Doce Criada
10 Capítulo: pode beijar a noiva
Faltando pouco para se juntar ao noivo, Hinata deixou de olhar as crianças.
Naruto e Hiashi trocaram palavras de respeito. Na sequência, o Sr. Hyuuga entregou sua filha ao futuro marido e se afastou, indo se juntar à sua outra filha e ao sobrinho.
O padre começou a cerimônia.
Conforme ele falava, a noiva passou a espremer nervosamente o corpo do buquê. Não havia sido combinado se deveriam se beijar; aquele detalhe a preocupava.
Tratando-se de uma cerimônia rápida, de um casamento planejado da noite para o dia, não se faziam obrigatórios todos os passos da tradição; o que importava era o contrato assinado.
Pela visão periférica, ela observou o futuro marido e concluiu que ele se mantinha sério e calmo. Confiaria nele; acreditava que ele saberia o que fazer.
Com o tempo, Hinata se acalmou e, de ladinho, seguiu visualizando seu noivo, aprovando seu visual elegante.
Naruto trajava um fraque preto, de quatorze botões, sete de cada lado. A abertura do fraque exibia um colete branco sobre uma camisa branca de gola alta e uma gravata preta. A calça também era preta, introduzindo-se nas longas botas da mesma cor. As luvas eram brancas. A meia-máscara permanecia sendo aquela preta, sem buraco para o olho direito.
— E eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Após a finalização do padre, Naruto manteve o rosto voltado para frente durante cinco segundos. A azulada se virou para o Uzumaki e, percebendo a hesitação dele, considerou que se enganara, concluindo que nem ele pensara na parte do beijo.
Tentando contornar a situação, a noiva se virou de costas para o padre, buscando fitar os rostos das testemunhas.
— Bem, a gente não prec...
Naruto segurou o braço dela, fazendo-a fitá-lo com surpresa. Ele a puxou para si, ficando a milímetros de distância.
Controlou o timbre de voz para que somente ela o escutasse:
— Há mais testemunhas além dos meus criados e de sua família. É necessário mostrarmos que se trata de uma união mais do que formal.
Hinata lentamente virou o rosto, intencionando avaliar o cenário da igreja.
— Não olhe pra lá, fite-me — pediu Naruto, em tom de advertência.
Rapidamente, ela se concentrou em fitá-lo.
Notando que ele pretendia lhe tirar o véu, a azulada respirou fundo, se preparando. As mãos enluvadas afastaram o tecido meio transparente, e Naruto confirmou que aquele rosto feminino se encontrava ainda mais belo.
Empolgada para assistir ao beijo, a Hyuuga comentou:
— Ah agora sim, pensei que não teria beijo. Casamento sem beijo não é casamento.
— Humpf, comporte-se Hanabi, isso não é jeito de dama decente. — Hiashi repreendeu, desgostando em ver a filha mais nova se sacudindo toda feliz.
Aquietando-se, Hanabi mordeu o lábio inferior, suas mãos espremiam a saia do vestido.
Por conta de sua condição, o Sr. Uzumaki possuía uma postura meio curvada, ainda sim, ele era mais alto que a perolada, e precisou abaixar mais a cabeça para ir de encontro aos lábios dela.
Instintivamente, as pálpebras de Hinata se fecharam.
Os lábios femininos se mantiveram fechados ao receberem por cima deles, os lábios grossos do loiro.
Delicadamente, Naruto prendeu entre seus beiços, o lábio inferior da perolada.
Um contato de somente dois segundos, mas que provocou prolongado arrepio em Hinata.
O Uzumaki recuou, levantando a cabeça novamente, e virou-se para frente, oferecendo seu braço à então esposa.
Hinata aceitou o braço oferecido, enquanto sua outra mão continuava ocupada com o buquê. Miina levou a mão até a boca, beijando a palma. Seu pai beijou sua mãe, como o príncipe beija a princesa em um dos contos que Hinata leu. Eles se vestiam como príncipe e princesa. A menina logo acreditou que os dois formavam um casal de contos de fadas.
A nova Uzumaki reparou que a igreja estava mais cheia em comparação a quando chegaram. Desceram do altar e receberam os cumprimentos de Shizune e Kakashi; em seguida, da família Hyuuga. O mordomo que havia guardado a bengala para o patrão tratou de pegá-la e entregá-la a ele.
