Doce Criada

24 Capítulo: novas decisões


Notas iniciais
Chegamos ao penúltimo capítulo meu querido público, eu pretendia postar no domingo o último, mas não vou conseguir, postarei semana que vem, creio que na quinta feira, um imenso abraço.

A mando do patrão, o Sr. Wittenberg partiu para Bielog para se encontrar com o Dr. Dittman. Kakashi precisava impedir que Kabuto chegasse cedo à propriedade Uzumaki e se deparasse com a esposa do patrão.

Para alívio de Naruto, vinte minutos antes das dez horas, Hinata retornou ao quarto conjugal, já pronta e acompanhada das crianças, que também estavam arrumadas para sair.

Menma III usava uma casaca azul clara, aberta na frente, que deixava à mostra uma roupa bege por baixo. A casaca combinava com a calça encurtada, e nos sapatos pretos, suas meias brancas se destacavam. Miina, por sua vez, exibia um vestidinho rosa aquarela e um lacinho vermelho.

Hinata estava deslumbrante em um vestido amarelo caju, adornado com pequeníssimas cerejas. As cerejas se dispunham de forma que, se interligadas, formariam losangos. Seus cabelos presos eram cobertos por um toucado alaranjado claro, com bordas onduladas brancas.

Ao se aproximar do pai, Menma III parou ao lado da cama, cruzou os braços sobre o colchão e disse:

— Pai, a gente vai conhecer a antiga casa da mamãe.

— Eu sei, meu filho — respondeu Naruto, acenando com a cabeça. — Tome cuidado, as ovelhas gostam de comer roupa.

— Pode deixar! — O menino sorriu, animado e com as bochechas vermelhas. Ele adorava o carinho paterno e se emocionava ao saber que tudo havia melhorado em sua vida.

— Ah, e olha, pai — Menma III abriu a boca, empurrando um dente com a língua. — Consegui soltá-lo mais, já dá pra amarrar a linha no dente.

— É melhor arrancar sem linha, filho — aconselhou Naruto.

— É, conseguiste amolecê-lo mais empurrando com a língua, continue assim — reforçou Hinata, desaprovando a ideia da linha deixada pelo cunhado.

— Tá legal, se vocês querem — Menma III deu de ombros.

Miina queria ficar à altura do pai, e o irmão a carregou nas costas, levantando-a.

— Tchau, papai! — disse Miina, apertando a mão dele em um cumprimento. — Não chora, que a mamãe volta logo. Vamos trazer um presente!

— Não precisa se preocupar, eu sei que ela voltará. Sei que todos vocês voltarão — respondeu Naruto, com um sorriso, massageando a mão da caçula.

Miina tinha medo que o pai adoecesse como a Fera na história, quando a Bela precisou ir ao encontro do pai doente.

Hinata se aproximou para se despedir e depositou um beijo na testa do esposo.

— Tem que ser na boca, mamãe — Miina pediu. — É coisa de papai e mamãe. Como o beijo do casamento. — Ela apertou as mãozinhas na frente do coração.

Os rostos dos adultos ficaram rubros.

— Não, amor. É coisa de adulto. Perto de criança, beijo só no casamento — argumentou Hinata, contornando a cama para carregar Miina no colo. — Estamos indo. Descanse bem, Naruto.

A ruivinha cruzou os braços, fazendo bico.

Menma III soltou algumas risadinhas, pôs as mãos atrás da cabeça e seguiu sua madrasta.

Apaixonado, Naruto assistiu sua família se retirar do quarto.

Fora do quarto de casal, antes de partir com as crianças, Hinata passou pela sala do quadro de Sara. Deixou Miina na porta e entrou para agradecer à falecida esposa de seu marido, certa de que, de algum modo, Sara conseguiu acalmar o coração de Kawaki. Menma III ficou ao lado de Hinata, enquanto Miina, segurando a porta, observava a imagem da mulher ruiva.

~

— Bom dia, Sr. Uzumaki, cá estamos — Kabuto cumprimentou ao entrar no quarto de Naruto, após receber a permissão do mordomo que o acompanhou até a propriedade Uzumaki.

