Doce Amargo
15 Prólogo - Livro II
Notas iniciais
PRÓLOGO
Melinda trancou seu apartamento e encarou a porta por alguns segundos. Acabara de voltar e já estava partindo outra vez, mas era mesmo melhor assim.
Ela se prometeu uma vida nova e, para isso, precisava de atitudes novas. Não dava para agir do mesmo modo de antes e esperar resultados diferentes, ela bem sabia, por isso estava fazendo sua parte.
O passado estava morto, não devia ser lembrado e, por isso, já não havia mais razões para chorar pelo que passou, ou sentir pena de si mesma. Ela tinha um lugar para viver, amigos com quem contar... era digna de muitas coisas, mas pena não era uma delas.
Ajeitou a alça de sua bolsa a tiracolo sobre o ombro esquerdo e pegou as duas malas aos seus pés. Javier já tinha descido com as caixas restantes, já não havia mais nada ali que pertencesse a ela. Pensar sobre isso doeu um pouco, no entanto Linda não chorou. Não havia razões para isso. Então ela sorriu, porque era o que pessoas fortes faziam ante a dor.
***
Ele estava enlouquecendo.
A casa era monótona, a empresa era monótona, as reuniões de negócios e coquetéis eram monótonos. A vida era monótona.
Se ao menos Linda estivesse ali para fazer com que um programa bobo se tornasse divertido...
Linda.
Trazia uma sensação atípica ao peito pensar nela, a qual Robert detestava. Tinha estragado tudo, ele bem sabia. Mas que a verdade fosse dita: aquele relacionamento estava fadado ao fracasso desde sempre. Ela era boa demais e Robert duvidada que conseguisse merecê-la algum dia na vida.
Sentia falta dela, no entanto, mesmo que não admitisse nem para si mesmo. Tocava a música de que Linda tanto gostava ao piano vez ou outra, e era como se ela pudesse ouvir e sorrisse para ele em agradecimento.
Mas Linda não estava ali. Jamais estaria. Ele mesmo se certificou disso sendo o canalha que foi. No entanto, sempre se perguntava se ela estaria pensando nele com a mesma frequência em que ele pensava nela. Talvez Linda já não o amasse, porém... a última noite deles estava tão vívida em seus pensamentos que não duvidava que também estivesse viva nos dela.
Uma mulher que se entrega de corpo e alma para um homem como Linda se entregou para ele... Não. Ela não tinha esquecido. Nenhum dos dois jamais esqueceria.
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