Do you love me?

6 Chapter V – Shadows of the past


Notas iniciais
Primeiramente, Feliz Páscoa pra vocês, meus amores sz Boa leitura!

“Eu sei o que vi.” Afirmava Merida, um tanto impaciente com a descrença dos irmãos. “Era uma criatura enorme e peluda, com chifres e tudo mais. Atacou a mim e ao papai.”

“É verdade.” Thomas apoiava a filha.

Apesar de ambos terem contado a história ressaltando cada detalhe, os garotos ainda tinham suas dúvidas. Hans já desconfiava que o pai estivesse beirando a loucura, levando em conta sua idade. Mas Merida? A garota não era de mentir.

“Certo, certo.” Hiccup disse, tentando acalmar, principalmente, Merida. O garoto era o mais sensato dos seis irmãos, sempre sabe o que fazer. “Nós acreditamos em vocês. Mas o que vamos fazer agora? Pode ser perigoso ficar aqui com uma fera nas proximidades.”

Thomas suspirou. “Não se preocupem quanto a isso. Aquilo disse que eu deveria voltar para viver com ele, e vocês estarão a salvo.”

“Mas você não pode ir!” Kristoff exclamou, chamando a atenção de todos. “O que faremos sem o senhor aqui?”

“Vocês vão ficar bem, eu sei disso.”

Perto dali, atrás da parede, Rapunzel ouvia tudo, sentido-se extremamente culpada. Afinal, se a garota não tivesse pedido a rosa, seu pai não teria sido condenado a viver com uma fera no meio da floresta. Sabe-se lá o que aconteceria com ele na companhia da estranha criatura!

“E como o senhor vai voltar pra lá?” Ela ouviu Hans perguntar.

“Mais que tudo no mundo. Direi estas palavras para Myrthie e ele saberá o caminho.”

Ao ouvir aquilo, Rapunzel saiu de trás da parede e, rapidamente, passou pela família, indo em direção à porta. Ignorou todos os ‘aonde você vai?’ e os gritos de protesto do pai. Chegou aos estábulos, selou o cavalo de pelos castanhos e montou sobre ele, dirigindo-se à floresta.

“Mais que tudo no mundo.” A garota disse e viu as árvores se distanciando uma da outra, abrindo caminho para ela. Aquilo a assustou, Rapunzel chegou a pensar que estava louca, mas antes que pudesse tomar qualquer atitude, Myrthie já havia desatado a correr.

Pouco atrás deles, Thomas chamava pelo nome da loira, a família entrando em desespero.

..

O cavalo corria sem cessar, assustando Rapunzel ainda mais. O vento batia forte em seus cabelos loiros, que chicoteavam-lhe a face. Sentia que estava perdendo o ar a cada novo instante, o que a deixava desesperada. Seu cachecol fora levado pelo vento num momento de distração, e ficara preso nos galhos de uma das árvores, dançando no ritmo da ventania.

Com o fôlego que lhe restava, Rapunzel deu um grito de pavor. A adrenalina e o medo percorriam suas veias e ela já começava a questionar-se se era uma boa ideia ir ao encontro do tal monstro que vivia em um castelo depois da floresta.

Apertou as rédeas ao ver um fio de luz aparecendo por entre as árvores secas. Já estava próxima de seu destino. Mas a garota não sabia se deveria ficar aliviada ou mais temerosa ainda. Logo já havia passado pela última árvore, e a brusca mudança de clima a fez estremecer. Agora, Rapunzel andava por uma trilha dourada, que a fazia recordar de uma antiga história que sua mãe contava todas as noites antes de dormir. O mágico de Oz, se a garota bem se lembrava.

Myrthie parou na porta do castelo e a loira desceu do cavalo. Agarrou a argola de metal e bateu-a contra a porta de madeira, que se abriu lentamente. Ela suspirou e entrou, admirada com o tamanho do hall. Ali havia uma lareira e uma grande mesa farta de comida. A porta fechou-se atrás da garota, que se assustou. Rapunzel olhou para os lados, mas não viu ninguém.

“É ela...” Ouviu um sussurro.

“M-meu nome... Meu nome é Rapunzel. Eu vim no lugar de meu pai. Viverei com você, se permitir.”

Silêncio total. Quase total. Rapunzel podia ouvir um som estranho, mas não fazia ideia de onde ele vinha.

“Oras! Será possível que a tão temida fera não tem coragem de dar as caras? Vamos, apareça! Disseram-me que és tão terrível, cruel, impiedoso... Preciso ver com meus próprios olhos.”

Um segundo de silêncio seguiu-se.

“Coma.” A garota ouviu uma voz grave dizer. “Coma.” Repitiu.

Rapunzel obedeceu. Sentou-se em uma das cadeiras e preparou um prato. Sentia o estômago embrulhar e a garganta fechar-se: não queria comer. Apesar de tudo, insistiu em dar uma garfada.

“Beba.” A voz ordenou novamente.