Menma III soltou a mão da irmã, avisando-a:
— Já podes ir até ela, Miina.
A ruivinha, sorrindo, correu e se jogou contra a saia do vestido da perolada. Hinata se curvou para carregar a menina; entretanto, ao fazer aquele movimento, um barulho ecoou pela igreja.
O padre contornou o altar, perguntando se algo grave havia acontecido.
— Oh, céus! — exclamou a azulada, preocupada. — Acho que o vestido rasgou.
Endireitou a coluna e levou as mãos para trás do corpo. Por meio do tato, confirmou o estrago:
— Um rasgo bem grande.
Miina, chateada, soltou um grito infeliz. A menina afundou o rosto contra a saia da perolada, querendo o colo dela logo.
— Droga, Hinata! Se eu falei pra respirar devagar, significa que deverias evitar movimentos bruscos. — Hanabi se embraveceu, mas não por muito tempo. Tranquila, acrescentou: — Bem, agora és rica, pode arcar com o custo.
Naruto retirou o fraque e colocou sobre as costas da esposa.
— Obrigada, — a azulada agradeceu, curvando-se novamente para entregar o colo a Miina.
A ruivinha abraçou o pescoço de sua madrasta, e Hinata ofereceu o buquê de lírios a ela. Miina arregalou os olhinhos, parecendo receber um prêmio.
Vendo que Hinata estava com os braços ocupados, Naruto abraçou-a pelo ombro, mantendo o fraque no corpo dela e evitando que alguém visse as costas rasgadas do vestido. A azulada o observou brevemente, com sua doce expressividade, agradecendo-o novamente.
Assim, o padre se despediu do casal e, em seguida, das testemunhas escolhidas para o casamento, assistindo-os partirem da igreja.
Vendo que o filho do patrão subiria na sege, Shizune apressou-se em alcançá-lo, segurando-o pelo braço, e informou:
— Marido e mulher vão na sege. A gente vai alugar uma carruagem pra voltar pra casa, Sr. Menma III.
Naruto interveio:
— Está tudo bem, Shizune. Menma III pode ficar no meu colo.
Hinata se surpreendeu com a decisão do marido, mas logo considerou que ele estivesse sendo gentil com o filho, por ser uma ocasião especial.
— Miina permanecerá no meu colo — disse a perolada.
A ruivinha brincava com o buquê.
— Se não for muito incômodo, eu posso levá-los na minha carroça — Neji ofereceu carona aos criados. — O rajadão é muito veloz, e assim não precisarão pagar pela viagem.
— Rajadão... — murmurou Kakashi, olhando para a carroça de um cavalo pertencente ao Hyuuga.
— É uma ótima ideia — concordou Naruto. — Alugarei uma carruagem para levar o Sr. Hyuuga e a Sra. Hyuuga. Os criados irão com o... Sr. Neji.
O primo de Hinata aceitou ser chamado daquela forma, evitando confusões entre seu nome e o nome de seu tio.
Hanabi se empolgou ao saber que não entraria naquela carroça cheia de palha.
Após a família Uzumaki se acomodar na sege, Sai deu a partida.
Silenciosos, o casal desencontrava os olhares, enchendo suas mentes com a recente e doce lembrança do contato de seus lábios.
~
A viagem prosseguia.
Dentro da sege, Naruto não segurava mais o fraque para Hinata, já que as cortinas cobriam as janelas.
A perolada via Menma III descansar o lado do rosto no peito do pai. Em um momento, o menino pegou a mão do pai e retirou a luva.
Meio corado, Naruto colocou a mão nos cabelos do menino.
— "Nem seria difícil o Sr. Uzumaki se reaproximar dos filhos. Ele sabe agir carinhosamente" — refletiu Hinata.
Miina assistia ao pai e ao irmão, até que não tirou os olhos do pai. Ao se sentir observada pela caçula, Naruto tentou não olhar para ela.
Hinata prendeu os lábios, achando uma fofura o desconforto do marido. O Sr. Uzumaki estava tímido, e a expressão da pequena tornava tudo mais engraçado, pois a ruivinha mantinha olhos de coruja.
Chegou a hora em que Naruto não conseguiu manter o olhar distante e virou o rosto na direção da filha. A menina rapidamente levantou o braço, oferecendo uma pétala de lírio para o pai.
Ela estava apenas esperando o momento de ele olhá-la para oferecê-la.
