Dias atuais:

As crianças andavam empolgadas pelos corredores daquele ambiente que parecia trazer de volta à vida o passado. À frente estava a professora, guiando os alunos para aquela aula de História um pouco mais divertida.

Todos pararam em frente a um enorme quadro de uma bela mulher, possuidora de grandes olhos azuis e cabelos escuros, trajando roupas de época.

– Essa é Saya Uchiha, segunda Rainha regente de Konoha. — Disse a professora — Foi em seu reinado que nosso país começou a expandir seu território e colonizar terras. Saya não sofreu tanto preconceito como sua mãe, seu reinado foi relativamente longo, e nele houve mudanças significativas até hoje... enfim, tudo o que já falamos em sala de aula.

As crianças assentiram, olhando com curiosidade o quadro daquela bela mulher.

Mais alguns passos à frente, depararam-se com outro quadro. Também se tratava de uma mulher, bastante parecida com Saya, mas os olhos eram negros.

– Essa é uma figura muito interessante. — A professora falou com um sorriso — A primeira mulher coroada como regente. Sarada Uchiha. Ela deu continuidade a vontade de seu pai, e deu a base para que sua filha, Saya, mais tarde conseguisse levantar um império. Seu reinado foi marcado por diversos avanços, e foi quando as mulheres passaram receber uma educação igual a dos homens.

– Professora! — Uma aluna levantou a mão, então a professora assentiu com a cabeça para que ela prosseguisse com o questionamento — Eu li que Sarada conseguiu vencer a frota de Utakata graças a inteligentes estratégias, pois os navios de Konoha eram bem arcaicos se comparados com a frota do Utakata. Mas eu também li que no reinado do pai de Sarada houve muitos avanços nessa área, que ele investia nos navios. Então como eles eram inferiores quando Sarada partiu pra guerra?

– É uma boa pergunta. — Disse a professora — Devemos considerar que o tempo passa. Sasuke trouxe uma grande inovação, os canhões escondidos nos navios. Apenas Konoha possuía essa tecnologia. Mas nós temos um tempo longo entre a morte de Sasuke e a partida de Sarada pra enfrentar a frota de Utakata. Os navios já estavam um pouco ultrapassados, mas graças a esses canhões acoplados em alguns dos navios, Sarada conseguiu a vitória. Após isso, ela investiu na construção de canhões, armando todo e qualquer navio de guerra.

– Mas... — Um aluno se pronunciou — Essa época era marcada pelo machismo. Ela podia sair numa batalha assim, mesmo sendo mulher?

– Bem... — A professora riu — Ela era a Rainha. Não era bem visto, até porque ela não tinha herdeiros e isso geraria um problema caso ela morresse em batalha, mas ninguém era maluco o suficiente pra dizer a um Rei ou Rainha regente o que fazer. Ela enfrentou preconceitos, havia quem quisesse que ela renunciasse por ser mulher, mas Sarada permaneceu firme e forte. Quando ela derrotou a frota de Utakata, salvando o país de uma guerra, o povo passou a venerá-la. Mas, até então, muitos viam uma mulher no trono com maus olhos. Mesmo depois da vitória de Sarada no mar, muitos consideravam anormal ver uma mulher como regente, assumindo um papel que por séculos foi exclusivamente masculino, mas Sarada conquistou a simpatia da grande maioria do país, e isso a firmou no trono por pouco mais de trinta anos.

– Mas por que, professora? — Uma outra aluna questionou — Por que essa implicância toda com ela só por ser mulher?

– Bem, mulheres eram compreendidas como frágeis, delicadas, submissas. — Explicou — Não se acreditava que uma mulher tivesse capacidade de reger um país, inclusive porque eram consideradas menos racionais do que os homens. Para muitos, principalmente religiosos, colocar uma mulher em posição de poder era transgredir a ordem natural das coisas, era visto como algo até mesmo diabólico. Ter uma mulher pacificando o país chegava a ser monstruoso... Homens acatando ordens de mulheres? Nem pensar. Chegava a ser cômico, para as nações vizinhas, saber que Konoha estava sendo governada por uma mulher.

