Doce Adolescência Amarga
1 Encontros e Desencontros
Notas iniciais
Essa história começa na Casa de Lívia Assunção.
@Casa de Lívia – Zona Oeste.
Era o ultimo final de semana das férias.
E haveria uma festa.
[...]
Era perto das seis horas da tarde e o sol estava se pondo.
Parada na porta com um sorriso no rosto, estava Lívia, a qual acenava sem parar para os seus avós que estavam saindo da garagem em uma mini-van.
— Não se esqueça que ela chegara amanhã cedo.
Sua avó gritou quando o carro já estava no meio da rua.
Lívia: Pode deixar vovó!
Ela disse com um enorme sorriso no rosto, e esperou até que o carro desaparecesse no final da rua para revirar os olhos com aquela notícia. Ela pegou seu celular, e discou.
Lívia: Tudo pronto.
Ela disse á alguém do outro lado da linha e em seguida desligou. Seu olhar malicioso e seu sorriso malvado indicavam que ela ia aprontar (Mais uma vez).
Lívia Assunção era a invejosa.
Lívia e sua irmã, Amanda, sempre estudaram em casa. Isso facilitava o trabalho dos seus pais que eram arqueólogos. Mas tudo mudou quando eles se juntaram á uma ONG e decidiram ajudar famílias carentes pelo mundo. Lívia se viu em um pesadelo (já que ajudar os outros não era a sua “praia”). Então, depois de insistir muito, ela se mudou para a Cidade Grande na casa dos seus avós. E isso já fazia um ano.
Ela queria ser popular, arrumar um namorado gato e gastar sem ter limites em um Shopping. E por uma tremenda sorte, ela conseguiu tudo aquilo naquele ano. ]
Mal deu tempo de Lívia fechar a porta e uma BMW Branca encostou-se em frente á sua casa. E dela desceram duas garotas: Juliana Hastings e Thais Bittencourt.
O tempo pareceu em câmera lenta para alguns garotos que estavam jogando bola na rua quando as viram seguir rebolando até a porta.
Juliana: É hora da festa!
Ela entrou e as garotas se colocaram ao seu lado. Juliana tirou o seu Tablet da bolsa e analisou a lista.
Juliana: Bebidas?
Lívia: Entraram pelo fundo enquanto meus avós estavam saindo!
Juliana: Som?
Thais: Um amigo meu vai trazer um equipamento da pesada.
Juliana: Seus avós?
Lívia: Resort com os coroas, só voltam amanhã à tarde.
Juliana: Convites?
Thais: Já enviei todos por E-mail.
Juliana: Confere.
Thais desbloqueou seu celular e entregou á Juliana, que checou a lista de convidados.
Juliana: Não acredito que convidou aquela louca da aula de teatro.
Thais: Os nossos convidados precisam de uma distração!
Ela disse com um sorrisinho e Juliana voltou sua atenção para a lista.
Juliana: Pedro Vieira?
Thais: er;
Juliana: Eu vou encontrar os amiguinhos dele nessa lista também?
Thais: Ele disse que só viria se os amigos deles viessem também.
Ela disse choramingando, como se estivesse implorando. Juliana jogou o celular na direção de Thais e revirou os olhos.
Juliana: Ótimo.
Lívia: Talvez não seja tão ruim. Podemos armar alguma coisa!
Juliana: Vai ter muito tempo pra isso no Colégio. Só queria uma festa sem a presença daqueles idiotas.
Thais: O que eles te fizeram para odiá-los tanto assim?
Juliana: Nasceram. Já é um bom motivo!
Ela abriu um sorrisinho.
Lívia: E então, vamos mandar o endereço errado pra eles ou os barramos na porta?
Juliana sorriu, gostando da ideia.
Thais: Não, por favor. Ele tem que vir. – Ela implorou. – Agora que ele está TÃO próximo de mim.
Lívia: Próximo de você? Ele só te da bola porque você é filha do Diretor. Ele nem liga pra você.
Thais semicerrou os olhos.
Thais: Ah, e como vai o seu namoro? Ah, é, você não tem um namorado.
Livia: Engano seu queridinha. Eu estou “pegando” um gatinho ai.
Thais: Ah, claro. Qual o nome dele?
Lívia: Você não o conhece.
Thais: É porque ele não... Existe?
Juliana: JÁ CHEGA!
Ambas se calaram.
Juliana: Que seja Thais. Eu só não quero eles no meu caminho!
Thais: Eu vou cuidar para que isso não aconteça!
Juliana: Ótimo. Eu vou pra casa me arrumar!
Ela saiu.
[Juliana Hastings era o mal em forma de gente. Mas nem sempre foi assim, já houve um tempo em que ela não se importava com a aparência..
Seu pai era um renomado advogado e eles nunca tiveram uma residência fixa em um país por mais de seis meses. (Ele viaja muito á negócios). Mas há dois anos, ele foi contrato por uma empresa de moda na França e a aparência de Juliana não causaria uma boa impressão. Foi ai então, que a sua história começou na Cidade Grande.
Ela se mudou para a casa dos seus tios hippies e por fim encontrou o estilo de vida que gostava de viver (algo completamente abominável para a pirua da sua mãe) Mas um acontecimento inesperado fez com que ela quisesse mudar (desesperadamente). Ela foi passar as férias na Europa, ficou loira, começou a gastar mais que $100 em uma única blusa, descobriu o fantástico mundo da Maquiagem e jurou vingança.
No inicio das aulas do primeiro ano (Ano passado) ela retornou e se tornou a abelha rainha da grande Colméia, chamada Escola! ]
Livia e Thais se encararam com ar superior e Thais saiu pela porta rebolando.
Thais Bittencourt era a filha do Diretor do Colégio.
Sua mãe era uma renomada Ex-bailarina e dona da Academia de Balé mais popular da Cidade. E Thais era a favorita da academia desde que resolveu seguir os passos da mãe quando tinha dois anos.
No Colégio a sua vida era de regalias, já que seu pai era o Diretor. Esse fato lhe atribuiu à atenção de Pedro, o garoto por quem ela era apaixonada desde a 3° Série, quando ele acidentalmente lhe deu uma bolada na aula de Educação Física, ela abriu os olhos e se apaixonou instantaneamente. Ela o livrou do castigo naquele dia, e depois de muitos outros. E até que finalmente ele resolveu-lhe dar uma chance no Baile de Boas-Vindas do 1° Ano. Para ele foi divertido levar a garota mais popular do Colégio. Enquanto para ela foi um sonho dançar com o Crush. ]
[...]
@Casa de Gabriela — Na zona Norte.
Uma das casas da rua havia sido ocupada naquela semana e os cômodos pareciam enormes com todos os móveis ainda empacotados. Helena e Catarina estavam abrindo as caixas que ainda restavam.
Catarina: Eu acho que precisamos de mais móveis, essa casa é gigante.
Ela disse ao tirar um vaso azul, todo desenhado a mão de um embrulho de jornal.
Helena: você gostou?
Catarina: Está brincando? Eu adorei tudo: a casa, a cidade, a faculdade.
Helena: Eu fico feliz que você esteja animada. – Ela sorriu. – Não posso dizer o mesmo da sua irmã!
Catarina: Ela vai acabar se acostumando.
Helena: Eu não sei. Essa separação a afetou muito, mais do que imaginávamos. Ela teve que sair da academia, deixar a escola e também os amigos. Talvez não tenha sido uma boa ideia aceitar essa promoção!
Ela soltou os ombros.
Catarina: Mãe, você não pode se sentir culpada. Se tem alguém que deve se sentir culpado nisso tudo é o papai. Foi ele que...
Helena a interrompeu.
Helena: Shiii. Eu não quero falar sobre isso aqui. Ela pode ouvir.
Ela olhou para as escadas atrás delas, com medo.
Catarina: Uma hora ela vai ter que saber!
Helena soltou os ombros mais uma vez.
Helena Carvalho era médica, mãe e foi uma ótima esposa por 19 anos.
Helena era caloura na Faculdade de medicina quando conheceu o pai das garotas na sua primeira festa. Ele era vocalista de uma banda. O relacionamento começou cedo e quando ela ainda estava no 2° ano e ele no 4°, os dois já estavam falando sobre os planos para o futuro. No 3° ano ela engravidou, e ambos estavam apaixonados. Era como se fosse um sonho. Ela trancou a faculdade e retornou depois que Catarina nasceu. Ela conseguiu um estágio, e ele conseguiu uma oportunidade de parceria com seu colega de quarto em uma produtora. E então, três anos mais tarde Gabriela nasceu. A vida em família parecia perfeita por Dezenove anos, até que as “tentações” apareceram e o casamento chegou ao fim. Nesse período, Helena recebeu uma promoção irrecusável na Cidade Grande e essa foi sua oportunidade de pedir o divórcio (de um casamento que já não existia mais).
E Catarina se levantou para colocar o vaso na mesa alta atrás do Sofá Bege.
Catarina Martins era a filha mais velha, segura de si e sincera na maior parte das vezes.
Catarina tinha Dezenove anos e estava começando a sua Faculdade de Moda na Cidade Grande. Ela e Gabriela eram parecidas, exceto por ela ser mais compreensiva e adorar fazer compras.
Mudar para a Cidade Grande foi o primeiro sonho a se realizar, mas ela não era o tipo de garota que queria ficar parada em um só lugar. Ela sonhava alto.
Nesse instante, Gabriela veio descendo as escadas, com seus fones no ouvido, moletom e chinelos. Com um coque no alto.
Helena: Filha, que bom que saiu do quarto!
Ela se levantou num pulo e Gabriela tirou os fones.
Gabriela: Eu vim assistir alguma coisa aqui em baixo. Estou sem Tv, lembra?
Helena: O técnico vai vir essa semana, querida. Tudo vai melhorar. Eu prometo.
Gabriela: É, vai. Quando o papai voltar de viagem eu vou poder convencer ele a mudar essa ideia ridícula de separação!
Helena: Filha fui eu quem pediu a separação.
Gabriela: Bom, então eu vou ter que convencer ele a te convencer.
Ela forçou um sorriso, e Catarina e Helena riram.
Catarina: Enfim, enquanto isso não acontece. O que acha de sair hoje?
Gabriela: Não conhecemos nada e nem ninguém aqui!
