Doce Criada
6 Capítulo: dispensada
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Três dias depois
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Hinata lamentou o patrão não a chamar novamente.
Ele também não reapareceu em nenhum momento, no caminho dela.
Ele não visitou nenhum dos filhos, não tomou nenhuma iniciativa.
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Em um passeio com as crianças, a Hyuuga parou de andar, perto do balanço de Menma III.
O menino se jogou de barriga sobre o brinquedo, e permaneceu suspenso daquela forma.
Ele trajava em azul claro a casaca e a calça curta; em branco, as meias a entrarem nos calçados pretos e a camisa sob a casaca.
Por ser outono, não era incomodo usar tantas vestes.
Hinata usava seu conjunto branco de vestido e toucado.
Miina usava uma florzinha amarelinha na cabeça e um vestido rosado, de listras verticais vermelhas.
Após um suspiro, Menma III lamentou:
— Uma pena que não podemos ir até a casa do leprechaun.
Não tirava da cabeça que aquela casa pertencia ao duende.
No colo de Hinata, Miina comia uvas, melecando seus dedos.
A perolada passou um lencinho, no canto da boca da menina.
A Hyuuga compartilhava da lamentação do menino, mas achou bom lembrar:
— Não é bom a gente arriscar ir até lá hoje, a Sra. Hollingshead está de olho.
Ele concordou em um gesto de cabeça, derrotado.
Uma vez que o balanço se situava fora dos limites das plantações de batata, a Hyuuga precisou insistir fervorosamente para a governanta permitir.
“Como o Sr. Kawaki ficará enfornado na biblioteca, podem ir, mas regressem uma hora antes do almoço, se não, estarão proibidos de passearem pelo resto da semana!”
Foi o que a governanta determinou.
Miina terminou de comer as uvas, e Hinata mais uma vez passou o lencinho na boca da criança.
A ruivinha abriu a mãozinha esquerda, mostrando à babá o tanto de caroço que coletou.
— Joga fora, amor.
Hinata pediu.
Miina esticou o bracinho e abriu a mão, quase todas as sementes caíram, restando somente duas que se grudaram na palminha melecada.
Hinata tratou de esfregar o lenço naquela pequenina mão.
Mal terminou de limpar Miina, e a menina se inclinou para o chão, ao avistar uma borboleta voando de um matinho a outro.
A perolada desceu a menina e ficou a observando, contente por perceber que a criança já não sentia necessidade de ficar tão grudada com ela.
Torcia para aquele problema não retornar no próximo domingo, quando visitasse a família de novo.
Miina precisava se acostumar.
Estando a pequena Uzumaki um pouco distante, a babá iniciou um diálogo com o irmão da menina, ele se mantinha de bruços no balanço:
— Sr. Menma III, recorda-se quando viu seu pai pela última vez, antes do incidente de domingo?
— Sim, no último fim de ano. — Fitando a grama, o menino alcançou a ponta de um mato, e arrancou-o. — Natal, ano novo e no meu aniversário, são os dias que nos encontramos.
Tão poucos dias, entristeceu-se Hinata.
— Quando é o seu aniversário, Sr. Menma III?
— Primeiro de novembro.
— Uh, será mês que vem. O que vocês fazem quando se encontram?
— Ele senta na poltrona de frente pra lareira, e eu abro os presentes que ele providencia para mim. — Menma desfiava a folha de mato. — Aí eu agradeço, e conto para ele as coisas legais que fiz.
— E o restante da família Uzumaki? Há parentes que visitam vocês?
— Ele permite que o vovô e a vovó venham somente no fim de ano, para ver a mim e aos meus irmãos. Tem o titio também, mas ele não aparece nem no fim de ano porque o papai o proíbe de aparecer.
— Por que ele está proibido de aparecer?