— Aceita, é um presente — Menma III interpretou a ação da irmã. — Pelo senhor ter casado com a Sra. Hyuuga — sorriu. — Agora, Sra. Uzumaki.
Hinata, rosadinha, sorriu; levaria um tempo para se acostumar com o novo sobrenome.
— Obrigado — Naruto agradeceu, aceitando a pétala.
Miina repousou o lado do rosto contra o busto da madrasta e ficou dedilhando as pétalas dos lírios. Em um momento, o filamento que prendia o corpo do buquê se soltou.
— Manhe! — Miina se desesperou, erguendo as flores para Hinata.
A azulada arregalou os olhos, sem se atentar ao desespero da menina, apenas ao que escutou.
— Ela passou a chamá-la assim, Sra. Hinata — informou Menma III, esboçando um sorriso.
A azulada ficou um momento desnorteada e disse:
— E-espero que não se incomodem. Ensinar-lhe-ei a me chamar corretamente.
— Não se preocupe com isso — disse Naruto, calmo. — Se minha filha quer uma referência materna, permita-a que lhe chame assim. Isso não impede que a gente explique a verdade.
— Manhe! — Miina chamou novamente, agora com os orbes lacrimejados.
Hinata pegou as flores e tratou de amarrar o buquê novamente. Com os lírios bem unidos, Miina voltou a sorrir, esfregando os olhinhos para espantar o choro.
E novamente descansou o lado do rosto no busto da madrasta, enquanto namorava o buquê com o olhar.
A azulada falhou em esconder sua emoção, fazendo um bico quase chorando. Ouvir Miina chamá-la de mãe era como se oficializasse a relação de mãe e filha.
~
Com a sege distante de Bielog, Hinata afastou a cortina da janela ao seu lado. A brisa gelada refrescou a família Uzumaki.
Na última hora de viagem, a perolada apreciou o pôr do sol naquele belo cenário de outono, com as árvores exibindo as cores vibrantes das folhas mudando, em um solo verdejante.
Naruto observava como a esposa se maravilhava com algo que, para ele, era tão natural. Com a brisa contra o rosto, os olhos de Miina começaram a se fechar, até que ela finalmente dormiu, babando no peito da madrasta. O buquê escorregou da mãozinha da pequena ruiva, e Hinata tratou de segurá-lo.
Menma III seria o próximo a dormir, mas ao sentir a sege parando, piscou rapidamente, ficando bem atento.
— Chegamos, Sr. Uzumaki — anunciou Sai Diskin.
O menino lambeu os beiços, ansioso para se empanturrar no banquete. Animado, ele se adiantou em sair do colo de Naruto.
— Acorde, Miina — Hinata acarinhou os cabelos vermelhos da menina. — Chegamos, vamos jantar.
Após mais um minuto de carinho, a menina entreabriu as pálpebras, e no segundo seguinte, soltou um bocejo. O Sr. Diskin desceu da carruagem para ajudar a perolada a descer.
Com o fraque sobre o ombro, Naruto interveio, querendo assumir aquele papel. Ele apoiou a bengala contra o chão e ofereceu a outra mão à esposa. Surpreso, Sai recuou.
— Obrigada — Hinata agradeceu, segurando a mão do marido. O maxilar do loiro travou, pois ele se esquecera de pôr a luva. A azulada não se incomodou com o contato da pele do marido; estava mais preocupada em cuidar de Miina, que jazia sonolenta.
Naruto, percebendo a situação, colocou o fraque sobre os ombros da esposa, antes que o rasgo do vestido expusesse suas costas ao cocheiro.
— Puquê — Miina pediu, bocejando pela terceira vez, apontando por cima do ombro da madrasta em direção ao interior da sege.
— Acabei esquecendo — lamentou Hinata, olhando para dentro da sege. Percebendo o que a pequena Uzumaki queria, Sai se apressou em pegar o conjunto de lírios e entregou o buquê nas mãos da criança.
— Obrigada — Hinata agradeceu ao cocheiro.
— Bigada — Miina imitou a madrasta. E só naquele momento, o Sr. Diskin se deu conta do quanto a filha do patrão falava.
— Sai, pegue minha luva — Naruto mandou, tirando o cocheiro da estaticidade causada pela surpresa.
O Diskin se moveu imediatamente, alcançou a luva no interior da sege e a entregou ao patrão. Menma III já havia corrido para casa.