Catarina: Você não conhece ninguém. Eu conheci uma garota da Faculdade. E ela me convidou pra ir numa festa de uma amiga da amiga dela.
Gabriela: Esta me convidando pra ir à festa da amiga, da amiga da sua amiga?
Catarina: É mais ou menos isso.
Gabriela: Não, valew.
Ela se jogou no sofá.
Helena: Gabi, vai se divertir um pouco. Sair de casa, sei La.
Gabriela: Eu não estou a fim de ir numa festa onde eu não conheço ninguém.
Catarina: Você vai me conhecer!
Gabriela: Não vale!
Catarina: Para de ser chata!
Gabriela: Eu não sou chata.
Helena: Meninas.
Ambas olharam pra ela.
Gabriela: Ta, que seja. Tanto faz!
Helena: Ótimo. Vocês deviam ir ao shopping comprar roupas novas.
Catarina: Ótima ideia!
Ela disse animada.
Gabriela: Não, eu odeio compras, você sabe!
Catarina: Então não compra, sobra mais crédito no cartão.
Gabriela: Cala boca.
Helena: Meninas?
Gabriela bufou.
Gabriela: Eu vou trocar de roupa.
Ela subiu rápido.
Gabriela Martins era a marrenta.
Gabriela era apaixonada por Balé, completamente diferentes do seu pai que era um produtor musical e sua mãe que era médica. Ela morou numa cidade do interior a vida toda, e estudou na mesma escola de balé desde os quatro anos. Não foi fácil dizer Adeus quando sua mãe disse que eles iriam mudar para a Cidade Grande, e foi ainda pior descobrir que o seu pai não iria junto com elas.
Gabriela era literalmente o gênio forte da família e não era o tipo de garota que “levava desaforo para casa”. ]
Helena olhou para Catarina e ergueu as mãos para o alto, simbolizando Vitória. Elas riram.
[...]
.
@Casa de Pedro e Vitória – Zona Leste.
Já tinha se passado um mês que os Vieira haviam ocupado uma casa em um dos bairros mais calmos e refinados da Zona Leste.
Alberto estava sentado na sala analisando alguns casos de clientes.
Alberto Vieira era um advogado linha dura.
Alberto cursou direito na mesma faculdade que seu pai, e herdou o escritório de seu pai (já que era filho único). E aquilo era uma tradição que ele não queria ignorar.
Ele conheceu Lúcia Dias, mãe de Pedro, em uma aula vaga quando ele estava no segundo ano da Faculdade, enquanto ela era caloura. Ela pensava alto, queria ser promotora. Enquanto ele, só queria seguir os passos do seu pai. Eles namoraram durante a faculdade e quando ele se formou começou a estagiar no escritório da familia. A faculdade era longe e eles só se viam no final de semana, mas depois de seis meses ela anunciou que estava gravida. O sonho de Lúcia morreu (ela deixou a faculdade), mas um sonho ainda maior surgiu. Pedro.
Mas um acidente fatal aconteceu Dez anos depois. Lucia se foi, e Alberto estava sozinho com Pedro.
Dois anos mais tarde, Alberto apresentou Lígia a Pedro. E um ano depois eles se casaram.
Quando Lígia saiu de seu escritório falando no celular.
Lígia: Isso não é problema meu, Bárbara. Eu quero essa entrevista com a Madona. Não me obrigue a fazer o seu trabalho!
Lígia Ribeiro era gananciosa.
Seus pais eram pobres, uma realidade que não agradou Lígia na sua adolescência. Por isso ela sempre exigia roupas e sapatos novos para causar uma boa impressão às amigas do Colégio.
Sua mãe morreu antes de ela entrar na Faculdade e seu pai batalhou sozinho para lhe pagar a Faculdade de Jornalismo. Quando se formou e conseguiu seu primeiro estágio em uma Cidade maior, colocou seu pai em um Asilo. E um ano depois ele faleceu. Dois anos depois em um dos seus trabalhos como colunista, ela conheceu um artista falido, porém charmoso. E ela engravidou em um encontro casual. (E aquilo foi praticamente o fim). Eles resolveram se juntar e tentar formar uma família (sem casar). E foram anos difíceis, já que ele tinha problemas com a bebida. Oito anos depois ele a abandonou e ela fingiu que ele morreu (Literalmente). Quatro anos depois, quando ela já era assistente pessoal do antigo Editor Chefe em uma Revista, ela conheceu Alberto. (o qual estava advogando a Revista contra o processo de uma celebridade ofendida)
Alberto olhou por cima dos óculos e viu quando ela desligou e arremessou o celular no Sofá.
Alberto: Madona? Uau!
Ela o encarou séria, porém, sorriu.
Lígia: Esses funcionários são uns incompetentes!
Alberto: Eu sei como é querida.
Ele sorriu e ela respirou fundo.
Lígia: Sabe me dizer se a Vitória saiu do quarto hoje?
Alberto: Eu não vi, e já faz um bom tempo que eu estou sentado aqui!
Ela se sentou no sofá.
Lígia: Eu não sei até quando essa rebeldia vai durar.
Alberto: O nosso salvador chega hoje, quem sabe ele não convence ela a comer alguma coisa?
Lígia: Será que ele consegue fazer ela parar de passar sombra preta nos olhos?
Ele riu. E nesse instante, Vitória desceu.
Lígia: Já acabou com essa ideia de querer ficar sozinha?
Vitória: Não.
Ela disse enquanto seguia para a cozinha.
Vitória Ribeiro foi do doce ao amargo.
Vitória e Lígia tinham um péssimo relacionamento, isso porque Lígia sempre era o oposto ao que Vitória escolhia, e sua desculpa era que ela sempre sabia o que era melhor para ela, mas Vitória sempre discordava.
Vitória era completamente fascinada por arte (E Lígia não gostava disso nem um pouco) e talvez essa seja a única ligação que ela tinha com o pai (que ela acreditava ter morrido).
A guerra da vez era a mudança. Vitória era completamente contra á nova mudança, mesmo que isso significasse ser contra a nova promoção de Lígia para Editora Chefe da revista. Mas Vitória foi obrigada a mudar de cidade e isso a deixou irada. Ela mudou os seus tons de sombra para alguns mais escuros. E Preto era sua nova cor favorita para roupa. (Talvez em protesto)
Lígia se levantou rápido e foi atrás dela, e quando entrou na cozinha Vitória estava revirando a Geladeira.
Lígia: Uau, você vai comer? Já é um passo!
Vitória: Se você passasse mais tempo em casa do que na sua revista, você saberia que eu desço pra almoçar e jantar.
Lígia: Eu não gostei desse tom!
Vitória: Você nunca gosta de nada.
Lígia deu a volta no balcão e fechou a geladeira.
Vitória: Ah, vai me ajudar com a greve de fome?
Lígia: Quanto tempo esse seu surto vai durar? Já faz um mês Vitória. Você sabe que essas mudanças foram necessárias.
Vitória: Necessárias pra que? Pra você ganhar a sua tão esperada “promoção”?
Lígia: Não fale com tanto desprezo, você depende desse dinheiro.
Vitória: Não, mãe. Eu não dependo. Você é dependente dele. Sem dinheiro você não é nada, não é?
Lígia a encarou, séria. Em silêncio.
Vitória: Olha, quer saber, eu preciso dar uma volta. Não da pra aguentar.
Ela pegou seu celular em cima do balcão e foi seguindo para a sala. Lígia foi atrás dela.
Lígia: Vitória, eu não terminei de falar.
Vitória: Eu já!
Ela abriu a porta e quando se esquivou para sair deu de cara com Pedro.
Pedro: Vitória, que saudade de você.
Vitória: Peeeedro.
Ela correu e o abraçou.
Pedro: Como você esta? Você mudou a cor do cabelo?
Ele disse enquanto a soltava e pegava em seus cabelos.
Vitória: Nesse momento? Eu estou péssima. – Ela sorriu. – É eu mudei.
Ele riu.
Pedro: O que foi?
Vitória: Vamos La pra cima?
Ela revirou os olhos e ele riu ao entender. E entrou arrastando a mala preta junto dele.
Pedro: E ai.
Ele acenou para Alberto e Lígia.
Ligia: Como foram as férias?
Pedro: Ótimas. – Ele sorriu. – Conheci uns amigos da vovó que são ótimos no bingo!
Alberto: Bingo? Vejo que sua avó esta bem!
Pedro: É, esta. O quarto dela é ótimo no asilo.
Ele disse com um pouco de ironia.
Alberto: Casa de Idosos!
Ele o corrigiu.
Pedro: É tudo a mesma coisa. – Ele revirou os olhos. – Preciso desfazer as malas. Me ajuda?
Ele disse á Vitória.
Vitória: Claro.
Ele sorriu, e os dois subiram rápido. E nesse instante o celular da Lígia tocou. Ela olhou o visor e bufou.
Alberto: Madona?
Lígia: Exato.
Ele deu um risinho.
[...]
Ao entrar ele despejou a mala sobre a cama e foi direto ao seu guarda roupa, e começou a revirar algumas camisas.
Vitória: Eu pensei que fosse desfazer a mala!
Pedro: Eu posso fazer isso depois. Nós temos uma festa pra ir.
Vitória: O que? Não, não, não!
Pedro: Sim, sim, sim.
Vitória: Eu não quero sair.
Pedro: A hora que eu cheguei você parecia bem disposta a sair... De pijama.
Ele apontou para as roupas dela. E ela acabou rindo.
Vitória: A dona Lígia quis me dar um sermão. Eu precisava respirar.
Pedro: Mais um jantar de negócios?
Vitória: Não Pedro. É essa viagem. Minha mãe esta agindo como se ela se importasse comigo, mas ela só se importa com essa promoção idiota!
Ela disse irritada.
Pedro: Isso não é verdade!
Vitória: Ah, por favor. Você também não!
Ela se sentou na cama. Ele riu e se sentou ao lado dela.
Pedro: Olha, aqui tem varias coisas legais. Porque não tenta? Você pode se surpreender. E eu prometo que te levo visitar seus amigos nas férias.
Ele estendeu o braço sobre o ombro dela.
Vitória: Promete?
Pedro: Claro. – Ele sorriu. – E agora? Vai à festa comigo?
Vitória: Que festa é essa?