— Não sei. — Sacudiu os ombros. — É uma pena porque ele é legal, o vovô e a vovó sempre repassam os presentes que ele compra para mim e aos meus irmãos. Os presentes dele são muito legais. — Moveu-se, sentando no balanço, e em seguida, pusera-se de pé, segredou para a Hyuuga, em voz baixa: — Até mais legais que os presentes do papai.
— Depois poderia me mostrar os presentes que recebeu de seu pai e os de seu tio, Sr. Menma III?
— Claro.
Miina se sentou no chão, deixando de lado a borboleta, passou a observar uma joaninha que passeava entre cabeças de cogumelos. Curiosa, ela levou um indicador para encostar-se a um dos cogumelos, mas a babá alertou:
— Não toca, Sra. Miina, pois esses cogumelos dão coceira.
A menina recolheu o braço, ficou apenas observando.
Retornando sua atenção ao menino, Hinata lamentava pela situação da família Uzumaki, questionou-o:
— Ainda se lembra de sua mãe, Sr. Menma III?
— De tudo não. — Sorriu, lembrando-se de uma coisa divertida que compartilhava com Sara. — Tinha algo que eu fazia nela, eu me enfiava no chemise dela até parar na barriga aí eu fingia que ia nascer. E o legal é que ela sempre participava, toda vez ela fingia que ia me ter.
Hinata achou uma brincadeira esquisita e engraçada.
Devia ser coisa de mãe e filho.
Repentinamente, Menma III saiu do balanço, reflexivo.
Seu vago olhar se fixou em algum ponto da saia do vestido da babá.
— Algum problema, Sr. Menma III?
Ele ergueu o queixo, fitando os orbes perolados, questionando-a:
— A Sra. Hyuuga assistiu ao incêndio?
Uma dor percorreu o corpo de Hinata, o quão sofrível seria para uma criança saber que a mãe morreu de uma forma tão horrível.
— Quando o acidente aconteceu, eu trabalhava em uma propriedade fora de Bielog, Sr. Menma III.
— Droga. — Ele falou, entrelaçando os dedos, na frente do ventre. Seus azuis se tomaram por um terno brilho. — Escutei uma conversa entre os criados, descobri que um monte de gente de Bielog rodeou o corpo da mamãe. Eu queria saber se ela ao menos estava bonita quando foi pro céu.
Hinata se abaixou, repousando uma mão no ombro dele.
— Sr. Menma III...
— Ela morreu com a fumaça, então acho que ela não ficou deformada como o papai. — Ele fitou os perolados, sorrindo. — O papai enfrentou o fogo para salvar a mim e a Miina. Então não importa o quanto ele se mantenha distante, eu sempre vou ser grato a ele.
Menma III ficou em silêncio, e então a azulada percebeu que ele se esforçava para não chorar.
O menino apenas desabafava.
— Isso é muito lindo, Sr. Menma III.
Hinata acariciou os cabelos dele, e em seguida, abraçou-o.
Miina então ao ver os dois juntinhos, apressou-se para chegar até eles, tentou se enfiar no meio deles, mas o abraço era muito apertado e não se desfez.
Quando a menina soltou um grito de chateação, Hinata se afastou do menino e com o polegar limpou uma lágrima solitária que trilhara o lado direito da face de Menma III.
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Domingo
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O primeiro domingo de outubro chegara.
E até aquele dia, o Sr. Uzumaki se mantivera recluso, realizando suas refeições apenas na companhia do mordomo.
Naruto seguia sendo um imenso apreciador dos biscoitos da babá.
E resistia bravamente a sua vontade de ir escutar atrás da porta do quarto de Miina.
Na sexta, Hinata avisou para Kawaki que terminou de ler todos os contos de seu livro para Miina.
O filho mais velho do Sr. Uzumaki nada falou, apenas fitou o rosto da criada, sustentando seriedade. E após um momento, deixou-a sozinha.
A Hyuuga estranhara, pois o próprio rapaz pediu para ser avisado quando ela terminasse o livro.