Os alunos ficaram admirados, olhando o quadro de Sarada. Já haviam aprendido em sala de aula sobre o reinado dela, sobre como ela modificou a história com suas mãos.

A pintura parecia ser de uma mulher delicada, mas ali havia uma pessoa que foi extremamente forte quando em vida.

– Ela morreu de que, professora? — Uma das crianças questionou curiosa — Não tem isso no livro de História.

– Bem... — Disse a mulher — Ela não tinha nem cinquenta anos. Nos tempos de hoje não seria considerada uma mulher velha, mas para sua época ela viveu além da média. A medicina era precária, higiene também. Qualquer gripe podia se agravar e matar alguém. — Explicou — Não existem registros sobre o motivo da morte de Sarada, apenas foi escrito pelos médicos da época que ela morreu por conta da idade, assim como o marido dela.

Mais alguns passos e pararam de frente para um enorme quadro, em tamanho real, de um Rei bastante atraente.

– Esse é Sasuke Uchiha. — A professora continuou sua explicação — Não teve um reinado muito longo, ele morreu jovem, com cerca de trinta anos se não me engano, e por muitos contemporâneos de sua época era descrito como um tirano. Mas, todo Rei tinha sangue em suas mãos, nenhum era exceção. — Deu de ombros — Ele tinha o sonho de transformar Konoha num império, e começou o que mais tarde realmente a tornaria, mas não viveu o suficiente para isso. Nos últimos anos de seu reinado o Conselho governava o país, não ele.

– Por que, professora? — Um menino questionou.

– A saúde dele foi piorando. — Disse a mulher — Ele teve uma forte febre ainda bem jovem, de causa desconhecida, e depois disso sua saúde apenas piorou. Após a morte da esposa, Sasuke ficou paranóico, tinha medo de que alguém o envenenasse... chegava a ficar mais de um dia sem comer, acreditando que alguém poderia matá-lo. — Explicou, parada ao lado do quadro do monarca — No início de seu reinado, Sasuke era descrito como um homem atraente, alto e atlético... podemos confirmar isso se olharmos para a armadura que pertenceu a ele, e que inclusive está aqui no museu. — Completou — Mas, nos seus últimos anos ele foi descrito como bastante abatido. Desde sua febre, Sasuke nunca mais foi o mesmo.

– Mas, professora. — Um outro aluno se manifestou — O que causou essa febre nele? Era alguma epidemia?

– Não, não era epidemia. Não havia epidemias nesse ano em questão. Muitos na época acharam que foi envenenamento, mas atualmente historiadores rebatem essa idéia. — Explicou — Pode ter sido um mero resfriado que evoluiu. Os médicos, na tentativa de tratá-lo, certamente pioraram a situação. Muitos dos medicamentos da época eram feitos com substâncias que hoje em dia sabemos que são tóxicas... inclusive eram base pra cosméticos também. As pessoas morriam aos poucos sem saber. — Disse calmamente a professora — Essa piora na saúde do Rei Sasuke já foi tema de muitos estudos e documentários.

– Ah, eu vi um documentário sobre ele. — Disse uma menina — Tinha uma historiadora e um médico falando sobre o que pode ter levado o Rei à morte.

