Doce Emily
22 Máscaras.
perfeito para uma morte...
Senti minha garganta seca. ‘’ Acho que estou com sede’’ pensei, saindo do quarto.
Fui andando pelo corredor, todas as portas estavam fechadas, todos devem estar dormindo. Se eu quisesse pôr fogo na casa, provavelmente ninguém sobreviveria. Tão indefesos quanto um ninho de passarinhos, cercados por gatos famintos...
Quem sabe eu realmente deva fazer isso, pensei por um segundo.
Mata-los é uma ideia tão tentadora e atrativa...Ninguém deveria ter essa dúvida. ‘’Mata-los ou não não mata-los’’? Es a questão. Sorte a minha não ter essa dúvida. Vou mata-los. Quando chegar a hora.
Fui descendo as escadas silenciosamente. Meus pés descalços tocavam o chão na pontinha dos dedos. Não queria acordar ninguém, e se John me visse andando feito um fantasma pela casa as duas da madrugada pensaria que estou tentando fugir e, provavelmente, mandaria Derek dormir no meu quarto pra ficar de olho em mim.
Sério, John é paranóico. Muito paranóico. Certo, exagero meu, talvez pôr Derek na minha cama,- me retraí com a ideia — não seja uma coisa que meu ''papai'' faria. Mas com certeza me daria uma surra antes mesmo que possa ter a oportunidade de abrir a boca para argumetar. Claro que, se ele fizer isso, o matarei sem pensar duas vezes.
Melhor não arriscar. Cheguei á sala de estar, a luz estava apagada, mas não tão escuro a ponto de me fazer tropeçar nos meus proprios pés.
As vezes,( quase sempre) eu odeio esta casa. É tudo tão elegante, desde os movéis, ás pessoas que vivem nela. É toda arte e moda. Dinheiro e hipocresia.
Ódio e falsidade. Família e estranhos convivendo na mesma casa, como animais selvagens, um matando o outro pela própria sobrevivência. Conveniência. Imagem. Dinheiro. Vaidade. Tire isso dos Mitchells e eles não serão nada além do que bosta de cavalo. ‘-‘
Ótimo. O ódio volta a superfície. Borbulhando como as larvas de um vulcão, dentro de mim, em meu peito. Minhas mãos estavam em punhos sem eu ter percebido. E eu não precisava olhar em um espelho para enxergar o meu reflexo assassino. Isso estava em meus olhos, e eu sentia em cada parte do meu corpo, em cada músculo, como uma onda avassaladora de raiva destrutiva. Fechei meus olhos.
Não era apenas raiva. Era mais que isso. Muito mais que apenas ódio.
Era desejo. Um desejo assassino. E eu percebi que todo esse tempo eu não estava errada, não era apenas o ódio, o rancor, as minhas memórias perturbadoras que me levam a querer vingança. Não, não é apenas isso.
A verdade é que eu preciso ter sangue nas mãos. Preciso mata-los. Isso é o que há abaixo da superficie. Por baixo desta máscara de boa menina, isso é o que eu sou: Um monstro com um desejo mortal, um atrativo para a morte. O que resta de mim é o desejo de matar.
Acho que já passei tempo demais me controlando. Tempo demais com minhas mãos limpas. E não é apenas o prazer do sangue fresco em minhas mãos, é o olhar que vejo nos olhos deles quando suas vidas vai se esvaindo. É saber que eu sou a causadora do seu medo, do terror, dor e desespero em seus rostos.
– Tudo bem, senhorita? — uma voz chamou.
Abri meus olhos, pisquei algumas vezes na escuridão antes de reconhecer a silhueta arredondada de Glória. Ela usava uma camisola branca enorme cheia de babados nas mangas e na gola.O cabelo loiro preso em duas tranças que caiam em seus ombros largos.
– Sim.- respondi com um sorriso. — está tudo ótimo.- Não sei, mas até pra mim que não estava vendo meu rosto, meu sorriso pareceu sinistro.- O que está fazendo aqui, Glória?
–Oh. – soltou receosa- Bem, eu...eu estava...estava...Não importa o que eu estava fazendo — ela parecia encabulada — O que importa é o que você faz acordada perambulando pela casa quando deveria estar na cama.- pôs as mãos na cintura e uniu as sombrancelhas.
Apenas sorri.
– Eu estava com sede e vim beber um copo d, água. — Andei em sua direção. Passos firmes e, por um segundo, vi medo em seus olhos.
Eu não estava fazendo nada, apenas sorrindo e Glória parecia estar vendo a versão feminina de Freddy Grugrer olhando pra ela. Maravilhoso.
Parei na frente dela. Sorri.
– Na cozinha.- e passei por ela.
Dei dois passos em direção a cozinha, mas parei. Mãos gordinhas agaravam meus braços, me parando a caminho.
Virei meu rosto lentamente e olhei para Glória.
– O que há de errado?- perguntei. Não estava mais sorrindo. Agora eu estava muito puta por ela ter me tocado.
– Deixe-me pegar sua água, senhorita. – disse Glória.