— Estou na companhia do meu assistente, Yokaze Kirki — o Dr. Dittman acrescentou enquanto o assistente passava pela porta.

Kakashi entrou em seguida e se deteve ao lado da porta, aguardando caso alguém precisasse de algo mais.

Por meio de assentimento, o paciente e o assistente do doutor se cumprimentaram. Kirki era um homem de cabelo castanho volumoso e ondulado, amarrado na altura da nuca, com olhos pequenos e um nariz alongado.

Sobre o móvel de apoio, ao lado da cera da vela, o doutor pousou sua bolsa de couro e a abriu, revelando vários objetos cortantes presos por tiras nas paredes do envoltório.

Naruto engoliu em seco, observando os diferentes tamanhos e espessuras dos instrumentos.

Sobre o outro móvel, o assistente depositou outra bolsa, que, ao ser aberta, revelou vários frascos. Ele retirou uma bacia e a encheu de água.

Kabuto retirou suas luvas e lavou as mãos, dizendo:

— Eu trabalharei com o método da sangria, Sr. Uzumaki. Não usarei todos esses instrumentos; meu objetivo é realizar o mínimo de corte possível.

— Confio no senhor, Dr. Dittman — respondeu Naruto.

O mordomo aproveitou o silêncio e perguntou:

— Senhor, gostaria de algo a mais?

— Chame meu filho — pediu Naruto, fitando o teto.

~

Kawaki, que havia dormido fora de hora, acordou com batidas na porta. Levou dois minutos para abrir.

Ao ver a face do Sr. Wittenberg, o rapaz perdeu a cara de sono, substituindo-a por uma carranca ao lembrar-se de que foi ideia do mordomo entregar a corda para os criados.

— Sr. Kawaki, meu amo o aguarda no quarto dele.

Peço que, por favor, se apresse, ele passará por um momento importante agora.

O rapaz esfregou os olhos e interrogou:

— Momento importante? O que é?

— Eu não recebi ordens de revelá-lo. É melhor que veja por si só, Sr. Kawaki.

Fechando a porta com seriedade, o jovem respondeu:

— Não demoro.

Ele se jogou na água gelada da noite anterior, apenas para se livrar do suor impregnado, e trocou suas vestes. Vestia uma blusa de mangas longas e gola alta, de cor preta, com um cinturão e calça marrons, calçando botas escuras.

Dez minutos depois da visita do mordomo, Kawaki se encaminhou apressadamente ao quarto de seu pai. Ao chegar, ficou surpreso ao encontrar o doutor Dittman e o assistente, que, pelas vestes, parecia ser um profissional.

— O que está acontecendo? — perguntou o jovem.

— Eu vou passar por um procedimento para extrair o pus do meu inchaço no lado direito do quadril — respondeu Naruto diretamente.

Perplexo, Kawaki questionou:

— A Sra. Hinata sabe disso?

— Ela saiu com as crianças. Resolvi não avisar a ninguém para fazê-los uma surpresa — Naruto sorriu, imaginando a reação deles ao saber que o pai ficaria novinho em folha em duas semanas. — Mas eu gostaria de ter alguém que é importante para mim ao meu lado nesse momento.

Estendendo a mão, não conseguiu esconder o nervosismo. O coração de Kawaki disparou.

Com a demora do jovem a se mover, o doutor incentivou:

— Sr. Kawaki, tentarei causar o mínimo de dor possível. Seu pai ficará inconsciente durante a maior parte do procedimento.

— I... irão desmaiá-lo?

— Sim, meu assistente utilizará a esponja soporífera, embebida de substâncias analgésicas produzidas da mandrágora. Tem que se ter cautela na dosagem, então, caso seu pai acorde, meu assistente agirá rápido para aplicar uma nova dose.

— Desmaiado ou não, eu quero apenas segurar sua mão — disse Naruto.

O jovem assentiu e se aproximou da cama.

— Seria bom que pegasse algum assento, Sr. Kawaki — sugeriu o doutor.