Ele se levantou.
Pedro: Uma garota La do Colégio que é MUITO afim de mim me convidou. E eu estou te convidado.
Ele disse convencido. Ela riu e jogou um travesseiro na cara dele.
Vitória: Convencido!
Ele agarrou o travesseiro.
Pedro: Eu sou popular, é sério.
Eles riram.
Vitória: Ta, eu vou.
Ele se animou.
Pedro: Você vai adorar os garotos.
Ele sorriu e foi para o banheiro.
Pedro Vieira era o “exibido” para quem não o conhecia. Mas companheiro aos próximos.
Desde sempre ele viveu na Cidade. Nos primeiros dez anos com a sua mãe e depois escolheu ficar na casa dos seus avós (E seu pai estava em um “Luto Eterno” para contender)
Seu avô morreu três anos depois e ele ficou morando com a sua avó. Até alguns meses quando o seu pai decidiu que seria melhor coloca-la em um asilo e Pedro não teve escolha a não ser se mudar para a Casa nova do seu pai.
Como seu avô, seu pai lhe pressionava para assumir os negócios da família. Mas Pedro estava preocupado apenas com duas coisas: tocar Guitarra e conquistar garotas.
A maioria das garotas do Colégio queria ficar com ele, tudo porque ele selecionava bem e isso aumentava o “apetite”. Seu novo desafio era Júlia (Eles estavam ficando há seis meses), mas só até ele conseguir o que “queria”.
Ele não era pra namorar e precisava de espaço, principalmente quando se metia em confusão, e namorar com alguém agora custaria as suas regalias com Thais, a filha do Diretor.
[...]
@Apartamento de Bernardo — Centro.
O Edifício era de Classe Média e Bernardo morava no 22° Andar.
Bernardo estava no seu quarto, deitado em sua cama bagunçada jogando vídeo game.
Bernardo: Morre Idiota. Atira, vai, vai, vai. Mano, atira!
Ele estava com um fone de ouvido, concentrado.
Bernardo Garrido era o “rebelde”.
Seus pais se separaram quando ele estava perto de completar 14 anos. E embora ele não aguentasse mais ouvir as reclamações de seu pai sobre o barulho do seu baixo, e sua mãe gritando com o seu pai dizendo que ele era inútil, sempre é complicado o fim de uma família. Ambas as partes foram sensatas e decidiram não ir à justiça (Eles inventaram um esquema que deu certo para os três). Depois da separação, ele desenvolveu uma queda por cigarros, cigarrilhas e até maconha. Ele sempre voltava tarde e na maioria das vezes, bêbado. E quando sua mesada acabava antes do mês, ele sempre dava um jeito (furtava). Isso durou um ano, até que ele conheceu Fernanda, sua “meia” namorada (Até porque ele não considerava aquilo um namoro)
E quando notou que um vulto estava parado na porta, olhou brevemente, era seu pai, Mauro.
Mauro Garrido era um escritor sem sucesso.
Mauro conheceu a mãe de Bernardo, Roberta, quando estava no ultimo ano da faculdade de Filosofia. Eles se esbarraram em um Café e as mechas vermelhas e o jeito rebelde da rockeira o fez ficar pensando nela por dias. Depois de mais três encontros arranjados pelo destino. Ele a convidou para sair. Ela aceitou por diversão, só não imaginou que fosse se apaixonar por aquele garoto intelectual com sonhos de ser um escritor. Ela foi a primeira pessoa a incentiva-lo a escrever o livro ( mas também foi a primeira que o desanimou quando tudo ficou complicado).Dois anos depois eles foram morar juntos em uma Kitnet e Roberta anunciou que estava grávida. Mauro continuou se dedicando ao seu livro, e duraram seis anos, mas foi um fiasco. Quando Bernardo tinha nove anos, eles se mudaram para a Zona Leste da Cidade (por um aluguel mais barato), mas isso acabou piorando ainda mais a situação. O casamento chegou ao fim e Mauro se mudou para o Campo. Hoje ele é professor de Filosofia. E o Livro continua parado. ]
Bernardo: Galera, vou desligar!
Ele encerrou a sessão. E olhou para o seu pai.
Mauro: Eu já vou indo filho!
Bernardo: er; Ta. Foi legal o jantar. – Ele fez uma pausa. – Desculpa não ter ficado para sobremesa, eu tinha que... Jogar.
Mauro sorriu e se sentou ao lado dele.
Mauro: Filho, eu sei que é complicado pra você sentar a mesa comigo e com a sua mãe depois de tanto tempo.
Bernardo: Relaxa esta tudo bem!
Ele disse aquilo para cortar aquele assunto. Mauro sorriu e tocou o ombro dele.
Mauro: Nós só queremos o seu bem, está certo?
Bernardo assentiu e forçou um sorriso.
Mauro: Bom, até o mês que vem!
Ele se levantou.
Bernardo: É, até!
Mauro saiu do quarto e Bernardo soltou os ombros. E depois deu os ombros e pegou o seu fone de volta, mas antes que pudesse colocá-lo, sua mãe apareceu na porta.
Roberta: Não, não. Nada de videogame. Você vai me ajudar com a louça!
Bernardo: Qual é? Hoje eu tenho uma festa pra ir!
Roberta: Então melhor começar logo.
Ela sorriu ironicamente o provocando e ele riu.
Roberta Queiroz era uma mãe moderna. (E ela estava mais para irmã do que para mãe)
Roberta era fascinada por música desde os 14 anos, quando foi ao seu primeiro show. E em seguida montou uma banda quando estava no primeiro ano da Faculdade de Música. (Era algo de família, já que seus pais haviam sido músicos também)
Mas depois que decidiu “juntar os trapos” com Mauro, ela largou a Faculdade e consequentemente a banda. Ela era rebelde nos tempos da faculdade e quando conheceu Mauro só aceitou sair com ele porque havia feito uma aposta com os seus amigos. (Ela só não esperava se apaixonar) O jeito dele a fascinou no começo, mas depois virou um pesadelo quando foram morar juntos. Ele era controlado, silencioso e caseiro, bem diferente dela que gostava de Heave Metal, era bagunceira e gostava de sair. Depois da separação ela abriu uma Loja de Instrumentos com a pequena herança que seus pais lhe deixaram e literalmente começou a “viver da música”.
Ela estava mais para amiga do que mãe de Bernardo. Ela nunca questionava o horário que ele chegava em casa, e quase sempre saía com seus “amigos”, deixando a casa só pra ele. (Era divertido) ]
Bernardo: Eu já vou!
Ela sorriu e seguiu pelo corredor. Ele se levantou lentamente, sem vontade de lavar louça e seguiu até o seu Videogame e o desligou. E no mesmo instante seu celular tocou. Ele o pegou e era Fernanda, sua namorada.
Bernardo: Alô?
Fernanda: Você me disse que você não ia fazer mais!
Ela disse com raiva.
Bernardo: Ãm? Do que esta falando?
Fernanda: Uma amiga minha viu você... Em uma loja!
Ele soltou os ombros e revirou os olhos.
Bernardo: Eu não peguei nada, ta? Era só uma brincadeira.
Fernanda: Brincadeira? Você saiu correndo da loja com uma garrafa de Vodca, Bernardo!
Ela alterou a voz.
Bernardo: Deixa eu adivinhar? Ela te contou também?
Ela respirou fundo, antes de dizer.
Fernanda: Olha, eu acho que precisamos de um tempo!
Bernardo: O que? Só porque eu peguei uma garrafa de $20?
Fernanda: Você roubou essa Garrafa!
Bernardo: Olha só quem fala né? Você ficou comigo depois que eu fiquei com a sua amiga!
Fernanda: O que? Que amiga?
Ele fechou os olhos e bufou.
Bernardo: Esquece.
Fernanda: Tchau!
Ela desligou o celular. Ele ergueu as sobrancelhas.
Bernardo: Tchau.
Ele disse para si mesmo sem se importar. Ele jogou o celular na cama e saiu do quarto.
Roberta: Era a sua namorada?
Bernardo: Ex-namorada!
Roberta: Como assim?
Bernardo: Acabou!
Ele disse como se fosse natural.
Roberta: Faz um ano que vocês namoram e vocês terminam por telefone?
Bernardo: É. – Ele sorriu. – Eu vou lavar a louça.
Ele seguiu tranquilo para a cozinha, como se nada daquilo tivesse acontecido.
[...]
@Casa de Vitória e Pedro.
Pedro e Vitória desceram as escadas e não havia ninguém na sala.
Pedro: Área Livre. Adoro isso, assim não tenho que dar satisfação!
Ela riu.
Pedro: Eu estou com fome. Que tal um Fast Food antes?
Vitória: Eu pensei que quisesse beber.
Pedro: Eu quero. Mas sem comer, não da.
Ambos riram. E quando ele ia abrir a porta seu celular vibrou. Ele o atendeu.
Bernardo: E ai? Já chegou?
Pedro: E ai bonitão. Já, há uns quinze minutos. Vai à festa, né?
Bernardo: Estou colocando o tênis.
Bernardo riu.
Pedro: Você vai passar na casa da Fernanda?
Bernardo: Fernanda? – Ele riu. – É uma piada né?
Pedro: Não entendi.
Ele demorou alguns segundos para responder.
Bernardo: Eu terminei com ela hoje.
Pedro: Sério? Eu pensei que fosse afim dela!
Ele bufou.
Bernardo: Cansei!
Pedro riu.
Pedro: Você não muda mesmo né?
Bernardo: Acho que não!
Pedro: Bom, eu vou me atrasar um pouco. Nos vemos La?
Bernardo: Fechou. Tchau!
Ele desligou e Pedro ergueu as sobrancelhas.
Vitória: Algum problema?
Pedro: Eu espero que não.
Ela não entendeu nada. Ele abriu a porta e os dois seguiram para o New Civic Cinza de Alberto. O qual ficava na maior parte do tempo com Pedro.
[...]
@Apartamento de Felipe – Centro.
O edifício era luxuoso e Felipe morava em um Duplex na cobertura.
Paulo estava na sala lendo o jornal, quando Rita entrou segurando um lindo Buquê de Lírios.
Rita: O que achou?
Ele desviou o olhar do Jornal para o buquê e sorriu.
Paulo: É maravilhoso.
