Tão belas as flores! Tão amarelas e simplórias!

O vento trazia o perfume adocicado pela grande janela aberta. Ciel Phantomhive jamais esqueceria aquelas flores. Estariam sempre ali. Não para serem admiradas como o fazia agora, mas para lembrar.

“O inverno está aqui, pensou com amargura, seu olhar perdido em meio aos vultos de capas negras. As flores escurecidas caíam no solo branco. Com um último suspiro, voltou-se para a floresta, o lugar de onde nunca deveria ter saído.”

Com os olhos fechados, tenta nublar a visão dos acontecimentos que ainda o atormentavam, sempre o atormentariam. “Sim. Lembrar. Mas não agora! Agora preciso de um chá!”.

– Sebastian! – Diz o garoto com pouco mais de treze anos.

– Sim, mestre! – O mordomo, como sempre, aparecera imediatamente, abrindo a porta sem nenhum ruído.

– Traga-me um chá.

– Certeza, jovem mestre? Ainda não são nem duas horas! – Com o olhar reprovador de Ciel, o mordomo assente – Como quiser, meu Lorde.

O mais velho rapidamente sai para preparar o pedido, deixando o conde sozinho em seus pensamentos novamente. Senta-se na grande cadeira, que um dia fora de seu pai. Naquela mesma mesa, Vincent assinara os papéis. Os papéis malditos! Naquele mesmo cômodo de piso escuro e longas paredes amarelas cobertas de pinturas e retratos antigos, ele fora assassinado. E naquela mesma mansão, há alguns metros para a esquerda e dois andares para baixo, sua cria recebera a pior das possíveis consequências de seus atos.

...

– Meu Lorde? – Ciel ouvira o mordomo chamar percebendo que não era a primeira vez. – Está tudo bem? Parece meio distante...

– Estou ótimo! Leve o chá, é cedo demais para isso e é demasiado doce para um dia tão meloso como esse.

– Peço seu perdão. Foi um erro servir-lhe um chá tão inapropriado como este. Meu mestre gostaria que eu chamasse sua noiva para uma visita amanhã? Talvez isso lhe anime.

– Como pode pensar que me animaria passar uma tarde inteira ouvindo aquele falatório que apenas ela sabe fazer? – Ciel exclama com uma nota de pavor em sua voz.

– O que gostaria de fazer então?

– Huuum... Talvez esteja na hora de fazer uma visita àquele lugar... – Responde já voltando a pensar novamente em silêncio. O mordomo tendo compreendido a ordem, sai levando o carrinho de chá.

Notas finais
Opiniões? Críticas? ^.^