O mordomo se apressou em pegar um tamborete na área de banho e o colocou ao lado do leito. Kawaki agradeceu.

— Estás dispensado, Sr. Wittenberg — disse Naruto.

Kakashi assentiu e, antes de sair, observou o jovem Uzumaki se sentar e segurar a mão do pai. A outra mão de Kawaki, fechada, passou rapidamente pelos olhos e pousou em um dos joelhos.

O mordomo cruzou a porta e a fechou, mas não se afastou do quarto.

~

O almoço foi repleto de conversas animadas entre as irmãs. Hinata e Hanabi contaram às crianças sobre os jogos que costumavam brincar na infância.

Sai, embora em silêncio, mostrava-se atento às histórias e mantinha uma expressão agradável durante a refeição. Para a sorte de Diskin, seu rosto não chamava atenção, o que tornava a condução da sege uma tarefa tranquila. Não havia qualquer sinal de inchaço resultante da briga no estábulo; apenas pequenas marcas permaneciam em seu rosto, que poderiam ser facilmente explicadas.

— Que tal todo mundo brincar de esconde-esconde? — sugeriu Menma III, animado, logo após terminar seu prato.

Miina, segurando seu copo de água com as duas mãos, estava sentada sobre dois travesseiros que Hinata havia arranjado para ela.

— Não, meu amor — respondeu Hinata, doce. — Preciso ter uma conversa de adulto com meu pai, mas podem passear com Hanabi pelo campo de ovelhas.

Assustada, Miina colocou o copo sobre a mesa e exclamou:

— Elas vão sujar meu vestido!

— A tia legal aqui não vai deixar! — respondeu Hanabi, cheia de confiança. Levantando-se, ela contornou a mesa e pegou a menina no colo.

— Eu acho uma boa ideia — concordou Menma III, ansioso para explorar a propriedade Hyuuga.

— Uh, só preciso lavar a louça — lembrou Hanabi, hesitando.

Ela fez menção de devolver Miina aos travesseiros, mas azulada se ergueu:

— Eu lavo isso rapidinho, podem ir!

Hanabi sorriu e agradeceu, Hiashi foi o primeiro a terminar o almoço. A Hyuuga, as crianças e Sai, que voltaria a esperar na sege, deixaram o ambiente da refeição.

Hinata acenou um último tchauzinho para as crianças e se concentrou na louça, que lavou em cinco minutos. Retornando à sala, enxugava as mãos em um pano e perguntou:

— Pai, é impressão minha ou há mais ovelhas no campo?

Hiashi, acomodado na cadeira de balanço, mantinha os pés fora da bacia e descalços.

— Seu marido é um homem de palavra, Hinata — confirmou ele.

A perolada desceu o pano, com os braços ao lado do corpo. Então, Naruto enviou uma ajuda financeira ao sogro. Hinata conteve um suspiro; já havia pedido várias vezes que o marido não se sentisse obrigado a atender às vontades de seu pai. No fundo, ela não conseguia afastar a ideia de que Naruto ajudava Hiashi por sentir que ainda precisava compensar o que ela passou quando era criada.

— Pai, prometa-me que não pedirá mais ajuda financeira ao meu marido.

— Não pretendo me escorar em seu marido, Hinata. Assim que eu restabelecer completamente os negócios da família Hyuuga, seu marido não precisará me enviar mais nada — respondeu ele, esboçando um meio sorriso. — Ano que vem, já terei condições de começar uma fábrica de pequeno porte.

Hinata segurou o pano com ambas as mãos e o espremeu.

— E se o senhor falir novamente?

Uma veia grossa se destacou na testa do pai.

— Não se preocupe com isso, não vai acontecer. E uma mulher não deve se meter em negócios. Vá fazer companhia para sua irmã e as crianças.

Hinata respirou fundo.

— Preciso resolver alguns assuntos em Bielog. Deixarei as crianças com minha irmã por um tempo, pai.

— Assuntos? Quais?

— Assuntos de mulher.

— Humpf, Hanabi precisa me dar atenção.