– Exato. — A professora assentiu — Existem várias teorias, todas feitas com base nos registros da época. A gente sabe que havia uma crença sobre banhos tomados com muita frequência deixarem a pessoa mais fraca, portanto é bem provável que no período em que Sasuke ficou afastado da Corte sob cuidados médicos ele também tenha ficado sem tomar banho. — As crianças faziam caretas após tal explicação da professora. Os costumes da época eram realmente estranhos — Acreditava-se também que o suor podia expulsar toxinas do corpo, então Sasuke era frequentemente enrolado em vários lençóis para provocar o suor... Ninguém sabe as condições desses lençóis. Eles podem ter ficado expostos, de forma que roedores ou insetos pudessem ter tido contato com eles, isso explicaria as manchas que apareceram no corpo de Sasuke durante esse período. Também existem outras duas teorias: A primeira é de que as manchas no corpo do Rei foram causadas pelo próprio suor, por ficar muitos dias com o corpo sujo, então a pele teria ficado irritada; Mas há quem diga que pode ter sido alguma reação alérgica aos próprios remédios. Sem falar que o ambiente onde Sasuke estava era fechado, sequer abriam as janelas por medo de que o vento trouxesse alguma doença. Outra curiosidade é que tratavam a maioria das doenças com sangria, porque acreditavam que tirar uma quantidade de sangue do corpo iria aliviar os sintomas. Então imaginem aí, uma pessoa está debilitada, então chega alguém e faz um corte nela pra fazê-la sangrar. Não é legal, né? Ah, lembrem-se também de que os instrumentos médicos não eram descartáveis e muito menos esterilizados.

– Então os médicos da época só pioraram a saúde do Rei ao invés de melhorar. — Deduziu um dos alunos.

– Com certeza. — A professora assentiu imediatamente — E a alimentação do Rei não ajudou em nada. — Relatou — A base da alimentação na Corte era pães e carnes, somente. Alimentos como legumes e verduras eram compreendidos como comida de pobre, em outras palavras. E outra, a água era bastante poluída, portanto o consumo era mínimo. As pessoas tomavam vinho, basicamente. Para crianças e mulheres grávidas, o vinho era mais fraco, diluído em um pouco de água. Também consumiam outras bebidas, como cerveja, mas o vinho era o mais comum. Claro, não era como o vinho de hoje em dia. — Riu — Então, a realeza não consumia verduras e legumes, o consumo de frutas era mais comum em molhos para carnes, e a ingestão de água era mínima. Fora que os médicos de Sasuke, por precaução, proibiram que ele comesse uma série de coisas, o que só piorou a alimentação dele. Ele começou a morrer aos poucos depois dessa febre, que atualmente muitos historiadores vêem apenas como um resfriado que foi mal cuidado. A situação dele piorava com o tempo e ele sequer estava sabendo disso, pois só o ato de cogitar a morte do Rei já era considerado traição, então os médicos não podiam dizer para Sasuke que ele estava morrendo.

As crianças olhavam impressionadas para o quadro de Sasuke. Ele fora um Rei muito bonito, mas que perdeu a vida muito cedo por causa da ignorância de sua época.

– É verdade que ele não gostava da Sarada, professora? — Um aluno questionou, deixando a professora confusa — Tipo... Já vi um filme sobre ele. Sasuke mandou a filha pra longe da Corte, e não queria ela como sucessora... ele não gostava dela?

A professora riu.

Mesmo que vários monarcas inspirassem filmes e séries, a visão transmitida ao público sobre eles podia ser bem distorcida.

– Você não pode acreditar em tudo que vê em filme. — Repreendeu a professora — Era um costume comum que os bebês Reais fossem criados longe da Corte, mais isolados, inclusive por conta de sua saúde. Na Corte de Sasuke havia muita gente, muita gente mesmo! Ele também temia que Sarada ficasse doente pelo contato com essas pessoas... Enfim, eram costumes da época, é difícil julgar muita coisa hoje em dia. E é claro que ele gostava da Sarada. Mas um Rei precisava ser sucedido por outro Rei, por isso ele queria um herdeiro homem... que acabou não conseguindo, então investiu para que Sarada estivesse preparada para assumir o trono. Mas Sasuke amava Sarada sim, aparecia com ela em público em várias ocasiões, gostava de exibi-la. Muitos contemporâneos da época escreveram que Sasuke tinha muito orgulho da filha e que se referia a ela com carinho.

– Mas, professora, eu tenho uma dúvida. — Um outro aluno levantou a mão — Se ele precisava de um herdeiro homem, por que não se casou de novo quando ficou viúvo?