A perolada considerou que o jovem estivesse estressado com algum assunto, e por conta daquilo, desprovia-se de paciência em procurar um livro para emprestá-la.
Em vista disso, Hinata conversaria com ele quando o mesmo se encontrasse de humor melhorado.
No sábado, Hinata avisou Miina que visitaria a família novamente.
A pequena Uzumaki, notadamente, desgostou e soube apenas balançar a cabeça, em negação.
A azulada pediu, carinhosamente, que Miina se comportasse na presença de Ayame, caso não, não leria mais histórias.
Miina ficou quietinha, fazendo bico e com os olhos lacrimejantes. Visivelmente, sofrendo.
A perolada lamentou, mas não podia deixar de visitar sua família.
A pequena Uzumaki tentou permanecer acordada até o amanhecer para se grudar na babá e aí partir com ela para Bielog.
Para o desagrado de Miina, seu sono a venceu.
E quando acordou, já era de manhã.
Saiu do quarto em correria, e quando chegou à frente do quarto da babá, contra a porta desferiu suas mãozinhas fechadas.
Ninguém abria.
— Hoje é domingo, sua babá já foi visitar a família.
Avisou Kawaki, na porta de seu quarto, visivelmente, irritado com a barulheira.
— Manheee!
Miina gritou, correndo pelo corredor, a caminho da escada na distante esperança de alcançar Hinata.
Uma veia grossa se ressaltou na testa de Kawaki.
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Na casa de sua família, Hinata passou mais um ótimo domingo.
Hanabi conheceu na igreja, Konohamaru, sobrinho de Asuma Sarutobi.
O Sr. Sarutobi era dono de um mercado pesqueiro de Bielog.
Até próximo de seus quarenta anos, Asuma só tivera uma filha, então se precavendo, convidou o sobrinho para morar com ele, tudo indicava que Konohamaru Sarutobi seria seu herdeiro.
Hanabi falou nele o dia inteiro, não dando espaço para dúvidas de que seu coração foi fisgado, realizou suas tarefas na casa, cantarolando apaixonada.
Em um momento, quando a Hyuuga mais nova cantarolava no quarto, a mais velha conversava com o pai.
— Não sei se me sinto à vontade com isso, Hinata. Agora que você trabalha para a família Uzumaki, Hanabi poderá alcançar um dote que alguém bem maior que um mercador de peixe possa se interessar.
— Eu seu meu pai, mas poxa, o senhor vai querer esperar até lá? Se ela se casar com o Sarutobi, eu continuarei aumentando nossa poupança. — Sorriu, ajoelhando-se na frente da cadeira do Sr. Hyuuga, segurou as mãos dele. — E essa poupança passará aos seus futuros netos, nossa próxima geração nascerá com uma condição bem melhor que a nossa atual.
— Hum...
Hiashi não podia desconsiderar aquele ponto de vista.
— E o mercado do Sr. Sarutobi está entre os maiores de Bielog. O senhor tem que admitir que o rapaz Sarutobi é melhor pretendente comparado a todos os rapazes que vieram me cortejar.
Ele permaneceu mudo, mas assentiu, concordando.
A azulada soltou as mãos dele, sorrindo mais abertamente.
Recuando, sugeriu:
— E se convidarmos no próximo domingo, para um jantar aqui em casa?
— De certo.
Hiashi concordou, sem mais paciência para ficar hesitando e negando.
Animada, a Hyuuga saiu correndo para o quarto de Hanabi, e não demorou em o pai escutar o grito de alegria da caçula.
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Mais tarde, Hinata se encontrava arrumada, no aguardo da sege buscá-la.
Sorriu ao ver o transporte da propriedade Uzumaki emergir no horizonte.
Despediu-se de seu pai, beijando-o na testa e deu um forte abraço em Hanabi, ansiosa para o próximo domingo.
Com sua bolsa de palha, atravessou o espaço verdejante das ovelhas e alcançou o portão da cerca, ultrapassando-o, preparava-se para subir na sege que acabara de cessar.
