Balada sangrenta-parte 1






Era noite de lua cheia, as nuvens estavam negras e cobria a lua quase por inteira, a cidade de Paris...A cidade dos apaixonados, amantes, das luzes e entre outros nomes parecia uma arvore de natal, alguns carros estavam parados em frente das vitrines de lojas caras onde você gasta uma fortuna*em vez de doar, ficai ai gastando, que coisa feia!*.


A noite estava gelada como se o inverno estivessem ganhas forças como se fosse o inicio do fim de ano, a neve caia e deixava as ruas cobertas por sua tensa e deprimente cor...O branco, o vento frio parecia um chicote para os humanos que abraçavam cada vez mais o casaco de peles (verdadeiras ou falsas) contra o corpo com a deprimente idéia de se esquentarem.


-rebeca?-ouvi uma voz familiar...Era chalotte a loira fatal o desejo de quase todos os meninos lá da escola que babavam em cima dela, e quem não ia?Seu corpo tem tudo no devido lugar, ela é como uma daquelas modelos das revistas como a Marie Clarie OU A Gloss,se ela não fosse uma caçadora com certeza ela seria uma modelo.


-olhe lá para baixo -falei olhando para os inúmeros pontos pretos que andavam de um lado para o outro -não acredito que eles não se tocam...Que eles sejam tão cegos para enxergar a verdade –falei ainda olhando para baixo sentada no parapeito do mais alto e luxuoso edifício de 15 andares de PARIS.


-rebeca?


-sim?


-a nossa missão é tentar pegaralguém que esta matando.-falou me olhando enquanto eu ainda me encontrava ali olhando para baixo sentada no parapeito ao lado de uma gárgula com cara de mal.


Como eu sabia?


Simples, eu podia sentir seu olhar me examinando e observando, chalotte sempre cuidou de mim como se eu fosse uma irmã mais nova e que precisava de carinho e cuidado, mesmo a gente sendo da mesma idade.


-como?


-o “velho” ligou falando que houve uma morte ao lado da casa de dança balad blood +


-hum...Interessante.


-temos dois convites VIPS!-falou me mostrando dois cartões pretos com algo escrito em letras góticas vermelha e delas escorriam um pouco de tinta como se elas estivem sangrando.


Pelo jeito ela não estava ligando para o trabalho de 200linhas que a professora Carla*homenagem a minha professora louca*tinha passado, ela só queria saber de diversão, ficar, álcool e entre outras coisas em vez de notas altas o que ia nos fazer sair -outra vez –do ensino médio, fazer o ensino médio repetidamente era torturante e deprimente...Era como um dejá vu, algo que eu não queria.


-então vamos!-falei me levantado e jogando meus braços ao lado do meu corpo deixando o vento levar meus cabelos para frente e para trás, depois de alguns minutos me virei para chalotte sorrindo e saltei para frente.


-vamos!-falou andando ate a porta do terraço e abriu, assim que abrimos a porta às luzes da escada se acenderamiluminando as paredes cor de salmão estreitas o que fazia só duas pessoas passarem por ali.


-rebeca, tome!-falou se virando para mim e jogando alguma coisa preta que caiu nas minhas mãos, e eu reparei que era uma estaca de madeira trabalhada a mão preta com um desenho de cruz vermelha.



Pelo jeito quem que esta matando é um vampiro!


-para que eu vou usar isso?-perguntei apontado a estaca de madeira negra-porque em vez de usar uma estaca não posso usar uma arma cheia de balas feitas de cruzes dos montes budistas, católicos?


-não sabemos que poderes ele tem!


-e por acaso conseguirei matá-lo com isso?


-é o que acho!


-só em seus sonhos!-sussurrei contra a minha vontade de bater nela e atacá-la só para ela ver que uma estúpida estaca não ia me proteger de um vampiro.


Descemos as escadas em silencio, um silencio torturante que foi quebrado por uma musica de paramore, olhamos para o bolso da calça djean da grife cat girl, ela estava usando uma regata preta de manga longa, ela colocou a mão no bolso da calça e tirou um celular caro da nokia no estilo de mini TV e atendeu, ela falou um pouco e depois colocou no viva para que eu também ouvisse.


-rebeca?-ouvi aquela voz carinhosa, penetrante e ousada sempre me fazia bem era como se nada tivesse acontecido.


-sim?Fale!


-quero que vá ate “balad blood+”.


-ta, estou indo.


Assim que falei aquilo corri escada a baixo com a estaca junto do meu peito como se a estivesse protegendo de algo, as luzes acendiam e depois se apagavam, meus andares era os 14 e 15, a minha casa ou apartamento é de dois andares, o que fazia eu e chalotte estarmos no topo de todas as listas de festas, baladas e entre outras coisas.


Subi as escadas de pedra com corrimão de metal e fui ate meu quarto e entrei, as janelas estavam fechadas-4 janelas -com uma cortina de seda preta, eu tinha o privilegio de ver a cidade e a torre dali, minha cama é enorme e estava coberto com um cobertor vermelho vinho e algumas almofadas negras.


-rebeca?


