu noivado com Lady Scarlet Middleford, prima de Lady Elizabeth.

– Escreverei uma resposta adequada dizendo que aceito. Minha prima jamais me perdoaria por perder essa festa.

– Será em três dias, que fantasia devo preparar-lhe?

– Algo sóbrio e discreto. Como não suporto convites em cima da hora! – Ciel exclama aborrecido.

...

Era o dia do baile e Ciel usava calças justas de pelica, casaco escuro de lã fina e uma máscara negra tapava totalmente um de seus olhos. Os cabelos brilhavam na luz das velas e seu corpo esguio parecia muito maior e mais velho do que realmente era. As mãos, cobertas por uma delicada luva de seda preta, seguravam a borda de um lenço branco em seu pescoço.

Sebastian o ajudou a descer da carruagem de quatro cavalos. No momento em que seus pés tocaram o chão de pedra e seus olhos subiram, não havia uma única pessoa presente que não o olhasse. Como era o único convidado tão novo com aquele perfil e pose superior, todos sabiam se tratar do famoso conde misterioso, que dificilmente participava da socialite londrina e mantinha uma estranha relação com a Rainha.

Mantendo o rosto altivo, o garoto mostrava que sabia como ninguém como se portar em um evento que corria por cada boca da Inglaterra. Com um sorriso matreiro no rosto, passou por todos dirigindo um cumprimento a quem julgava digno, deu felicitações aos noivos e se dirigiu ao salão principal para dançar.

– Jovem mestre irá dançar? Vejo que é um dia de romper com certos padrões: está em uma festa sem intenções investigativas e agora irá dançar.

– Hum. Mantenha-se em seu lugar, Sebastian. Espere enquanto convido Lady Amelie para a próxima balada.

Ciel andava para o sofá acomodado em um dos cantos, onde os convidados mais embriagados sentavam-se para beber ainda mais. A garota estava sendo espremida entre o corpanzil de um velho barbudo muito saliente e o peito de outro aproveitador. O maior cuspia em suas orelhas piadas aparentemente sem humor algum, enquanto o outro a olhava de cima a baixo com malícia em seus lábios. O sorriso iluminou sua face inocente ao aceitar a mão do jovem e ver quem era seu salvador.

– Não deveria dançar apenas com sua noiva, conde? – Indagou, duvidosa, a conhecida.

– E deixa-la nas mãos desses pervertidos? Minha noiva infelizmente não pôde estar presente, ela está muito longe. Afinal, onde está sua dama de companhia?

– Sei que era para ela estar comigo, mas meu irmão sumiu e pedi para que Yasmin fosse atrás dele. Não o vejo desde que chegamos. – A menina demonstrou sua preocupação.

...

A música acabou e Ciel levou Amelie até Sebastian.

– Por que não espera com meu mordomo enquanto procuro os dois para você?

– Seria muita gentileza de sua parte, conde. – Agradeceu com olhos brilhosos. – Conhece meu irmão e Yasmin tem olhos pequenos como os homens das sedas, não deve ser difícil reconhecê-la.

Andou por quase todos os salões da casa e não via sinal do irmão da garota nem de sua dama. Decidiu-se por entrar em um dos corredores mais afastados que levavam aos cômodos principais. Um grito grave e másculo veio de um dos aposentos à esquerda. Reconhecendo a voz de Peter Cellie, apressou-se e, silenciosamente, empurrou a grande porta de madeira. A sala estava mergulhada na penumbra e a única iluminação era a dos lampiões do jardim. Ao ter sua vista acostumada, logo arregalou os olhos.

Nicholas Bellmont pressionava Peter de costas para ele encostado em uma escrivaninha, prendendo suas mãos aos lados do corpo enquanto sibilava ao pé de seu ouvido.

– Não é apenas porque estou me casando que poderá fugir de mim, Peet. Você é meu. Posso estar casado, viúvo ou morto, nunca poderá fugir de mim. É meu e isto estará para sempre queimado em seu peito, sabe disso.

– Sou seu! Nick, sou seu! – Peter retorcia o rosto, talvez pela dor que sentia nos pulsos.