Ela abriu um sorriso satisfeito e lhe deu um beijinho rápido.
Rita: Obrigada!
Ele sorriu.
Rita e Paulo Correa eram exemplos de pais. E a família era tudo para eles.
Paulo conheceu Rita através de seus pais que eram muito amigos dos pais dela. Na época ele estava começando a assumir algumas funções na imobiliária do seu pai, enquanto ela era uma florista sem sucesso no amor. Com a ajuda dos seus pais, eles acabaram se conhecendo e se gostaram de cara. Um namoro começou.
O namoro durou quatro anos e então ele a pediu em noivado (Como manda a tradição: Aos pais dela). Eles se casaram seis meses depois no quintal dos pais dela e foram morar num Apartamento no Centro (Presente do pai dele). Paulo já havia se tornado gerente da imobiliária e Rita se tornou uma grande cerimonialista.
Depois de cinco anos de casados, a situação complicou quando Rita tentou engravidar. Eles descobriram que ela era estéril (Foi terrível). E então, eles recorreram à adoção e eles encontraram Felipe, com onze anos de idade. Foi amor à primeira vista e eles o adotaram.
Naquele instante Felipe desceu as escadas do duplex correndo e entrou na sala.
Paulo: Ei, devagar rapaz. – Ele riu. – Aonde vai?
Felipe: Numa festa com os meninos! – Ele disse meio perdido. – É lindo, mãe.
Ele apontou para o buquê.
Rita: Sério?
Felipe: É sério.
Ele sorriu e a campainha tocou.
Felipe: Eu tenho que ir.
Rita lhe deu um beijo no rosto.
Rita: Tome cuidado, Filho!
Felipe: Pode deixar mãe.
Ele sorriu e seguiu em direção a porta, mas antes que pudesse abri-la, ouviu seu pai lhe chamar. Ele se virou rápido, e seu pai já estava bem atrás dele.
Paulo: Filho, eu quero que você fique com o carro hoje!
Ele estendeu a chave do Jetta Branco. E Felipe ergueu as sobrancelhas, surpreso.
Felipe: É sério pai?
Paulo: É. Eu confio em você!
Felipe sorriu e abraçou seu pai.
Felipe: Não vou te decepcionar.
Paulo: Eu sei que não.
Ele sorriu e tocou o ombro de Felipe.
Felipe Correa era o “santinho” da turma. Um orgulho para os seus pais. (embora não fossem seus pais biológicos.)
Sua família era completamente típica: Almoço de Domingo com a mesa cheia. Férias em família. Natal e presente dos avós (Literalmente típica). Desde sempre ele soube que era adotado e esse fato nunca lhe atormentou á ponto de lhe atrapalhar. É claro que ele sempre se fez a pergunta mais óbvia que toda pessoa adotada se faz: “Porque?” Mas com o passar do tempo ele aprendeu a conviver com a única coisa que importava: Sua família. (Aqueles que se importava com ele).
Ele era um bom aluno no Colégio, dedicava-se ao máximo aos seus objetivos e tinha a plena confiança dos seus pais. (Era como se fosse o filho perfeito). Seus hobbies incluíam tocar Guitarra. E ele compunha algumas musicas (Mas sem um sentido real para as letras). ]
A campainha tocou novamente, Felipe abriu rápida a porta e era Guilherme.
Guilherme: E ai? O que achou?
Ele deu uma voltinha exibindo seu traje.
Felipe: Deixa eu adivinhar? Roupa nova?
Guilherme: É minha mãe comprou essa camisa hoje.
Ele disse ajeitando a gola.
Guilherme: Eu estou demais, não estou?
Felipe: Eu acho que você esta muito metido.
Ele riu enquanto fechava a porta. E Guilherme agarrou o pescoço dele, como se fosse uma “lutinha” enquanto eles seguiam para o Elevador.
Felipe: Qual é? Vai desarrumar meu cabelo.
Ele disse enquanto ajeitava os cabelos olhando no espelho do elevador.
Guilherme: Tudo bem mocinha.
E Felipe deu um soco leve no ombro dele.
Felipe: Vai se encontrar com a Carina La?
Guilherme: Não. Da onde tirou isso?
Felipe: Eu pensei que estivesse ficando com ela.
Guilherme: Qual é? Eu fiquei com ela uma ou duas vezes.
Felipe: Dois meses.
Guilherme revirou os olhos.
Guilherme: Que seja, não é nada sério.
Felipe: E ela sabe disso?
Guilherme: Sei La. – Ele riu. – Eu ainda estou na pista, sacou?
Ele fez uma dancinha ridícula e eles riram. Eles saíram do elevador e foram seguindo pela garagem.
Felipe: Falou com os meninos?
Guilherme: Já. E Parece que um dos nossos voltou pra pista em grande estilo.
Felipe: Esta falando sério?
Guilherme: Claro. Foi o Pedro que me disse!
Felipe: Isso não vai dar certo.
Guilherme: Claro que vai. Era divertido quando ele era solteiro.
Felipe: Ele quase se meteu em confusões!
Guilherme: Ta, mas agora é diferente!
Felipe: Por quê?
Guilherme: Sei La.
Felipe riu.
Guilherme: Porque estamos na garagem?
Felipe sorriu e levantou as chaves do carro do seu pai.
Guilherme: Por favor, me diz que você as pegou escondido?
Felipe: Não. Meu pai me deixou com carro.
Guilherme: Claro. O certinho do grupo fica com o carro.
Felipe: Qual é? Meu pai confia em mim, ta?
Guilherme: Todo mundo confia em você. Você é o certinho, lembra?
Felipe: É, eu sei. E você é o menos confiável.
Guilherme: Eu sei.
Ele disse com orgulho. Felipe o empurrou de leve e os dois entraram no carro.
Guilherme Fonseca era o “Pobre Soberbo Pegador”.
Guilherme era o mais pobre do grupo (diferente dos seus amigos), porém, ele sempre andava com as roupas da ultima moda e um sapato caro nos pés. Tudo graças aos seus pais (que o mimavam) e que tiravam quase da onde não tinham para satisfazer os seus gostos. Guilherme amava os seus pais, mas não tinha orgulho de ser pobre.
E embora ainda fosse só um bolsista no Colégio, ele queria ser grande, crescer e dar uma vida melhor á eles.
E apesar das garotas serem prioridade na sua “lista de prioridades”. O dinheiro empatava no primeiro lugar.
Com as garotas, ele nunca foi o tipo de cara para “se levar a sério”. E a sua meta depois do Colégio não era ter dois filhos e um cachorro, era (sem dúvidas) ser rico ou um baterista famoso. Ele gostava de tocar bateria. Ele ganhou a sua primeira bateria aos treze, quando seus pais precisaram fazer um empréstimo (que eles pagam até hoje) para comprar. Foram alguns meses de euforia, até que passou, e as garotas e o seu status se tornaram mais importantes.]
[...]
@Mansão de Jéssica – Zona Sul.
Era mais de oito da noite, quando os grandes portões do Condomínio mais Luxuoso da Cidade se abriram. Uma BMW Preta entrou e seguiu até o final da rua, até uma das grandes mansões. O motorista desceu rápido e abriu a porta para Jéssica.
Jéssica Bortoleto era a patricinha.
Desde sempre Jéssica foi vista como a “menininha do papai”. Ele e sua esposa, Laura, a mimaram desde criança.
Laura sempre quis ter uma menina (E Júlio temia isso). Mas quando Jéssica nasceu, os olhos dele brilharam e ele se encantou. Jéssica então cresceu e descobriu o poder dos cartões sem limite e das festinhas de fim de semana. Sua vida estava perfeita (Ela morava em uma mansão e podia gastar o quanto quisesse). Até que sua mãe morreu com um tumor na cabeça, poucos meses antes de ela completar 14 anos. Foi difícil para a família toda (Até mesmo antes de ela morrer, já que ela sofria crises de bipolaridade o tempo todo) Mas para Jéssica o Luto se estendeu. Ela se transformou, conheceu uma galera nova e começou a fazer coisas que não eram de sua personalidade. Suas roupas cor-de-rosa no guarda roupa foram substituídas por Preto, e todas as noites ela chegava bêbada ou drogada em casa. Seu pai não teve outra escolha, á não ser manda-la para um Internato na Suíça. Foi uma fortuna, mas ele prometeu á Laura que iria cuidar da “garotinha” deles. Nesse período, Júlio vendeu a casa deles, e comprou outra Mansão na Zona Sul, em um condomínio chique. Matriculou Jéssica numa ótima escola particular e a esperou voltar. Depois de um ano ela estava de volta à nova casa. Diferente, mudada. Exatamente como ela era antes. [A garotinha havia retornado.]
Ela olhou para a fachada da casa, enquanto o motorista estava tirando suas malas do carro (Era estranho estar em uma casa nova). Ela estava distraída admirando a fachada, quando ouviu uma voz arrogante vindo da casa ao lado. Ela olhou brevemente e avistou Juliana.
Juliana: Porque não tirou o carro ainda? Quer que eu mesma faça?
Ela disse ao seu motorista e ele se apressou e abriu a porta da BMW Branca.
Ela olhou brevemente para Jéssica com ar superior e entrou no carro. Jéssica ergueu as sobrancelhas e sentiu alguém tocar seu ombro. Ela se virou rápido e era Bruno, seu irmão.
Jéssica: Bruno!!!!
Ela o abraçou forte. E a BMW Branca partiu.
Bruno: Eu estava com tanta saudade!
Ele disse enquanto a apertava. Ela sorriu.
Bruno: Vem, vem conhecer a casa.
Ele segurou sua mão, e a arrastou para dentro.
Bruno Bortoleto era o “Boyzinho em Guerra”.
Bruno era o mais velho e ele sempre cresceu cercado pela fortuna do seu pai. Sempre teve as melhores festas de aniversario, sempre apareceu na imprensa e pra todo mundo ele era o Galã. No Colégio, ele havia sido o Rei (O mais rico e o mais gato) Mas depois que ele se formou, a vida se tornou sem graça. Embora ele fizesse festas de arromba sempre que seu pai viajava e tivesse uma garota diferente na sua cama todo final de semana, ele se entediava. Quer dizer, ele não tinha nada real para se dedicar. Exceto o Hip Hop.