Naruto colocou a luva e manteve uma mão nas costas da esposa, impedindo que o fraque escorregasse. Assim, o casal se afastou da sege, enquanto Miina, no colo da madrasta, perdia cada vez mais o sono, sorrindo para o buquê.
A menina associava o cheiro de lírio ao de Hinata. Aquele era o cheiro de mãe.
— Sr. Uzumaki, é correto utilizarmos palavras como “por favor” para os criados — disse a Sra. Uzumaki. — Será um bom exemplo para as crianças.
— Hm... — Naruto considerou, lembrando que sua filha havia repetido um agradecimento por causa da esposa. — Se assim desejar...
A azulada sorriu, percebendo que o marido estava disposto a atender suas vontades, e até então não se mostrava frio.
A poucos metros à frente da sege, estacionava-se a carroça do Hyuuga. Neji ajudou a governanta a descer.
— Espero que tenham apreciado a viagem — comentou Neji aos dois passageiros.
— Sem dúvidas, inigualável — respondeu Kakashi, descendo da carroça, pelo lado oposto ao da Sra. Hollingshead, colocando uma mão sobre a barriga, ainda lidando com um pouco de náusea. Rajadão fazia jus ao nome, com sua incrível velocidade causando constante tremor na carroça.
— Acredito, Sr. Hyuuga... — começou Shizune, aliviada de estar fora da carroça.
— Por favor, Sra. Hollingshead — interrompeu Neji. — Pode me chamar pelo meu primeiro nome, para simplificar o tratamento enquanto a presença de meu tio estiver próxima.
— Pois bem, Sr. Neji, acredito que deva ter mais cautela ao conduzir um cavalo imenso. Mesmo para dirigir uma carroça, é preciso modos.
Ele não pareceu ouvi-la, seus olhos prateados fixos no ombro direito da governanta. Havia uma palha grudada naquela parte do vestido. O rapaz cabeludo resolveu retirar.
As pontas de seus dedos roçaram mais do que o devido, e Shizune arregalou os olhos, recuando imediatamente, sentindo suas costas se chocarem contra a carroça.
— Sr. Neji! — exclamou.
— Calma, não era um bicho, era uma palha — ele disse, estendendo o fiapo de palha.
— Esse não é o problema, Sr. Neji! Peça permissão quando for fazer uma gentileza que precise encostar-se a uma dama.
— Ah — ele riu. — Ninguém interpretará esse contato de modo errôneo. És uma governanta, todo mundo sabe que esse trabalho é pra quem ficou solteirona.
Subentendia-se que ninguém julgaria que ele ou qualquer outro homem tivesse interesse em uma governanta.
— GGRRR licença! — Ela ergueu a saia do vestido cor vinho pelos lados e contornou o Hyuuga. — Preciso entrar na casa antes da família Uzumaki. Vamos, Sr. Wittenberg, ainda temos trabalho a fazer.
Kakashi seguiu Shizune e focou seu olhar na poupança da governanta; naquela região havia muita palha grudada. O mordomo apressou os passos, pondo-se ao lado dela e alertando-a:
— Sra. Hollingshead, atrás de você, sua saia.
Gesticulou com a mão para que ela se limpasse. Shizune, corada, deu algumas palmadas na traseira e se assustou com a quantidade de palha que retirou daquele lugar. Ela se virou, fervorosamente, encarando Neji, que permanecia parado no mesmo lugar.
O Hyuuga se divertiu com a raiva dela, que o fitava como se fosse o culpado pela palha grudar no vestido. Shizune seguiu seu rumo, junto do Sr. Wittenberg, para a casa da propriedade.
Iruka Flynn, ao se aproximar, desviou a atenção de Neji. Ao saber que Flynn era o estribeiro, Neji repassou os cuidados da carroça para Iruka, que subiu nela para conduzi-la ao estábulo.
No estábulo, encontrou-se com seu colega de cômodo. Sai logo quis lhe repassar todos os nomes de quem entrou na igreja para espiar o casamento.
Hiashi e Hanabi se despediram do cocheiro do transporte alugado e logo seguiram a família Uzumaki. Não demorou para Neji estar junto deles.
Os recém-chegados caminharam entre as fileiras de criados. Homens de um lado, mulheres do outro. Kakashi e Shizune já estavam no interior da casa, verificando se tudo estava certo com o banquete e a decoração da sala de jantar.
