Doce Criada
19 Capítulo: aniversário
Alguns minutos depois, Hinata se retirou da banheira e se enxugou, permanecendo no espaço delimitado pelas cortinas.
Ela também se vestiu por trás das cortinas.
Dentro da calcinha, colocou cinco camadas de pano, haja vista que estava em seu período menstrual. Mesmo estando no quinto dia do ciclo, quando o fluxo se encontrava enfraquecido, resumindo-se a pequenas gotas, não arriscaria deixar pingar sangue pelo chão.
Vestida, saiu de trás das cortinas e, indo pentear os cabelos na frente do espelho, avisou ao marido:
— Não contarei a Menma III que aparecerá no aniversário; será uma surpresa.
— Faça como achar melhor — permitiu Naruto, quietinho na cama, mantendo sua região abaixo do ventre oculta pelo travesseiro.
A esposa fingiu não perceber o que ele queria esconder e, após arrumar seus cabelos, prendendo-os em seu coque costumeiro, aproximou-se da cama e, com um beijo na testa, despediu-se do cônjuge.
Após a pequena mulher se ausentar do quarto, o loiro, com a vista fixada no teto, murmurou:
— Maldição.
~NH~
Domingo.
Último dia de outubro.
~NH~
Em Bielog, Hanabi caminhava ao lado da irmã, perto de uma boa movimentação de pessoas.
Em sua nova rotina, após a igreja, Hinata se acostumava a passar aproximadamente uma hora e meia na companhia do pai e da irmã.
A Sra. Uzumaki selecionou dois de seus vestidos novos, ainda não usados, para presentear Hanabi. A Hyuuga experimentava um deles naquela manhã de domingo. Era amarelo, com decote circular, mangas ajustadas até os pulsos, e estampa detalhada em pequenas folhas outonais em vermelho-alaranjado.
O vestido de Hinata era azul-claro, com um degradê vertical que terminava em um azul tão escuro quanto a tonalidade de seus cabelos. Ambas estavam com os cabelos presos em coques e ocultos em toucados de seda, com as respectivas cores de seus vestidos.
— Veja, Hinata, veja como nos olham. Esse povo está implorando perdão com esses cumprimentos. Oh, aquele lá quase bateu a testa no chão ao se curvar tanto, hahaha — disse Hanabi em um tom rouco, para ninguém além da irmã ouvir. — Ah, lá está o diabo do Sarutobi.
— Por Deus, Hanabi. Estamos saindo da igreja.
Repentinamente, a Hyuuga abraçou a irmã, feliz, dizendo:
— Ai, querida irmã, nem acredito que me arranjaste tantos pretendentes bons. Espero escolher um até maio.
Primariamente, Hinata ficou confusa. Segundos depois, percebeu que a mais nova inventou um assunto ao notar que Konohamaru Sarutobi, ao lado de um amigo, passaria perto delas. Quando Hanabi considerou que o rapaz estava distante, desfez o abraço e segurou a mão de Hinata. A azulada revirou os olhos, meneando a cabeça em gesto negativo.
As duas entraram na carruagem da propriedade Uzumaki, conduzida por Kakashi.
Com a permissão do patrão, o Sr. Diskin continuava fora de serviço, enquanto o rosto não desinchasse.
Assim que Hanabi se acomodou, perguntou à irmã:
— Viu a cara do Sr. Sarutobi? Eu soube que ele dispensou uma pretendente. O coitado teve esperança de que eu o perdoasse.
— Hanabi, nós poderemos nos encontrar sem que falemos de sua obsessão por um bom pretendente?
A Hyuuga cruzou os braços, respondendo:
— Para você é fácil falar, já que casaste com um rico proprietário de terras.
Hinata acarinhou o braço da irmã.
— Não fique assim, eu... gostaria de saber como se sente, além desses assuntos, entende?
A mais nova suspirou, assentindo. Descruzou os braços, repousando as mãos sobre o colo. A carruagem se movimentava, Kakashi as conduziria à propriedade Hyuuga.
