Doce Ilusão
1 OneShot
Estava iludido por ele, por aquela ilusão de cabelos de fogo. Que, aliás, o único calor que possuía estava na cor de seus fios. Ele em si era frio, tanto em temperatura quando em suas atitudes automáticas.
Mesmo assim não se cansava dele ou tentava mudá-lo, era tudo o que tinha, tudo o que tinha sobrado de seu verdadeiro amado: memórias que o solitário elfo trouxera à vida em forma de uma ilusão sólida e muda. Jamais conseguira dar voz à ele, talvez por medo que a ilusão repetisse as últimas palavras ditas por seu original. Caxias teria de se contentar com apenas a própria voz e o som alto da própria respiração irregular.
Ainda desejava por seu toques frios e carícias brutas. Precisava amenizar a dor que aquele sentimento tão forte lhe causava de alguma forma. Não era o mesmo que ter o original consigo, aquele Bardinar sempre caloroso e atrevido não lhe pertencia mais, ou talvez nunca tivesse pertencido. De uma forma ou de outra, sempre fora um amor unilateral.
Mas depois de todas vezes que desfrutava da companhia e frieza de sua amada ilusão, despertava no dia seguinte sem encontrá-la. Nem o ruivo ilusório e nem qualquer uma das marcas deixadas por ele no corpo pálido do elfo estava ali de manhã. Tal como seu original, a ilusão tornava-se uma memória, e mais tarde, uma nova e repetitiva ilusão. Um ciclo vicioso do qual Caxias era incapaz de escapar.
Seus dias estavam fadados àquela triste e fria rotina. Apaixonado por uma ilusão e maltratado pela realidade por trás dela.
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