— Eu sei, será só por hoje, pai. Não tomará tanto tempo de Hanabi. Quem dá trabalho é Miina, que é mais nova, mas Menma III é um pequeno cavalheiro e se comporta bem.

— Poderia ter contratado mais uma criada, mas preferiu trazer as crianças. E ainda se submeteu a lavar a louça, uma tarefa que era da sua irmã. Hinata, precisas agir como a esposa de um proprietário de terras.

— Para mim, é um prazer, pai. Não me importo com isso. Mas, já que tocaste no assunto, o que achas de contratar uma criada para o senhor?

— Uma criada?

— Hanabi precisa de mais liberdade. Aos domingos, eu fico exausta com todo o estresse acumulado que ela solta por se sentir sobrecarregada.

— Não, nem pensar. Não pretendo gastar parte do que ganhei com uma criada, Hinata. Mesmo que o preço seja baixo.

— Minha irmã precisa de aulas de boas maneiras. Ela está tão eufórica com as mudanças que vêm ocorrendo, e eu gostaria de cuidar pessoalmente da educação dela.

— Vai ensiná-la a se comportar como uma dama empobrecida, mesmo com uma condição financeira elevada? Se for isso, de nada adianta.

Ele se irritou.

— Não, pai. Ela terá uma educação de alto nível. E conhecendo Hanabi, ela não se submeteria a tarefas de criada se casar com um homem rico — sorriu, acrescentando: — Ela puxou a você.

Hiashi considerou. Algumas atitudes de sua filha caçula começaram a incomodá-lo.

Hinata segurou o pano atrás das costas, torcendo o tecido, ansiosa pela resposta do pai.

— Muito bem, arranje-me uma criada.

A perolada se conteve para não dar pequenos pulos de alegria.

— Leve Hanabi para sua casa, e não se esqueçam de me visitar no domingo. Quero avaliar, uma vez por semana, o progresso dela.

Ele ergueu um dedo, sinalizando que tinha algo importante a adicionar.

Hinata prestou atenção, séria.

— Mas se eu ouvir um único boato ruim sobre ela, será enviada para o convento fora de Bielog, imediatamente.

Hinata assentiu e reforçou:

— Entendido, pai.

Ela decidiu não tocar no assunto da consulta médica; era melhor deixar para outro dia, temendo que isso irritasse o pai e o fizesse mudar de ideia.

~

Hanabi se desviava das poças de água, segurando Miina em seu colo. Por cima do ombro da Hyuuga, a pequena Uzumaki olhava os bovídeos.

— Elas ainda estão vindo — A menina alertou pela terceira vez.

— Está tudo bem, elas não farão nada — Hanabi assegurou, repetindo pela terceira vez.

Menma III pulava as poças maiores, contornando-as.

— Que tal descansarmos aqui? — Ele sugeriu, sentando-se em um tronco.

Hanabi avaliou o lugar: uma sombra vinda de um depósito de madeira, com um chão de tábuas dispostas verticalmente.

Era onde se cortava lenha no inverno, reconheceu o menino.

Hanabi envolveu Miina com os braços.

As ovelhas cheiravam os pezinhos da pequena.

Ela parecia ameaçada, repetindo:

— Vão levar meu sapato, vão levar meu sapato.

— Não vão, eu não deixo. — Hanabi bocejou, já sem o tom gentil.

— Quem corta a lenha? — Menma III perguntou, sentado de costas para a Hyuuga.

— Hinata costumava cortar, mas agora estamos pagando um rapaz. — Ela olhou ao redor, notando: — Inclusive, ele está atrasado.

Miina ergueu a cabeça, distraída:

— A mamãe corta lenha?

— Sim, pequena. A propriedade Hyuuga fica longe do centro de Bielog, e ela não via problema em fazer isso. — Sorriu. — Eu, ao contrário, não me submeto a isso, minhas mãos são apenas para tarefas femininas. — Suspirou, sonhadora: — Aposto que se o irmão de vocês viesse, ele se ofereceria para isso, por ser um verdadeiro cavalheiro.