Hinata fechou as cortinas de seu lado da janela, evitando corresponder aos cumprimentos que surgiriam pela rua. Queria descansar um pouco.
A Hyuuga ao contrário da irmã manteve abertas as cortinas do seu lado, correspondendo com assentimentos aos cumprimentos que surgiam pelo trajeto.
— Eu gostaria que convencesse nosso pai a contratar uma criada, assim terei mais tempo livre — Hanabi compartilhou sua vontade. — Aliás, está na hora de ele receber a visita de um médico para dar jeito nesses inchaços nos pés.
— Hum, nosso pai não gosta muito de se consultar, sabes bem, mas farei o possível.
A Sra. Uzumaki esperava que, com mais tempo livre, a irmã encontrasse novos interesses. Sendo agora irmã de uma Uzumaki, propostas de casamento não faltariam para Hanabi; fazia-se desnecessário a mais jovem se preocupar com a questão do matrimônio. Uma pena que Hanabi fosse tão agoniada, tão apressada.
— Já que quer falar de outro assunto, quando poderei ir novamente à sua propriedade? Bem que poderia me levar lá hoje — a Hyuuga se interessou.
Hinata mordeu o beiço inferior, refletindo. Estando Menma II ainda na casa Uzumaki, a azulada considerava impróprio convidar a irmã, pois, se a convidasse, seria uma visita longa, e seu pai não ficaria longe de Hanabi por muito tempo. Portanto, teria que convidá-lo também. E Naruto, nesse período de reclusão, tornaria o momento mais inapropriado para visitas.
— Hoje está sendo um dia corrido, pois há preparativos para o aniversário de Menma III que será amanhã.
— Aniversário do Sr. Menma III! Por que não falaste logo? Temos que comprar um presente!
— Não será necessário. Há um presente sob encomenda para ele em uma marcenaria. O Sr. Wittenberg irá buscá-lo depois de nos deixar na propriedade Hyuuga.
— Mas eu quero que o Sr. Menma III receba um presente com meu nome. Por favor.
Hinata, não resistindo à carinha pidona da caçula, abriu a cortina do seu lado da janela e colocou o rosto para fora, avisando ao mordomo:
— Sr. Wittenberg, passe na marcenaria agora, por favor.
— Sim, Sra. Uzumaki — Kakashi mudou o percurso dos cavalos.
Hanabi, empolgada, esfregou as mãos. Tudo em sua vida dava certo novamente. Enquanto aguardavam chegar ao destino, a Sra. Uzumaki pensava em como seu marido estava no quarto. Miina e Menma III estariam se divertindo com o tio, que tomava conta deles sob a supervisão da governanta.
~NH~
Segunda feira
Primeiro de novembro
~NH~
Hinata apertava as mãos, massageando a cabeça dos metacarpos nervosamente. Mirava a porta do quarto de Kawaki enquanto se aproximava dela. Cessou a dez centímetros da porta, desprendeu suas mãos e, com o dorso dos dedos, desferiu três batidas contra a madeira. Nenhum som veio de dentro do quarto. Mesmo assim, Hinata resolveu avisar, na esperança de que ele a escutasse:
— Sr. Kawaki, hoje faremos uma surpresa para seu irmão. Ele está passeando lá fora com o tio e pensa que não tivemos condições de fazer uma festinha, mas a mesa de refeição está pronta para recebê-lo. E seu pai me prometeu que aparecerá. Seria o maior presente para Menma III ver toda a família unida. Não estou dizendo para ensaiar um sorriso nem nada disso, mas apenas sua presença será o bastante.
Ainda recebendo o silêncio, a perolada encostou a orelha contra a porta. Nenhum som. Suspirou e virou-se para ir embora.
— AH!
Ela recuou, assustada, batendo as costas contra a porta, arregalando os olhos para a pessoa à sua frente.
— Por que o susto? — perguntou Kawaki, impassível. — Este é meu quarto.