Ele conheceu o Hip Hop depois que deu em cima da namorada de um cara (Que deu mole primeiro pra ele) e o cara lhe chamou para “brigar”, quando ele estava pronto para dar o primeiro soco, o cara começou a dançar. Ele se impressionou e se inscreveu em uma aula (Mas essa era uma paixão secreta) Afinal, seu pai esperava um sucessor para suas empresas.]
Os dois entraram pela grande porta dupla.
Bruno: Linda, não é? E eu ainda nem te mostrei os quartos.
Ela se sentou no braço do Sofá.
Jéssica: É, é Legal!
Ele soltou os ombros.
Bruno: Qual é?
E ela respirou fundo.
Jéssica: O papai só comprou essa casa porque ele esta com medo de que eu tenha outro surto!
Bruno: Isso não é verdade!
Jéssica: Claro que é.
Ele se sentou ao lado dela.
Bruno: Ta, talvez seja. Mas nós só queremos o seu bem!
Ela o encarou e sorriu.
Jéssica: Eu sei. Eu gostei da casa.
Ele riu, e estendeu seu braço sobre o ombro dela.
Bruno: Esta a fim de ir numa festa?
Jéssica: Que festa?
Bruno: É de uma garota que eu estou ficando.
Jéssica: Não, obrigada!
Ela tirou o braço dele de seus ombros e se levantou.
Bruno: O que? Porque?
Ambos foram saindo da sala de Tv.
Jéssica: Você vai me deixar sozinha!
Bruno: Eu não vou!
Ela o encarou com desprezo. Ele riu.
Bruno: Eu sei que já fiz isso. Mas isso foi antes!
Jéssica: O papai não vai gostar de saber que eu saí!
Bruno: Ele não precisa saber.
Ele abriu um sorrisinho e ela riu.
Jéssica: Você não muda mesmo, né?
Ela deu um tapa de leve no ombro dele.
Bruno: E então? Vamos?
Ela sorriu.
Jéssica: Eu vou me arrumar!
Ele sorriu.
Bruno: Eu te ajudo a encontrar seu quarto!
Ele riu e se atirou na escada junto dela.
[...]
Bruno estava diante da escada e já havia olhado no relógio mais de cinco vezes. Ele estava prestes a olhar no relógio de novo, quando avistou Jéssica no topo da escada com um look rosa e bem patricinha.
Ele abriu um sorriso enorme.
Bruno: Eu fico feliz que você tenha voltado a ser quem você era!
Ela sorriu.
Jéssica: Eu também.
Ela desceu as escadas e eles seguiram para a festa.
[...]
Depois de saírem do Shopping, Gabriela e Catarina acabaram se perdendo no Metrô e foram parar no Centro. Elas estavam mortas de fome, então resolveram passar no Fast Food mais próximo e comer algo antes de ir pra casa.
Elas estavam na fila para pegar o pedido e Catarina não parava de olhar o relógio.
Gabriela: Parece que não vai dar tempo de ir à festa.
Catarina: Podemos ir mais tarde.
Ela olhou com superioridade. E Gabriela revirou os olhos e cruzou os braços.
Catarina: Você vai ter que se acostumar, nós moramos aqui agora.
Gabriela: Isso não vai durar muito tempo.
Catarina: Como tem tanta certeza?
Gabriela: Eu vou fazer o papai repensar tudo isso!
Catarina: Nem se você quisesse!
Ela pensou alto e Gabriela a encarou franzindo a testa.
Gabriela: O que?
Catarina olhou para ela meio perdida.
Catarina: er; Eu acho que... Ele não vai mudar de ideia. Nem a mamãe.
Ela tentou parecer convincente.
Gabriela: É o que vamos ver. Se eu fosse você nem desfazia as malas ou se preocupava com as provas da Faculdade.
Ela sorriu, cheia de certeza e se virou para frente. Nesse mesmo instante, o garoto que estava na frente de Gabriela se virou para trás com a bandeja, a qual esbarrou em Gabriela e derrubou todo o refrigerante dele na blusa branca dela. O refrigerante gelado entrou em choque com o seu corpo, ela pulou para trás boquiaberta.
Esse garoto era Pedro.
Gabriela: Olha só o que você fez seu Idiota!
Ela olhou para sua blusa, sem saber o que fazer. E quando o encarou, ele estava parado olhando para o seu sutiã preto que se destacava na blusa. Ela estalou os olhos e fechou sua Jaqueta.
Gabriela: Tarado!
Ela gritou inconformada. Ele a encarou, meio perdido. E á essas alturas, todos estavam olhando para os dois.
Pedro: er; M- Me desculpe. Eu não te vi.
Gabriela: Ah, claro. Jogar refrigerante na blusa branca de uma garota são os joguinhos idiotas dos garotos daqui?
Pedro: O que? Olha, eu não tenho culpa se você estava tão perto de mim.
Gabriela: Perto de você? Nem se a sua companhia fosse de graça.
Pedro: Você é muito mal-educada, sabia?
Gabriela: Ah, eu não agradei você? Me desculpa, entra na fila.
Pedro: Escuta aqui...
Ele apontou o dedo pra ela. Mas Vitória o interrompeu e abaixou sua mão.
Vitória: Pedro!
Ele olhou pra ela, e bufou.
Pedro: É essa doida, ai!
Gabriela: Você me chamou do que?
Ela alterou a voz.
Catarina: Gabriela olha o mico!
Gabriela: É ele.
Ela apontou para ele inconformada.
Catarina: Ta, mas isso não é motivo para um barraco. Né?
Gabriela cruzou os braços e encarou Pedro com desprezo.
Catarina: Moço me desculpa. A minha irmã tem problemas!
Gabriela: Catarina?
Ela disse inconformada.
Pedro: Todo mundo tem um pouco, não é?
Gabriela revirou os olhos e saiu da fila, saindo La fora. E Catarina a seguiu. Pedro olhou para a Vitória e ergueu os ombros.
Pedro: Eu vou fazer outro pedido, quer me esperar no carro?
Vitória: Pode ser.
Ele assentiu e ela também saiu.
Gabriela saiu furiosa, batendo o pé de dentro do Fast Food. E Catarina a seguiu.
Catarina: Ei, espera.
Gabriela: Você não tinha que defender aquele estranho. Eu sou sua irmã!
Catarina: Eu não queria parar numa delegacia!
Gabriela: Ótimo, será que pode acontecer algo pior?
Naquele instante uma gota caiu sobre o rosto de Gabriela.
Gabriela: Ótimo.
Elas correram para baixo do toldo do restaurante e por sorte não haviam se molhado muito.
Catarina: Ótimo, como vamos embora?
Gabriela: Liga pra mamãe!
Catarina: Ela esta em plantão, esqueceu?
Gabriela: Droga!
Vitoria que estava parada em baixo do toldo por causa da chuva, ouviu a conversa e se aproximou.
Vitória: er; É Gabriela, né?
Gabriela a encarou com desdém.
Gabriela: É. E você?
Vitória: Vitória. – Ela riu. – Nós podemos dar uma carona pra vocês.
Gabriela: Nós quem? Você e o garoto que me deixou nessa situação?
Ela apontou para a sua própria blusa. Vitória riu.
Vitória: Desculpa pelo Pedro, ele é um pouco grosso, às vezes.
Gabriela: Um pouco?
Catarina olhou com repreensão para Gabriela.
Catarina: Gabriela!
Gabriela revirou os olhos.
Catarina: Nós aceitamos. Obrigada Vitória.
Gabriela: O que? Não! Nós não aceitamos.
Catarina: Fale por você, irmãzinha.
Gabriela revirou os olhos. E Pedro saiu naquele instante com algumas sacolas de papel.
Pedro: Pronto! Vamos.
Vitória: É. Eu ofereci carona á elas. Tudo bem?
Pedro: O que? Não.
Gabriela: Viu? Eu disse pra não aceitar.
Ela disse toda convencida para Catarina.
Pedro: Pra ela sim. – Ele apontou para Catarina. – Mas pra ela não.
Ele apontou para Gabriela. Catarina sorriu com ar de superioridade e Gabriela revirou os olhos.
Vitória: Pedro seja educado.
Ele revirou os olhos e respirou fundo.
Pedro: Ta, que seja.Vamos!
Ele se atirou nos pingos finos de chuva que estavam caindo e seguiu até o carro parado á três vagas na frente. Elas o seguiram e entraram.
Vitória: E então? Vocês são daqui?
Catarina: Não.
Gabriela: Graças a Deus.
Ela pensou alto. Catarina a olhou brevemente.
Catarina: er; Nos mudamos essa semana.
Pedro: Esta gostando da Cidade?
Ele olhou brevemente pelo retrovisor.
Catarina: Muito. – Ela sorriu. – Nós já até fomos convidadas para uma festa.
Gabriela: Na verdade sua amiga convidou você para a festa da amiga da amiga dela. E você me convidou.
Catarina: Tanto faz. A festa é de uma garota de um Colégio... Qual o nome mesmo?
Ela encarou Gabriela.
Gabriela: Sei La.
Catarina: É o Colégio que a...
Pedro a interrompeu.
Pedro: Gregório Alves?
Catarina: Isso, exatamente.
Ele riu.
Pedro: Estávamos indo pra essa festa. Eu conheço a garota.
Catarina: Uau, que coincidência.
Gabriela: Nem me fale.
Vitória: Vocês podiam ir com a gente!
Ela disse animada. Pedro olhou para Vitória e franziu a testa. E ela sorriu.
Catarina: Ia ser maravilhoso. Não chegaríamos tão tarde!
Ela se empolgou.
Gabriela: Catarina? Eu acabei de tomar um banho de refrigerante. Como quer que eu vá numa festa? Olha a minha blusa!
Ela disse inconformada.
Catarina: Pegue uma blusa da sacola. Você comprou um monte hoje!
Gabriela: Eu não comprei nada. Você comprou todas elas!
Catarina: Tanto faz, use uma minha então.
Gabriela: Não, muito obrigada. O seu senso de moda não combina com o meu.
Ela disse como se fosse óbvio.
Catarina: O QUÊ?
Pedro segurou o riso e se concentrou no trânsito.
Vitória: er; Tem uma blusa minha ai atrás. Pode usá-la se quiser.