Miina cruzou os braços, cabisbaixa.

Menma III franziu o cenho.

Após alguns momentos em silêncio, com apenas o som das ovelhas, Hanabi se perguntou se tinha dito algo errado.

~

Depois de quase duas horas com as crianças, Hanabi desejava apenas voltar para casa e descansar.

Menma III tinha sede de exploração, enquanto Miina não queria se aproximar das ovelhas, obrigando Hanabi a carregá-la.

— "Espero que Hinata já tenha voltado, se não, vou atrás dela com essas crianças" — a Hyuuga pensou, com os braços doloridos. Quase implorando, chamou: — Vamos, Menma III, já exploramos tudo. Aqui só tem arbustos desfolhados.

Ele estava fora da cerca.

— Estou indo, só vou tirar a bandeira do inimigo, ele não venceu esta guerra.

Ele respondeu, imerso em sua imaginação. Tentava alcançar uma fita vermelha presa em um dos arbustos. Mas precisava passar por mais dois que estavam grudados em suas vestes.

Hanabi suspirou e deu dois passos para trás.

— Ah!

Sem querer, pisou em uma poça que parecia rasa, afundando o pé até o tornozelo.

O desequilíbrio fez Miina cair.

A ruivinha, tentando se levantar, avistou as duas ovelhas que estavam a alguns metros, que se aproximaram lentamente.

Miina gritou.

Menma III, preocupado, se atrapalhou com os arbustos.

Percebeu que as ovelhas rumavam em direção à sua irmã.

— Droga.

Tentava se soltar dos arbustos.

Miina fechou os olhos, chamando por sua mãe e pai. Sentiu-se carregada novamente, mas não por Hanabi.

Konohamaru, o Sarutobi, apareceu, segurando a menina nos braços.

O jovem, com cabelos castanhos espetados e pele clara, vestia uma casaca marrom escura, combinando com as calças e longas botas pretas.

Hanabi, retirando o pé da poça, expressou gratidão:

— Obrigada pela ajuda, Sr. Sarutobi.

As ovelhas pararam de avançar e voltaram a comer capim.

— O que faz aqui, Sr. Sarutobi? — perguntou Hanabi, curiosa. — Se me permite saber.

— Estou na sua propriedade. — Konohamaru respondeu, passando Miina para Hanabi. — Meu amigo está doente e pediu para eu vir no lugar dele.

— O cortador de lenha é seu amigo? — Hanabi se surpreendeu.

— Sim, ele também corta lenha para meu tio. Fui até a casa dele saber por que não veio. E agora estou aqui.

Miina, com expressão neutra, observava o rapaz.

Konohamaru olhou para o menino:

— Precisa de ajuda aí, rapazinho?!

— Não preciso mais. — Menma III se libertou dos arbustos, bufando. — Salvaste minha família dos inimigos.

Disse, chateado. Queria ter sido o herói. Subiu na cerca e se sentou antes de pular para o campo de ovelhas.

— Estavas ocupado com o exército. — Konohamaru brincou. — Eu apenas salvei-as de dois inimigos.

Menma III, surpreso, olhou para os arbustos. Retornou o olhar para o Sarutobi. Gostou daquele sujeito, e sorriu:

— É verdade, nos saímos bem.

~

Com as crianças, a Hyuuga caminhou de volta para casa.

Konohamaru as acompanhou até a metade do caminho.

Ele parou quando chegaram ao local de cortar lenha.

— Tenho outra missão agora, não guerreie mais. — O Sarutobi se despediu, esfregando os cabelos de Menma III. — Fique perto de sua família.

Menma III, desejando a amizade do rapaz, não queria se despedir. Decidiu:

— Sra. Hanabi, vou assistir o Sr. Sarutobi cortar lenha e depois volto pra casa.

— Não precisa, Sr. Menma III. — Konohamaru falou, amigável, evitando magoá-lo. — É só trabalho, irás se entediar.

O menino ficou cabisbaixo.

— Hum. — Hanabi observou ao redor. — Acho que não tem problema descansarmos aqui novamente.