– Agora vá, preciso cuidar dos convidados. Vejo-o amanhã?

– Passarei para o chá da tarde.

O mais novo saiu e parou em frente à Ciel. Os dois empalideceram e o conde deu espaço para o outro passar.

– Sua irmã está te esperando, ela está preocupada. – Acusou.

– Oh! Me esqueci completamente de Amelie. Obrigada.

O mais velho, percebendo a presença do garoto, convida-o para sentar-se.

– Parece que precisamos ter uma pequena conversa, Phantomhive...

...

– Sobre o que quer conversar comigo, Sir? – Perguntou calmamente Ciel. Por dentro, o garoto transbordava curiosidade, sua voz presa na garganta saía apenas com muita pressão.

– Sobre o futuro, é claro! – Respondeu Nicholas, sem o menor pudor com relação a cena que sabia ter Ciel visto. – A não que esteja muito chocado como que ocorreu agora para conversar. – Pára para pensar.

– Não estou chocado! – mentiu rapidamente o garoto. Jamais passaria por seu orgulho por alguém como ele, um simples senhor. – Apenas não entendo o que alguém dono de uma rede de mercadores, noivo da prima de minha própria noiva, pode querer com o filho de Arthur Cellie, um simples estudante de arquitetura, cujo pai faleceu, deixando sua fortuna ao primogênito Clode Cellie.

– Como é cínico, conde. Ou será que nosso jovem Phantomhive pode mesmo ser tão ingênuo? – Questionou, com certa imprudência. O garoto era muito mais influente que Bellmont e poderia acabar com sua fama e dinheiro com poucas investigações e algumas amizades. – Todos os nobres possuem relações com alguém fora do matrimônio. É como uma regra da elite. Bom, todos os nobres homens, obviamente! Fiz alguns empréstimos para a família dele, Peter é meu prêmio por ser tão generoso.

– Pensei que fosse um homem religioso, Sir. – Ignorou o insulto implícito. – A Igreja condena tais atos como pecados. E realmente vê-o como um prêmio?

– A Igreja nada sabe da verdade, apenas as mentiras que foram plantadas pelos pecadores para que apenas eles pudessem pecar. Eu concordo e confio na Igreja para proibir tais atos. Apenas alguns podem ser felizes com a verdade, para isso a felicidade de outros deve ser sacrificada. Quantos mendicantes não teríamos por aí se todos pensassem que podem ter filhos com quem quiserem! E quanto a sua pergunta, ele é meu e vejo-o como bem entender.

– Trata-o como seu escravo, ou servo, o que não é nada condizente com a posição nobre a qual ele pertence.

– É meu servo porque o quer ser! Não o obrigo a nada e dou-o muito prazer também. – Revidou a um Ciel perdido e irritado. – Mas não é isso o mais importante. Quero falar-lhe sobre negócios. Gostaria de propor-lhe um acordo. Há tempos que venho pensando em campanhas para valorizar a companhia que herdei de meu tio, querendo ampliá-la na Inglaterra e leva-la a toda a Grã Bretanha e Irlanda!

– E como pretende isso? – Ciel perguntou, já prevendo ser algo que não gostaria de saber.

– A primeira parte do plano já está sendo posta em prática, apenas em Londres temos doze lojas filiadas. Não são imensas, mas atendem uma grande parte da população. Criei um mascote, o leão, que é o símbolo de minha família. Traria muitos benefícios tanto para a Phantom quanto para a Bellmont se pudéssemos nos unir. Sua empresa poderia fornecer mascotes de pelúcia por um preço sugestivo, nós teríamos privilégios nas vendas.

– Não vejo como isso me beneficiaria. De qualquer forma, pensarei no assunto. – Virando-se rapidamente ao garoto, completou. – Ah! Conde, parece-me que Lady Amelie afeiçoou-se a você.

Enquanto Ciel saía da sala, inúmeras dúvidas rondavam sua cabeça.

Notas finais
Editado. >u< Qualquer erro, comuniquem-me, por favor! :3