Doce, Eugeni
1 Feliz ano bom
Notas iniciais
O século XX iniciava-se e Álvaro estava ansioso.
Estacionou o carro em frente a casa de Eugeni, aguardando-a para irem juntos à festa de ano bom na casa de Bilac.
Não esperava nenhuma serendipidade naquela noite, até Eugeni aparecer na sala, trajando um belíssimo vestido branco.
Seu queixo caiu.
“A sociedade carioca ficará decepcionada ao ver a dama de calças usando um vestido na chegada do século XX.” Estendeu a mão, coisa que não fazia desde que Eugeni incorporou a moda masculina.
“Terão que achar outra notícia para o jornal da quinzena.” Eugeni segurou a mão dele. “Tereza mandou-me o vestido meses atrás e estava injuriada por eu não tê-lo usado. Acredito que hoje seja uma data perfeita para homenageá-la.”
“Não tenho palavras.”
“De fato, um besante por teus pensamento.”
Álvaro queria cantar a beleza dos olhos de amêndoa da prima. Faltando sopesa em suas ações.
“Preciso confessar uma coisa que me atormenta há tempos.” Ele falou, enquanto Eugeni serviu duas taças de conhaque para relaxarem. Álvaro tirou o chapéu e bebeu em um gole.
“Esse suspense me mata.”
“O que me mata é estar longe de ti todas as noite.” Álvaro desatou a falar todas as poesias que compôs em seu nome, fazendo os olhos de Eugeni crescerem e o rosto avermelhar. “Se depois de tudo isso, desejar me expulsar de sua casa, eu entenderei.”
Ela nada disse inicialmente, e depois caminhou tranquila pela sala.
“Seu amor por mim não é uma dedicação fervorosa?”
“Essa pergunta me magoa.” Álvaro serviu mais conhaque. “Eu seguro meu coração desde que partiu para Londres. Quase me atirei ao mar quando me contou que namorava.”
De costas, Álvaro sentiu a mão de Eugeni tocar seu ombro.
“Querido…”
Virou-se, surpreendido com um beijo. Contente, a envolveu em seus braços.
"Feliz Ano-bom."
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