Menma III levantou os punhos, comemorando.

Konohamaru sorriu.

A Hyuuga não queria se afastar de um dos filhos do Sr. Uzumaki enquanto estivesse sob sua responsabilidade.

Miina bocejou e apoiou a cabeça no ombro de Hanabi, alheia ao que diziam.

A Hyuuga se afastou do tronco e sentou-se no chão, ao lado do depósito. Como já estava com o vestido sujo, não faria mal se sujasse mais um pouco.

Konohamaru retirou a casaca e o menino a segurou.

O mais velho dobrou a peça de roupa e entregou na mão do menino.

Menma III abraçou a roupa como se fosse de um herói. Na verdade, Konohamaru já era um para ele.

O Sarutobi arregaçou as mangas e foi ao interior do depósito, onde encontrou o machado, retornando para perto do tronco. Antes de começar, pediu ao menino:

— Afaste-se um pouco, Sr. Menma III.

A criança recuou dois passos, observando como se fosse um espetáculo.

~

Depois de meia hora, o Sarutobi finalizou sua tarefa e se desculpou:

— Sei que sua família esperava mais, mas fui avisado tardiamente para substituir meu amigo, Sra. Hyuuga. Terei que voltar para casa. Se amanhã ainda precisarem, estarei disponível.

— Tudo bem, para uma noite é lenha o suficiente. Agradeço pelo serviço, Sr. Sarutobi. — Hanabi observou a ruivinha ainda dormindo. — Vou ficar aqui mais um tempo. Não quero correr o risco de acordar a Sra. Miina.

— É perigoso? — perguntou Konohamaru, sorrindo.

— De certo modo, Sr. Sarutobi. Creio que minha irmã ainda não chegou. Se não, o cocheiro ou ela mesma teriam vindo ao nosso encontro. Quando a Sra. Miina acordar, ela estará com saudade de minha irmã e pode chorar.

— Minha irmã e eu a chamamos de mãe — Menma III disse, expressando o apego que sentia por Hinata.

— Entendi, a Sra. Uzumaki deve ser uma mulher incrível — considerou Konohamaru.

— É muito! — o menino confirmou convicto.

— Sr. Sarutobi, pode deixar a lenha no canto da sala. Apenas bata na porta, e meu pai permitirá que entre.

Hanabi quis encerrar a conversa, sem tom grosseiro, apenas não queria atrasá-lo.

— Eu... poderia descansar um pouco, Sra. Hyuuga? — ele perguntou, massageando um ombro.

— À vontade, Sr. Sarutobi.

Menma III estendeu a casaca ao rapaz, que recusou gentilmente:

— Não ainda, Sr. Menma III.

Curioso, o pequeno Uzumaki assistiu o rapaz se abaixar e colher um monte de tira de lenha.

— Venha, Sr. Menma III. — Konohamaru chamou a criança, com as mãos cheias das tiras.

Ele se sentou ao lado da Hyuuga, deixando um espaço seguro entre os dois, para que ela não se sentisse desconfortável.

— Enquanto eu descanso, que tal brincarmos de pega-vareta? — sugeriu Konohamaru.

Menma III se acomodou sobre as pernas e colocou a casaca dobrada nas coxas.

— Pega-vareta? — perguntou o menino, super curioso.

— É um jogo conhecido no Oriente. — Konohamaru explicou, embaralhando as tiras que seriam consideradas varetas. — Temos que retirar uma tira sem deixar que as outras se movam.

— Isso é impossível. — Menma III comentou.

— Não se tiveres jeito. E pode ter sorte de escolher uma tira que não está encostando nas outras.

O Sarutobi explicou enquanto localizava uma tira fácil de remover.

Menma III ficou boquiaberto, não tendo percebido antes que a tira removida não encostava em nenhuma.

— Às vezes, nem todas estão encostando, mas como são muitas, dá a impressão de que será difícil. — Konohamaru justificou.

— Eu quero tentar. — Menma III disse empolgado.

— Gostaria de participar, Sra. Hyuuga? — o rapaz convidou.

