Doce Criada
18 Capítulo: permanência
Fora da casa, Menma II brincava com os sobrinhos.
Infelizmente, eles dispunham de um pequeno espaço a céu aberto, já que a tempestade havia deixado inúmeras poças de água.
Ainda assim, o curto espaço delimitado não tirou a alegria das crianças.
Menma III acenou para a madrasta, convidando-a:
— Vem brincar, mãe!
Um sorriso se esticou nos lábios do tio.
A perolada sentava-se em uma cadeira, ao lado da porta de casa, apenas assistindo-os. Docemente, ela negou o convite:
— Não, querido, estou cansada. Não gostaria de brincar de outra coisa?
Ela temia que ele batesse a boca e prejudicasse o dentinho.
O menino fez bico, queria correr muito.
Menma II, carregando sua sobrinha, animado, sugeriu:
— Já que aqui está muito molhado, vamos voltar para dentro de casa e nos divertir com todos os brinquedos possíveis!
Menma III aceitou e correu para dentro.
— Cavalinho! — pediu Miina, e o tio a colocou sobre os ombros.
— Pocotó-pocotó-pocotó!
Menma II imitava o cavalo e soltou até um relincho que fez a ruivinha gargalhar.
Qualquer sugestão de diversão agradava os pequenos Uzumakis, pois o que mais precisavam durante muito tempo era de uma companhia para brincar, não de brinquedos.
O tio se reuniu com os sobrinhos no quarto de Menma III.
Hinata aceitou se juntar a eles daquela vez; afinal, era uma brincadeira da qual poderia participar sentada.
O cunhado, de vez em quando, fitava a perolada, mas em nenhum momento seus olhares se cruzaram.
Os sorrisos e o brilho dos orbes cor de lua se dedicavam exclusivamente às crianças.
Em seu interior, o Namikaze seguia alimentando certo receio sobre a conversa que ela planejava ter com ele.
~
Mais tarde, após o almoço, Miina adormecia em seu quarto.
Menma III lutava contra o sono. Com a barriga cheia, brincava sozinho em seu quarto, sentado no chão, de pernas abertas e com cada mão ocupada por um brinquedo. Sua cabeça pendia várias vezes.
Hinata pediu um momento para o menino, pois queria conversar algo com Menma II.
O pequeno Uzumaki tentava se manter acordado até os dois adultos retornarem, mas isso se mostrava um desafio difícil.
A azulada conduzia o cunhado à sala-quarto dele.
Sem questioná-la, o loiro a seguia a três passos de distância e estranhou ao ver Shizune parada ao lado da porta, no corredor.
A Sra. Hollingshead mantinha as mãos à frente do corpo e não disse nada quando a perolada entrou na sala.
Shizune manteve seu olhar fixo na parede do outro lado do corredor.
Menma II a cumprimentou, desejando-lhe uma boa tarde.
Ela não respondeu, e, ao entrar na sala, ele percebeu que Shizune permaneceria aguardando do lado de fora.
— Glup — Menma II supôs entender qual seria o problema. Voltou-se para a cunhada e se aproximou lentamente das costas da poltrona. Seus dedos espremeram o encosto do assento.
— Se... se for por causa do den...
— O dente foi apenas um entre outros detalhes que me fizeram querer conversar seriamente com o senhor, Menma II — interrompeu Hinata, mantendo as costas voltadas para ele.
Ela observava o jardim, com uma mão sobre a outra, abaixo do ventre.
— Hoje de manhã foi a primeira vez que entrei no quarto de Miina, e ela não estava lá. Pensei que estivesse no quarto do irmão, mas também estava vazio, Sr. Menma II.
— Eu fui até os quartos acordá-los. Apressei uma das criadas para vesti-los. Temo que meu irmão mude de ideia e me expulse. Quero aproveitar a companhia dos pequenos o quanto puder.
Hinata virou o corpo de lado, em direção ao loiro, e moveu o rosto, parando-o de frente para o cunhado.
— Não faça mais isso, Sr. Menma II. Da próxima vez, peça permissão ao Sr. Uzumaki ou a mim.
Envergonhado, ele buscou se justificar:
— Per-perdão, como a criada me obedeceu, achei que não...
— A Sra. Hollingshead conversou com ela. A criada achou que, como foi permitida sua permanência na casa, acreditou que o Sr. Uzumaki o perdoou. Por conta disso, ela o obedeceu, Sr. Menma II.
Estranhando, ele comentou:
— Então sabias por que as crianças não estavam em seus quartos.