-não sabe bater na porta?-perguntei ainda olhando para a janela, para mim aquilo era um privilégio e a melhor coisa para se fazer antes de morrer ou pelo menos quase por culpa de uma estúpida estaca.


-não temos tempo para suas reclamações.


Olhei para o relógio que fica na mesinha ao lado da minha cama e vi que eram 6:10 e eu só tinha 20minutos tirando os minutos que talvez eu venha a perder no transito.


Eu devia agradecer aos céus ou ao inferno por eu ser uma vamira, assim eu podia me arrumar mais rápido, mais tinha uma questão: o que vou vestir?



Legal, isso que é conspiração contra mim, eu não sei o que vou usar e nem o estilo, ta legal que pelo nome deve ser alguma balada gótica.



- o que foi?


-não tenho uma roupa adequada para o momento.


-mais eu tenho!-falou levantado um cabide com desenho de um gato vermelho com uma lua perolada, as roupas deviam ser da grife girl gothic,a grife que eu mais amo,não que eu seja gótica mais porque as roupas são originais e também porque não seguem o rigorosa listas de regras da moda.


-para que isso?-perguntei com uma sobrancelha erguida em duvida se eu devia estar louca ou sonhando, andei ate ela e peguei um dos cabides que estava protegido por plásticos transparentes, e o levei ate a minha cama o colocando ali o abrindo.


-nos duas vamos usar essas roupas!-falou puxando o zíper para baixo e depois jogando o plástico para trás revelando um lindo conjunto.


A roupa é muito bonita parecia com aquelas roupas de princesas góticas ou daquelas personagens do livro sentimento maldito, a roupa é uma saia preta cheia de babado curta e uma blusa vermelha com mangas longas com um decote em V, no outro cabide-que estava nem cima da minha cama -preto com desenho de uma arvore seca com um gato em um galho olhando para a lua perolada, se encontrava um vestido vermelho sangue rasgado nos joelhos e sem mangas, só uma tira de veludo preto com pedras vermelhas preso por um pingente de ouro com uma pedra branca parecia proteger a parte dos seios.


-para que isso?


-a casa de dança é gótica e como você gosta da grife mais chique dos góticos, tive a ousadia de ligar para a nick e pedi para me mandar essas roupas da nova coleção dela.


Nick é uma vampira estilista e uma das mais famosas no mundo gótico, sempre desenhou roupas góticas e nos fomos suas primeiras modelos.


-meus deuses!


-rebeca, nos vamos em missão e nos divertir!


-TDB, mais se nos não discutirmos.


-não vamos não!


-então ta, vou tomar um banho e me aprontar.


Chalotte parecia uma criança, eu sempre achei por ela ter estado em choque durante 4meses e sem falar durante 3meses, achei e ainda acho que ela não viveu sua infância como qualquer criança da nossa época.



-chalotte,velha aqui!-o velho falou olhando para a escada, depois de alguns minutos uma menina um pouco mais alta que eu com cabelos loiros que vão ate a cintura e usava um vestido branco no estilo gótico com um arco em forma de orelhas de gato descia a escada.


-chalotte,essa é rebeca!


-prazer-falei sorrindo.


-ela não fala desde do acidente.


-que acidente?


-o massacre na sua casa!


-como?


-a encontrei abraçada a dois corpos ensangüentados no jardim da sua casa, algumas horas antes da chacina.


Fiquei olhando para a garotinha que parecia um anjo gótico com aquele vestido e com seus olhos azuis sem vida, fiquei com pena e minha garganta apertou, eu não podia acreditar que nos duas, duas crianças de 5anos ficaram órfãs do dia para a noite, ou melhor, da noite para o dia.



Relembrar daquela época é torturante e dolorosa, nos éramos duas crianças.Duas vampiras que nunca tinha matado ou sangue humano correndo nas veias -bebemos sós de animais — então por daquilo?


Não adiantava me perguntar o porque, nem eu sabia o motivo daquilo tudo, era um mistério.Aquele mistério assustador.À noite.Noite sangrenta parecia cena de um filme de terror.


Andei ate a porta do banheiro e entrei, ele é como todo os outros banheiros de ricos, pia de pedra importada, a torneira de ouro, o azulejo de um material tipo cristal, a banheira branca e a janela grande ao lado da banheira que me dava outra vista privilegiada.


Coloquei o cabide onde se encontrava a minha roupa da grife girl gothic em cima da pia passei a mão como se estivesse examinando ou vendo que aquilo era real, depois fui ate a banheira e liguei a água quente e deixei enchendo enquanto eu ia a direção do espelho.


-eu pareço uma morta...Na verdade você esta morta... É uma morta-viva!-sussurrei para o meu horrível reflexo no espelho, minha pele era tão clara que parecia giz, meus cabelos que na raiz são lisos e na ponta cacheados estavam brilhando como uma noite sem estrelas, meus olhos negros que no momento estavam com uma cor de ocre envelhecido pareciam sombrios e frios.


-para com isso!Você é bonita!-sussurrei outra vez para o reflexo horrível no espelho, eu não me achava e ainda não me acho bonita muito menos linda, mesmo eu sendo uma vampira.