Lamentoso, o Sr. Diskin fez um sinal de “pare” com a mão, impedindo-a de subir.
Desentendida, Hinata recuou, abraçando sua bolsa.
Sai suspirou tristemente e se inclinou para o lado, estendendo o braço, oferecendo um saco de juta para a Hyuuga.
Confusa, a perolada se reaproximou da sege e levantou o braço, aceitando o saco.
Apenas pelo tato, Hinata soubera que no interior do saco existiam moedas.
Pesaroso, ele explicou:
— É o pagamento pelo próximo mês, para a Sra. Hyuuga manter sua família até que a governanta lhe arranje outro trabalho, um que não seja na propriedade Uzumaki.
O saco de juta escorregou pela mão da perolada, e a cordinha que amarrava a abertura do envoltório, afrouxara-se, com isso, algumas moedas rolaram pra fora.
— Eu lamento, Sra. Hyuuga. Foi dispensada de sua função.
Um tremor incontido se apossou da Hyuuga, silenciosa aguardou um momento, esperando confirmar que entendera errado.
— Adeus.
O cocheiro se despediu, dando meia volta com a sege, contradizendo a expectativa da Hyuuga.
Dando-se conta de que a sege se distanciaria, a Hyuuga disparou em correria, pondo-se na frente do transporte, de braços bem abertos.
Gritou sofrível:
— E-eu... foi algo que fiz?!
Suas pálpebras se tornaram mais espaçadas.
Suas íris expressavam angustia.
— Não, Sra. Hyuuga. O Sr. Uzumaki quer apenas uma babá que se ocupe aos domingos também.
Aquela decisão partiu de Naruto?
A notícia doeu ainda mais em Hinata.
A perolada tremulou os lábios.
Não gostaria de sacrificar seu único dia de família por um trabalho, já vivera tanto tempo trabalhando fora.
Ao mesmo tempo, doía ao pensar que não veria mais os pequenos Uzumakis.
— Mas... por que não contrataram alguém desde o início par...
— Sra. Hyuuga. — O cocheiro a silenciou, informando-a: — Acredito que meu Senhor apenas mudou de ideia, só isso. Não posso me estender em uma conversa, minha ordem era apenas lhe avisar de sua dispensa e lhe entregar o pagamento. Como eu disse a governanta lhe arranjará outro trabalho, assim não sairá no prejuízo.
Com a recomendação do sobrenome Uzumaki, não seria difícil Hinata ter outro trabalho, sem dúvidas.
Porém dificilmente receberia a mesma faixa de pagamento.
— Eu posso ir com o senhor? Ao menos me despedir das crianças?
— A Sra. Hollingshead desconfiou que fosse pedir isso, ela acha que o melhor é nem se aproximar da propriedade Uzumaki, pois se voltar será mais difícil para a Sra. Miina aceitar sua partida, ela já está se dando bem com a nova babá, é melhor que continue assim.
Os braços de Hinata despencaram.
— Nova babá?
O mundo da perolada ruía sem parar.
— Sim, uma nova babá está sendo entrevistada hoje e já se deu bem com a Sra. Miina.
As mãos de Sai apertaram fortemente as rédeas.
— Por favor, Sr. Diskin, peça para o Sr. Uzumaki não aceitá-la. Se depender de meu pai, sei que ele vai me enfiar na propriedade Uzumaki até mesmo aos domingos.
— Falarei com a governanta, qualquer coisa, eu regressarei, Sra. Hyuuga.
Sai desviou a sege da azulada, e se aliviou quando percebeu que Hinata não tinha mais intenção de impedi-lo.
Estando longe dela, ele pudera respirar aliviado.
Suas mãos tremiam.
Na propriedade Uzumaki, quando o Sr. Diskin se recolheu ao seu cômodo no estábulo para dormir, escutava o choro de Miina.
Obviamente, não existia uma nova babá.
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