— Não, eu não seria boa nisso, Sr. Sarutobi.

Ela respondeu com um ar desistente, o que causou estranhamento no substituto do lenhador.

Por ora, a Hyuuga não se esforçaria mais em ser a tia legal. Nenhuma das crianças se interessou em falar do irmão. Ela mencionara o nome de Kawaki mais de três vezes e recebeu um gelo inexplicável da parte dos pequenos Uzumakis.

Menma III tentou convencê-la a participar:

— Eu também não sei, Sra. Hanabi. Mas é divertido do mesmo jeito.

A Hyuuga negou novamente, mas após alguns minutos assistindo os dois se divertirem, resolveu participar. No início, não esboçou nenhuma reação até que ganhou a primeira vez e construiu um sorriso nos lábios. Não viu o tempo passar até que Miina despertou e chamou pelos pais. Hanabi disse:

— Agora teremos que ir, Sr. Menma III.

O menino concordou, pois o pôr do sol se aproximava. Ele almejava que o dia tivesse mais horas para mais diversão.

Konohamaru pegou sua casaca e a vestiu, em seguida, carregou as lenhas cortadas.

Acompanhou os três para a casa Hyuuga.

Momentos depois, avistando a antiga casa de Hinata, Miina pediu:

— Água.

— Vamos beber já já. — A perolada assegurou.

Após entrarem na casa, a Hyuuga apontou onde o rapaz deveria depositar as lenhas cortadas.

— Oferece água para o Sr. Sarutobi, Sra. Hanabi. — Pediu o loirinho.

— Não precisa. — Konohamaru negou, indo colocar a lenha no local indicado.

— Precisa sim, aguarde-me.

A perolada colocou a menina no chão e foi para a cozinha, sendo seguida pela ruivinha que procurava pela mãe.

Hanabi se preocupava; não demoraria para Miina chorar.

Menma III chegou à cozinha quando a Hyuuga oferecia um copo para a ruivinha, que aceitou.

O pequeno Uzumaki pegou um copo e o encheu, em seguida retornou à sala para oferecer ao rapaz.

Naquele momento, ouviram o barulho da sege e a Hyuuga se aliviou, acreditando ser sua irmã.

Bastou alguns minutos para Hinata aparecer na porta e ser recebida com abraços pelos dois pequeninos.

A azulada se curvava, passando a mão sobre os cabelos de cada enteado, enquanto dizia:

— Hanabi, onde está o nosso p...

A irmã mais velha se interrompeu ao ver o Sarutobi ali na sala.

Ele segurava o copo já vazio e se curvou, apresentando-se.

Hinata correspondeu ao gesto e, em breve, Hanabi explicou o motivo da presença do Sarutobi.

Assim como a irmã, Hinata também suspeitou o porquê de ser logo Konohamaru o substituto, mas nada disse e apenas manteve seu sorriso educado.

— Retornei com as crianças pouco tempo atrás, nosso pai não estava na sala quando chegamos, então acho que está no quarto dele. — A Hyuuga comentou, adivinhando o que a irmã perguntaria antes. — Espero que ele esteja cochilando, para eu preparar o jantar em paz.

— Estou indo, senhoritas. — Konohamaru se manifestou.

Hanabi fez sinal para que ele aguardasse e buscou o pagamento em moedas.

Ao entregar na mão do Sarutobi, disse:

— Vou acompanhá-lo até o portão.

— Não precisa, Sra. Hyuuga. — Ele negou.

— Precisa sim, fez muito hoje. — Hanabi observou a irmã. — Hinata, estarão indo agora?

— Vou apenas verificar se meu pai está acordado para me despedir dele. Venham, crianças.

A Uzumaki se dirigiu com os pequenos ao quarto do pai, enquanto a Hyuuga acompanhou o Sarutobi para fora de casa.

Faltando pouco para chegar ao portão, Konohamaru pigarreou antes de falar:

— Eu gostaria de me descul...