— É que não o percebi chegando, Sr. Kawaki — disse ela, com a mão no peito, tentando acalmar sua respiração. — Pensei que estivesse lá dentro.
— Licença — ele pediu.
— Claro — Hinata arredou para o lado. — Hoje à noite terá uma surpr...
— Eu escutei — Kawaki a interrompeu, abrindo a porta. — Antes de dormir, vou ao quarto dele para desejar parabéns — entrou no quarto.
— Mas... mas...
— Estou com dor de cabeça — ele se justificou. — Agradeço pelo convite — e fechou a porta.
Hinata ainda ficou ali na frente da porta, entristecendo-se um pouco. Todavia, aquela tristeza durou apenas meio minuto. Fechou as mãos na frente do busto e sacudiu a cabeça. Não se consumiria por emoções dolorosas, pois era um dia especial. Conseguir que o marido ficasse no mesmo espaço que o irmão era o bastante. Por enquanto.
Menma III segurava a mão do tio. O menino usava calça marrom clara até os joelhos, meias brancas e sapatos pretos e lustrosos. Uma gravatinha preta prendia-se na gola alta de sua roupa branca, com listras finas prateadas em vertical, sob um colete marrom.
O tio conseguiu algumas roupas em Bielog, aproveitando que um carregamento de batatas sairia da propriedade e iria à cidade. Menma II trajava uma casaca verde escura sobre uma roupa bege, fechada na frente por botões pretos, uma calça verde escura, botas marrons longas e bicudas. Sua gravata era vermelha. Os dois, elegantes, caminhavam cheios de si. Menma III estava louco para encantar sua mãe.
Ao chegar à sala de refeição, seus olhos cintilaram. A mesa exibia o colorido de inúmeros doces, e o maior atrativo era o bolo em forma de cilindro, com quatro andares. O menino sorriu de boca aberta; seu olhar namorava aquele bolo. O tio o tocou pelo ombro, chamando-o:
— Menma III.
— E-eu adorei a surpresa! — o menino exclamou, voltando seu olhar ao tio. — Mas cadê os outros?
— Era isso que eu ia dizer — o tio falou, risonho. — Veja quem chegou. — Estendeu seu braço em direção à entrada da sala.
Naruto segurava sua bengala. Apresentava-se com sua meia máscara. Sua capa se ausentava. Vestia uma casaca azul-violácea em tonalidade escura, calça e colete negros. Sob o colete, uma roupa cinza clara. Suas botas de canela longa exibiam cor preta.
— Papai saiu do quarto! — o menino correu e abraçou as pernas do progenitor. Mesmo visitando o pai no quarto, Menma III temeu que o homem retornasse a viver recluso; não queria se distanciar dele outra vez, não suportaria.
Naruto lacrimejou, percebendo que sua presença e atitude faziam grande diferença. Ao lado do Sr. Uzumaki, a perolada se apresentava de vestido branco e florido, combinando com o vestidinho de Miina, que punha os bracinhos em torno do pescoço de Hinata. Os cabelos azulados estavam presos e o coque era enfeitado com uma coroa de pétalas azuis claras. A menina também usava uma coroa de pétalas, mas de cor rosa bebê.
O menino agarrou-se à saia da madrasta e esfregou seu rostinho contra o tecido perfumado. A mão de Hinata se afundou naquele monte de cabelo loiro liso, com pontas onduladas.
Menma III agradeceu ao casal pela surpresa e, animado, segurou a mão esquerda de Naruto, convidando-o:
— Venha, pai, vamos sentar perto do bolo! — conduziu-o até a mesa.
Não seria como nos aniversários anteriores, em que Naruto sentava de frente para a lareira enquanto o pequeno lhe falava sobre as coisas.
Menma II se encontrava afastado, reconhecendo a felicidade do irmão gêmeo por trás do seu comportamento quieto.
O Namikaze retrocedeu até parar ao lado da cadeira situada em uma extremidade da mesa.