– Porque nem o Rei estava totalmente a cima da lei. — Explicou — A lei do país permitia que uma pessoa casasse somente uma vez, não podendo contrair matrimônio pela segunda vez nem no caso de morte do cônjuge. A única exceção era quando o casamento era considerado nulo, inválido... Não havia divórcio, havia anulação. Se o casamento fosse inválido, era como se nunca tivesse acontecido, mas se fosse válido, aí não poderia haver um outro casamento. Não havia furos na lei que permitissem a Sasuke se casar novamente, visto que a esposa dele nunca assinou o documento de anulação do casamento. Dessa forma, Sasuke foi impedido de ter outra Rainha, e Sarada ficou como sendo sua única herdeira.

– O Rei não podia legitimar outra pessoa? — Um menino perguntou — Tipo... ter um bastardo com outra mulher e tornar ele legítimo?

– Sim. — Assentiu — Mas não faria muita diferença. A preferência era de Sarada, pois ela era a filha do Rei com a Rainha, então qualquer filho fora do casamento, mesmo que considerado legítimo por Sasuke, estaria depois de Sarada e seus herdeiros na linha de sucessão.

– Então não tinha pra onde correr. — Riu um garotinho — Sarada seria Rainha e pronto.

– Sim. — Disse a professora — Como a anulação não foi assinada, ninguém podia tomar o lugar de Sarada na sucessão. Ela seria a próxima quando Sasuke morresse, não havia o que fazer. E Sasuke não fez muito esforço para encontrar alguma abertura na lei de seu país que tirasse Sarada da linha de sucessão. Ele acabou aceitando a filha como única sucessora... Se Sasuke não quisesse, poderia ter dado um jeito de mudar as coisas.

– Ele se livrou da esposa, o que o impedia de se livrar da filha? — Um dos garotos deu de ombros.

– Não foi bem assim, rapazinho. — Explicou — Sakura Haruno foi julgada por crimes, e condenada. Crimes graves. Vamos falar dela lá na frente...

O grupo caminhou mais um pouco pelos corredores. Viram a armadura que um dia pertenceu a Sasuke, assim como espadas e até mesmo peças de roupas, jóias... muitas jóias, principalmente coroas.

Ao final de um corredor havia um grande quadro. Nele, uma bela mulher de olhos verdes e cabelos rosados.

– Esse quadro foi encontrado entre os pertences de Sarada após sua morte. — Disse a professora, ficando ao lado do quadro — Na época, até onde se tem conhecimento, ninguém sabia da existência dele. Essa é Sakura Haruno, mãe de Sarada Uchiha. Esse quadro é póstumo, já que as imagens de Sakura foram destruídas após sua morte, mas historiadores afirmam que ele foi feito a partir de um esboço original. Então, em algum momento de sua vida, Sakura realmente posou como está aqui.

– Professora, ela realmente foi culpada daqueles crimes horríveis? — Uma menina, a primeira da fila, questionou.

– Historiadores divergem. — Disse a mulher — Há quem diga que ela foi realmente culpada por todos, ou pelo menos por algum. Também há quem defenda que o próprio Sasuke armou a queda dela, pedindo que encontrassem algum pretexto para eliminá-la. Mas também tem historiadores que afirmam que Sasuke estava tão alheio quanto Sakura, e que algum inimigo da Rainha tramou sua queda. A teoria mais aceita é de que a fatídica morte dela foi desencadeada por fofocas, por difamações em torno dela... Mas não há como saber ao certo o que fez uma Rainha coroada ser executada. — Falou incerta — Nos pertences de Saya, anos após sua morte, foi encontrado um diário que muitos acreditam ter passado anos com a própria Sarada, mas não existem registros que comprovem isso. Há quem acredite fielmente que o diário pertenceu a Sakura Haruno, mas muitos estudiosos afirmam que é uma farsa... Bem, verdadeiro ou não, o diário de Sakura já foi inclusive publicado como livro e inspirou vários filmes, mas não é usado como evidência histórica.

– Por que não, professora? — Perguntou um dos alunos.