Hinata esboçou um sorriso torto durante a apresentação aos criados. Alguns deles se esforçaram para se manter profissionais, evitando sorrir.
Hanabi se encantava em conhecer cada um deles; a ideia de tantas pessoas servindo todos os dias alimentava seu sonho de que ainda era possível se casar com Kawaki.
Hiashi, por outro lado, não se impressionava, tendo vivido uma época em que teve até mais criados que o Sr. Uzumaki. Quando terminaram as apresentações, Hinata percebeu que não havia mais ninguém para recebê-los. Durante a volta, se perguntava sobre Kawaki e acreditou que ele estaria ali para recebê-la. Porém, o próprio marido se antecipou em informar à família Hyuuga:
— Perdão pela ausência do meu filho mais velho. Kawaki se encontra indisposto.
— Não há problema — disse Hiashi. — Nossos desejos de melhora ao seu filho.
— Eu sei preparar remédio para dor de cabeça — Hanabi avisou e, curiosa, perguntou: — É dor de cabeça o que ele tem, Sr. Uzumaki?
— Não exatamente; não precisa se preocupar, Sra. Hyuuga. Ele ficará melhor em breve, só precisa descansar — Naruto tratou de mudar de assunto. — Vamos todos para a sala de jantar.
Restava ao Uzumaki esperar que os criados que estivessem procurando pelo filho nas estradas retornassem com boas notícias.
O Sr. Wittenberg conduziu os visitantes à sala de jantar. Menma III já estava bem acomodado em um dos lugares, enquanto outros criados aguardavam para arredar as cadeiras para os convidados.
Uma criada buscou almofadas para empilhar e colocar em um assento que seria para Miina alcançar a mesa. Após deixar a ruivinha bem acomodada, Hinata avisou ao Sr. Uzumaki que se trocaria, para não ter que jantar com o fraque.
Ele assentiu, e ela se afastou, mas um chamado a deteve:
— Manhe!
Hanabi arregalou os olhos, sentada do outro lado da mesa, de frente para a menina. Sorriu, maravilhada em saber que a irmã cativara a enteada. Hiashi, internamente, aprovou aquele tratamento, vendo ali uma prova de que sua filha foi uma boa criada. Neji compartilhava a mesma opinião que o tio.
— Eu só vou me trocar, amor — avisou Hinata.
Mas Miina não quis se sentar nas almofadas e ficou de pé na cadeira, estendendo os braços para a perolada.
— Eu vou levá-la, não demoro — decidiu a azulada, aproximando-se da menina e a carregando no colo.
~
Mais tarde, o jantar se iniciava com a presença da perolada e Miina. A família Uzumaki se sentou de um lado, enquanto a Hyuuga se posicionou do outro. Exceto por Hiashi e Naruto, que escolheram os lugares das extremidades da mesa.
A mesa estava colorida, repleta de comida e bebida. Miina, Menma III e Hanabi se ocuparam em comer o bolo de frutas e glacê, de cinco camadas. Neji se deliciava com as fatias macias de cordeiro assado, enquanto Hiashi se alimentava principalmente da salada de ovo.
Hinata sentava à esquerda do marido. Em um momento, inclinou-se para ele e perguntou em voz baixa:
— Sr. Uzumaki, não deveríamos ter esperado o Sr. Kawaki melhorar para nos casarmos?
— Ele não se incomoda — respondeu Naruto, sentindo-se mal por ocultar a verdade, mas não queria estragar a noite de jantar do casamento. Aguardaria o dia seguinte para revelar à esposa. — Ele compreende a situação; afinal, seu pai não aceitaria que o casamento fosse adiado.
Hinata assentiu, acomodando-se corretamente em seu assento.
— Eu sinto muito pelo meu pai. Espero que não o tenha achado... muito grosseiro.
— Ele teve pulso firme. Como um pai deve agir pela honra das filhas — disse Naruto, engolindo uma grande bola de saliva antes de acrescentar: — Espero que tenha me perdoado.
Um doce sorriso se desenhou nos lábios de Hinata, e ela respondeu:
— Sim, eu o perdoei, Sr. Uzumaki.
O jantar prosseguiu entre risadas e conversas. A atmosfera era de celebração, com a família se unindo, embora um leve peso permanecesse no ar, aguardando o desfecho da noite.
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