O aniversariante sentou-se em um dos lugares centrais, do lado direito da mesa longa. Naruto sentou ao lado do menino.
Miina também queria sentar de frente para o bolo, então Hinata a colocou em um dos lugares centrais, do lado esquerdo da mesa. A Sra. Uzumaki chamou o mordomo.
— Sr. Wittenberg, arranje almof...
Ela se silenciou ao ver que Kakashi aparecera com as almofadas em mãos. O mordomo percebera a ausência delas antes dos criados se retirarem da sala e não teve tempo de colocá-las em uma das cadeiras.
— Agradeço, Sr. Wittenberg.
Hinata segurou Miina por mais um tempinho, enquanto o mordomo aproveitou para colocar as almofadas empilhadas na cadeira. Kakashi se afastou, aguardando caso alguém precisasse de seu serviço.
Por dentro, uma preocupação emergia no mordomo em relação à presença do Namikaze no mesmo espaço que o Sr. Uzumaki. Em um momento, o olhar de Naruto se cruzou com o do irmão. Menma II empalideceu, paralisado, colocando uma mão sobre a mesa. Kakashi tencionou os músculos.
Entretanto, nenhum alarme se fez necessário. Rápido, Naruto desviou o olhar do gêmeo, preferindo se concentrar no que seu animado filho dizia. Alheia aos homens, Hinata desembrulhava palitos de cedro e selecionou um deles.
Chamou a atenção do menino, que contava algo para o pai sobre o que fizera naquele dia. Assim que Menma III se silenciou, a perolada disse:
— Ontem convidei meu pai e minha irmã para o aniversário, mas hoje cedo uma carta de meu pai chegou. Nela, ele escreveu que seus pés estão inchadíssimos e que precisa de minha irmã por perto. Sei que ela está chateada por não comparecer, então peço desculpas pela ausência deles, Menma III.
Hinata conseguia imaginar o escândalo de Hanabi. O menino sugeriu:
— Está tudo bem, guardaremos um pedaço de bolo pra eles.
Hinata se segurou para não encher aquele fofura de menino com beijos e continuou:
— Então podemos começar. Sr. aniversariante, estás pronto para apagar as velas?
— Sim!
A azulada levou o palito de cedro até uma das velas na parede atrás de si. A seguir, acendeu uma das velas do bolo.
— Acenda uma também, pai — pediu Menma III.
A pequena mulher, sorrindo, pegou outro palito e contornou a mesa. Ela repassou o objeto ao marido, que se levantou. Ele foi até a parede mais próxima e acendeu o palito, colocando-o em outra vela sobre o bolo.
Sua esposa segurou seu punho direito e os dois juntos alcançaram a vela.
— Acenda uma também, tio! — convidou Menma III.
— Bem... — o parente hesitou em ficar muito perto do irmão.
— Venha — Hinata o incentivou a se aproximar.
Naruto retornou a se sentar.
— Manhe! — Miina chamou, emburrada, não gostando de ficar sozinha do outro lado da mesa.
Hinata contornou o móvel e logo se acomodou ao lado da pequena.
— Bolo! — pediu a menina.
— Só um momento, meu amor — pediu a madrasta, acariciando os cabelos vermelhinhos. — Temos que esperar o seu irmão assoprar as velas.
Menma II pegou um dos palitos de cedro e acendeu em uma das velas da parede, e assim, mais uma vela sobre o bolo foi acesa.
— Quero acender! — pediu Miina.
Hinata pegou um palito de cedro. Carregou Miina e segurou a mãozinha dela na hora de acender mais uma vela; assim, as duas o fizeram juntas.
Satisfeito, o menino já queria assoprar. Fechou os olhos, pensando em um pedido especial, e em seguida assoprou as velas. O pai, a mãe e o tio bateram palmas. Miina, hipnotizada pelo bolo, bateu palmas atrasadas. E Hinata achou melhor ficar com paninhos por perto, pois previa que sua menina babaria muito.
