Do processo de escrita
1 Capítulo 1
Sentada em frente ao computador, penso. Penso no que quero escrever, no que deveria escrever, no que preciso escrever. Mas não sinto. Tenho medo de parar na segunda linha e abandonar mais um texto como tantos outros. De deixar inacabados o pensamento, a ação e o sentimento. Sim, porque talvez agora eu sinta. Talvez eu sinta aos poucos, talvez se meus dedos se moverem rápido o bastante eu consiga capturar esse afeto antes que ele me escape. Talvez a torrente de palavras que despejo aos dígitos com tecladas macias nas letras de meu computador aplique exatamente a pressão necessária para romper algo que não compreendo. Essa insinuação que pulsa no peito sem saber se é feliz ou se é triste, sem saber ser sensível. Aos poucos compreendo como não posso escrever com um objetivo estético; eu escrevo porque preciso. Tolice querer pintar palavras bonitas como um artista pinta a tela e escrever poemas sublimes. Talvez eu só consiga escrever o feio. Porque escrever é outra coisa, é violência. É desenhar a brutalidade que eu vejo, é esculpir os meus medos. Não posso criar porque não invento, transmuto. Escrever nada mais é que me curvar à essência que está em mim e prestar-lhe belas palavras como tributo.
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