– Porque? – perguntei séria.
– Por-porque eu sou a empregada, lembra?- Uma fracassada tentativa de um sorriso brotou em seus lábios.
Ela está escondendo algo. Certeza. Preciso descobrir o que é antes de mata-la.
– Obrigada- tirei meu braço de suas mãos -mas acho que posso pegar um copo d água sozinha. — lhe dei as costas.
– Senhorita....- Glória veio atrás de mim.
Cheguei na cozinha e sorri.
Ah, então é por isso que não queria que eu não entrasse na cozinha? — perguntei me virando para ver uma Glória muito gorda corando feito uma adolescente pega pagando boquete.
– Eu posso explicar....- ela tentou mas eu levantei uma mão para que se cala-se.
– Fazendo um lanchinho no meio da noite, hã?- meu sorriso só aumentava- Meu pai sabe que você ataca a geladeira de madrugada? — eu ri da cara que ela fez. Parecia prestes a se ajoelhar aos meus pés e implorar por misericórdia.
– Por favor, senhorita, não conte ao Sro.Mitchell. — Glória pediu levando as mãos ao peito de forma dramática.
– Glória, Gloria, Gloria,..Não estamos jogando um jogo muito justo aqui. — lhe disse- O que eu ganho escondendo algo assim do meu pai?
– O que você quer maldita?! -isso não foi um grito. Ainda.
– Hum, agora estamos falando a mesma lingua.
– oque voçê quer? Diga logo.
– Bem, para começar..quero que pare de ficar me vigiando como um cão de caça.
– São ordens do senhor Mithchell, eu não poss...
–Ordens do senhor mitchell! Cala essa boca, gorda! Foda-se o que aquele velho maldito diz. Ninguém aqui nesta casa segue a risca o que ele diz. Lizzy está virando uma putinha, você ataca a geladeira no meio da noite e poe a culpa em um grande rato gordo, minha mãe é a única que eu ainda não descobri algum podre, mas acredite, farei isso. Se quer que eu fique calada sobre seus demonios noturnos, coopere comigo, querida.
Glória suspirou.
– Está bem...- concordou meio contrariada.
– Ótimo, agora que estamos entendidas, vamos retornar a nossas camas, como devidas damas.
– Vou limpar toda essa sujeira antes – ela pegou o pano em cima da mesa.
– Eu ajudo.- ofereci. Estava tentando distraí-la.
– –Não! – explodiu. – não preciso de sua ajuda, cobra. – olhou profundamente em meus olhos — Sei oque está fazendo com está família. Você é uma cascavel venenosa que retornou para esta casa apenas para atrapalhar a vida de todos, sei oque prentendia desde que pôs os pés nesta casa novamente. Não acredite nem por um segundo que pode me enganar com esse rostinho de anjo. Sei oque você é, é um demonio. Fique longe de mim.
Sorri.
–Claro.
Glória me lançou mais um olhar de nojo e desprezo antes de se abaixar para pegar uma fatia de queijo branco foi para ao chão em um – tenho certeza- de seus atacas de gula.
Deve ser uma coisa natural usar facas, sabe. Você pode usa-las para cortar alimentos, seu uso deve ser feito por profissional — ou não :D — ainda mais se for uma bem afiada. Crianças não devem brincar com fogo assim como devem ficar longe de objetos cortantes. Isso é regra. Mas quem liga? ‘-‘
Lembro-me de ter visto um filme de terror quando criança, eu estava na casa do meu tio Marcos, ele adorava me fazer assistir filmes com ele. John e tio marcos sempre se odiaram, — mas isso é uma outra história. O que lembro-me daquela tarde é de estar sentada no colo de tio Marcos, lembro –me de sua expressão nas melhores cenas. Ele vibrava. Eu apenas observava quieta. Isso o irritava.
Então ele percebeu que eu não compartilhava de sua empolgação para com como ele mesmo dizia ‘’ o clássico do terror, querida’’.
– Por que está tão séria, querida, Ems? Não gosta de terror? Tem medo? Pensei que fosse mais forte. – Tio marcos bufou. Se levantou e foi pegar mais uma bebida.
– –Apenas ñ vejo graça...- lhe respondi sem expressão. Eu tinha apenas 10 anos e já tinha o humor de uma idosa.
Marcos parou a caminho, se virou para mim e parecia zangado.
– Pirralha, você não ver graça em O Massacre da Serra Elétrica? Oque John anda ensinando a voês? Balé e chá da tarde?
– Isso a mamãe ensina a Lizzy.- sorri.
– Ele riu.
– Bem, veja, vou lhe dizer qual a graça deste filme: Não é apenas um cara cortando todo mundo com uma serra elétrica, é um cara fazendo a única coisa que ele sabe fazer. E está fazendo com prazer, querida! Consegue ver como ele usa as mãos naqueles pedaços de pele humana? Ele está criando uma máscara para esconder sua feiura e deformação. – Tio marcos pareceu chateado. — Sabe, ele não precisaria usar uma máscara se as pessoas o aceitassem. O que eu estou tentando dizer é:
– Mate todo mundo e faça uma máscara assustadora com oque sobrar. Hahahahaha...- E foi isso.