Menma III mal abriu os olhos e começou a chorar. Dali em diante, desejava que todos os seus aniversários fossem daquele jeito. Refugiou-se no colo do pai, que acariciou os cabelos do filho. Naruto se desfez das luvas. Hinata cobriu a boca com a mão direita e lutou contra suas emoções, não querendo se despencar em lágrimas. Menma II apertou os lábios com força, contemplando a cena, enquanto voltava ao seu lugar à mesa, mais distante dos outros.
A situação não ficou tão difícil como o Sr. Uzumaki imaginou. O tempo progrediu e ele conseguiu se prender na felicidade do filho, da esposa e da filha. Mesmo existindo momentos em que Menma III dizia algo ao tio, Naruto não precisou se comunicar com o irmão. O Sr. Uzumaki percebia a vontade da esposa de vê-lo interagindo com Menma II, mas preferia ignorar. Hinata não insistia para não estressar o marido, pois aquela noite era do Menma III.
Miina comeu um pedaço de bolo, quatro docinhos e um copo de chocolate quente. Menma III comeu dois pedaços de bolo, ingeriu dois copos de chocolate quente e depois passou a catar docinhos. Na hora de abrir os presentes, Naruto sorriu orgulhoso ao ver que o filho gostou do seu cavalo em tamanho gigante. Era um cavalo de balanço, o presente que ele e Hinata decidiram juntos. Para acompanhar, uma espada de madeira, em nome de Hanabi.
Miina quis subir no cavalo de balanço, e Menma III a permitiu, sentando-a na frente e fingindo que era um herói que a salvava de bandidos. Em um momento da noite, descansando na poltrona ao lado da lareira, o Sr. Uzumaki assistia seu filho brincar com a espada, fingindo lutar contra alguém invisível, enquanto Miina permanecia no cavalo de balanço, rindo sem parar.
Um estalo na mente soou em Naruto, que perguntou ao filho:
— Onde está Hinata?
— Acho que ela foi ajudar o Sr. Wittenberg a retirar a mesa — respondeu Menma III, sem interromper sua luta.
A seguir, o Sr. Uzumaki notou que seu irmão também se ausentava. Não conseguia lembrar em que momento Menma II deixou a sala de refeições, nem se ele chegou a ficar na sala da lareira. Ergueu-se e foi ver sua esposa. Na sala de refeições, o loiro avistou Hinata distribuindo alguns pedaços de bolo para os criados da cozinha. Eles faziam fila. Naruto se recostou no batente, com um olhar contemplativo sobre sua esposa, esquecendo-se do irmão.
~NH~
Terça feira
Dois de novembro
~NH~
De manhã, bem cedo, Menma II se arrumava para ir embora. Seus criados podiam não estar bem-apresentados, entretanto já tinham melhores condições de conduzir os transportes. Exceto pelo cocheiro de Menma II, que receberia carona de um dos carroceiros.
O Sr. Diskin conduziria a carruagem do Namikaze e retornaria na carruagem do Flynn. Sai e Iruka também não estavam lá com boa aparência, mas podiam andar sem dor. O importante era não passarem pelas ruas de Bielog e se manterem nas estradas fora da cidade, assim evitariam fofocas dos habitantes.
Sentado na poltrona, o Namikaze enfiava uma bota no pé direito. Repentinamente, parou de tentar colocá-la. O que escutava o paralisou. Barulho de passos, acompanhado de outro barulho: o de uma bengala. Naruto entrou na sala, a mesma onde o irmão se reuniu com Hinata e Kawaki. Imediatamente, Menma II se ajoelhou na poltrona, suas mãos agarraram o encosto largo e fixou a vista na porta. O barulho parou e, em seguida, a porta foi aberta.
Ao confirmar que se tratava do irmão, Menma II se desesperou:
— E-eu estou indo embora, juro!
Naruto entrou no quarto, fechou a porta e manteve-se fitando a maçaneta. Estava todo rígido. Sentindo-se como se enfrentasse mil dragões, verbalizou:
— Estás respeitando meu espaço. Se continuares assim, pode ficar por mais tempo.