— Sim, mas eu queria ouvir de suas próprias palavras, Sr. Menma II — ela retornou a fitar o jardim, devolvendo as costas ao Namikaze. — Eu sei dos detalhes de seu conflito com o Sr. Uzumaki.
Ele se espantou:
— Sabes?
— Sim. E refletindo sobre a situação, declaro logo que não gosto de pensar que tenhas ficado sozinho com a Sra. Sara, estando ela de resguardo, e na ausência do Sr. Uzumaki.
— Ah, então é esse o problema: achas que sou um cafajeste! E-eu estava a sós com minha cunhada, da mesma forma que estou com a Sra. Uzumaki agora!
Ele se debruçou sobre o encosto da poltrona, afundando os dedos no material do assento.
Fitando-o por cima do ombro, Hinata frisou:
— Não estamos a sós, Sr. Menma II.
— Bem, agora mesmo não, pois a governanta espera do lado de fora — lembrou-se ele. — Mas, quando brincamos de esconde-esconde, houve momentos que...
— Mesmo quando nos escondíamos longe das crianças, não estávamos sozinhos, Sr. Menma II — a azulada contra-argumentou. E persistiu: — Nesta casa, a movimentação dos criados é alta; sempre há um criado cruzando nossos caminhos. Tanto é verdade que foi o Sr. Wittenberg quem me protegeu do Sr. Kawaki, ele me protegeu antes do senhor.
Deixando de observá-lo, ela completou:
— É muito diferente de ficar a sós em um quarto com uma dama comprometida, que não pode se levantar por conta de um resguardo.
Menma II balançou a cabeça, em negativa.
Não suportaria aquelas acusações novamente.
— Na casa do Naruto, na antiga casa, os criados também vagavam por lá, e bastante! Eu não seria doido de dar em cima de minha cunhada com tantos criados por perto! Eu não seria doido nem se fôssemos os únicos naquela casa!
Hinata acompanhava visualmente o movimento de um inseto pelo jardim outonal.
— Sr. Menma II, se continuar gritando, não procederei com esta conversa e pedirei que se despeça das crianças.
O cunhado buscou se acalmar.
Contornou a poltrona e se sentou; separando os joelhos e espremendo as mãos entre eles, de corpo meio curvado e fixando um olhar preocupado no piso.
— Pensaste na possibilidade de se oferecer à Sra. Sara, Sr. Menma II?
— Não.
O volume de sua voz saiu baixo, mas com uma leve tremida, indicando nervosismo. Ódio.
— No dia em que Naruto brigou comigo, ele me jogou na cara que me escutou falar de meu intuito nada respeitoso para a Sra. Sara. Se eu fiz isso mesmo, eu compreendia a raiva dele, mas juro que, sóbrio, nunca pensei com segundas intenções na minha cunhada. Eu a tinha como irmã. Irmã.
— Falaste que havia muitos criados na antiga casa do Sr. Uzumaki e que existia grande movimentação entre eles.
— Sim.
Ele reafirmou, esperançoso de que ela finalmente acreditasse.
Hinata se voltou para ele, dizendo:
— O Sr. Uzumaki não mencionou isso.
— Ele nem deve lembrar, e se lembra, não acha um bom argumento; ficou possesso de ódio naquele dia, não raciocinou direito. E nos dias seguintes... sei lá... acredito que, mesmo se ele visse lógica na minha defesa, no fundo, sempre quis se afastar de mim.
Abaixou a cabeça, apertando os cabelos pelos lados da cabeça.
— Por favor, Sra. Uzumaki, não desconfie de mim. Não me proíba de ver meus sobrinhos. Falhei como irmão e não quero falhar como tio. Quero ser presente.
— Não o acusarei, Sr. Menma II.
Ele desabrochou um largo sorriso.
Ela prosseguiu:
— Eu me simpatizei com seu jeito extrovertido, Sr. Menma II. Mas também percebo que não mede seus pensamentos e suas ações. Sinto-me até insegura em deixá-lo a sós com as crianças.
— Mas...
Hinata fez um sinal com a mão para que ele permitisse que ela continuasse falando.
O cunhado se silenciou.
— O senhor agiu de forma inconsequente ao entrar no quarto em que a Sra. Sara descansava. Ainda que os criados estivessem em grande movimentação, deveria ter respeitado a ausência de seu irmão.