Não seja estúpida!Chalotte é mais bonita que você.



Ouvi uma voz que parecia sair do meu intimo falar, chalotte, sempre foi o desejo de quase todos.


Eu ainda me lembrava quando ela entrou no refeitório com aquela saia preta curta e a camisa com o símbolo da escola no tamanho P, todos os olharem de desejo, luxuria, inveja e ciúmes foram dirigidos para uma “chalotte cabeça oca” que parecia não perceber aquilo.


A saia se movimentava para frente e para trás, chalotte parecia uma daquelas modelos da sessão de roupas intimas da boticário ou da avon,com aquele corpo ela seria capaz de parar o transito.


Ela sempre será melhor que você...Em quase tudo


Aquilo que o canal você é um fracasso estava dizendo fazia todo o sentido o que fazia eu ficar chateada e quase deprimida, chalotte era quase melhor que eu.


Tentei sair do “canal você é um fracasso” e tentei me consertar na missão, eu não sabia quem era e nem o porque dele esta fazendo isso, vampiros só matam por necessidade ou por vingança, então deve ter algum motivo.


O banheiro foi coberto por uma tensa nevou quente, o espelho estava ficando embasado, mais eu ainda me via nele, aquele ser que não é nem viva nem morta, é os dois juntos refletido no espelho rindo da minha cara e apontando o dedo para mim.


Desiste, você nunca vai saber o que é o amor, amar ou ser amada...Nunca.


O “canal você é um fracasso” agora jogava na minha cara toda a verdade como se esperasse dias, semanas, meses, ano ou séculos para falar isso para mim, fiquei olhando para o espelho agora todo embasado, mais eu ainda via aquele reflexo no espelho rindo de mim.



Você é um fracasso...Deixou seus pais para trás...Para morrerem.



Aquilo foi à gota d água, de repente meu corpo foi inundada da essência de raiva, levantei minha mão fechada e a vi descer em câmera lenta contra o espelho que se despedaçou.


Não desiste de quebrar espelhos?



Eu não desistia, quebrar os espelhos tinha virado uma rotina tentadora, eu me via sendo refletida nos inúmeros cacos que se encontravam espalhados na minha pia de pedra.Eu estava horrível.


Tomei um banho ainda com aquela sensação que precisava quebrar mais alguns espelhos para sair daquilo que eu sentia, imagens do dia do meu aniversario apareceram na minha cabeça.



-mamãe como estou?-perguntei sorrindo, naquela época eu era tão inocente.Pura.Não conhecia a dor, o sofrimento e nem o terror.


-você esta magnífica meu bebe!-mamãe falou com uma voz angelical e musical, eu sempre considerei minha mãe uma princesa dos contos de fadas, sua pele branca como a branca de neve a fazia ficar mais linda, ela usava um vestido branco longo colado ao corpo e tinha um lenço branco preso com um laço em volta do pescoço.


-onde esta as duas mulheres da minha vida?


-papai!-falei descendo as escadas e pulando no colo de um moço moreno, ele era mais alto que minha mãe -com seu mero 1,65 de altura-ele era musculoso, seus cabelos loiros estavam bagunçados como se ele tivesse saindo de uma guerra.


-de uma volta para que eu veja como esta a minha princesa!-papai falou m pondo no chão e obedecei, dei uma volta como uma modelo e depois olhei para papai que abraçou a mamãe.


-o que achou papai?


-esta linda como sempre!


-eu não acredito que a nossa filhinha esta fazendo cinco aninhos.


-nem eu querida!


-como o tempo passa rápido.



Só de lembrar do ultimo momento em que estivermos felizes e juntos era como uma facada no meu coração -se eu tivesse um — eu sempre me culpava por não ter voltado e ajudado a minha família, tirei aqueles pensamentos da minha cabeça e peguei o vestido vermelho e o vestido, depois peguei o coldre de couro e depois a estaca.


Sai do meu quarto e fui ate a sala, a mesa retangular com um vaso de cristal com rosas azuis, sofás de 2 e 3 lugares em cada canto da sala de TV, na sala 5 por 5 metros se encontra uma TV 39 polegadas e um som de cinema.


-rebeca?


-fale chalotte!


-temos que ir


-então vamos!-falei me virando para ela, a roupa caiu como uma luva nela, a fazia parecer uma deusa, ate a Afrodite ficaria com ciúmes, eu não conseguia ser como ela, eu só conseguia imaginar a imagem do reflexo horrível e não de uma deusa de algum santuário.


-rebeca, não esta esquecendo de nada?


-o que?


-isso!-falou apontando para um pote com algo escrito como “sangue D”, com um liquido vermelho dentro, meus olhos começaram a arder e eu senti algo pontiagudo contra meu lábio inferior,vi que eram meus dentes de vampira e pulei em chalotte que soltou o vidro e eu peguei tirando a tampa e engolindo o liquido quente com rapidez.


-agora podemos ir-falei depois de limpar o sangue que estava nos meus lábios.


-que bom.



Continua...