Ambas se remexeram e Gabriela pegou uma blusa de crochê preta, com mangas compridas e pequenos furinhos dos pontos de crochê.
Catarina: Ótimo. Problema resolvido.
Gabriela respirou fundo não querendo aceitar, mas sem escolhas.
Gabriela: Valew.
E então eles seguiram para a festa da Lívia.
[...]
@Casa de Livia e Amanda.
A casa já estava cheia.
Todos os alunos do Colégio estavam espalhados pela sala de estar e o som estava alto demais.
Lívia era a grande anfitriã (Embora todos tivessem ido por causa de Juliana) e estava desfilando pela casa com um vestidinho curto e justo vermelho, bem ousado (Combinando com seu batom), quando parou perto da escada onde Thais e Juliana estavam.
Juliana: Tudo esta maravilhoso.
Lívia sorriu soberbamente.
Thais: Vocês estão vendo o Pedro por ai?
Ela se esticou para observar melhor, mas não o viu.
Lívia: Provavelmente ele nem vai vim.
Thais a encarou com desprezo.
Thais: E o seu “namorado”? Já chegou?
Lívia lhe olhou com desprezo, e ao olhar brevemente para a porta avistou Bruno entrando. Ela sorriu convencida.
Lívia: Acabou de chegar!
Ela desceu as escadas rebolando e seguiu até a porta, onde Bruno e Jéssica estavam entrando. Ela grudou-se no pescoço dele e lhe deu um beijão. Da escada, Thais semicerrou os olhos.
Juliana: Parece que você perdeu essa!
Ela olhou rápido para Juliana, séria.
Thais: Eu vou procurar o Pedro, Licença!
Ela desceu as escadas pisando duro. E Juliana revirou os olhos.
Bruno sorriu entre o beijo e afastou Lívia, a qual estava sem fôlego.
Bruno: Nossa, Oi.
Lívia: Oi.
Ela disse com a respiração ofegante.
Bruno: Essa é a minha irmã, Jéssica!
Lívia estendeu a mão para Jéssica e sorriu.
Lívia: Lívia, prazer!
Jéssica analisou a mão dela e a apertou só com a ponta dos dedos, com desdém.
Lívia: Quer dançar?
Ela disse animada á Bruno.
Jéssica: Eu preciso ir ao banheiro ver minha maquiagem.
Ela sorriu para Lívia e encarou Bruno.
Bruno: er; Eu vou acompanhar ela. Depois a gente se vê.
Lívia forçou um risinho.
Lívia: Claro.
Jéssica sorriu e se agarrou ao braço de Bruno.
Jéssica: Você deveria ir também. Esta sujinho aqui!
Ela apontou para a boca de Lívia, a qual estava borrada de batom vermelho. Jéssica sorriu e seguiu com Bruno. Lívia revirou os olhos e seguiu para o banheiro.
[...]
A Cozinha estava uma bagunça, e vários copos de plástico vermelho estavam espalhados por todos os lados. E em cima da Ilha havia uma tigela grande de Ponche.
Guilherme e Felipe conseguiram entrar na cozinha. E Guilherme pegou dois copos e os serviu do Ponche, mas quando se virou para Felipe, notou que ele estava com uma latinha de Refrigerante nas mãos.
Guilherme: Refrigerante?
Felipe: Eu estou dirigindo, esqueceu?
Guilherme: Esta certo Sr. Certinho. Mas eu não estou!
Ele deu um gole na sua bebida. E Naquele instante Bernardo entrou na cozinha.
Guilherme: Ah, meu herói.
Ele fez uma reverência. E ele riu.
Bernardo: Pelo visto já estão sabendo do meu rompimento “recente”.
E Guilherme lhe entregou o outro copo de Ponche.
Guilherme: É, já. Vamos pegar alguém?
Eles riram e Thais se aproximou com o olhar desesperado.
Thais: Onde esta o Pedro?
Bernardo: Ele disse que ia se atrasar.
Thais: Sabem se ele vai demorar?
Guilherme: Provavelmente não. Ele marcou de sair com a Julia mais tard...
Ele parou quando Bernardo deu uma cotovelada nele. A expressão dela se fechou e ela saiu dali batendo o pé.
Felipe: Uau, você sabe mesmo estragar o dia dos outros.
Guilherme: Ops.
Sua expressão era de quem estava lamentando ter dito aquilo.
[...]
Pedro estacionou o carro na esquina do outro lado da rua. Já que em frente á casa de Lívia estava lotado.
Vitória: Você pode trocar de roupa aqui no carro, não tem quase ninguém na rua!
Gabriela assentiu. Eles desceram do carro e Pedro ficou parado do lado de Vitória com as mãos no bolso. E antes que Catarina pudesse fechar a porta, Gabriela o encarou.
Gabriela: Você vai ficar ai? Parado? Quer ver mais alguma coisa que não viu quando derrubou o Refrigerante?
Ele a encarou com desprezo e olhou para Vitória.
Pedro: Fique aqui com as suas amigas. Eu vou... Procurar os garotos.
Ele tirou a chave do bolso e deu á ela.
Pedro: Quando terminar feche o MEU carro.
Ele olhou para Gabriela quando disse “MEU”. Em seguida ele saiu e Gabriela fechou a porta para se trocar, enquanto Catarina e Vitória riram da situação.
Pedro seguiu até a cozinha, onde os garotos estavam.
Pedro: E ai!
— E ai.
Os três disseram juntos e animados por vê-lo depois de um mês.
Felipe: Como foram as férias?
Pedro: Ótimas¸ eu sempre gosto de ficar com a minha avó.
Guilherme: E as garotas? São boas como as daqui?
Pedro riu.
Pedro: Não tão boas, mas com certeza mais fáceis.
Guilherme: Isso ai!
Ele tocou a mão de Pedro comemorando e os garotos riram.
Guilherme: Alias, promete que não vai ficar zangado?
Pedro: O que você fez agora?
Guilherme: Sem querer eu falei pra Thais que você ia sair com a Júlia. Mas foi sem querer, eu juro.
Pedro riu.
Pedro: Relaxa. Eu me entendo com ela amanhã!
Felipe: Porque demorou?
Pedro: Eu fui ao Fast Food com a minha irmã e acabou que eu derrubei refrigerante numa maluca que eu tive que dar carona. Complicado.
Felipe riu.
Bernardo: Sua irmã? Das fotos?
Pedro: er; Ela mudou um pouco depois dos Quatorze. E pintou o cabelo. Esta um pouco diferente do que vocês viram nas fotos. – Ele riu. – Enfim, quero beber também.
Guilherme: Deixa comigo!
Ele seguiu rápido até o balcão pegar alguma coisa pra ele. E Pedro se aproximou de Bernardo.
Pedro: Você esta bem?
Bernardo: Que pergunta é essa?
Pedro: Você terminou com a Fernanda. Não esta sentindo nada? Sei La, dor?
Bernardo: Desde quando você entende sobre “términos”?
Pedro: Sei La, é o que dizem.
Ele deu os ombros. Bernardo sorriu.
Bernardo: Eu estou ótimo.
Pedro: Qual foi o motivo?
Ele respirou fundo.
Bernardo: Ela disse que uma amiga me viu pegando uma garrafa de Vodca de uma loja.
Ele revirou os olhos.
Pedro: E você estava?
Bernardo: Estava, mas... – Ele parou, e bufou. – Minha mesada tinha acabado ta? Era só uma garrafa, não ia fazer diferença!
Pedro: Cara, relaxa. Eu só quero te ajudar!
Bernardo: Porque esta preocupado? Você também fazia!
Pedro: Nós pegamos uma vez um pacote de salgadinho! E éramos crianças. Se a policia te pegar agora...
Bernardo o interrompeu.
Bernardo: Não vai! Eu já parei. Foi a ultima vez. Eu não vou fazer mais!
Pedro o encarou por alguns segundos. E ele não sabia se ele tinha dito de verdade ou só pra acabar com o assunto.
Pedro: Esta bem.
Bernardo tomou um longo gole de sua bebida. E Pedro não acreditou muito no seu papo.
Guilherme voltou á Pedro e lhe entregou um copo vermelho. No mesmo instante seu celular vibrou. Ele atendeu.
Guilherme: Alô?
Diana: Filho? Você esqueceu o casaco!
Guilherme: Esta tudo bem Mãe! Não esta tão frio.
Diana: O seu pai quer falar com você!
Ela passou o telefone á ele.
Carlos: Filhão?
Guilherme: E ai Pai?
Carlos: Alguma gatinha em vista?
Guilherme: Várias.
Carlos: Isso ai meu garoto. Me deixe orgulhoso!
Guilherme: Deixa comigo!
Eles se despediram e Guilherme desligou.
Carlos Fonseca era Motorista particular de um Senador. E Diana Fonseca trabalhava como faxineira em varias casas.
O pai de Carlos foi um fazendeiro duro, bruto e preconceituoso. Já Carlos não tinha muito a ver com seu pai¸ já que valoriza o bem estar da sua família, embora nem sempre tomasse a decisão certa. Seus pais morreram cedo, quando ele ainda tinha 17 anos. Sem muitas escolhas ele veio para a Cidade grande e terminou o seu Ensino Médio, enquanto morava em um abrigo. E com isso conheceu Diana quando foi obrigado a participar de uma peça de teatro.
Diana morava com uma tia (Já que seu pai morreu antes mesmo de ela nascer e sua mãe morreu cinco anos depois que ela nasceu, com câncer). Os dois se envolveram e um namoro inesperado começou.
Poucos meses depois que se formaram no Colégio, Diana deu a noticia de que estava gravida. Eles foram morar juntos (sem dinheiro algum) apenas com o inventário da Fazenda dos pais dele (Que nunca saía). Carlos começou a trabalhar como jardineiro numa casa chique da Zona Sul. E um ano depois que a filha deles havia nascido Diana engravidou de novo. (De um menino, dessa vez) Os anos seguintes foram difíceis. E com a rebeldia da filha mais velha, eles não tiveram outra opção a não ser manda-la para a casa de uma tia em outra Cidade.
Devido á isso, Carlos incentivava Guilherme e o apoiava em tudo se submetendo aos seus gostos caros.
[...]