— Sim, hoje eu reconheço isso — envergonhado, passou a mão pela nuca. — Mas Sar... Sra. Sara sendo como uma irmã, fez meu sentimento fraternal passar por cima das normas. Minha mãe me disse uma vez que o resguardo é um período de carência para a mulher, e eu pensei que a distância de meu irmão fazia mal a Sara. Além de rever meus sobrinhos, eu queria animá-la. Formalidades sequer passaram pela minha mente. Eu precisava estar lá para ser um conforto, um guardião.
Hinata massageava os metacarpos.
— O que conversaram naquele dia, Sr. Menma II?
Ele hesitou, admirando a postura daquela pequenina mulher. Estava nítido o quanto ela se preocupava com a família Uzumaki. Ela buscaria todas as informações possíveis para lidar com a situação. Se estava sentida com as palavras dele, ela estava conseguindo não demonstrar.
"Que sorte seu irmão teve" pensava Menma II. Naruto casou repentinamente com uma mulher muito comprometida com o bem-estar da família.
— Sr. Menma II?
A azulada não gostou da hesitação dele; ela aguardava ansiosamente por sua resposta.
— Conversei sobre muitas coisas com minha cunhada — ele respondeu, enfim, pondo o tornozelo esquerdo sobre o joelho direito e repousando as costas contra a maciez da poltrona. Relaxado, complementou: — Todas essas conversas se voltavam para meu irmão.
~
Depois de liberar o cunhado para brincar com Menma III, Hinata se sentou em uma das poltronas, e Shizune entrou.
A governanta quis confirmar se, após a gritaria do Namikaze, ele não fizera nada para a Sra. Uzumaki.
A pequena assegurou que não e convidou a criada para se sentar.
Shizune negou, afirmando que não descansaria durante o horário de serviço.
— Não estás fazendo nada agora; um pequeno descanso não faz mal, Sra. Hollingshead.
— Na verdade, vou me banhar, Sra. Uzumaki. — Afastou-se. — Dê-me licença.
— Sra. Hollingshead. — Hinata sustentava uma dúvida. — Antes que vá, preciso saber de algo.
— A respeito de quê, Sra. Uzumaki?
Shizune refez seus passos, parando ao lado da poltrona onde a perolada estava sentada.
A azulada hesitou em questioná-la, mas precisava vencer esse receio.
— Sra. Uzumaki? — Shizune estranhou.
— Nenhum dos criados considerou uma possível relação entre a Sra. Sara e o Sr. Menma II?
— Estou surpresa, Sra. Uzumaki, pensei que já tivesses perguntado isso ao Sr. Uzumaki. Afinal, já sabes dos detalhes da briga que ele teve com o irmão — foi um choque para a governanta quando Hinata, mais cedo, compartilhou a conversa que teve com Naruto.
— Na verdade, não tive coragem de perguntá-lo. Afinal, se ele foi tão apaixonado por ela, talvez não fosse capaz de considerar uma possível relação extraconjugal. Entendi apenas que ele reprovou a proximidade que o irmão jogava pra cima da Sra. Sara. Ela não quis se afastar do cunhado, mas em nenhum momento, ele me disse que acreditava que ela tinha algum caso. Ele se arrependeu de não acreditar nela, inclusive.
Shizune fez um leve assentimento, compreendendo.
— Bem, Sra. Uzumaki, nenhum criado considerou uma traição, até onde sei. A Sra. Sara era uma dama rodeada de pessoas. Antes de ter filhos, quando não estava com o Sr. Uzumaki, costumava encontrar-se com alguma amiga. E, quando estava sozinha, sempre fazia alguma atividade, como pintura ou tricô. Não me recordo de nenhum boato que sujasse a imagem dela. Talvez...
Shizune se calou, assustando-se ao perceber que estava prestes a falar demais.
Os olhos de Hinata se arregalaram de curiosidade.
— Por favor, continue, Sra. Hollingshead.
— Não é nada, Sra. Uzumaki. Deixe-me ir.
A pequena mulher se ergueu.
Shizune tentou se afastar, mas Hinata a alcançou, segurando-a pela cintura.
— Sra. Uzumaki!
— Eu gostaria muito de ouvi-la, Sra. Hollingshead. Imploro, diga-me o que estava prestes a dizer.
— Foi apenas um pensamento que me ocorreu, Sra. Uzumaki. É inadequado uma criada opinar na vida dos patrões.
— Mas sou eu quem está pedindo. Não falarei para o Sr. Uzumaki. Apenas me é importante conhecer vários pontos de vista. — Sem soltar a cintura da criada, ajoelhou-se. — Por favor, por favor!
— Tudo bem, mas recomponha-se, Sra. Uzumaki.