A loira olhou para a taça de ouro em sua frente. Apanhou-a com uma das mãos e deu uma golada, sentindo o vinho descer queimando por sua garganta. Reprimiu a vontade de colocar tudo pra fora e continuou a comer, mastigando pequenas porções.

“Você se alimenta como um passarinho.” Novamente a voz se pronunciou; desta vez com um ar divertido.

Ela deu um sorriso discreto. Talvez conseguisse enrolar a Fera, o seja lá o que fosse. “Por que não aparece?”

“Eu assustaria você.”

“Acredito ser corajosa o bastante para encará-lo.”

“Coma.”

Rapunzel revirou os olhos e voltou a comer, mesmo que de má vontade. Não lhe agradava nem um pouco obedecer a ordens de um desconhecido que nem mesmo podia ver. Mexeu-se na cadeira desconfortável e passou a procurar distrações. Tinha costume de fazer isso quando não queria comer. Batia os dedos na mesa, suspirava, passava os olhos por todo o local. Bendita a hora que decidira pedir uma rosa para seu pai.

Finalmente deu sua última garfada. Puxou os cabelos para trás e suspirou.

“Pronto, já comi. Será que agora podemos conversar?”

“Vá para o seu quarto.” A voz disse.

“O quê?! Você não pode...”

“Vá para o seu quarto.” Repetiu um pouco mais alto e irredutível. “E não tente escapar. Se fugir eu saberei e irei até a sua família.”

“Certo, olha só. Eu fico presa nesse castelo, tudo bem. Mas você não vai me obrigar a mais nada.” Ela disse firme e confiante, olhando para os lados na tentativa falha de encontrar o dono da voz. “No fundo você é apenas alguém desesperado por amor, por companhia. Mas é tão tirano, egoísta e... E horripilante que todos se recusam a ficar perto de você. Todos o temem!”

A seguir, ouviu-se um rugido de fúria, que assustou a garota; Rapunzel respirou fundo e, por acaso, pousou os olhos na taça de ouro, podendo ver a imagem da terrível fera.

“Vá para o seu quarto!” A fera gritou de forma agressiva. A loira chegou a pensar que seria morta naquele instante.

Rapunzel afastou a cadeira rapidamente e correu pelas escadas, abrindo portas à procura do que deveria ser seu quarto. Uma das portas guardava um cômodo consideravelmente grande, de paredes brancas e piso de marfim. Havia uma cama grande coberta por lençóis igualmente brancos, uma penteadeira e uma grande janela. Deduziu que aquele fosse seu quarto. Fechou a porta atrás de si e trancou-a com chave. Explorou o quarto com os olhos antes de jogar-se cansada sobre a cama. Suas roupas eram extremamente desconfortáveis, mas ela tinha certeza de que isso não seria a única coisa que a atrapalharia dormir. Não, ela precisava ter certeza de que aquela criatura que deixara no hall não arrombaria a porta e devoraria a garota.

O mesmo som estranho que ouvira no hall agora habitava seu quarto. Rapunzel não sabia bem como descrevê-lo. Acreditou serem ratos ou algum animal pequeno. Então, a garota percebeu um movimento e virou-se, avistando uma pequena boneca sobre a penteadeira. Esta tinha olhos verdes de botões e cabelos loiros feitos com linha amarela. Sorriu.

“Ah! É igualzinha a mim... Quem será que fez essa boneca?” Ela pensou alto, acreditando que quem quer que fosse sairia de seu esconderijo. Para sua decepção, a quarto continuou no mesmo silêncio – ou quase silêncio, pois os tais “animaizinhos” continuavam sua cantoria.

Rapunzel deu-se por vencida. Colocou a boneca de volta na penteadeira e deitou a cabeça no travesseiro, puxando as cobertas para si. Vagalumes surgiram a sussurrar.

“Durma, Rapunzel... Durma... Sonhe... Volte ao passado... Sonhe...”

E então a loira fechou os olhos, caindo no sono.

***

Rapunzel corria. Não sabia pra onde ia, nem o porquê. Apenas corria. A final chegou a um grande espelho. Este, porém, não refletia sua imagem; mostrava uma lembrança passada. Um homem jovem, alto, de cabelos castanhos e olhos azuis, adentrava o salão seguido por seus companheiros. Cumprimentou as pessoas – que não eram poucas – que ali estavam e fixou seu olhar numa dama. A mulher tinha cabelos louros extremamente claros, pele alva e olhos azuis. Usava um belo vestido azul, pomposo e decotado, uma vestimenta comum das mulheres mais ricas da França. O homem aproximou-se dela e depositou um beijo em seus lábios. Segurou-a pela cintura e a conduziu escadas acima, levando-a para um dos quartos.

“Quase a pegamos desta vez.” Ele disse.

“Oh, Jack. Você ainda não desistiu da tal loba?” A mulher mostrou-se decepcionada com o suposto Jack.

“Não desistirei. E a trarei para você, minha rainha.”

“Sabe que sou contra isso, Jackson.”

“Certo, não trago nada.”

“Vais parar com essa obsessão?”

“Pararei. Por você, Elsa.”

Elsa sorriu e beijou-o.

...

Notas finais
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