Vitória, Gabriela e Catarina entraram pela porta do hall. E demorou alguns segundos para que elas chegassem até a sala, com todas aquelas pessoas. Guilherme estava saindo da cozinha, quando viu Gabriela passar. Ele entrou na frente dela.
Guilherme: Oi, eu acho que te conheço!
Ela ergueu as sobrancelhas.
Gabriela: É? Você vai dizer o que agora? “Dos meus sonhos”?
Ele franziu a testa.
Guilherme: É exatamente.
Ele riu e ela forçou um sorrisinho.
Guilherme: Não colou né?
Gabriela: Nem um pouco!
Ela sorriu, desviou-se dele e seguiu atrás de Catarina.
Bernardo: Ai. Essa doeu.
Eles riram. E naquele instante, Carina se posicionou bem em frente de Guilherme.
Guilherme: Carina? Eu não sabia que vinha!
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Carina: Eu pensei que fosse passar em casa.
Guilherme: er; Eu deveria?
Ela ficou boquiaberta.
Carina: Você é um babaca!
Os garotos se entreolharam e Bernardo olhou para Pedro.
Bernardo: Eu vou dar uma volta La fora.
Pedro: Eu vou procurar minha irmã!
Ambos saíram, Pedro para a direita e Bernardo saiu para a esquerda, rumo à porta.
Felipe: Eu vou... Procurar o que fazer.
Ele disse para si mesmo. E saiu dali, sem rumo.
Guilherme: Eu escuto isso sempre. – Ele riu. – Na boa, não é você. Sou eu. Eu não sou o cara certo pra namorar, sacou?
Carina: E vem me falar disso depois de dois meses?
Guilherme: Não foi tudo isso.
Ele olhou para a escada a frente. E avistou Jéssica descendo sozinha, um pouco perdida.
Guilherme: Nossa. Você não se machucou? Quando caiu La do céu, meu anjo.
Jéssica o encarou com nojo.
Jéssica: É comigo?
Ele sorriu e piscou.
[...]
@Casa de Lívia e Amanda.
Um táxi parou em frente à casa.
Uma garota desceu com uma pequena mala preta de carrinho. Fechou a porta e o táxi se foi.
Ela ajeitou os grandes óculos e olhou direito para a casa. Ela franziu a testa, sem entender o que estava acontecendo. Essa garota era Amanda, (E seu estilo era... diferente: Saia abaixo do joelho, sapatilha e meia ¾, suéteres e óculos fundo de garrafa) uma típica nerd.
Amanda Assunção era a Nerd. E também, irmã Gêmea de Lívia. (Porem, não eram idênticas. Nem na aparência e nem na personalidade.)
Desde criança, Amanda nunca teve um bom relacionamento com sua irmã. Isso era porque ela se destacava: nas notas, nas amizades, com seus pais... E Lívia não, isso lhe gerava inveja. A única área em que Amanda não se arriscava, eram com os garotos. (Ela ainda era BV).
Amanda era estudiosa, uma verdadeira devoradora de livros. E passou toda a sua vida estudando em casa (e gostando disso), mas depois que seus pais foram chamados para ajudar as famílias da África (Em uma epidemia), eles acharam melhor manda-la para a casa dos seus avós. E Amanda poderia finalmente viver um sonho adolescente. ([O qual ela não fazia questão, e nem Lívia) ]
Ela puxou a alça de sua mala e a arrastou pelo gramado da casa, o qual já estava cheio de copos de plástico.
Ela abriu a porta e a sala estava completamente lotada. Ela guardou sua mala dentro do armário de casacos na entrada e seguiu pelo meio do pessoal. E antes que pudesse entrar na sala de visitas, viu um garoto sem camisa saltar da escada bem na sua frente. Ela estalou os olhos ao ver ele no chão. Mas ele a encarou, riu e gritou que aquilo havia sido “Irado”. Ainda perdida ela foi para a cozinha. E tudo estava uma bagunça. Ela passou com cuidado ao lado de dois garotos que estavam brincando de Lutinha e seguiu para a porta grande de correr.
Ela saiu no quintal, o qual estava lotado de gente também. E ao olhar para seu lado direito na grande varanda. Ela avistou Lívia sentada na mesa de bilhar, conversando com alguns garotos. Mas eles estavam mais interessados em olhar as pernas dela. Ela estava com um sorriso malicioso no rosto. Mas o mesmo sumiu, quando ela viu Amanda.
Lívia: Licença.
Ela deu seu ultimo sorriso para os garotos. E seguiu até Amanda.
Lívia: O que você esta fazendo aqui?
Amanda: Lívia? Você esta tão diferente! Que saudade.
Amanda a abraçou e Lívia só moveu seus braços para afasta-la.
Lívia: Você não ia chegar amanhã?
Amanda: Eu consegui um vôo adiantado.
Lívia: Ah, perfeito. – Ela disse irônica. – Você não pode ficar aqui!
Amanda: O que? Como assim? Cadê o vovô e a vovó?
Lívia: Cala Boca. Olha ninguém aqui pode saber que somos irmãs, Ok?
Amanda soltou os ombros e seu olhar ficou triste.
Amanda: Eu pensei que não fosse mais fazer isso!
Naquele instante Felipe saiu pela porta de correr e acabou ouvindo.
Lívia: Garota olha bem pra mim, olha para os meus amigos. Todo mundo esta bem vestido. E agora, olha pra você.
Ela olhou com desprezo para Amanda.
Lívia: Olha essa sua roupa, seu cabelo e esses óculos gigantes. Você nem se quer deveria estar aqui. Agora sai da minha frente, porque me da nojo olhar pra você!
Os olhos de Amanda já estavam cheio de lágrimas. Ela entrou novamente pela porta de correr, arrasada. E Lívia sorriu, satisfeita. E então notou que Felipe estava lhe encarando.
Lívia: Algum problema?
Felipe: Porque fez isso?
Lívia: Eu estou na minha casa. Eu escolho quem fica!
Felipe: Esse é um pensamento muito arrogante.
Lívia: Prazer, Lívia Assunção!
Ela deu as costas para ele e voltou aos garotos que estavam lhe esperando. Ele revirou os olhos e entrou a procura de Amanda.
[...]
Pedro estava caminhando pela sala a procura de Vitória, quando deu de cara com Gabriela e Catarina de novo.
Pedro: Ei, vocês viram a Vitória?
Catarina: Ela disse que ia procurar por você!
Ele franziu a testa e pegou seu celular. No mesmo instante uma garota baixinha de cabelo castanho-escuro curto, em estilo chanel se aproximou de Catarina.
— Catarina? Que bom que veio!
Ela abraçou Catarina.
— Vem, vou te apresentar á alguns amigos.
Ela se enganchou no braço de Catarina e a arrastou dali, sem ao menos deixar Gabriela impedir.
Gabriela: Ótimo, eu sabia que não deveria ter vindo!
Ela revirou os olhos e cruzou os braços.
Pedro: Você sempre reclama assim?
Ele disse enquanto estava com seu celular do ouvido, esperando chamar o numero de Vitória.
Gabriela: Você não estava procurando alguém? Tchau!
Ela acenou para ele. E ele revirou os olhos e desligou a chamada, já que ela não atendia.
Pedro: Ela não atende!
Gabriela: Vai ver ela se cansou de você. E com razão!
Ele a encarou e forçou um sorriso para não perder o controle.
Pedro: Licença.
Gabriela: Toda.
Ele saiu dali.
[...]
Vitória saiu até o jardim e se esticou para olhar toda a rua, mas não viu Pedro. Ela pegou o seu celular do bolso e notou que havia uma chamada perdida. (Seu celular estava no Silencioso)
Ela discou o numero dele de volta. E então, ouviu uma voz vindo de sua esquerda. Era Bernardo.
Bernardo: O sinal pega melhor La dentro!
Ela olhou para o lado e ele estava com uma mão no bolso e segurando um cigarro na outra.
Vitória: Fumar faz mal á saúde!
Ele sorriu.
Bernardo: É recente!
Ela deu os ombros e voltou a guardar seu celular. E olhou para os lados, ainda a procura de Pedro.
Bernardo: Esta procurando alguém?
Vitória: É um bom observador!
Ele riu. E a observou.
Bernardo: er; Eu te conheço de algum lugar? Do Colégio, talvez?
Vitória: Provavelmente não! Eu me mudei há pouco tempo. – Ela fez uma pausa. – Na verdade é meu irmão que conhece a dona da festa. Eu vim com ele!
Bernardo: Hm, irmão! E ele esta por aqui? – Ele deu um trago. – Só pra saber.
Ela o encarou e riu.
Vitória: É ele quem eu estou procurando!
Bernardo: Bom, porque não aproveitamos a ausência dele e nos conhecemos melhor?
Ele estava com um sorrisinho malicioso no rosto.
Vitória: Eu acho que não.
Bernardo: Eu posso saber o por quê?
Vitória: Eu nem te conheço e você esta parecendo muito esquisito nesse momento.
Bernardo: É você tem razão. Vamos começar de novo?
Vitória: Ta.
Ela disse sem dar importância.
Bernardo: Oi, meu nome é Bernardo. E o seu?
Ele estendeu a mão pra ela. Ela olhou ao redor e pensou em algo rápido. Ela não queria conhecer ninguém. Foi ai que ela viu uma latinha de refrigerante e se lembrou do incidente no Fast-Food.
Vitória: Gabriela!
Ela apertou a mão dele.
Bernardo: er; Eu estou meio sem jeito pra essas coisas.
Ele riu.
Vitória: É, deu pra notar.
Ela pensou alto. E ele riu.
Bernardo: Sério?
Ela o encarou perdida.
Vitória: er; Eu tenho que ir!
Ela lhe deu as costas e entrou. E ele sorriu e deu mais um trago em seu cigarro.
[...]
E assim que ela abriu a porta se deparou com Pedro, o qual estava saindo.
Pedro: Onde você estava?
Vitória: Te procurando.
Ela disse como se fosse obvio. Ele riu.
Pedro: vem, vamos beber alguma coisa.
Ele estendeu seu braço sobre o ombro dela e assim que viraram para ir pra cozinha. Amanda passou ali rápido, de cabeça baixa, quase os derrubando. E Logo em seguida, Felipe apareceu.
Pedro: Ei, onde esta indo?
Felipe: er; Eu já volto!
