Dobrando A Realidade E A Expectativa
2 A pílula vermelha ou a pílula azul?
Betado por HinnaCRF
“Gyahhhhhhhhh!!!!!!!!”A garota do lado de fora da sala gritava num tom torturantemente agudo. Ela seria uma ótima soprano se usasse esse seu talento para o bem. Não era esse o caso. A dor nos tímpanos era grande e tanto Elan Branbal, quanto Arc quiseram dar cabo de suas vidas naquele exato momento....Mesmo antes de Elan nascer, seu planeta natal (que, por acaso, se chama Planeta) gozava de uma excelente qualidade de vida e seus habitantes eram uma civilização de tipo III, se valiam da energia de sua própria galáxia. Eram virtualmente indestrutíveis. Elan ultrapassou os limites de tudo o que ainda era visto como impossível de ser realizado. Mesmo para a sua civilização ainda eram tabus, naquela época, elevando seu planeta a experimentar uma utopia finalmente completa. Para todos, para qualquer um.Mas quando todos estão felizes, não há muitos maus exemplos para se inspirar e se sentir superior. Problemas desprezíveis podem tomar proporções absurdas. Um grão de sucrilhos a menos no café da manhã se torna motivo de preocupação e de sofrimento.Uma onda de suicídios em massa começou a assolar o planeta de Elan e, para tentar resolver este problema, Elan entrou em ação e escreveu um panfletinho nas suas horas livres que era mais ou menos assim:Caro(a) fulano(a) daqui do Planeta.Você precisa pensar duas vezes antes de se suicidar, sabia?Deixe os negócios nos trilhos, verifique a situação da família (se tiver), tenha certeza de que o seguro está em dia para o recebimento dos herdeiros, separe uma quantia para as despesas do funeral e outros gastos relacionados, etc.Se estiver falido, deixe sempre uma carta de aviso pré-endereçada aos parentes. Neste caso, evite maneiras de se suicidar como se jogar de um precipício, enforcamento, fritar a própria cabeça no forno, etc. O ideal é o harakiri por sua importância e significado. Evite sumir do mapa se a sua intenção é que seu corpo não seja encontrado e identificado, pois, quando se suicidar, dará falsas esperanças aos seus parentes de que esteja em algum lugar, existindo a possibilidade de tomarem você por um vagabundo sem caráter que abandonou a família para curtir por aí.De forma alguma estou querendo impedir que você tire a sua vida, pelo contrário, eu respeito sua decisão e ainda estou esperando que saia uma foto de alguém morto com uma carta de plano de saúde na boca. Se você se suicidar desse jeito, eu gostaria muito de ver isso. Daria muitas risadas...Então se suicide com cuidado, se mate com atenção.Com amor, Elan Branbal. XD...- É agora, Capitão!Flare apontou o canhão de seu braço esquerdo para a cabeça de seu mestre e a explodiu com um tiro. Foi lindo, como uma chuva de fogos:- Ai, cacete!!! – Gritou, Arc, espantado.Mas não havia sangue, nem carne no chão, apenas um fluido siliconado e brilhante que, em questão de segundos, se materiarilizou no corpo recém-decapitado de Elan, formando uma cabeça novinha em folha como se nada tivesse acontecido:- Legal, não é? — Perguntou um Elan sorridente mexendo em seu bigode e cavanhaque. — Eu achei que era o momento adequado para fazer isso.- Claro... Muito legal...Ao responder, Arc esperava não ver mais aquele tipo de cena novamente, mas abandonou as esperanças, pois sabia que coisas muito piores e estranhas seriam presenciadas. Pelo menos, seria de graça.A menina continuava a gritar a plenos pulmões e Arc já estava ficando tentado a explodir a própria cabeça também, só para fugir daquele barulho dos infernos. Ele, então, perguntou para o seu chefe se ela já poderia entrar.Elan tirou um pouco da cera dos ouvidos (???) e consentiu. O mordomo-morcego abriu a porta e Flare foi chamá-la. Arc fechou seus olhos e a cada passo que ouvia adentrando o recinto pensava:“Gata, gata, gata...”Bem vestida, olhos azuis, Cabelos negros e presos, com um sorriso que fez Arc pensar que era para ele. Ele começou a sonhar acordado que talvez o seu trabalho se tornasse mais agradável com a presença de sua nova parceira. Ele abaixou a cabeça e refletiu, fazendo um sinal de positivo com a mão, pensando “Obrigado, deuses bêbados! Vocês me favoreceram mais uma vez...” (em sua mente, apareceu a imagem de sete homens e uma mulher com tarjas pretas nos rostos retribuindo o sinal de positivo). Tudo eram rosas até que...