— Não precisa. — A Hyuuga o interrompeu, em tom calmo. — Qualquer um inteligente se afastaria de mim se escutasse um boato como o que despencou sobre minha irmã. Eu não vou mais tratá-lo com antipatia, Sr. Sarutobi.

Ao mesmo tempo, ela não lhe lançava mais aquele olhar interessado que ele lembrava.

Apertando as moedas na mão esquerda e coçando a nuca com a direita, o jovem opinou:

— Acredito que não tenho mais chances além de uma boa companhia, por parte da Sra. Hyuuga.

— Confirmo, Sr. Sarutobi. Tenho uma lista de pretendentes para analisar, preciso me decidir antes do fim do inverno.

Ela mentiu com tanta naturalidade que até ela própria, por um momento, acreditou.

— Que bom, depois do que passaste, merece um bom pretendente. — Konohamaru comentou, com um sereno brilho nos olhos escuros. — Confessando, meu tio me colocou de propósito como substituto; eu nem corto lenha, prefiro treinar os cavalos. — Soltou uma rápida risada.

Hanabi ficou levemente surpresa ao ver que ele não escondia.

Em seguida, deu um sorrisinho e disse:

— Suponho que o "rapaz lenhador" estar doente foi uma mentira, Sr. Sarutobi.

— Exato, meu tio o pagou para faltar hoje. Acho que ele não tem esperança de ter algo com a Sra. Hyuuga, então aceitou.

— Voltar amanhã seria a segunda parte do plano?

— Sim, ele me fez vir atrasado de propósito para eu ter um motivo para retornar amanhã. — Com um sorriso receoso, revelou: — Se ele souber que estou entregando tudo, me estrangulará.

— Pois não diga nada, apenas retorne amanhã.

Hanabi disse, tendo gostado de passar o tempo sem estar atarefada.

Ele poderia ser uma boa companhia.

Ainda bem que morava longe do centro de Bielog, assim poderia ficar na companhia dele sem testemunhas.

Konohamaru percebia que ela não o correspondia com o interesse de antes; era apenas gratidão da parte dela. Curvou-se, prestes a agradecê-la de volta, quando escutou a Sra. Uzumaki se aproximar com as crianças.

Depois de acertar alguns últimos detalhes com o pai, a azulada enfim revelaria as novidades à irmã.

— Hanabi, boas notícias. Nosso pai aceitou dispor de uma criada. — Hinata empolgada se interpos entre os dois.

A Hyuuga soltou um grito de alegria.

Miina se agarrou à saia da madrasta, enquanto Menma III assistia à cena, com as mãos atrás da cabeça.

A azulada segurou as mãos da irmã e continuou a revelação:

— Fui conversar com o Sr. Thornton, a governanta me avisou que ele era o melhor para indicar boas criadas. Visitei um lugar que ele me indicou e entrevistei uma criada; ela poderá começar amanhã mesmo.

— E eu...

Hanabi mal começou a falar, e a irmã completou:

— Ele permitirá que more comigo! Para eu cuidar de sua educação! A sege buscará você depois que a criada chegar!

— AI MEU DEUS, EU VOU MORAR COM VOCÊ AMANHÃ!

A Hyuuga deu vários pulinhos e envolveu o corpo da irmã com seus braços, Miina acabou ficando no meio das duas, meio enciumada.

As irmãs começaram a falar ao mesmo tempo, com a animação dominando ambas.

Em um momento, Hinata buscou forças para se tranquilizar, e pediu calma à irmã, e explicou a condição que Hiashi estabeleceu, mas não foi o bastante para cortar a alegria da Hyuuga que retornou a falar alto, toda alegrada.

As duas se abraçaram mais forte e continuaram a falar ao mesmo tempo.

Konohamaru, sentindo-se distante, cruzou o portão.

Menma III girava lentamente, aprisionado em sua imaginação, enquanto aguardava as duas mulheres terminarem o papo animado.

Sentado em seu lugar de cocheiro, Sai desejou boa noite ao Sarutobi quando este passou ao lado do transporte.

O jovem de cabelo castanho não respondeu, fitando o solo por onde pisava, concentrando-se em sua própria derrota.