Tio marcos riu disso a cada cinco minutos naquele dia. Eu sempre gostei dele. Se é que eu sei que merda é gostar de alguém...Mas isso não importa, porque agora eu sei o que ele quis dizer com ‘’ele não precisaria usar uma máscara se as pessoas o aceitassem.’’ Entendo completamente.
Se eu pudesse esquartejar alguém livremente, eu seria mais simpática. Ou não. Tanto faz. O fato é que havia uma faca naquela mesa. Havia alguém com muito sangue bobeando vida em seu corpo perto de mim. Eu estava em uma boa posição. Ela não. Então eu fiz o que eu deveria fazer. Peguei a faca e ataquei minha governanta pelas costas.
E foi maravilhoso.
– Tente de novo , sua cadela. – sussurrei em seu ouvido. – Você está certa, sou uma cobra mesmo, acabei de dar o bote. Tenho uma faca cravada em você. O que você faz , ein?
– Orrgh...- Glória resmungou. – aahr...Socorr..!- tirei a faca de suas costas e a cravei em seu pescoço.
Ela obviamente, se calou.
– Resposta errada. – sorri- Você não grita, você morre!
Uma, duas, três, quatro, cinco, seis....Foram tantas vezes que perdi a conta.
Não estava mais me importando se fazia barulho, apenas a esfaqueava, era a melhor sensação do mundo. O sangue jorrava por todos os lados, eu me banhava nele, cheguei até a esfregar um pouco em meu rosto. E eu estava tão contente, eu sorria, estava gostando tanto daquilo... Me senti tão livre, o movimento de por e tirar a faca, o leve som que fazia quando aquela pele se rasgava, os fracos gemidos de agonia da minha vítima, acho que ela até chegou a dizer, ‘’por favor’’ , não sei bem... Talvez eu tenha imaginado essa parte em meus sonhos. Sua garganta estava destruida, não levou muito tempo pra cabeça se despender do corpo. A partir daí eu comecei a cortar com certa dificuldade o corpo em pedaços.
Levou algum tempo, mas consegui esquarteja-la. Eu já estava voltando a mim mesma. Precisava me livrar daquilo, e, caramba, como ninguém acordou? Não importava, eu tinha que limpar tudo aquilo, e logo. Olhei pela janela. O sol já estava se pondo. Procurei sacos de lixo nas gavetas do armário e achei. Pus tudo que sobrou da vadia gorda dentro dos sacos pretos e amarrei. Havia tanto sangue, tripas, até...
–Merda- murmurei. Como eu vou limpar tudo isso a tempo? Droga, droga, droga..
Peguei as tripas e fui jogando tudo dentro da pia. Esfreguei o chão o máximo que pude, mas havia sangue até no teto. Eu estava começando a me desesperar.
–Mantenha a calma. –disse a mim mesma.
A única coisa que eu poderia fazer eu fiz. Limpei a cena do crime e me livrei do corpo. O levando para o meu quarto. Foram 5 viajens . Eu descia e subia as escadas tentando ñ fazer barulho. E por último, troquei minhas roupas e voltei mais uma vez até lá em baixo para limpar o sangue que pingou da cozzinha até a porta do meu quarto.
– Ninguém me viu. – suspirei me jogando no tapete do meu quarto.
Os sacos estavam em baixo da minha cama. Eu me livraria deles. Não importa se Derek está no meu pé. Ele parece ser idiota o suficiente para ser distraído. Mas, como explicar a ausência da vaca obesa? Isso eu teria que pensar,. Ou não, isso não era problema meu, . Sei lá, não haveria mais provas depois que eu me livrase dos sacos. É, tudo ficaria bem. Tudo vai ficar bem.
– – Argh!- cherei meu cabelo – estou fedendo a morte. – ri comigo mesma baixinho.
– Acho que gosto desse cheiro.
Mas ainda estava suja de sangue, por isso fui correndo tomar banho.
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Hey, sei que já faz um certo tempo desde que nos vimos, querida. Eu estava com tanta saudade da minha pequena pig que assim que fiquei sabendo que você estava fora, arrumei minhas malas e comprei uma passagem para casa. Nossa casa, não há nada melhor do que nosso lar, você sabe bem , não é querida? Claro que sabe. Nossa família. Não há nada mais grosso que o sangue...
Escute Ems, ainda é cedo e eu quero muito fazer uma surpresa, por isso não conte ao seus pais, sim? Na verdade, quero mata-los de surpresa. Apenas você pode saber que estou de volta. É contigo que preciso falar. Esteja pronta, vou encontra-la no nosso cantinho especial, Ems. Daqui a dois dias, a meia noite.
Estarei lá pequena pig. É melhor que você também esteja...
Obs: Sei o quanto você os odeia, eu também sinto o mesmo.
Assn: Seu querido tio Marcos.
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