– Por muitos anos a figura de Sakura Haruno permaneceu no escuro. — Disse — Ela foi difamada de todas as formas possíveis, era um exemplo a não ser seguido. A própria Sarada nunca a mencionou publicamente. Sakura voltou à luz apenas no reinado de Saya, que foi onde sua história meio que reapareceu... Muitos ainda a tinham como uma figura totalmente polêmica, mas a visão das pessoas passou a mudar... a mentalidade mudou. Sakura passou de traidora a vítima, de prostituta a incompreendida. As pessoas passaram a ter curiosidade sobre ela, algumas inclusive passaram a ter admiração, principalmente pelas lacunas não preenchidas de sua história. Não foram poucas as pessoas que sequer eram nascidas quando Sakura morreu e diziam possuir retratos originais dela, jóias que pertenceram a ela, inclusive roupas manchadas com o sangue dela. Até hoje vários itens supostamente pertencentes a Sakura Haruno são bastante duvidosos, pois Sasuke ordenou que tudo relacionado a ela fosse destruído, então é difícil crer que alguém teria algo originalmente pertencente à Sakura, por isso o diário gera tanta controvérsia entre os historiadores, mas há um grupo seleto que acredita na veracidade do diário pelos detalhes contidos nele... mas nem todos podem ser provados, dada escassez de registros sobre a Rainha. Ele foi encontrado anos após a morte da Rainha Saya, quase um século após a morte de Sakura.

– Mas ela era como foi retratada nos filmes? — Uma aluna indagou — Sabe... Já vi dois filmes sobre ela, e Sakura pareceu bem a frente do seu tempo. Ela era realmente daquele jeito?

– Os poucos registros sobre ela apontam que sim. — Afirmou a professora — Ela foi descrita, por muitas vezes, como uma mulher de temperamento explosivo. Os cortesãos comentavam como ela era excessivamente ciumenta, chegando a agredir supostas amantes de Sasuke, e inclusive debochava do Rei em público como forma de provocação. Muitos acreditam que Sasuke se cansou desse comportamento dela, embora não haja registros de que ele tenha feito alguma afirmação desse tipo. — Suspirou — Sakura não era uma Rainha popular, pois antes de ser coroada ela era uma mulher comum, não uma filha de Reis... Por isso chegaram até a existir rumores de que ela havia enfeitiçado o Rei para consegui-lo. Foi descrito por muitas vezes que Sakura exibia os cabelos sem pudor até mesmo depois de casada, o que podia ser interpretado como insinuação. Ela tinha um castelo, e se isolou lá por muito tempo com seus amigos mais próximos, só que isso acabou alimentando a imaginação de pessoas maliciosas sobre o que acontecia lá. Muitos diziam que Sakura havia se afastado da Corte para receber seus amantes, diziam que ela levaria o reino a falência por dar festas frequentemente, que negligenciava suas funções como Rainha. Sasuke passou a ser visto, em outras palavras, como um homem frouxo. Mas o Rei não poderia ser o problema, então tudo caiu nas costas de Sakura... Os cortesãos fizeram uma verdadeira propaganda pornográfica em torno da Rainha, enquanto ela nem imaginava isso. Sakura estava alheia à tudo, e até mesmo Sasuke, que estava com a saúde debilitada. As fofocas correram rápido, dizendo que Sakura recebia incontáveis amantes em seu castelo, inclusive houve quem dissesse que ela já havia mantido casos até mesmo com suas aias. Não sabemos se isso tem um fundo de verdade ou não, mas a verdade é que ela foi muito difamada. Não sabemos em que momento Sasuke ficou sabendo dessas conversas, nem como ele reagiu, tampouco como ele concluiu que Sakura era culpada... registros do julgamento não existem, portanto não sabemos sequer se Sakura foi julgada antes de ser morta, por isso muitos historiadores especulam que o próprio Sasuke conspirou a queda dela, enquanto outros afirmam que tinha mais gente atrás disso. Talvez esse mistério em torno da história de Sakura Haruno seja o que a torna uma figura tão fascinante.