Hinata se levantou e recuou, dando espaço para Shizune, que passou as mãos pelo vestido e respondeu:
— Apenas me ocorreu que, antes mesmo do conflito com o Sr. Menma II, o Sr. Uzumaki receasse perder a Sra. Sara para uma vida mais interessante. O Sr. Uzumaki era um homem recluso e não tinha a mesma agilidade que a esposa em se manter em ambientes sociais.
— Entendo... agradeço por compartilhar isso comigo, Sra. Hollingshead.
A governanta assentiu, pediu licença e retirou-se do cômodo.
Hinata ficou refletindo sobre as palavras de Shizune.
Por conta do sentimento de exclusão, Naruto já se sentia inseguro em perder a esposa algum dia. Menma II foi apenas o estopim.
~NH~
30 de outubro
Sábado
~NH~
Naruto não suportava mais saber que seu irmão permanecia na casa.
Nos momentos em que arriscava sair do quarto, escutava, escondido, o eco das risadas de seus filhos e de sua esposa. Entre aqueles sons, reconhecia o riso de Menma II.
Construir a imagem do irmão junto de sua família lhe corroía a alma.
Em sua mente, via perfeitamente Menma II ao lado de sua esposa, os dois rodeados pelos pequenos Uzumakis.
Hinata tentou buscar o marido nos três primeiros dias da estada do cunhado, mas Naruto rejeitou atendê-la.
Então, ela desistiu, e essa desistência feriu o esposo.
Mesmo recusando o convite, ele gostava de saber que ela se lembrava dele; gostava de vê-la almejar sua presença antes de cada compromisso com as crianças.
Maldição!
Não podia culpá-la; ela tentou.
Foi sua escolha permanecer trancafiado no quarto.
Quanto a Kawaki, ele se comportara tão trancafiado quanto o pai.
Somente nos últimos três dias, o jovem Uzumaki começou a sair pelas manhãs.
O rapaz cavalgava para a floresta com seu mosquete e retornava no final da tarde com alguma caça.
De modo monossilábico, respondia aos criados e a alguém da família quando lhe perguntavam algo.
Quando Naruto dava suas escapadas secretas, aproveitava para deixar uma carta sob a porta do filho mais velho.
Já devia ter deixado mais de dez cartas.
Hinata sempre separava uma porção das refeições para Kawaki, na esperança de vê-lo descer e se juntar à mesa, ou ao menos aparecer para buscar a refeição.
Mas o rapaz saía tarde da noite do quarto, apenas para pegar água e pão, às vezes um pedaço de carne.
Ela sabia que deveria dar o tempo que ele queria; todavia, ao mesmo tempo, se preocupava com a condição dele. E se esse tempo durasse muito?
Nem mesmo Menma II conseguia convencer Kawaki a dar um passeio com ele.
Ela pensaria em algo; tinha que melhorar aquela situação. Sabia que seu marido sofria por Kawaki.
Naruto se sentia amenizado quando, à noite, antes de dormir, Hinata não se esquecia de lhe dar atenção.
Na cama, trocavam doces beijos e conversavam, conhecendo os gostos um do outro. E quando não tinham nada para dizer, apenas se abraçavam.
Aqueles abraços faziam Naruto esquecer o estresse que a presença do irmão lhe causava.
Eram nos braços dela que Naruto se sentia consolado.
Seja pela dor que o acompanhou nos últimos três intermináveis anos, pela situação de Kawaki, ou por tudo que lhe trouxe infelicidade.
Naqueles braços brancos e delicados, conseguia um longo momento em que sua mente flutuava.
~
Na noite de sábado, Hinata se encaminhava ao quarto de casal, retornando do jantar, e planejava banhar-se antes de ir ao quarto de Miina.
Assim que fechou a porta, começou a soltar os cabelos.
— Sr. Uzumaki, o dente de Menma III está mais mole e Miina está aprendendo a bailar.
Era sempre assim: a esposa não tentava mais convidar o marido a se juntar à família, mas entrava no quarto falando sobre o que fizera com as crianças durante o dia.
Ela evitava mencionar o nome do cunhado, tentando não estressar o marido, mas Naruto sabia que foi na presença de Menma II que a esposa fez as coisas divertidas que ela contava.
— Miina soube que o aniversário de Menma III está chegando e não para de me pedir bolo. Ela quer um bem maior que o nosso de casamento.
Risonha, Hinata dizia isso enquanto retirava suas vestes.