Ele saiu rápido. Pedro olhou para Vitória e ergueu os ombros, sendo assim, eles seguiram para a cozinha.
[...]
Carina: Você é um babaca!
Guilherme: De novo? – Ele riu. – Quer dançar?
Ele estendeu a mão para Jéssica, a qual estava parada na escada.
Jéssica: Não!
Ela disse como se fosse óbvio. Nesse instante, Bruno desceu as escadas e parou atrás de Jéssica.
Bruno: Algum problema?
Jéssica: Não, vamos.
Bruno desceu as escadas e Jéssica seguiu bem atrás dele.
Carina: Você esta ouvindo o que eu estou falando?
Guilherme mal ouviu Carina, apenas olhou Jéssica dos pés á cabeça quando ela passou por ele.
Guilherme: Que gostosa!
Jéssica olhou inconformada para Guilherme e Bruno deu a meia volta quando ouviu.
Bruno: O que disse?
Ele intimidou Guilherme.
Guilherme: Ué, o que é bonito é pra se olhar, comentar e pegar, se ela quiser.
Ele piscou para Jéssica, a qual fez cara de nojo.
Bruno: Eu vou acabar com você!
Ele grudou Guilherme pela camisa.
[...]
Amanda saiu La fora, limpando as lagrimas nas mangas do seu suéter verde. Ela tirou os seus óculos e os limpou com a barra da blusa branca que estava usando por baixo do suéter, e nesse instante, sentiu alguém tocar o seu ombro. Ela se virou rápido com a vista embaçada.
Felipe: Esta tudo bem?
Ela espremeu os olhos e colocou seus óculos de volta. E assim que recuperou sua visão nítida, seus olhos brilharam. Seu coração acelerou, suas pernas ficaram tremulas e sua respiração mudou. Era como se tudo estivesse em câmera lenta. Foi a primeira vez que ela se sentiu assim.
Felipe: Oi?
Ela despertou do seu devaneio. E olhou para ele, perdida.
Amanda: Er;
Ela não sabia o que dizer.
Felipe: Eu vi como a Lívia falou com você. Isso não foi legal até mesmo pra alguém como ela. – Ele sorriu. – Felipe!
Ele estendeu a mão. Ela olhou para a mão dele e piscou algumas vezes antes de aperta-la, com delicadeza.
Amanda: er; Amanda!
Ele sorriu. E ela não soltou sua mão. E uma breve fantasia começou a passar diante dos seus olhos. Era como se tudo em volta estivesse colorido e ele estivesse sorrindo pra ela.
Nesse mesmo instante a porta principal de abriu e Guilherme foi praticamente arremessado pra fora. Bruno saiu em seguida, e Jéssica saiu junto do restante da festa (Que estavam fazendo o maior tumulto)
Amanda despertou e soltou a mão dele. E Felipe se apressou e entrou no meio da roda. Guilherme estava no chão e Bruno o encarava com fúria.
Felipe: Ei, ei. O que é isso?
Ele disse ao entrar no meio deles.
Bruno: Esse idiota deu em cima da minha irmã!
Guilherme: Irmã?
Ele disse enquanto Felipe o ajudava a levantar.
Guilherme: Porque todo esse drama? Eu pensei que fosse sua namorada.
Bruno: Ninguém fala desse jeito com a minha irmã.
Guilherme: Se não quer que ninguém dê em cima dela, deixe ela em casa.
Bruno apontou o dedo para ele furioso.
Bruno: Você é muito folgado. Merece levar uns socos.
Ele pisou duro na direção de Guilherme e Felipe, mas Bernardo entrou no meio também.
[...]
Atrás de todos, no final da roda. Pedro estava se esticando tentando ver o que estava acontecendo. Quando Catarina e Gabriela se aproximaram.
Catarina: O que esta acontecendo?
Vitória: Parece que um garoto deu em cima da irmã de um cara. Sei La.
Gabriela: Quanta estupidez!
Pedro encarou Vitória.
Pedro: Me espera no carro. Eu vou resolver isso.
Vitória: O que? Não! Você não vai se envolver em uma briga de rua!
Pedro: São meus amigos. Eu preciso ajudar.
Vitória: Eu vou com você!
Pedro: Não! Você é que não vai se envolver em uma briga de rua. – Ele riu. – Me espera no carro!
Ela revirou os olhos.
Catarina: Eu vou com ele.
Ela disse á Gabriela. E todos olharam pra ela.
Catarina: Eu provavelmente sou a mais velha daqui. Preciso usar isso pra alguma coisa.
Gabriela: Qual é?
Catarina: Fique junto com ela!
Pedro e Catarina entraram no meio da multidão e sem muitas alternativas, Gabriela e Vitória seguiram para o carro.
Bernardo: Ei cara, relaxa. Meu amigo é um idiota. Nós já estávamos indo embora.
Bruno: É que ele é um idiota eu sei. Mas ele não vai sair daqui sem levar o que merece!
Jéssica: Bruno esquece isso!
Ela tocou no ombro dele.
Bruno: Esquecer? Nem pensar!
Pedro também entrou na roda.
Bruno: Mais um amigo? Precisa deles pra te defender? Esta com medo?
Guilherme: Eu não estou com medo.
Pedro: Olha, nós só queremos ir embora!
Bruno: Você não ouviu? Ninguém sai daqui!
Pedro bufou.
Pedro: Bom, então você vai ter que bater em todos nós!
Ele encarou Bruno, o desafiando. Bruno sorriu.
Bruno: Será um prazer.
Bruno assoviou e cinco caras saíram La de dentro. Todos mais altos e fortes que os garotos. Eles se posicionaram ao lado de Bruno e cruzaram os braços.
Bernardo: Ferrou!
Pedro: er; Eu não falei sério.
Bruno sorriu de canto. E antes mesmo que a pancadaria pudesse começar, Catarina entrou na frente de Pedro.
Catarina: er; Oi.
Bruno cruzou os braços e a encarou.
Catarina: Bom, eu não sei quem você é, e também não tenho interesse algum de saber. Eu só sei que eu estou numa cidade que eu não conheço, fui convidada pra uma festa onde só tem pirralhos e passei a maior vergonha num restaurante. Quantos anos têm? Dezenove? Vinte? Acertei? Se você bater nele, pode ser preso. Olhe á sua volta. Tem um monte de jovens bêbados e drogados, eu não quero ir parar na delegacia respondendo por isso. Então vamos parar com todo esse teatrinho de irmão “super-protetor”, porque eu estou exausta e não vejo a hora de chegar na minha casa, tomar o meu banho e cair na minha cama. Será que é pedir demais?
Todos se calaram. E Bruno ficou olhando para ela surpreso.
Bruno: Você sabe com quem esta falando? Ninguém fala assim comigo!
Catarina: Eu tenho certeza que você é alguém muito importante onde você mora. Mas olhe bem, você não esta La! – Ela sorriu. – Mas se você insistir, eu mesma posso chamar a policia!
Ele riu.
Bruno: Eu tenho dinheiro o suficiente pra não ficar na cadeia nem por dois minutos.
Catarina: É? Que ótimo. E o meu pai é Juiz!
Ela sorriu e o encarou com superioridade. Ele a encarou mortalmente.
Bruno: Isso não vai ficar assim.
Catarina: Eu estou morrendo de medo.
Ela o encarou, intimidando. Ele grudou o braço de Jéssica e a levou para o carro. Aos poucos o pessoal começou a dispersar e a festa continuou.
Catarina: Idiota!
Ela disse para si mesma.
Guilherme: O seu pai é Juiz mesmo?
Catarina: Não. Mas funcionou e você esta me devendo uma!
Guilherme: Hm, eu posso te levar pra jantar, talvez?
Catarina: Ah, por favor. Isso seria pedofilia! – Ela se virou para Pedro. – Poderia dar carona pra mim e pra minha irmã?
Pedro: Claro. Só um minuto!
Ela sorriu.
Catarina: Tchau garotos. E vê se você para de dar em cima de todo mundo.
Ela revirou os olhos e saiu dali. Os garotos riram.
Guilherme: Ela é meio folgada, né?
Ele disse com o ego ferido.
Pedro: É porque você não viu a irmã dela.
Bernardo: Da onde as conhece?
Pedro: É uma “longa” história. Quais foram às boas de hoje mesmo?
Guilherme: Eu quase briguei!
Felipe: Você quase apanhou!
Guilherme: Que seja.
Eles riram.
Bernardo: Eu acho que eu tomei um fora.
Pedro: Você tomou um fora?
Bernardo: É, acho que não sou mais o mesmo!
Guilherme: Logo você acostuma.
Ele bateu no ombro de Bernardo.
Pedro: E você Lipe? Nada!
Felipe: Eu só conheci...
Ele olhou para trás a procura de Amanda. Mas ela havia sumido com toda a confusão.
Felipe: Deixa pra La.
Eles riram.
Pedro: Eu tenho que ir.
Bernardo: Que tal uma partida de Counter Strike em casa daqui meia hora?
Pedro: Séria ótimo.
Felipe: É. Essa festa já deu.
Guilherme: É, pode ser!
Bernardo: Fechado.
Eles se despediram e Pedro voltou ao seu carro.
Vitória: Você esta bem?
Pedro: Estou. Ela salvou o dia.
Ele riu e apontou para Catarina. E Catarina riu.
Catarina: Não foi nada!
Gabriela: Será que podemos ir embora?
Catarina: Ta.
Gabriela entrou no carro e Catarina revirou os olhos. Isso fez com que Pedro e Vitória rissem.
Pedro as deixou em casa. E depois se encontrou com os garotos no Apartamento da mãe de Bernardo no Centro para jogar Counter Strike.
E a noite, se finalizou.
[ Pedro e Bernardo se conheciam desde seus Nove anos. Foi quando Bernardo se mudou para uma casa na Rua de Pedro e começou a frequentar o Colégio. Dois anos depois conheceram Felipe em um trabalho de grupo, o qual ele acabou fazendo a maior parte por consequência. No ano seguinte, Guilherme entrou no Colégio e todos se conheceram no Ginásio, quando a professora dividiu os times e os quatro acabaram caindo no mesmo.
Desde então, a amizade se fortaleceu. ]
A festa durou por mais um tempo, até que um vizinho ameaçou chamar a policia.
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