Do you ever wanna catch me?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vi e Jinx é um ship incomum, aparentemente. Mesmo porque, ainda há gente que acredita no falso boato de ambas serem irmãs. Mas é um ship que eu particularmente gosto muito, e espero realmente não ser a única! Espero que gostem :)
— Onde você estava com a cabeça?!
A voz, que geralmente era tão calma, agora ecoava pelo corredor deixando transparecer seu sotaque forte que em outras épocas teria sido disfarçado, tamanho o nervosismo. A pessoa que levava a bronca sabia onde havia se metido ao notar o sotaque. Se encolheu em seu lugar e abaixou os olhos, mas sua personalidade era forte demais para se deixar levar bronca sem revidar. Sempre foi assim. E por isso a convivência de ambas na maior parte do tempo se limitava apenas em trabalho.
— Era minha chance de prendê-la! Finalmente, aquela maníaca mostrou o rosto e eu tinha encurralado ela! Você queria que eu simplesmente deixasse que ela roubasse todo o cofre e fugisse?!
— Bom, eu preferia um cofre roubado a um prédio todo destruído e uma das minhas melhores policiais quase morta e agora incapacitada por dias, Vi. Você podia ter morrido!
Silêncio. A xerife parou, percebendo que havia cruzado a linha. Vi agora abaixou a cabeça e dessa vez não revidou, no fundo ela sabia que sua superior estava certa, mas quando se tratava de Jinx... Algo acendia em seu interior, algo de que sua memória não se lembrava, mas seu corpo sim. Ela associava aquilo à fúria, uma vontade extrema de deter a maníaca. Tentando consertar seu erro, Caitlyn agora limpava a garganta e se virava, a coragem de enfrentar Vi havia sumido.
— Eu sei que você está irritada com o que aquela maníaca está fazendo. Todos estão. Todos também querem pegá-la, Vi. Estamos todos igualmente empenhados, mas tomar atitudes imprudentes não é a resposta. E visto que ela parece ter... Alguma fixação por você, não vejo alternativas senão protegê-la. Você agora está fora do caso.
Ela não esperou resposta, apenas saiu andando. Se Vi pudesse mover direito suas mãos agora, ela teria dado um soco em alguma coisa. Mas como Caitlyn disse, ela estava incapacitada. Inútil. Totalmente vulnerável agora. Sem opções, ela sorriu, um sorriso sarcástico, ferido, e sussurrou para si mesma.
— Você está errada, cupcake. Ninguém está tão empenhado quanto eu. E eu cuido do caso.
Passou uma semana. Os movimentos de Vi ainda eram limitados, mas ela já estava livre do hospital e tinha autorização para consertar suas luvas danificadas. Jayce a ajudava. Ele era um cara estranho para bater papo, mas era habilidoso e Vi ainda não tinha condições de consertar nada sozinha por ora. Seus braços, um ainda enfaixado, outro até engessado, tremiam em contato com as ferramentas. Uma semana. Ela nunca havia levado tanto tempo para se recuperar, e estava ficando frustrada. Ela não demonstrava, mas todos sabiam e se preocupavam com a condição desta. Já de noite, Jayce estava relutante em partir, mas Vi assegurou que ficaria bem e praticamente expulsou o homem de seu apartamento. Ela precisava de um tempo sozinha.
Uma cerveja, um sofá e seus pensamentos para refletir eram suficientes. Mais frustrante que sua incapacidade atual era o fato inegável de que Vi não tinha praticamente nenhuma memória mais antiga do que 3 anos atrás, época pouco antes de Caitlyn aparecer com o convite de bater em bandidos sem precisar ser perseguida pela polícia. Não havia motivo aparente para a perda de memória, alguns diziam ser algo traumático demais que a mente de Vi preferiu apagar. A única coisa que ela sabia é que nem sempre ela fora do lado da lei. Nem sempre fora bandidos que ela gostava de espancar. E as únicas coisas do passado que ela trazia consigo eram as habilidades mecânicas naturais para montar e desmontar aparelhos hextec. Ela ouviu dizer que sabia fazer isso desde criança. E também o nome permanentemente marcado em seu rosto, VI. Ela nem sabia seu nome real. Talvez não soubesse nem quando ainda tinha memória de toda sua vida. Ela sabia que havia crescido nas ruas, talvez não houvesse dado tempo de alguém lhe dar um nome. Pensar naquilo dava dor de cabeça, ela realmente não se lembrava. Mas o que mais a intrigava era a criminosa, que, como Caitlyn disse, parecia realmente ter alguma fixação em Vi. Talvez conhecesse ela? Vi sabia que ela era de Zaun, mas não sabia se ela mesma já havia parado em Zaun em sua época criminosa, afinal, tudo era possível. Ou talvez fosse apenas alguma coincidência, mas o fato era de que a criminosa queria ela. E ela logicamente iria se usar de isca para atraí-la quando melhorasse, não importava o que Caitlyn dizia. Distraída com suas ideias, ela não ouviu o barulho na janela. Não viu a sombra se mover do seu lado. Apenas sentiu um calafrio quando ouviu uma voz sussurrar em seu ouvido. Ela reconhecia a voz.
— O que cê tá pensando?
Vi se levantou em um pulo do sofá e se virou para a presença. O sorriso maníaco estava ainda maior do que da última vez. Vi olhou em volta tentando achar alguma defesa, e seu olhar parou em suas manoplas. Infelizmente, o de Jinx também percorreu o caminho, e a maníaca riu.
— Sem violência, mãozuda. Não quero brincar dessa vez. Vim para te ver.
Vi a olhou com confusão, e após dizer aquilo, Jinx apontou para o próprio corpo, sinalizando que não carregava armas consigo.
— Viu? Sem brinquedos.
— O que você quer de mim?
O tom ríspido da policial fez Jinx saltar de seu lugar e arregalar os olhos em surpresa, mas logo o sorriso estava de volta, e ela se aproximou, ignorando a aura arisca de Vi. Depois de uma ligeira perseguição, uma vez que Vi tentou afastar-se, tudo terminou com Vi presa contra a mesa e Jinx cutucando o gesso que enfeitava seu braço direito, com uma expressão arrependida.
— Desculpa. Eu exagerei. Não era pra te machucar.
E ela desviou logo em seguida o olhar para as manoplas ainda inutilizadas.
— Nem quebrar seus brinquedos.
Vi zombou e rolou os olhos.
— Como se eu fosse acreditar nisso. Está zombando de mim? Veio aqui se orgulhar do bom trabalho que fez? Pois se orgulhe bem. Não vai acontecer de novo!
Jinx logo travou os olhos com os de Vi e esta travou. Havia confusão e logo depois entendimento no olhar de Jinx.
— Oh... Você não se lembra.
Agora era a vez de Vi ficar confusa, mas Jinx apenas começou a rir, risada que arrepiava. Insana.
— Agora faz sentido! Eu vou precisar de mais cuidado para as brincadeiras agora.
Vi se mostrou mais frustrada ainda.
— Do que você está falando?! Explique-se!
Mas Jinx abriu um sorrisinho sapeca e negou com a cabeça.
— Ainda não mãozuda. Logo as brincadeiras vão fazer mais sentido. Não tenha pressa! Eu não sairei de Piltover sem você.
Logo após dizer aquilo, Jinx virou-se e correu na direção da janela, acenando para Vi antes de pular dali. Era o quinto andar. Vi logo correu para a janela a procura da maníaca, mas não havia nem vestígios dela. E mais uma vez, ela não havia conseguido capturá-la.
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