– Professora. — Um garoto levantou a mão — Então se foi o Sasuke, ele sabia que ela era inocente?

– É como eu falei, até hoje isso é um mistério. — Explicou — Se a gente usar o suposto diário dela como evidência, a própria Sakura se declarou culpada mesmo sendo inocente, mas são poucos os estudiosos que crêem que aquele diário realmente tenha sido dela. Mas a grande parte dos especialistas afirma que Sasuke morreu acreditando na culpa da Sakura. Existem registros médicos do Rei, dizendo que ele, em momentos de delírio quando estava chegando perto da morte, falava sobre a falecida esposa e se lamentava por tê-la amado tanto, já que ela o traiu. Então essa é uma forte evidência de que Sasuke acreditava que, sim, Sakura realmente era culpada. Ela não foi acusada só de ter dormido com outros homens, mas de ter conspirado a morte do Rei e também de tê-lo envenenado. Talvez isso explique por que Sasuke foi ficando extremamente paranóico com essa história de envenenamento com o passar do tempo.

– E a Sarada, professora? — Uma garotinha questionou curiosa — Ela acreditava na culpa da Sakura?

– É como eu falei, Sarada não falava de sua mãe publicamente. Não existem registros sobre isso. — Contou — Após a morte de Sarada, não foi descoberto só um retrato de Sakura entre seus pertences, mas uma miniatura de um retrato escondido em seu anel... Anel esse que foi passado de monarca para monarca dentro da dinastia, e hoje ele está aqui no museu.

– Podemos vê-lo? — Um garoto questionou.

O grupo andou um pouco, finalmente estavam em frente ao anel que um dia pertenceu a Sarada, e que estava protegido por um vidro blindado.

O anel estava aberto para exposição, dentro dele havia um pequeno retrato, idêntico ao outro que estavam olhando. Era óbvio que Sarada havia mandado colocar o retrato de sua mãe escondido no anel.

– Professora, por que ela mandou colocar o retrato da Sakura justo nesse anel? — Uma aluna questionou — Podia ter sido de um outro. Esse anel passava pra outros regentes.

– Existem várias explicações pra isso... Primeiro, talvez porque ela queria usar o exemplo de sua mãe como uma lembrança, para ser cuidadosa como Rainha, já que sabia como a vida de Sakura havia acabado por ela ter sido uma pessoa inconsequente. Mas existe uma interpretação mais romântica, que diz que Sarada guardou o retrato de sua mãe aí para lembrar às próximas gerações de monarcas Uchiha que eles só puderam reinar graças ao sacrifício de Sakura, já que ela se recusou a assinar a anulação do casamento com Sasuke. Ela morreu por isso, mas garantiu a sucessão de Sarada e, dessa forma, ajudou a mudar o curso da história. — Explicou a professora — A verdade é que nunca saberemos de toda a verdade, já que Sakura está morta há cerca de quinhentos anos. — Riu — Séculos após sua morte, reformas foram feitas ao redor da Torre, então encontraram uma espécie de caixão com o nome de Sakura gravado nele. Foi uma descoberta e tanto! Com a datação por carbono, o nome da Rainha gravado no caixão, e os trajes que vestiam o cadáver, concluíram que o corpo era, de fato, de Sakura.

– E onde está o corpo dela hoje? — Um aluno perguntou.

– Está ao lado do corpo de Sarada. — Respondeu — Ela foi enterrada ao lado da filha depois da exumação, e hoje, após séculos, ela recebe o devido respeito que merece, tendo entrado para a história como uma das personalidades mais controversas e fascinantes do mundo. Sua vida até hoje inspira romances, séries, filmes, peças... Mesmo que Sasuke tenha tentado apagá-la da história, Sakura Haruno tornou-se imortalizada com o passar dos anos, e é certo que ela nunca desaparecerá. — Sorriu — É como algumas pessoas costumam dizer: Mulheres comportadas não fazem história.

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