Paralisado, Menma II identificava a tensão sob a capa comprida do irmão. Eram palavras difíceis de saírem do gêmeo mais velho, sabia o Namikaze. Recuperando-se do choque, Menma II falou:
— Se eu soubesse que me aceitarias novamente, me prepararia para passar mais tempo aqui.
— Se dependesse de mim, estarias fora daqui há mais tempo.
— Entendi, é pela sua esposa e pelas crianças. Puxa vida, ainda assim já é grande coisa — disse Menma II, impressionado.
Naruto espremeu os lábios antes de falar:
— Até o início do inverno... fique até o início do inverno.
— Melhor não, transmites a impressão de que enfiará essa bengala na minha goela a qualquer momento — Menma II riu, mas logo parou, pois quis alertar sobre algo importante: — Falando em inverno, conversei com Kawaki; ele pretende partir da propriedade Uzumaki.
Naruto virou as costas à porta e direcionou sua expressão alerta ao irmão.
— Eu pedi que ele aguardasse ao menos até o final do inverno. Fiz ele prometer que aguardaria — continuou Menma II. — Prometi que não iria atrás dele se ele esperasse até lá. Se ele partir antes, pode ter certeza de que moverei o mundo para encontrá-lo. Ele sabe disso, por isso cumprirá a promessa.
Um triste brilho se apossou do orbe azulado de Naruto. O Namikaze tentou consolar:
— São meses até o final do inverno; acredito que você e minha cunhada conseguirão, junto das crianças, fazê-lo mudar de ideia.
As mãos do Uzumaki apertaram a bengala.
— Como conseguiremos? — perguntou Naruto, fitando o piso. — Quando ele não está no quarto, está fora de casa.
Ele perdia as esperanças quanto às cartas. Pensativo, Menma II considerou:
— Kawaki voltou a caçar por estar cansado do isolamento. No inverno, ele não poderá caçar e se cansará de ficar no quarto. Ocasionalmente, vocês se encontrarão; ele não poderá fugir da família.
O Uzumaki balançou a cabeça levemente em concordância. Menma II mudou de assunto:
— Seria muito eu esperar uma recepção calorosa aos nossos pais?
— Humpf — Naruto vagou pelo ambiente, indo até o marco da passagem interligada ao jardim. Pousou o olhar sobre uma flor cuja cor lembrava os perolados de sua esposa. — O único prazer que eu teria em recebê-los seria ver a cara deles ao saberem que eu casei com uma criada.
Menma II voltou a sentar na poltrona, imaginou a cena e começou a rir.
— Além de abandoná-los e ficar com as plantações de batata, de quebra, não se casaste com uma dama da alta sociedade, hahaha.
Casar com uma mulher de condição social destacada seria bom para qualquer grande proprietário de terras. O casamento destruiu de vez os objetivos que Minato impusera sobre Naruto.
— Neste caso, não contarei para eles — Menma II fez um sinal de juramento sobre o peito. — Também quero vê-los reagir a este grande acontecimento.
— Divirta-se com isso — comentou Naruto, estranhando.
— É claro. Eu posso conviver com eles, mas ainda sinto raiva pelo que fizeram a você. Incomoda-me ter sido tão cego; isso acaba me fazendo igual a eles. Até pior — Menma II empacou, evitando mencionar Sara. Arriscou declarar seu amor fraternal: — E-eu... e-eu... você, além de irmão, era para ser meu melh... melhor ami...
— Parta — Naruto interrompeu, encaminhando-se para fora do ambiente, indisposto a ouvir algo sentimental do Namikaze. — E volte para o Natal; poderá ficar depois do Natal até o Ano Novo.
Por meio de sua visão, Menma II acompanhou o irmão mascarado. Em seu rosto, o Namikaze pintou um sorrisão e exclamou:
— Quando eu voltar, espero receber a notícia de que ganharei mais um sobrinho!
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