Naruto sorriu um pouco, e esse sorriso se perdeu. Sempre sentia uma pontinha de inveja de ouvi-la pronunciar os nomes das crianças sem o tratamento formal de "Sra." e "Sr.". Perguntava-se se ela tomaria a iniciativa de chamá-lo sem formalidade. Ele poderia tomar a iniciativa... mas por que sentia tanta vergonha, sendo que já trocavam carinho?
Hinata deixou suas vestes sobre o tamborete, as que usaria após o banho, e colocou dentro de um cesto de palha as peças que não usaria mais naquela noite.
Mal se afundou na banheira, e as cortinas foram abruptamente afastadas, assustando-a.
Naruto fixou o olhar no rosto feminino e questionou:
— Preciso lembrar de mandar Menma II embora?!
— Ir embora? — ela se espantou. — Mas... nós combinamos que...
— Combinamos que ele permaneceria por uma semana, mas o período já acabou!
Naruto, rangendo os dentes, virou-se e começou a andar de um lado para o outro no quarto.
Ele batia fortemente a ponta da bengala contra o piso.
— E-eu não contei ao senhor? Os criados do Sr. Menma II sofreram um acidente no estábulo. Não entendi como aconteceu, mas estão impossibilitados de conduzir qualquer transporte há dias, Sr. Uzumaki.
— Oras, se esse é o problema, eu forneço meus criados para levá-los de volta!
— Se o senhor se refere ao Sr. Diskin e ao Sr. Flynn, eles também sofreram esse acidente. Há dias estão de caras inchadas e mancando mais que o senhor, totalmente sem condição de se exporem em público.
— GRRR mas que diabo foi esse acidente?!
— Sr. Uzumaki... assusto-me quando gritas. Estás gritando desde quando entrei no quarto.
Ele encolheu os ombros.
— Per-perdão... não grito com sua pessoa, grito por conta da situação.
— Eu sei, Sr. Uzumaki, ainda assim me assusto, dá um pouquinho de medo vê um homem de seu tamanho gritar.
— Nã-não grito mais.
— Obrigada, Sr. Uzumaki. Sobre o acidente, como eu disse, não sei como aconteceu.
— Neste caso, tenho certeza que alguns criados que trabalham nas plantações de batata sabem conduzir os transportes.
Hinata se esfregava o sabão com força.
Seus perolados acompanhavam, por meio da abertura das cortinas, a movimentação nervosa do esposo.
— Sr. Uzumaki. O aniversário do Menma III está tão pertinho, seria muito permitir que seu irmão participe? Ele já está aqui mesmo.
Seu cunhado se comportou muito bem nos últimos dias, acreditava que ele merecia presenciar o aniversário do sobrinho.
— O que?! — Naruto cessou seus movimentos, encarando a esposa, caminhou até a frente da banheira. — Digo... o quê? — repetiu a pergunta, em voz baixa. — Mas eu quero que ele vá embora justamente por causa disso. Não quero comemorar o aniversário do meu filho com este homem perto de mim.
— Mas... mas Sr. Uzumaki, Menma III está tão feliz com a presença do tio, mandá-lo embora antes desse dia especial acabará com ele.
De sabão lavado do corpo, Hinata se ajoelhou na banheira e repousou as mãos sobre o peito do marido.
Naruto embranqueceu demais.
Sua vista passou a reparar no busto desnudo e molhado da pequena.
Os bicos do peito encostavam-se a ele.
— O Sr. Uzumaki fez um progresso tão grande, mesmo não se juntando a nós, apenas permitir a presença de alguém querido para as crianças, já causa bastante felicidade nelas.
— Bem... — O loiro ergueu o olhar, encarando a parede.
— E nossos pequenos perguntam pelo senhor. Já imaginastes a alegria que seria verem o senhor e eu chegando juntos no aniversário?
As crianças não entendiam por que precisavam ir ao quarto do pai, sem a companhia do tio, quando queriam vê-lo.
— É... es... está bem.
Naruto segurou os punhos femininos, afastando-os do corpo de modo delicado.
Assentiu-a, vendo-a reagir com felicidade.
Recuou, fechando as cortinas, e com sua bengala, fugiu para a cama, onde poria o travesseiro sobre o ventre.
A perolada com um sorrisinho retornou a se sentar na banheira.
Nos decorridos dias, ela percebia o quanto o Sr. Uzumaki era atingido pela atração de seu corpo a ponto de deixá-lo desorganizado.
Tinha uma bela arma contra ele.
Pressentia que a consumação do casamento chegaria antes do fim de ano.
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