- Filhinha, você está tão bonita! — Chorava, o administrador da Terra, ao vê-la daquela maneira.“Nepotista de merda...” sussurrou, o funcionário com os olhos totalmente abertos. Sua surpresa vinha não por seu chefe ter beneficiado sua filha, mas justamente por ser filha de quem é. “Essa garota não deve regular bem das idéias...”, completou.O Capitão Flare ouviu o que seu subordinado humano havia resmungado, virou-se lentamente para ele, apontou e, com sua voz de maníaco, disse:- Se eu atirar na sua cabeça... Ela não voltar ao normal...Elan Branbal chamou o pobre subordinado, o pôs frente a frente com a sua filha e a apresentou:
- Esta é a minha filha, o orgulho da minha vida: Ciel.O jovem de cabelos prateados estava nervoso com a situação, não sabia se cantava o hino nacional, se plantava bananeiras ou se ficava invisível.Ele tentou ficar invisível.Não deu certo e ele, então, disse seu codinome:- Pode me chamar de Arc. Será um prazer trabalhar com você...Fez uma pausa teatral de quem esqueceu a fala decorada e gritou “transplante de fígado” sem saber bem o porquê.Naquele mesmo dia, alguém morria na fila de um hospital precisando de um transplante de fígado. Um minuto de silêncio para essa pessoa.Arc estava fixado nos olhos de Ciel, que eram meigos e claros. Ela estava sorrindo o tempo todo e percebendo seu nervosismo, abriu a boca para falar com ele:- Eu não perguntei o seu nome... E você não terá prazer nenhum, seu pervertido.- O-o quê?- Você vai ser o meu cachorrinho e vai fazer tudo o que eu mandar... Entendido?Arc fez sua cara de paisagem característica e resolveu provocá-la um pouco:- Nossa! Você é mesmo parecida com o seu pai...Aquilo soou como se um disco riscado. Ciel parou bruscamente de sorrir e mudou sua expressão de repente:- O quê?!! Eu só estava brincando com você! Não me compare com aquele velhote!Ela golpeou o próprio pai com o punho fechado. Não se satisfazendo, começou a chutar as costelas, de seu progenitor, mais e mais forte. Ela queria que ele vomitasse sangue. O que não aconteceria, pois sangue era algo que ele não tinha.Pigarreando enquanto era espancado, Elan ressaltou que Ciel era muito mais parecida com a mãe. Ela, então, parou de chutá-lo. O magrelo se levantou, limpou sua roupa e os avisou de que eles já haviam se conhecido e que estava na hora de trabalhar.A pergunta que não queria calar era onde seria a próxima missão. Elan não ia contar já que queria fazer surpresa. Ciel pegou o Capitão Flare e o abraçou. Seu instinto era de arrancar os braços de quem fizesse isso, mas ele já estava acostumado com a filha de seu mestre.Ao ver a arma final ser tratada como um bicho de pelúcia, Arc não resistiu e perguntou ao capitão porque ele não estava sendo condescendente com Ciel:- Você não ouviu o que Elan-sama disse? Ela é o orgulho de sua vida...- Yohaaaa!!! Então já que essa é a primeira missão da Ciel, eu vou mandar o Batally junto com vocês pra dar um gás! Boooyah!!! — Gesticulava, Elan, com uma pose medíocre que parecia ser o cruzamento de um rapper baleado com um frango de macumba.Batally era o nome do mordomo-morcego gigante. Ele não era muito inteligente, mas tinha lá suas habilidades. Por exemplo: ele era capaz de quebrar ovos pressionando suas extremidades com as palmas das mãos. Um andróide de tonalidade azul com púrpura, detalhes em branco, uma cabeleira punk e algo que parecia ser sangue escorrendo de sua boca.O magrelo desejou boa viagem e, com um aceno de mão, voltou ao seu jogo de Tetris. Não era só sem noção. Era um troll de primeira linha.Capitão Flare pulou dos braços da filha de seu mestre e tomou a dianteira. Levantou o braço direito e, com uma vibração de um golpe, abriu uma fenda que tomou a forma de um portal e o atravessou rapidamente junto com Batally.Olhando para Ciel, só que mais confiante dessa vez, Arc deu um sorriso e gritou se projetando contra fenda:- E lá vamos nós!Ela riu sarcasticamente: — “Lá vamos nós? Quem ele pensa que é? Uma bruxa tentando voar numa vassoura?”Tomando impulso, Ciel se jogou com tudo no portal e desapareceu. Nenhum deles estava mais lá, o que significa que eles foram para outro lugar...Jura???
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