Doce
1 Cozinheira #1
Notas iniciais
Archie-sama, muito obrigado pelo incentivo em me fazer amar de novo esse casal.
Espero que gostem. ^^
— Tcharam! – Sakura sorriu, colocando a pequena travessa de pavê de chocolate sobre a mesa enquanto ele deixava as malas num canto e tirava o sobretudo. – Eu sei que você não gosta muito de chocolate, mas...
Ela interrompeu a frase para lhe dar um beijo rápido e sorriu ao vê-lo menear a cabeça, sinalizando que não tinha problema. Sasuke não gostava de doces, era verdade, mas seu paladar pessoal era o último dos problemas naquele momento. Puxou a cadeira, observando-a fazer os últimos preparativos para servi-lo. A Haruno estava simplesmente radiante, com os cabelos rosados amarrados em duas marias-chiquinhas e um avental escrito “cozinheira #1” em letras garrafais. Quem dera, pensou. Quase não conseguia disfarçar a cara de desgosto, esperava que ela achasse que era por causa da viagem.
Era uma tradição; toda vez que vinha passar as férias no apartamento que ela dividia com Ino, a Haruno inventava de preparar uma receita diferente. Depois dessa, você definitivamente vai querer casar comigo!, a namorada sempre afirmava, orgulhosa, antes de apresentar o suplício da vez. Queria casar com ela, era o que planejava fazer assim que se formassem, mas com certeza não por causa dos dotes culinários.
Ela soltou um sorriso surpreso, vibrando consigo mesma ao constatar que a sobremesa estava mais bonita do que imaginava. Em seguida, empurrou um prato em sua direção, mas, assim que Sasuke ergueu os olhos, as camadas já começavam a se desfazer. Engoliu em seco, sem palavras. Conhecia a aparência de um pavê, já tinha feito aquela sobremesa para ela mil vezes, e, bem... Aquilo não era pavê, e tinha sérias dúvidas se dava para comer. Se os horrores das comidas passadas não embrulhassem daquele jeito seu estômago, Sasuke até riria da própria desgraça.
— Ah, merda – ela cruzou os braços se encolheu do outro lado do balcão, com o rosto vermelho de vergonha. Ela ainda tinha alguma expectativa?
Por um momento, passou pela mente do Uchiha a ideia de consolá-la, dizer que o gosto com certeza estaria melhor, mas não era do seu feitio mentir para ela. Então, respirando o mais fundo que conseguia, encheu a colher com um pedaço de cada camada – se é que podia chamar assim – e colocou na boca.
E parou.
A cozinha se afundou num profundo silêncio; as chaves de Ino rodaram na porta dos fundos, e a loira entrou de fininho, com medo de atrapalhar uma possível discussão, até perceber do que se tratava.
— E aí...? – Sakura começou a perguntar, acenando com a cabeça para amiga que entrava, e, quando voltou os olhos para ele, ergueu as sobrancelhas, levemente assustada. – Sasuke?
Estava em choque.
— Uma merda, não é? – Ino perguntou baixinho; sua expressão devia estar mais assustadora do que imaginava, porque a loira colocou a mão em seu ombro como quem lhe dava os pêsames.
Ele dissentiu com a cabeça, ainda atordoado. Pegou mais uma colher, encostando lentamente a sobremesa na língua, e fez o impossível: degustou. A nuvem macia das claras em neve, a doçura do creme de gema, a crocância suave dos biscoitos champanhe, o suave amargor do creme de chocolate meio amargo...
—Está... – As palavras saíram lentamente, como se não existissem no seu vocabulário. – Gostoso.
— Está?— Sakura e Ino perguntaram juntas, de olhos arregalados, uma mais estridente que a outra. Incrédulas, enfiaram as colheres no pavê sem cerimônias, enchendo a boca com um bom pedaço da sobremesa derretida. Constatou, sem saber como reagir, que nem a própria Sakura acreditava em suas receitas. Pegou mais uma colher, ainda sem ter certeza se aquilo era real e, assim que o gosto suave e equilibrado nos lábios, começou a tatear os bolsos.
— Impossível! – Ino completou horrorizada, iniciando uma risada quase histérica que o fez sorrir também. – Vou ligar pro Naruto!
— Ai, gente, assim vocês me deixam com vergonha... – ouviu sua namorada reclamar, com um sorriso gigante no rosto, enquanto um Naruto estridente dizia que estava a caminho, porque só acreditava comendo.
Virou o sobretudo do avesso, procurando em cada pequeno bolso. Depois de pedir tanto segredo, de se constranger até a morte para pedir por telefone ajuda a Hinata – Ino era legal, mas jamais guardaria um segredo daqueles –, de se sentir estranho passeando com a namorada do melhor amigo em busca da aliança perfeita, do terno perfeito, do momento perfeito...
Encontrou o par de anéis no último bolso, enquanto ouvia os passos nada suaves saltitando em sua direção.
— Sasuke-kun! – Sakura sorriu, chamando-o por aquele apelido nostálgico de quando eram crianças, e envolveu sua cintura num abraço apertado antes de completar brincando – Dessa vez, com certeza você está querendo casar comigo, não é?
— Com certeza. – respondeu simplesmente, e ela sorriu satisfeita, sem perceber que ele falava sério até vê-lo ajoelhado, segurando uma fina aliança com trabalhos florais. – Casa comigo, Sakura.
Hinata que o perdoasse por todos os planos irem por água abaixo, mas aquele era o momento perfeito.
Notas finais
Era pra ter ser uma drabble, mas não tenho poder de síntese o suficiente. Também não era a intenção ficar assim, tão açucarada, mas ficou... O que acharam?
Bem, é isso. Até a próxima!
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